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Rede D’Or acelera sua expansão em meio aos erros de diagnóstico do mercado
10/03/2026
A ampla cartografia de interesses geoeconômicos dos irmãos Batista
10/03/2026Talvez seja o caso de se começar a calcular o “PIB JBS”. Há muito que o potentado dos irmãos Batista deixou de ser uma corporação para se tornar uma espécie de empresa-nação, tamanha a malha de interesses geoeconômicos do grupo que se estende por diversas latitudes. A JBS está se posicionando estrategicamente para ser um dos grandes supridores globais de matéria-prima. A proteína animal é jogo jogado. O olhar se volta agora para setores nos quais os irmãos Batista já operam, ainda de forma incipiente, ou pretendem entrar. No primeiro caso, está o segmento de óleo e gás, no qual a holding, J&F Investimentos, milita por meio da Fluxus. No segundo, desponta o setor de minerais críticos. Segundo informações filtradas pelo RR, a JBS pretende investir na extração de minérios estratégicos para transição energética.
Joesley e Wesley Batista chegaram a um ponto que já não negociam mais estritamente com empresários, mas também com entes soberanos. Tal qual um Estado, os irmãos Batista articulam “acordos bilaterais” com países centrais ou mesmo blocos econômicos, voltados ao suprimento de matérias-primas. Os interesses de Joesley e Wesley se espalham por uma ampla cartografia. O que começa a se desenhar é um mapa global de potenciais negócios que envolve energia, minerais estratégicos e infraestrutura — não por coincidências setores que estão no centro da disputa geopolítica contemporânea.
O Oriente Médio aparece como um dos primeiros e mais evidentes vértices desse mapa. A região concentra metade das reservas mundiais de petróleo e abriga alguns dos maiores fundos soberanos do planeta, responsáveis por trilhões de dólares em investimentos globais. Países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Qatar vêm conduzindo programas agressivos de diversificação econômica, abrindo espaço para parcerias industriais e financeiras com grandes conglomerados internacionais. Para a J&F, esse ambiente pode representar uma porta de entrada para negócios ligados à energia e à petroquímica, seja por meio de joint ventures com fundos soberanos, seja por participações em projetos de refino, infraestrutura energética ou trading internacional de petróleo e derivados. A lógica é clara: aproximar-se de governos que buscam parceiros privados capazes de integrar cadeias estratégicas de alimentos, logística e energia.
Outro eixo potencial de expansão está no continente africano, onde se desenrola atualmente uma verdadeira corrida global por minerais críticos. A transição energética e a digitalização da economia aumentaram exponencialmente a demanda por insumos como cobre, lítio, níquel, cobalto e terras raras — elementos essenciais para baterias, turbinas eólicas, redes elétricas e semicondutores. A África concentra algumas das maiores reservas desses minerais. A República Democrática do Congo responde por grande parte da produção mundial de cobalto; a Zâmbia é um dos principais produtores de cobre; a Namíbia possui reservas relevantes de urânio e minerais estratégicos; e Moçambique desponta como fornecedor de grafite e gás natural. Para um grupo com acesso a capital global e interlocução política internacional, não seria surpreendente ver a J&F participar de consórcios de mineração, projetos de exploração mineral ou iniciativas de infraestrutura associadas à exportação desses recursos — como portos, ferrovias e corredores logísticos.
A América Latina, por sua vez, surge como uma fronteira natural para a expansão no setor energético. A região concentra algumas das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, além de projetos de exploração ainda em fase inicial. A Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, pode voltar ao radar de investidores internacionais caso ocorra uma abertura econômica mais ampla no país. A Argentina abriga em Vaca Muerta uma das maiores formações de shale gas e shale oil fora da América do Norte. Nesse tabuleiro, a Fluxus — empresa de óleo e gás criada pela J&F — pode se tornar a plataforma para uma entrada mais consistente do grupo no setor energético.
Outro eixo geoeconômico relevante envolve a Ásia, especialmente China e Sudeste Asiático, regiões que dominam boa parte da cadeia global de processamento de minerais estratégicos. A China lidera mundialmente o refino de terras raras e o processamento de lítio, além de controlar grande parte da produção de baterias utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Países do Sudeste Asiático também ganharam protagonismo nesse mercado. A Indonésia tornou-se um dos maiores produtores mundiais de níquel, elemento central para baterias de alta densidade energética. A Malásia abriga importantes instalações de refino de terras raras. O Vietnã possui depósitos minerais relevantes e vem atraindo investimentos industriais voltados à cadeia de semicondutores e eletrônicos. Nesse contexto, uma aproximação da J&F com esse eixo asiático poderia envolver acordos de fornecimento de minerais, parcerias industriais ou investimentos conjuntos em mineração em terceiros países.
