Arquivo Notícias - Página 78 de 1964 - Relatório Reservado

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Quanto “custa” ganhar um Globo de Ouro?

12/01/2026
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A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro reforça uma certeza: o Brasil não apenas pegou o jeito de fazer filmes com temáticas e roteiros sob medida para o escrutínio internacional como aprendeu que por trás de toda película premiada há um bem-sucedido script de lobby. Além da sua qualidade, a produção de Kleber Mendonça Filho chegou ao Beverly Hilton, em Los Angeles, amparada por uma grande e custosa engrenagem de representação institucional, relações estratégicas e presença estratégica junto à indústria e a formadores de opinião. Um Globo de Ouro “custa” caro. Vamos a algumas ordens de grandeza, apenas a título de ilustração. O primeiro item da conta é a contratação de uma agência de awards em Los Angeles. Não são assessorias comuns, mas casas especializadas em premiações, com acesso direto à imprensa internacional, associações de críticos e aos próprios votantes da Golden Globe Foundation. Segundo o RR apurou, o fee de uma campanha costuma variar entre US$ 150 mil e US$ 250 mil, dependendo do escopo e da agressividade. A isso se soma a assessoria de imprensa internacional premium, responsável por entrevistas exclusivas, capas, perfis, reportagens de bastidor e narrativas favoráveis. Aqui entram veículos como Variety, Hollywood Reporter, Deadline e Vanity Fair. O custo adicional gira em torno de US$ 120 mil por temporada. Outro capítulo relevante é o circuito de exibições privadas e eventos. São sessões fechadas para votantes, jornalistas e formadores de opinião, geralmente seguidas de Q&As com diretor, elenco e produtores. De acordo com fontes da indústria ouvidas pelo RR, aluguel de salas, recepção, logística, equipe local e convites facilmente consomem mais de US$ 140 mil ao longo da campanha. Há ainda o custo da presença física. A campanha exige viagens frequentes dos produtores, do diretor e de integrantes do cast a Los Angeles e Nova York. Esses deslocamentos jogam, por baixo, mais US$ 100 mil na conta. Não menos importante é o trabalho de relacionamento institucional contínuo: almoços, encontros discretos, convites estratégicos, manutenção de vínculos com associações e jornalistas-chave, algo que Hollywood lê como sinal de relevância. Em um cálculo conservador, esse esforço não saiu por menos de US$ 100 mil. Ou seja: pegando-se apenas as etapas chave, uma campanha de representação básica para o Globo de Ouro consome ao menos US$ 700 mil. Ou algo como R$ 3,7 milhões. No caso de “O Agente Secreto”, esse valor é maior do que os produtores do filme desembolsaram com promoção e marketing no Brasil. 

