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Intercement negocia mais um waiver com credores
25/09/2025A InterCement já se movimenta para conseguir uma nova prorrogação do período de proteção contra credores – o prazo atual expira em 9 de outubro. A extensão aprovada deu algum fôlego à companhia, mas a direção não conseguiu finalizar todos os termos necessários para consolidar o plano de recuperação. As negociações com os credores ainda esbarram em cláusulas financeiras, garantias e compromissos de reestruturação. Outro ponto crucial é a montagem de uma estrutura financeira capaz de suportar os desembolsos previstos sem comprometer o caixa no curto prazo. O maior entrave é o empresário argentino Marcos Marcelo Mindlin e seu grupo Generación Argentina S.A, que compram boa parte dos bonds em poder do Itaú e do Banco do Brasil.
Meirelles, Garnero e a diplomacia paralela entre Brasil e Estados Unidos
25/09/2025Pela inconfiabilidade do autor, o afago de Donald Trump a Lula na ONU ainda é um gesto a ser devidamente decifrado. Mas talvez a tal “química” a que Trump se referiu seja o primeiro resultado visível de ações conduzidas não exatamente pelo Itamaraty e, sim, por “canais diplomáticos” paralelos, com conexão direta junto à Casa Branca.
Nos bastidores, esta chancelaria sem agréments é atribuída a dois personagens reconhecidos pela capacidade de conciliar o inconciliável: Henrique Meirelles e Mario Garnero. Ambos estariam trabalhando para remover ou ao menos reduzir as cercas de arame farpado que separam Trump e Lula e, consequentemente, abrandar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, seja no âmbito comercial, seja de ordem legal.
A proximidade entre Meirelles e Trump vem dos tempos em que o ex-presidente do Banco Central comandou o BankBoston e, posteriormente, o FleetBoston. Garnero, por sua vez, é notório pelo seu poder de interlocução junto a empresários e proeminentes figuras da política norte-americana, notadamente entre os Republicanos, como Bush Pai e Bush Filho e Dick Cheney, ex-vice-presidente.
Não é a primeira vez que chama para si a missão de apaziguar os ânimos entre os atuais chefes de Estado do Brasil e dos Estados Unidos. No início deste ano, tentou costurar um jantar entre Lula e Trump no resort de propriedade do presidente norte-americano em Mar-a-Lago, na Flórida. Havia até uma data-tentativa: 17 de fevereiro. Mas o encontro foi para a gaveta das boas intenções.
Ainda é cedo para dizer até onde vai essa proxy de distensionamento entre Lula e Donald Trump. A conversa telefônica programada para a próxima semana deve ser anódina e protocolar, conforme os cânones diplomáticos.
De toda a forma, a postura de Trump após os “39 segundos” de conversa na ONU é o primeiro sinal de pragmatismo do presidente norte-americano desde o início da sua virulenta ofensiva contra o Brasil. É possível inferir que as gestões conduzidas por Meirelles e Garnero tenham alguma influência.
Por mais intransigente que se mostre, Trump não deve estar de todo indiferente aos recados que lhe chegam de que, se insistir em avançar na questão das sobretaxas contra o Brasil, vai entregar de bandeja uma reeleição para Lula. Quanto mais o presidente norte-americano bate, mais o presidente brasileiro cresce.
Como bem pontou o embaixador Jorio Dauster, em artigo publicado ontem no RR. Trump “teria visto ao longo das últimas semanas que os maus conselhos de Steve Bannon e seus asseclas brasileiros, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, tinham constituído um tremendo tiro no pé ou, quem sabe, um pouco mais acima em parte bem sensível da anatomia masculina”.
As manifestações do domingo passado contra a anistia e, por consequência, contra o perdão a Jair Bolsonaro certamente não passaram em branco entre as paredes da Casa Branca.
Nesse cenário, caso os governos do Brasil e dos Estados Unidos engatem, de fato, uma rodada de negociações, o cardápio de demonstrações de “boa vontade” da parte de Trump poderia conter, por exemplo, uma sobretaxa seletiva, que incidiria apenas sobre um determinado rol de produtos brasileiros e não sobre metade da pauta de exportações, como é hoje.
