Arquivo Notícias - Página 7 de 1962 - Relatório Reservado

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Bioeconomia regenerativa do oceano: uma agenda fundamental do nosso tempo

16/04/2026
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Um leitor atento alertou quanto a possível apologia à economia do O&G e da mineração no último texto de 27 de março de 2026¹. Faço alguns esclarecimentos:

Primeiro, temos defendido que a bioeconomia do mar pode ser um vetor de desenvolvimento socioeconômico para o nosso país, com a geração de emprego e renda. A inclusão produtiva será necessária especialmente no estado do Rio de Janeiro, que tem sua economia fortemente calcada no setor de óleo e gás.

Em segundo lugar, royalties serão bem empregados para o desenvolvimento da bioeconomia do mar, permitindo ampliar a matriz econômica, como outros países já fizeram, por exemplo a Noruega. Investimentos em educação e cultura, para formação de novos programas de ensino médio, graduação, pós-graduação, novos profissionais, tais como cientistas de dados, (bio)tecnólogos, e engenheiros de bioprocessos, serão necessários.

Como terceiro ponto, a bioeconomia do mar poderá ser fundamental como atividade regenerativa, melhorando a saúde do oceano, por exemplo, com a reconstrução de recifes de corais e repovoamento de sistemas marinhos diversos empobrecidos de biodiversidade². Outro exemplo relevante é o uso de algas e microalgas para a descarbonização de processos industriais que imprimem pesada externalidade negativa em plantas de produção.

Paralelamente, precisaremos reforçar a soberania da ciência, tecnologia e inovação brasileira, reforçando iniciativas nacionais de estudo e uso sustentável dos recursos biológicos. Aqui cabe relembrar o trabalho pioneiro de Dr C.F. Hartt já em 1867, que conduziu levantamentos sobre a biodiversidade de corais no Brasil, e levou a biodiversidade de corais endêmicos brasileiros para o Museu da Universidade Particular de Yale, nos EUA³. Desde então recifes no Brasil e no mundo, vem sofrendo processo de destruição.

No último dia primeiro de abril de 2026 o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) para desenvolvimento da bioindústria, fitoterápicos e ampliação de unidades de conservação para ecoturismo para a próxima década . A pilocarpina é um bom exemplo de medicamento oriundo de plantas brasileiras que reverteu em recursos para o estrangeiro. Este plano pode ser uma alavanca para o desenvolvimento da bioeconomia do mar no Brasil.

Este plano federal está alinhado com recente diretiva da FAPESP que elencou temas estratégicos para CTI em 18 de março de 2026. Entre os temas priorizados pela FAPESP estão Biotecnologia, Transição Energética, e Biodiversidade, produção sustentável de alimentos e segurança alimentar. Em recente entrevista, Mariangela Hungria da Embrapa, sugere que poderíamos substituir 40% do fertilizante inorgânico por biofertilizantes . É uma oportunidade para os bioinsumos marinhos.

Finalmente, cabe destacar que embora o Brasil venha participando de reuniões de estado do G7, por conta de sua forte economia de comodities, é notória a marca de externalidades negativas no nosso país, e especialmente no estado do Rio de Janeiro, onde é produzida a maior parcela do O&G brasileiro, enquanto divisas e lucros saem do estado fluminense.

  1. https://relatorioreservado.com.br/noticias/economia-azul-paz-soberania-e-desenvolvimento/
  2. https://oglobo.globo.com/blogs/ancelmo-gois/post/2026/03/pesquisadores-da-ufrj-realizam-a-primeira-reproducao-de-corais-em-uma-universidade-brasileira.ghtml
  3. Verrill, A.E. (1868). Notes on Radiata in the Museum of Yale College, with descriptions of new genera and species. No. 4. Notice of the corals and Echinoderms collected by Prof. C.F. Hartt, at the Abrolhos Reefs, Province of Bahia, Brazil, 1867. Transactions of the Connecticut Academy of Arts and Sciences. 1 (2): 351-376., available online at https://biodiversitylibrary.org/page/13380325 [details]
  4. https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/participacao-do-ministro-mauro-vieira-na-reuniao-de-chanceleres-do-g7
  5. https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/sbc/dpeb/estrategia-nacional-de-bioeconomia/plano-nacional-de-desenvolvimento-da-bioeconomia
  6. https://fapesp.br/publicacoes/2026/temasestrategicos.pdf
  7. https://www.youtube.com/watch?v=J_xBeyzwlP4

