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O jogo de empurra que trava a saída do Casino do Pão de Açúcar
26/09/2025Um enrosco a mais na venda da participação do Casino no Pão de Açúcar: candidatos ao negócio, como Cencosud e Supermercados BH, estão pressionando os franceses por um acordo que os exima do eventual pagamento de indenizações ao Assaí, ex-integrante do mesmo grupo econômico. Trata-se de mais uma das tantas barafundas criadas pelo Casino nos últimos anos. O Assaí entrou na Justiça exigindo garantias de que não terá de arcar com tributos anteriores ao seu spin-off com o Pão de Açúcar. Nos termos da cisão, em 2020, ficou previsto que cada companhia seria responsável por seus passivos. Mas o acordo deixou brechas para cobranças recíprocas em caso de questionamento tributário. Passados cinco anos, o Assaí entende que não existe solidariedade entre as empresas. A temperatura do contencioso entre as duas ex-controladas do Casino subiu depois que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional imputou ao Assaí responsabilidade solidária por cerca de R$ 36 milhões em débitos tributários do Pão de Açúcar. O Assaí diz que não é com ele. O Casino também não. É um jogo de empurra. Os candidatos à compra da participação do grupo francês no Pão de Açúcar querem evitar que essa fatura caia no seu colo.
BNDES entra em campo para adubar o Plano Nacional de Fertilizantes
26/09/2025O governo discute formas de destravar a execução do Plano Nacional de Fertilizantes, por ora uma semente que não germina. Além do retorno, ainda tímido, da Petrobras ao setor, as conversas passam prioritariamente pelo BNDES. A ideia é que o banco tenha um papel mais incisivo no aumento da produção interna por meio de participação direta no capital em fabricantes de adubos.
Um primeiro movimento neste sentido foi a recente aquisição de 19,9% do Grupo Santa Clara, de São Paulo, pela BNDESPar. Segundo o RR apurou, outras possibilidades já estão no radar. Uma delas é uma eventual associação com o grupo gaúcho Josapar, controlado pela família Oliveira. Ressalte-se que, no fim do ano passado, o BNDES liberou um financiamento de R$ 153 milhões para a empresa instalar uma fábrica de fertilizantes na cidade de Rio Grande (RS).
Em outro front, há movimentos também para a entrada do banco no Projeto Santa Quitéria, no Ceará, que consiste na exploração conjunta de fosfato e, de quebra, de urânio em uma reserva localizada a pouco mais de 200 quilômetros de Fortaleza. O investimento, da ordem de R$ 2,3 bilhões, está a cargo de um consórcio encabeçado pela Galvani Fertilizantes e pela INB (Indústrias Nucleares do Brasil). Trata-se de um dos maiores projetos incluídos no Plano Nacional de Fertilizantes.
Caso alcance a produção estimada, de um milhão de toneladas por ano, o Projeto Santa Quitéria poderá reduzir em até 15% a dependência brasileira em relação à importação de fertilizantes fosfatados. Atualmente, mais de 75% do insumo consumido no país vem do exterior. Consultado pelo RR sobre a compra de participações acionárias na área de fertilizantes, o BNDES informou que “não comenta assunto relativo a empresas de capital aberto”.
Quase quatro anos após ser lançado, ainda no governo Bolsonaro, o Plano Nacional de Fertilizantes não mexeu uma folha sequer no brutal déficit do Brasil em relação ao insumo. Nos derivados de potássio, a dependência das importações gira em torno de 90%. No caso dos nitrogenados, é ainda maior: 95%.
No governo, há um consenso de que os projetos previstos no Plano Nacional só avançarão com uma dose maior de recursos públicos. Mas não só. Além da participação do BNDES, as discussões envolvem ainda um volume maior de crédito por parte do Banco do Brasil e da Caixa para financiar a instalação ou expansão de fábricas de fertilizantes no país.
No ritmo atual, a carência de adubo no país tende a se tornar ainda mais dramática. Segundo estimativas preliminares que circulam na área técnica do Ministério da Agricultura, a produção agrícola brasileira poderá crescer até 30% nos próximos dez anos apenas com a recuperação de áreas degradadas.
Ocorre que, em vez de ser celebrada, a boa nova é motivo de apreensão na Pasta. Para ser plenamente atingido, esse salto potencial da safra exigirá um aumento da oferta de adubo em 16,5% no mesmo período, também de acordo com projeções oficiais.
É aí que mora o problema. O Brasil e seus paradoxos: o país que corre risco de apagão não por falta, mas por excesso de energia, conforme apontou o Valor Econômico na edição da última segunda-feira, é o mesmo que está “encalacrado” com a bonança do seu agronegócio.
Kinea e Pátria têm um duelo na área de real estate
26/09/2025Kinea, leia-se Banco Itaú, e Pátria estão travando uma disputa no mercado por recursos para dois de seus principais fundos de real estate. Executivos das duas gestoras têm batido à porta de grandes investidores institucionais – em alguns casos, à mesma porta – na tentativa de assegurar demanda para suas respectivas ofertas, lançadas simultaneamente. Trata-se de um teste não apenas para Kinea e Pátria, mas para a própria indústria de fundos imobiliários no Brasil neste momento. Ambas ambicionam realizar o maior lançamento da modalidade no ano. A Kinea busca captar R$ 2,5 bilhões para o Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11). Já o Pátria anunciou a emissão de cotas do fundo imobiliário HGLG 11 no valor de R$ 2 bilhões. Mas a oferta pode chegar a R$ 2,5 bilhões caso seja exercido o lote adicional de 25%.
Transição energética ganha mais megawatts em Itaipu
26/09/2025Os investimentos de Itaipu em transição energética vão subir de voltagem. A estatal estuda a montagem da segunda usina solar flutuante em seu reservatório. No momento, a empresa está instalando em seu espelho d’água o primeiro conjunto de 132 painéis fotovoltaicos, que deverão entrar em operação até meados de dezembro. Essa estrutura inicial permitirá testar uma série de fatores críticos, da performance dos painéis em ambiente úmido até a durabilidade das estruturas flutuantes e a integração ao sistema elétrico da usina. Itaipu trabalha com uma meta ambiciosa: cobrir 10% do seu reservatório com painéis solares, o que permitiria gerar 14 mil megawatts. Seria uma segunda Itaipu dentro de Itaipu.
E cada concessão do governo, Marina Silva vai murchando um pouco mais
26/09/2025Em 48 horas, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, contabilizou mais uma derrota e meia no governo. A meia veio de “dentro de casa”, com a aprovação do Ibama à Avaliação Pré-Operacional (APO) realizada pela Petrobras na Margem Equatorial. Mas essa já era, digamos assim, favas contadas. O que Marina não esperava era o recuo do governo em relação ao pedido de regime de urgência para a votação da nova Lei de Licenciamento Ambiental no Congresso. A ministra do Meio Ambiente tinha recebido a garantia do Palácio do Planalto de que a solicitação de urgência não seria retirada, o que acabou ocorrendo. Para todos os efeitos, o governo vendeu a ideia de um acordo com a Câmara para destravar a pauta da Casa – como o prazo de 45 dias para a proposta ir a plenário havia se esgotado, o projeto passou a trancar a votação de outras matérias. No entanto, o meia-volta, volver se deu após intensas conversas entre a ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, e líderes da base aliada ao longo da última quarta-feira, quando o Palácio do Planalto reconheceu que perderia a votação se o PL fosse apreciado. O relator, deputado Zé Vitor (PL-MG), é ligado ao agronegócio e já deixou claro que vai esquartejar o projeto do governo. Marina Silva não tem muito para onde correr. E o Planalto também não.