Arquivo Notícias - Página 79 de 1964 - Relatório Reservado

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O xadrez trilateral em torno da importação de energia da Venezuela

9/01/2026
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A deposição de Nicolás Maduro acendeu um sinal de alerta no Ministério de Minas e Energia (MME) e em influentes players do setor elétrico, a começar pela Âmbar Energia, dos irmãos Batista, e pelo BTG Pactual. O governo brasileiro e investidores privados já se movimentam nos bastidores com o objetivo de assegurar a continuidade do acordo de importação de energia da Venezuela. Por ora, é tudo um grande breu. A parceria bilateral se tornou uma insondável relação trilateral após a intervenção norte-americana. A derrubada de Maduro e a ascensão de um governo cujos condões serão movimentados pela Casa Branca lançam incertezas sobre a manutenção dos contratos. Ainda que o foco maior esteja no petróleo, a questão da energia como um todo ocupa uma posição de centralidade na captura da Venezuela pela gestão Trump. O país tem um enorme gap de investimentos em infraestrutura e sofre com a sua insegurança energética, não raramente com cortes no fornecimento de eletricidade. Sob a ótica trumpista, a exemplo da exploração e produção de petróleo, talvez o negócio de geração e distribuição de energia venha a ser um terreno fértil para a entrada de empresas norte-americanas, provocando mudanças na estratégia de gestão do insumo. Nesse contexto, Caracas, ou melhor, Washington até pode ter interesse em manter o acordo comercial com o Brasil, mas talvez o faça em outros termos. Hoje, a energia gerada pela hidrelétrica de Guri e importada por empresas brasileiras é bem mais barata do que a produzida dentro de nossas fronteiras.
Nesse tabuleiro, uma peça importante, só para não variar, é a onipresente dupla Joesley e Wesley Batista. Basta ligar os pontos. A Âmbar Energia, de propriedade dos irmãos Batista, é uma das dez empresas autorizadas pelo MME a importar energia da Venezuela. Ao mesmo tempo Washington-Caracas é uma rota na qual Joesley trafega com notória desenvoltura. Em setembro, o empresário foi recebido por Donald Trump na Casa Branca. Dois meses depois, reuniu-se, na capital venezuelana, com Nicolás Maduro com o objetivo de negociar sua renúncia. Some-se o fato de que a J&F, a holding dos irmãos Batista, é dona de poços de petróleo na Venezuela. Diante de tal quebra-cabeças, de encaixes perfeitos, difícil imaginar que qualquer assunto relacionado à compra de energia do país vizinho passe ao largo da mesa de Joesley e Wesley Batista. O RR encaminhou uma série de perguntas à Âmbar Energia, mas a empresa limitou-se a dizer que “nunca importou energia da Venezuela”. O que não diminuiu a sua importância em toda esta engrenagem. É sabido, com notícias publicadas à época (final de 2023), que o clã Batista participou das negociações em torno do acordo firmado entre os governos do Brasil e da Venezuela. No ano passado, inclusive, o governo chegou a destinar R$ 17 milhões da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) para a Âmbar comprar o insumo venezuelano, mas a operação não seguiu adiante.
A aquisição de energia da Venezuela se deu ininterruptamente durante 18 anos – entre 2001 e 2019, quando foi interrompida logo no primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro. A importação foi retomada em fevereiro do ano passado a partir de uma engenharia geoenergética na qual se cruzam – e se embolam – fios soberanos e privados. A operação foi costurada diretamente entre os governos Lula e Maduro. Na prática, no entanto, a União não compra um megawatt sequer. A importação é feita exclusivamente por tradings e grupos do setor elétrico. Posteriormente, o insumo é revendido com subsídio por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Entre as empresas autorizadas pelo Ministério merece destaque também a tríplice presença do BTG. Além do BTG Pactual Energia, estão na lista a Engelhart, trading controlada pelo banco, e Eneva, da qual a instituição financeira de André Esteves é um dos principais acionistas. Procurado, o BTG não quis comentar o assunto.
Há muito em jogo. A compra de energia da Venezuela é um negócio que pode ser duplamente precificado, a valor presente e a valor futuro. Hoje, a importação tem como objetivo exclusivo o suprimento de Roraima. Para todos os efeitos, em setembro do ano passado, o estado, até então um “eremita energético” dado o seu isolamento, foi finalmente conectado ao Sistema Interligado Nacional de Energia (SIN) com a energização da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista. Na prática, no entanto, a integração à vera ainda vai demorar. Há uma série de ajustes técnicos e adequações contratuais a serem feitas até que Roraima esteja acoplada ao SIN. Até lá, a energia venezuelana segue sendo vital para evitar o risco de desabastecimento no estado. É um negócio razoavelmente rentável para as empresas importadoras do insumo, dado o seu menor custo de produção na Venezuela, as margens impostas pela necessidade de suprimento de Roraima e os subsídios da CCC. Olhando-se para o porvir, a importação de energia da Venezuela pode vir a ser uma operação ainda mais lucrativa, justamente devido à integração do estado com o SIN. O próprio ministro Alexandre da Silveira já declarou que, com a nova linha de transmissão, o insumo venezuelano poderá ser despachado para outras regiões do país. Roraima precisa de apenas 250 MW ao passo que a rede de transmissão, quando estiver funcionando a plena capacidade, poderá transportar até 1 GW. Esse excedente seria jogado no SIN para abastecer outros estados. Mas, para que esse plano se materialize, é necessário esperar o que vem de Caracas. Ou melhor, de Washington.