O Brasil e os Estados Unidos estão no epicentro dessa construção, seja pelo império empresarial já constituído pela J&F nos dois países, seja pela notória relação entre os irmãos Batista e os presidentes Lula e Donald Trump. Todos os movimentos estratégicos do grupo irradiam a partir dos territórios brasileiro e norte-americano, passando quase que obrigatoriamente pelo Palácio do Planalto e pela Casa Branca. Por sinal, se Trump e Lula desenvolveram uma química, no caso dos irmãos Batista parece haver uma relação quase telepática entre eles e o mandatário dos Estados Unidos. Não por acaso, nenhuma outra corporação brasileira está tão imersa na questão do Oriente Médio. A exemplo da Venezuela, mais uma vez os passos de Joesley e Wesley Batista seguem o tracejado das pegadas de Donald Trump e de sua belicosa política externa. Follow the money and follow the war. A J&F tem um vasto leque de negócios para ofertar.
Venda de ativos desnuda a delicada situação financeira da InBrands
10/03/2026A InBrands está olhando para dentro do próprio guarda-roupa em busca de fôlego financeiro. Pressionada por prejuízos crescentes e por uma estrutura de capital cada vez mais frágil, a holding de moda avalia a venda de marcas de seu portfólio como forma de levantar caixa e reduzir o peso da dívida. O grupo reúne algumas das grifes mais conhecidas do segmento premium no país, como Ellus, Richards, Salinas, Bobstore, VR Collezioni e Herchcovitch; Alexandre, além de operações ligadas a licenciamento e acessórios. Nos bastidores do setor, fala-se que o processo pode incluir desde etiquetas consideradas menos estratégicas até participações societárias em negócios paralelos da companhia. Entre as possibilidades discutidas no mercado está a eventual saída da IMM Fashion, empresa responsável pela organização da São Paulo Fashion Week (SPFW), controlada em parceria com a Luminosidade.
A InBrands ensaia um processo de desmobilização de ativos desde 2023, quando colocou à venda sua participação na Tommy Hilfiger no Brasil, joint venture mantida com a PVH Corp., dona global da marca. No entanto, não conseguiu encontrar interessados, o que internamente reforçou o entendimento de que será necessário colocar suas roupas mais cobiçadas sobre o balcão. Mesmo porque os indicadores financeiros do grupo pioram gradativamente. Entre janeiro e setembro de 2025 (último balanço disponível), a receita líquida caiu 1,7% em comparação a igual período no ano anterior – de R$ 313 milhões para R$ 308 milhões. No mesmo intervalo, o prejuízo da InBrands mais do que duplicou, saltando de R$ 42 milhões para R$ 91 milhões. São números que pesam sobre os acionistas controladores da InBrands, os empresários Nelson Alvarenga Filho e Americo Fernando Rodrigues Breia, donos de 54,9% do capital. Mas não só. Os resultados da holding contaminam também o Fundo de Investimento em Participações – PCP, da Vinci Compass, detentor de 44,98%. Definitivamente não é um desempenho à altura dos fundos geridos pela casa de investimentos de Gilberto Sayão.
Khosla tem novos investimentos já engatilhados no Brasil
10/03/2026Demorou, mas a Khosla Ventures, um dos mais conhecidos fundos do Vale do Silício, abriu a porteira no Brasil. Corre na Faria Lima o burburinho de que o venture capital tem dois novos deals em fase de avaliação no país, ambos com cheques na casa dos US$ 10 milhões. Em fevereiro, a Khosla fez seu primeiro aporte em uma empresa brasileira, ao liderar a capitalização de US$ 17,5 milhões da Comp, startup de softwares especializada na gestão de remuneração corporativa. Criado em 2004 por Vinod Khosla, cofundador da Sun Microsystems, o fundo é um dos mais influentes veículos de venture capital globais. Administra aproximadamente US$ 15 bilhões em ativos e tem histórico de apostas precoces em empresas que posteriormente se tornaram gigantes do setor de tecnologia, como DoorDash, Square, Instacart e OpenAI. No mercado brasileiro, investidores interpretam a entrada da Khosla como um sinal de reaproximação dos grandes fundos globais de venture capital com o país. A aposta é que o fundo norte-americano vai centrar suas baterias em startups brasileiras ligadas a IA, software corporativo e fintechs, segmentos que concentram hoje boa parte do pipeline de inovação no país.
Quem diria? Flavio Dino vira um problema eleitoral para Lula
10/03/2026O Maranhão transformou-se em um delicado tabuleiro de xadrez para o presidente Lula e o PT. Curiosamente, a peça que atrapalha o jogo lulista é um aliado dos mais relevantes, o ministro do STF Flavio Dino. Ex-mandatário do Maranhão, Dino trabalha pela candidatura do atual vice, Felipe Camarão (PT), ao governo do estado. É mais um capítulo da sua rixa política com o que outrora foi um de seus mais importantes colaboradores, o governador Carlos Brandão, vice de Dino em seus dois mandatos. Ambos romperam e hoje têm uma relação das mais conturbadas. Nem parece que um dia foram próximos. Brandão, sem partido, já deixou claro que não vai apoiar a candidatura do seu vice, Camarão, e pretende lançar na disputa seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB). É um nó para o Palácio do Planalto. De um lado, está Dino; do outro, o MDB. Não cabe aferir quem pesa mais na balança de Lula. A questão é que o presidente almeja uma aliança com o MDB no plano nacional, o que significa engolir um sapo aqui e outro acolá nas coligações estaduais. O problema, nesse caso, não é deglutir o batráquio, mas convencer Dino a abrir mão do seu candidato no Maranhão.