Além disso, poderia haver uma calculada interrupção das punições a autoridades, notadamente a integrantes do STF, além da mulher de Alexandre de Moraes – a essa altura, ao menos em um primeiro momento, seria pedir demais de Trump um brusco recuo nas penalizações.
“Tudo vai, tudo torna; a roda da existência gira eternamente”. Assim falou Zaratustra. Enquanto o futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos não chega, o presente traz um ar de déjà vu.
A roda girou e os caminhos de Lula, Mario Garnero e Henrique Meirelles. Em 2002, logo após a eleição do petista, Garnero teve um papel crucial para amainar a desconfiança dos investidores norte-americanos em relação à política econômica do futuro presidente e, assim, evitar um possível ataque especulativo contra o Brasil.
Na ocasião, o empresário ciceroneou Lula e José Dirceu em uma série de reuniões nos Estados Unidos, a começar pelo encontro com o então presidente George W. Bush na Casa Branca. Esse trabalho de distensão começara meses antes, em meados de 2002, quando Lula já liderava as pesquisas eleitorais.
Em um domingo, 23 de junho, no início do que viria a ser um dos verões mais secos do Centro-Oeste norte-americano, Garnero participou de um encontro das mais altas lideranças do Partido Republicano em Beaver Creek, no Colorado. Em uma sala reservada, entregou ao então vice-presidente Dick Cheney uma carta de José Dirceu, em que o petista enfatizava a disposição para abrir um canal de diálogo com os republicanos.
Naquele mesmo mês, Garnero foi o anfitrião, na sede de sua empresa, a Brasilinvest, em São Paulo, de um almoço entre Dirceu e Meirelles. Naquele momento, já havia persuadido o petista de que o então presidente do FleetBoston era o nome para assumir o Banco Central em um eventual governo Lula e tourear a desconfiança do mercado.
“Dependendo do resultado das eleições, o Brasil precisará de você”, disse Dirceu a Meirelles no almoço. O resto é história. A história do inabalável e mais longevo presidente do BC – Meirelles ficaria no cargo do primeiro ao último minuto dos oito anos de Lula na presidência.
Passivo tributário da Bombril arranha mais do que uma palha de aço
25/09/2025A recuperação judicial e a consequente renegociação de R$ 300 milhões em dívidas financeiras prometem ser a parte menos espinhosa da reestruturação da Bombril. Ao menos a julgar pelo andamento das tratativas com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para a repactuação de um passivo tributário superior a R$ 2,3 bilhões. O que circula no mercado é que as conversas se arrastam há mais de cinco meses, sem avanços significativos. A PGFN tem adotado uma postura mais rígida à mesa de negociações em função da natureza dos débitos. Parte da dívida com o Fisco é atribuída a remessas ilegais de recursos para o exterior. A companhia foi alvo de investigação por suposta evasão de dívidas de 1996 a 2001 – na ocasião, os valores aventados chegaram a US$ 1,3 bilhão. O empresário Ronaldo Sampaio Ferreira, controlador da Bombril, nega peremptoriamente as acusações. As dívidas fiscais são atribuídas à gestão do italiano Sergio Cragnotti, dono da companhia entre 1988 e 2006.
A melancólica retirada da Reag da B3
25/09/2025A decisão dos novos controladores da Reag de cancelar o registro de companhia aberta é mais uma camada de cimento na lápide sobre o conglomerado financeiro idealizado por João Carlos Mansur. E, mais do que isso, sobre a forma como ele foi construído. A Reag chegou à B3 em janeiro deste ano na esteira do take over da GetNinjas, após o contencioso que ejetou o então acionista de referência da empresa, Eduardo L’Hotellier. A partir da tomada do controle, Mansur aproveitou-se do registro da companhia para fazer um IPO reverso e levar a Reag para a Bolsa. Os tempos de capital aberto não duraram sequer oito meses. No mercado, a saída da B3 é interpretada como uma confissão dos novos acionistas de que a Reag passará a ser um negócio bem menor quando comparada à gestora com R$ 300 bilhões em ativos pré-Operação Carbono Oculto. Neste momento, por sinal, o maior desafio do grupo de executivos que assumiu o controle da firma é reter os grandes investidores institucionais após a grave crise deflagrada pela acusação de servir para lavagem de dinheiro do PCC.