Eleição se aproxima e não há solução possível para discordância entre o BC e o BNDES

16/04/2026
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O cenário econômico e político está colocando em campos diametralmente opostos duas-figuras chave, em maior ou menor medida ligadas diretamente ao próprio presidente Lula: os mandatários do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do BNDES, Aloizio Mercadante. Neste momento, não há na órbita do governo personagens mais antagônicos do que ambos. Galípolo e Mercadante personificam, em suas missões, um dos trade off da gestão Lula a poucos meses da campanha eleitoral: de um lado, a necessidade de combate à carestia, diante de um repique inflacionário já presente; do outro, a obrigação de turbinar a atividade econômica e, mais do que isso, impedir uma quebradeira de pessoas jurídicas e físicas – um quesito determinante para o escrutínio das urnas. Ao falar sobre juros, Galípolo – que, a rigor, não é apenas Galípolo, mas todo um colegiado – tem repetido de forma monocórdica a palavra “cautela”, um jeito suave de dizer que não será possível cumprir a agenda de redução da taxa de juros que estava prevista para este ano. O próprio mercado já assimilou a ideia de que a queda dos juros ficou para outro tempo que não este ano, ainda que, curiosamente, a estimativa impressa no Boletim Focus seja de uma Selic de 12,5% para dezembro. Vai entender… São os mesmos agentes financeiros que, nas últimas quatro semanas, elevaram a projeção para o IPCA deste ano de 4,1% para 4,7%. Do lado de Mercadante, por sua vez, caberá a tarefa de abrir ainda mais as torneiras do BNDES exatamente para aliviar os efeitos do ciclo contracionista imposto pela política monetária. Alguns números já estão sobre a mesa. Somente no âmbito da Nova Indústria Brasil (NIB), o banco despejará mais R$ 70 bilhões ao longo deste ano.

Antagonismos entre presidentes da autoridade monetária e do principal agente de fomento do Estado brasileiro não são exatamente uma novidade. Um exemplo marcante – e mais agudo – é o confronto entre Henrique Meirelles e Carlos Lessa no Lula I. Lessa chegou a acusar publicamente Meirelles de querer acabar com o BNDES. Galípolo e Mercadante não chegam nem perto disso. A dissonância entre ambos diz respeito à tarefa que cada um tem de cumprir. Daqui até o fim do ano, um trabalhará irremediavelmente na contramão do outro. As missões de ambos se anulam. Enquanto o Banco Central busca retirar recursos do sistema para conter a inflação, o BNDES reintroduz essa liquidez por meio de crédito direcionado.

Ontem, Lula disse que vai chamar Gabriel Galípolo para baixar os juros. Ainda que proferida em tom de brincadeira, a declaração pode ser etiquetada como mais uma das típicas bravatas do presidente. De certa maneira, do ponto de vista político, com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, Galípolo ficou em uma posição ainda mais confortável para fazer o que tem de ser feito sob a ótica da autoridade monetária. De toda a forma, sem entrar no mérito da discussão se seria ou não possível reduzir os juros ao longo dos próximos meses, o fato é que a política restritiva by the book do Banco Central está por trás de dados críticos da economia. O Brasil encerrou 2025 com 8,9 milhões de empresas inadimplentes, um recorde histórico, com dívidas que somam cerca de R$ 213 bilhões. Esse estrangulamento se traduz diretamente no aumento das recuperações judiciais. Em 2025, 2.466 empresas entraram em RJ, o maior nível da série histórica para um único ano, com crescimento de 13% em relação a 2024. Da pessoa jurídica para a física, o quadro também é delicado. Segundo levantamento da Serasa Experian, 73 milhões de brasileiros estão inadimplentes – o equivalente a um em cada dez adultos no país. Entre as famílias endividadas, 29,6% têm débitos negociados já em atraso, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para um presidente da República que disputa a reeleição são números que têm o efeito de um derramamento de césio 137.

À medida que a eleição se aproximar, a colisão das missões de Galípolo e Mercadante deverá ganhar maior relevo político. Esse desencontro tende a se irradiar no entorno de Lula e a amplificar possíveis pressões dentro do PT. O partido foi condicionado historicamente a ver nos juros altos a origem de boa parte dos males da economia brasileira – no que, de certa forma, não está muito errado. Quanto mais restritiva for a atuação do Banco Central, maior a pressão para que o BNDES amplie sua atuação. Bem, o banco de fomento não é independente. Está na jurisdição de mando de Lula. Não é o caso do BC.