#Cinema #Globo de Ouro

Governo usa Caixa Econômica para destravar até R$ 8 bi em projetos climáticos

12/01/2026
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O governo tem uma nova missão reservada para a Caixa Econômica. A ideia é que o banco assuma um papel no fomento de projetos vinculados a metas climáticas, funcionando como um hub de captação e redistribuição de recursos para estados e municípios. A estratégia vem sendo desenhada a várias mãos: Ministério da Fazenda, Casa Civil e Ministério do Meio Ambiente, além da própria direção da instituição financeira. Segundo informações filtradas pelo RR, a Caixa está preparando uma nova fornada de fundos ambientais a serem lançados no primeiro semestre de 2026. Estimativas internas indicam o potencial de levantar até R$ 2 bilhões. Em modelos desse tipo, a expectativa é operar com um fator multiplicador de até quatro vezes. Ou seja: esse valor pode gerar até R$ 8 bilhões em investimentos efetivos. O trabalho de captação começou durante a COP30. Dirigentes da Caixa cumpriram uma intensa agenda de encontros com agência de desenvolvimento, organismos multilaterais e fundos internacionais. O primeiro passo concreto foi o acordo com o Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês), instrumento da ONU para financiar ações contra as mudanças climáticas em países em desenvolvimento. A parceria com o GCF prevê a possibilidade de até US$ 250 milhões em aportes em fundos administrados pela Caixa.
O ponto central da iniciativa é que os recursos amealhados pela Caixa desaguem para programas atrelados a metas climáticas conduzidos por entes subnacionais. Na mira, projetos em áreas críticas, como drenagem urbana, contenção de encostas, segurança hídrica, resiliência de estruturas como pontes e túneis, entre outros. É o circuito da tragédia que ronda, sobretudo, cidades pequenas, potencializado pelos extremos climáticos. A Caixa já dispõe de um veículo com esta finalidade, o Fundo de Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE). Como o nome sugere, ele foi criado para financiar a reconstrução de infraestruturas pós-desastres climáticos, notadamente no caso das enchentes do Rio Grande do Sul. O intuito é ampliar seu alcance para financiar projetos de prevenção e mitigação de riscos em municípios de pequeno e médio porte. No pano de fundo, há também um cálculo político e fiscal. Ao estruturar fundos e não apenas linhas tradicionais de crédito, o governo tenta avançar na agenda climática sem pressionar diretamente o orçamento federal, transferindo parte do risco e do financiamento para o mercado.

#Caixa Econômica Federal

Após BH Shopping, Multiplan coloca mais ativos na vitrine

12/01/2026
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A negociação de 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões, anunciada na semana passada, está longe de ser um movimento isolado da Multiplan. A empresa da família Peres tem conversas engatilhadas para a venda de participações minoritárias em outros empreendimentos do seu portfólio. Segundo informações filtradas pelo RR, MorumbiShopping, ParkShopping Brasília e RibeirãoShopping, em Ribeirão Preto, figuram entre os ativos na vitrine. A Multiplan avalia ainda a possibilidade de se desfazer de ações do BarraShopping e do Village Mall, no Rio. A lógica é clara: monetizar shoppings maduros, altamente valorizados e líquidos. Ressalte-se: sem abrir mão do controle acionário e da gestão operacional, premissas que sempre permearam todos os negócios de José Isaac Peres. Cabe enfatizar que a Multiplan tem “gordura societária” de sobra em todos os seus shoppings, leia-se participações superiores a 80%, o que lhe dá margem para destravar valor dos ativos mantendo sua posição majoritária. Consultada pelo RR, a Multiplan não se manifestou.
O movimento sinaliza uma relevante mudança estratégica na Multiplan. Sob a liderança de Eduardo Peres, filho do Dr. Peres – como o fundador da empresa é chamado por todos os funcionários -, a empresa passa a privilegiar eficiência de capital e retorno ao acionista, em vez da expansão acelerada que marcou décadas anteriores. A revisão do portfólio caminha lado a lado com uma reavaliação criteriosa dos projetos greenfield, que tendem a ser postergados, redimensionados ou até descartados diante do custo de capital ainda elevado.

#Multiplan

Pressão política ameaça renovação do contrato e venda da Enel Ceará

12/01/2026
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O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?

#Enel

Bolsonaristas puro-sangue empurram dois bodes para a porta do STF

12/01/2026
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A base bolsonarista promete retomar os trabalhos no Congresso, em fevereiro, cutucando, simultaneamente, dois vespeiros contra o STF. Parlamentares da oposição, à frente o senador Rogério Marinho (PL-RN), têm se articulado com o objetivo de retomar a tramitação da PEC que autoriza qualquer cidadão a pedir o impeachment de ministros do Supremo e do projeto de lei que restringe as decisões monocráticas da Corte. Esta última já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no fim do ano passado. É pouco provável que qualquer uma das duas pautas seja levada adiante. No próprio STF, a leitura é que a oposição está colocando um bode na sala para pressionar o presidente do Senado, David Alcolumbre, a modificar o PL do Impeachment, que estabelece novas regras para o afastamento de autoridades, incluindo os próprios ministros da Corte, alvo principal da ofensiva bolsonarista.

#bolsonarista

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