Advent prepara venda do controle da Allied

9/01/2026
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Circula à boca miúda no mercado que o Advent abriu conversações com potenciais candidatos à compra da Allied, empresa de distribuição de eletrônicos, como smartphones e notebooks, com faturamento anual superior a R$ 4 bilhões. Do outro lado da mesa estão fundos de private equity. Um deles seria o Vinci Partners. O Advent detém uma participação de 65%. O desafio é realizar o desinvestimento sem consumar um prejuízo. Há 11 anos, a gestora norte-americana pagou aproximadamente R$ 1 bilhão pelo controle da Allied. Hoje, o valor de mercado da companhia é de aproximadamente R$ 800 milhões.

Leilão do saneamento em Goiás entra no radar da Aegea

9/01/2026
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A Aegea sinalizou ao governo de Goiás a disposição de disputar o leilão da Saneago, marcado para 25 de março. Em disputa a operação de água e esgoto em 216 município do estado, um pacote de investimentos estimado em mais de R$ 6 bilhões. A empresa, controlada por Equipav, Itaúsa e GIC, fundo soberano de Cingapura, tem sido um player assíduo dos principais certames do setor. No ano passado, por exemplo, arrematou todos os quatro blocos de concessão de saneamento leiloados pelo governo do Pará. Seguidos investimentos cobram seu preço, vide o aumento da alavancagem – hoje a relação dívida líquida/Ebitda é de três vezes. Não por acaso, a Aegea estuda abrir o capital em bolsa, com o objetivo de reduzir o peso do seu endividamento e ganhar fôlego para os próximos leilões. Em dezembro, contratou BTG Pactual, Itaú BBA e Morgan Stanley para estruturar a oferta de ações.

Eduardo Bolsonaro deixa PF falando sozinha

9/01/2026
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Eduardo Bolsonaro não está nem aí para a Polícia Federal – seja como investigado, seja como servidor concursado. Até o momento, segundo informações filtradas pelo RR, o ex-parlamentar não se manifestou formalmente à PF acerca da convocação para retomar seu cargo de escrivão. No último dia 2, a corporação determinou que o “03” retorne ao Brasil para reassumir suas funções. Eduardo ingressou na Polícia Federal por concurso público em 2010 e se licenciou cinco anos depois, quando tomou posse para o seu primeiro mandato como deputado federal. Com a sua cassação pela Câmara, no mês passado, a licença automaticamente perdeu efeito. Em suas redes sociais, o ex-parlamentar já deixou claro que não cumprirá a determinação: “Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”, Consultada pelo RR sobre o prazo concedido a Eduardo Bolsonaro para a sua representação ao serviço e sobre eventuais punições, a PF não se pronunciou. Em situações de abandono de função, o rito prevê a instauração de um processo administrativo disciplinar e, em último caso, a demissão do servidor. É o que deve ocorrer com o ex-deputado e, ao que tudo indica, futuro ex-escrivão.

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