#BC #BNDES

BRB contabiliza os destroços financeiros herdados do Master

16/04/2026
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O BRB trata como de difícil recuperação uma parcela dos ativos herdados do Banco Master — em especial as participações em renda variável, como Oncoclínicas e Ambipar. Dentro do próprio banco, esses ativos são considerados destroços financeiros, dada a quase impossibilidade de capitalização e de saída. A Oncoclínicas, que chegou a ser avaliada em cerca de R$ 11 bilhões no IPO em 2021, viu seu valor de mercado encolher para algo próximo de R$ 2 bilhões–R$ 3 bilhões recentemente — uma destruição de mais de 70% do valuation. No mesmo período, a companhia passou a operar com alavancagem elevada (dívida líquida/Ebitda na casa de 3,5x a 4x) e forte pressão de caixa, o que reduz drasticamente o apetite de potenciais compradores. A Ambipar seguiu trajetória semelhante: após atingir um pico de valor de mercado superior a R$ 30 bilhões em 2021, passou a negociar em patamares abaixo de R$ 10 bilhões, acumulando uma queda superior a 60% desde o auge. Mais do que a desvalorização em si, pesa a perda de liquidez e a mudança de percepção de risco: são empresas que saíram da categoria de growth para ativos pressionados por estrutura de capital e execução, o que implica descontos adicionais em qualquer tentativa de venda. 

Essa percepção ajuda a explicar a engenharia montada com a Quadra Capital. A estrutura, de cerca de R$ 15 bilhões, separa de forma implícita o que ainda pode ser monetizado do que já é visto como problema. Apenas R$ 4 bilhões entram como dinheiro novo, via cotas seniores de um FIDC. O restante permanece sob risco do próprio BRB, na forma de cotas subordinadas — ou seja, depende da performance dos ativos para se converter em caixa. O desenho privilegia direitos creditórios, que, ainda que carreguem inadimplência, ao menos têm fluxo e tese de cobrança. Já as participações acionárias seguem outro regime: dependem de mercado, de comprador e de valuation — três variáveis hoje em xeque tanto no caso da Oncoclínicas quanto da Ambipar.

#Banco Master #BRB

Corinthians pressiona Hypera após rival “inflacionar” os naming rights

16/04/2026
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O acordo entre Palmeiras e Nubank já provoca um efeito dominó no mercado de naming rights de arenas esportivas no Brasil. O Corinthians está fazendo marcação cerrada sobre a Hypera com o objetivo de reajustar o contrato da Neo Química Arena. Hoje, o grupo farmacêutico paga aproximadamente R$ 21 milhões por ano. O Corinthians almeja o dobro. Nos bastidores, dirigentes alvinegros falam até na possibilidade de rompimento da parceria caso a Hypera não concorde com a renegociação. Como ocorre costumeiramente no futebol, o corre-corre dos cartolas corintianos mistura preocupação efetiva com o business e com o valuation da Arena Itaquera com a surrada tática de jogar para a galera. O Corinthians passou a tomar uma goleada do arquirrival no campeonato dos naming rights. O Palmeiras receberá do Nubank cerca de US$ 10 milhões por ano.

#Corinthians #Palmeiras

Mato Grosso oferece mundos e fundos para atrair fabricante de máquinas agrícolas

16/04/2026
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O governo de Mato Grosso vem cortejando a chinesa FM World com o objetivo de convencê-la a instalar uma fábrica de equipamentos agrícolas no estado. A empresa está colocando os pés no Brasil devagarinho, com a abertura de uma concessionária na cidade de Sinop (MT). O governo do Mato Grosso já acenou com contrapartidas – de incentivos fiscais a infraestrutura – para estimular que a companhia internalize sua produção, ao menos de parte da demanda estimada no mercado brasileiro. Fundada há 30 anos, a FM World detém cerca de 60% das vendas de maquinário agrícola de pequeno e médio portes na China. Além disso, o grupo opera em mais de 50 países e conta com um parque industrial superior a 1 milhão de metros quadrados, com forte verticalização da produção — cerca de 80% dos componentes são fabricados internamente. É um índice que faz brilhar os olhos das autoridades do Mato Grosso, vislumbrando a possibilidade de replicar um pouco dessa estrutura com a montagem de um cinturão de fornecedores no estado.

#Agronegócios

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