Arquivo Notícias - Página 247 de 1965 - Relatório Reservado

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Se é para congelar o mínimo, então que todos paguem a conta

15/05/2025
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Nas últimas semanas, muito em razão do prestígio de seus defensores, vem ganhando força a proposta de um congelamento do salário-mínimo – sem data de correção – como medida efetiva de ajuste fiscal. O raciocínio dos pregadores da ideia é que, em um futuro qualquer, esses mesmos pobres tungados viriam a se beneficiar de uma inflação na meta. Pois bem, a proposição enseja algumas considerações:

 

  • Os principais nomes que endossam a proposta conhecem a política e sabem que poucas ideias teriam condições de ser tão reprovadas quanta essa. A quem interessa colocar a conta do ajuste fiscal nos mais pobres? A menção à medida às vésperas de um calendário eleitoral parece pura provocação. O congelamento do mínimo não fará parte do programa de candidato algum a coisa alguma. Pelo contrário: seria usado como algo inaceitável seja lá o partido ou ideologia.
  • A proposta lembra um episódio vivido pelos economistas Maria da Conceição Tavares e Paulo Guedes em palestra na Associação dos Bancos de Investimentos (Anbid) na década de 80. No período a carestia batia nos píncaros. Em meio a um debate agressivo, Conceição virou-se para Guedes e esbravejou, “Você é um ortodoxo tão obsessivo que toparia até queimar todas as favelas para debelar a inflação”. No que Guedes retrucou com indisfarçável ironia: “Queimar algumas para baixar esse índice de preços eu topo”. Era um chiste, é claro!
  • Mas digamos que o mínimo seja congelado, até porque sua correção em termos reais impacta quase todo o gasto do governo, devido ao seu papel como indexador. A injustiça poderia ser compensada em parte pela compensação financeira de todos os salários na mesma proporção da inflação expurgada. Ou seja: uma medida para criar isonomia entre todos os cidadãos. Seria algo como uma CPMF ou um precatório de compensação salarial. Ainda mais recomendável que o pagamento e sua data de realização fossem protegidos pela Constituição para garantir a perenidade da contribuição mesmo com eventual troca de governo.
  • Se todo o cidadão pagasse o mesmo percentual sobre o seu rendimento para colocar as contas públicas em ordem, ao contrário do aumento da isenção para faixas maiores, o “imposto do congelamento” seria progressivo e universal, sem se confundir com as regras da reforma tributária. Na realidade um “imposto do congelamento” seria um tira de canhão no buraco fiscal, na medida em que toda a população teria, digamos assim, sua cota de sacrifício para o ajuste das contas públicas e uma inflação até abaixo da meta. Em tempo: não confundir essa contribuição com a reforma tributária da renda e seu impacto sobre os mais bem aquinhoados, que deverá vir com a taxação de dividendos.
  • São apenas derivações sobre uma ideia sem o menor sentido, que, mesmo assim, chega à primeira página dos jornais. Já que a experiencia de confisco da base monetária revelou-se uma insensatez, talvez o vírus da política econômica de Zelia Cardoso de Mello esteja inoculando alguns agentes do mercado. A medida empurraria o empresariado para a informalidade, rasgaria a proteção aos mais fracos, aumentaria a concentração de renda e faria um golaço em favor de uma pobreza crônica. Para não falar da rebelião social que ela causaria. É melhor pensar que foi um devaneio de quem pensa o Brasil, ainda que de forma tortuosa.

#Ajuste fiscal #dinheiro #Salário Mínimo

Chaim Zaher reforça posição societária para ser o “dono” da dobradinha Yduqs/Cogna

15/05/2025
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Os dados estão rolando para a fusão entre a Yduqs e a Cogna. E ninguém parece mais disposto a aumentar seu cacife no negócio do que Chaim Zaher. Corre no mercado que o empresário, um dos principais investidores da Yduqs, com 12% do capital, tem comprado em bolsa ações não apenas da própria companhia, mas também da Cogna. Trata-se de uma engenharia meticulosamente calculada, etapa a etapa.

