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Quanto “custa” ganhar um Globo de Ouro?
12/01/2026A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro reforça uma certeza: o Brasil não apenas pegou o jeito de fazer filmes com temáticas e roteiros sob medida para o escrutínio internacional como aprendeu que por trás de toda película premiada há um bem-sucedido script de lobby. Além da sua qualidade, a produção de Kleber Mendonça Filho chegou ao Beverly Hilton, em Los Angeles, amparada por uma grande e custosa engrenagem de representação institucional, relações estratégicas e presença estratégica junto à indústria e a formadores de opinião. Um Globo de Ouro “custa” caro. Vamos a algumas ordens de grandeza, apenas a título de ilustração. O primeiro item da conta é a contratação de uma agência de awards em Los Angeles. Não são assessorias comuns, mas casas especializadas em premiações, com acesso direto à imprensa internacional, associações de críticos e aos próprios votantes da Golden Globe Foundation. Segundo o RR apurou, o fee de uma campanha costuma variar entre US$ 150 mil e US$ 250 mil, dependendo do escopo e da agressividade. A isso se soma a assessoria de imprensa internacional premium, responsável por entrevistas exclusivas, capas, perfis, reportagens de bastidor e narrativas favoráveis. Aqui entram veículos como Variety, Hollywood Reporter, Deadline e Vanity Fair. O custo adicional gira em torno de US$ 120 mil por temporada. Outro capítulo relevante é o circuito de exibições privadas e eventos. São sessões fechadas para votantes, jornalistas e formadores de opinião, geralmente seguidas de Q&As com diretor, elenco e produtores. De acordo com fontes da indústria ouvidas pelo RR, aluguel de salas, recepção, logística, equipe local e convites facilmente consomem mais de US$ 140 mil ao longo da campanha. Há ainda o custo da presença física. A campanha exige viagens frequentes dos produtores, do diretor e de integrantes do cast a Los Angeles e Nova York. Esses deslocamentos jogam, por baixo, mais US$ 100 mil na conta. Não menos importante é o trabalho de relacionamento institucional contínuo: almoços, encontros discretos, convites estratégicos, manutenção de vínculos com associações e jornalistas-chave, algo que Hollywood lê como sinal de relevância. Em um cálculo conservador, esse esforço não saiu por menos de US$ 100 mil. Ou seja: pegando-se apenas as etapas chave, uma campanha de representação básica para o Globo de Ouro consome ao menos US$ 700 mil. Ou algo como R$ 3,7 milhões. No caso de “O Agente Secreto”, esse valor é maior do que os produtores do filme desembolsaram com promoção e marketing no Brasil.
Governo usa Caixa Econômica para destravar até R$ 8 bi em projetos climáticos
12/01/2026
Após BH Shopping, Multiplan coloca mais ativos na vitrine
12/01/2026
Pressão política ameaça renovação do contrato e venda da Enel Ceará
12/01/2026O Brasil está se tornando um campo minado para a Enel. Como se não bastasse a ofensiva do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes por conta dos seguidos apagões em São Paulo, agora são políticos cearenses que atiram contra a empresa. O governo e a bancada do estado têm feito pressão junto à Aneel contra a renovação antecipada da concessão da Enel Ceará. O processo chegou a ser incluído na reunião da agência reguladora em dezembro, mas foi tirado de pauta após um pedido de vista do ministro Gentil Cardoso. Ressalte-se que o relator, Fernando Mosna, já votou contra a extensão do contrato, que vence em 2028. Guardadas as devidas proporções, a Enel Ceará segue uma trilha similar à distribuidora do grupo italiano em São Paulo. Por conta de falhas na prestação do serviço, a empresa acumula mais de R$ 70 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce) ao longo dos últimos sete anos. Até o momento não pagou um centavo – todas as sanções são contestadas na Justiça. Se, em São Paulo, o risco da Enel é perder sua maior operação no Brasil, no Ceará o que está em jogo é a venda ou não da distribuidora. Os italianos querem negociar a Enel Ceará, mas a transferência do controle depende da renovação antecipada do contrato. Quem vai comprar uma distribuidora de energia cuja concessão vence em dois anos?
Bolsonaristas puro-sangue empurram dois bodes para a porta do STF
12/01/2026A base bolsonarista promete retomar os trabalhos no Congresso, em fevereiro, cutucando, simultaneamente, dois vespeiros contra o STF. Parlamentares da oposição, à frente o senador Rogério Marinho (PL-RN), têm se articulado com o objetivo de retomar a tramitação da PEC que autoriza qualquer cidadão a pedir o impeachment de ministros do Supremo e do projeto de lei que restringe as decisões monocráticas da Corte. Esta última já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara no fim do ano passado. É pouco provável que qualquer uma das duas pautas seja levada adiante. No próprio STF, a leitura é que a oposição está colocando um bode na sala para pressionar o presidente do Senado, David Alcolumbre, a modificar o PL do Impeachment, que estabelece novas regras para o afastamento de autoridades, incluindo os próprios ministros da Corte, alvo principal da ofensiva bolsonarista.