O objetivo de Zaher seria montar uma posição societária nas duas empresas capaz de lhe assegurar o posto de maior acionista individual da futura companhia. Com isso, o empresário pavimentaria o caminho para ser o presidente do Conselho de Administração e consequentemente assumir as rédeas da gestão do novo grupo a ser criado com a fusão entre Yduqs e Cogna – fusão, diga-se de passagem, da qual ele próprio é um dos principais artífices.

O que está em jogo é o comando do que pode vir a ser o maior conglomerado privado de educação da América Latina, com mais de 2,5 milhões de alunos no ensino superior, receita líquida acima de R$ 12 bilhões por ano e um Ebitda combinado de quase R$ 3,8 bilhões, a números de 2024. Procurado pelo RR, Chaim Zaher informou, por meio da assessoria do Grupo SEB, que não comenta rumores de mercado.

A relação de troca entre os acionistas da Yduqs e da Cogna e a consequente composição societária da nova companhia passam por uma costura delicada. Chaim Zaher conta com um importante aliado para o seu intento de capitanear o futuro grupo: o norte-americano Advent, maior acionista da Yduqs. Do lado da Cogna, o maior sócio individual (18% do capital) é a Alaska Investimentos, que administra cerca de R$ 15 bilhões em ativos.

Entre os demais acionistas da empresa figuram nomes como Walfrido dos Mares Guia, ministro do Turismo e das Relações Institucionais respectivamente no Lula I e Lula II, BlackRock e Vanguard Group. Chaim Zaher é sabidamente um dos empresários de maior influência da área de educação. Seu nome remete a alguns dos maiores deals já fechados no setor.

Agora mesmo, em meio às tratativas para a fusão entre Yduqs e Cogna, Zaher está na disputa para a compra do Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais de São Paulo. Tem ao seu lado o Kinea, gestora de private equity do Itaú.

#Chaim Zaher #Cogna #Yduqs

BNDES é o trunfo do governo para jogar a Bamin nas mãos da Vale

15/05/2025
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O governo Lula quer uma solução rápida para a venda da Bamin (Bahia Mineração). Por solução rápida entenda-se a transferência do controle da empresa para a Vale. A carta trunfo é o BNDES. O banco entraria não apenas no project finance da compra da Bamin, em um consórcio formado pela própria Vale e pela Cedro Mineração, como já teria se comprometido também a liberar recursos para a construção do trecho 1 da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). Trata-se de um assunto prioritário para o governo. Sem a garantia de que o empreendimento sairá do papel, a licitação da Fiol II seguirá travada. Nenhum investidor assumirá o risco de construir o segundo trecho de uma ferrovia que não chegará a lugar algum. Até o momento, a Bamin, leia-se a Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, que arrematou a concessão do trecho 1, não executou meio centímetro de obra. Está tudo parado. Além da Vale, a Brazil Iron já teria apresentado uma oferta de US$ 1 bilhão pelos ativos em mineração da Bamin, além da Fiol e do Porto Sul, na Bahia. A companhia é controlada por investidores britânicos, incluindo fundos ligados ao banco Julius Bauer. No governo, porém, a venda para a Brazil Iron ainda é tratada como Plano B. A preferência é pela solução Vale. Procurada pelo RR, a Brazil Iron informou que “não comenta rumores de mercado”. A Vale, por sua vez, não se manifestou.

#BNDES

Alcolumbre quer braço direito de Alexandre Silveira longe da ANP

15/05/2025
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A indicação do atual secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia e presidente do Conselho da Petrobras, Pietro Mendes, para a diretoria da ANP está por um fio. Fio este que o presidente do Senado, David Alcolumbre, faz questão de cortar, ceifando de vez as chances de Mendes. Alcolumbre usa as armas que tem. Nas tratativas com o Palácio do Planalto, tem condicionado a votação da extensa lista de nomes encaminhada pelo governo para as agências reguladoras à retirada de Mendes da relação de candidatos à ANP. Não parece ser um blefe. Até o momento, nenhuma das indicações feitas pelo Planalto no fim do ano passado entrou na pauta do Senado. No caso específico da ANP, o pano de fundo é a guerra fria entre o presidente do Senado e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Alcolumbre trabalha à luz do dia para tirá-lo do cargo. Ao mirar em Pietro Mendes, quer, na verdade, acertar no ministro. Mendes é braço direito e homem de confiança de Silveira na Pasta.

#ANP #David Alcolumbre

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