Arquivo Notícias - Página 131 de 1964 - Relatório Reservado

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Quanto valem os ativos florestais da Eucatex?

21/10/2025
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A Eucatex estuda formas de destravar valor das suas propriedades florestais. Uma das hipóteses discutidas é a cisão do negócio e a venda de parte do capital. Há informações no mercado de que a empresa dos Maluf tem sido assediada por fundos especializados em recursos florestais e créditos de carbono, interessados tanto no potencial de valorização das terras quanto em compensações ambientais. Hoje, esses ativos estão marcados em balanço a R$ 300 milhões. Estima-se que possam valer até o triplo. A cisão, portanto, permitiria contabilizar esses ativos a valor justo, contribuindo para a melhora do múltiplo da empresa.
No entanto, a venda de parte da operação está longe de ser um ponto pacificado entre os próprios acionistas da Eucatex. Os Maluf ainda sobrepesam os prós e contras de um movimento como esse. A produção própria de madeira, seu principal insumo, é um hedge natural da empresa. A Eucatex é autossuficiente em boa parte da fibra que consome. Ainda que a operação envolva uma participação minoritária, seria necessário assegurar contratos de longo prazo para evitar conflitos de preço e garantir previsibilidade de custos. A direção da Eucatex teme ainda que a entrada de um sócio minoritário traga expectativas de retorno distintas. Consultada pelo RR, a empresa não quis se pronunciar.

#ativos florestais #Eucatex

O Nobel que demorou demais a chegar, premiando a inovação

21/10/2025
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“O mundo levou mais de cem anos para reconhecer a genialidade de Schumpeter.”  

O grande homenageado do Prêmio Nobel de Economia de 2025 não está entre os vivos. Chama-se Joseph Schumpeter e há quase 90 anos, em seu livro “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942), formulou a genial ideia que o mundo inteiro agora aplaude e reconhece: a força do capitalismo reside na sua capacidade de autodestruição criativa, isto é, de se reinventar. E a História comprova que este capitalismo, embora conserve o mesmo nome ao longo dos séculos, vem periodicamente sofrendo tais metamorfoses que às vezes a gente mal o reconhece. Schumpeter já havia antecipado o conceito em 1911, em “A Teoria do Desenvolvimento Econômico”, ao descrever o capitalismo como um sistema que vive de romper o próprio equilíbrio — uma intuição juvenil que a História levou um século para confirmar.  

Curiosamente, o grande economista nunca recebeu o Nobel — não por falta de mérito ou reconhecimento, mas porque o prêmio ainda não existia quando morreu, em 1950. O Prêmio de Economia só seria criado em 1968, pelo Banco Central da Suécia. O de 2025 é, portanto, uma reparação histórica tardia — uma homenagem a quem entendeu o futuro antes mesmo que ele chegasse. É apenas surpreendente que o conceito tenha levado tanto tempo para ser testado e comprovado. A criatividade humana, afinal, é veloz para inventar máquinas e aplicativos — mas lenta para compreender as ideias que as inspiram.  

A metade do prêmio deste ano coube ao brilho erudito do veterano Joel Mokyr, o historiador cuja obra reescreveu a Revolução Industrial no início da década de 90, não como epopeia das máquinas, mas como trama das ideias quando elas se sustentam em uma cultura de confiança no conhecimento na qual engenheiros, cientistas e artesãos qualificados exercem o seu talento e curiosidade. A outra metade foi repartida entre Philippe Aghion e Peter Howitt, dois economistas que traduziram a intuição de Schumpeter em equações — e provaram, matematicamente, que o progresso é um processo de substituições sucessivas através das quais o novo mata o velho com a elegância impiedosa de uma lei natural darwiniana.   

Há prêmios que celebram novas descobertas; mas este celebra uma evidência tardia. Afinal, hoje a inovação, que é o nome atual que damos para destruição criativa, está por toda parte e é vertiginosa, desdobrando-se e multiplicando-se incessantemente.  Virou um método de produzir, um estilo de vida, dos algoritmos à inteligência artificial que não nos dá sossego.   

No Brasil, a cultura oficial dominante tem se revelado hostil à inovação, isto é, a qualquer mudança profunda que possa abalar o status quo.  Vivemos a inovação por tabela, inventada por outros longe daqui. E, além do mais, ainda não percebemos que a destruição criativa também se dedica a demolir ideias, elites fracassadas e instituições que envelhecem. Nossas elites estão fora de compasso, comprometendo o futuro de um país que precisa se reinventar.  

Outra questão crucial que permanece em aberto é se o capitalismo, nesta sucessão de metamorfoses que ele viveu nos dois últimos séculos, continua o mesmo, ou se não foi perdendo também a sua própria identidade.  Mudou de figura, mas não mudou de nome. Não estamos, talvez, caminhando para uma sociedade pós-capitalista, ou que nome tenha, no limiar de uma nova civilização e de uma nova era? Caberá – quem sabe? – a outro prêmio Nobel nos esclarecer sobre essa importante controvérsia.

 

Aspásia Camargo é Doutora em Sociologia pela École des Hautes Études da Universidade de Paris, foi vereadora e deputada estadual, além de ter ocupado a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Presidiu o IPEA e comandou a Secretaria Executiva do Meio Ambiente, colaboradora especial do Relatório Reservado.

#Joseph Schumpeter #Nobel

Enel avalia venda de distribuidora para não ser eletrocutada em São Paulo

21/10/2025
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Entre o ideal e o possível, a Enel já admite se contentar com a segunda opção. Pressionado pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes, o grupo trabalha, intramuros, com a hipótese de venda da Enel São Paulo. Candidatos não faltam. O que se ouve no setor é que CPFL e Equatorial Energia teriam sinalizado ao governo paulista o interesse em assumir a empresa, com a promessa de um volume de investimentos superior ao da Enel.

Apesar de todos os problemas operacionais e regulatórios, a distribuidora é um ativo dos mais cobiçados. Está encrostada no maior PIB do país, atendendo à cidade de São Paulo e a outros 23 municípios. Tem uma receita líquida acima de R$ 20 bilhões e um Ebitda anualizado de R$ 4 bilhões.

Por ora, a alienação do ativo ainda é tratada pela Enel no campo das conjecturas. Mas, entre os italianos, cresce a percepção de que a transferência do controle da Enel São Paulo funcionaria como um plano de mitigação do risco maior: a decretação da caducidade do contrato e sua consequente saída do negócio sem qualquer compensação financeira. Trata-se de uma ameaça cada vez mais presente, sobretudo após a Prefeitura de São Paulo ter conseguido na Justiça suspender o processo de renovação antecipada da concessão da distribuidora.

Em breve, deve ter companhia. Corre no setor que o governo do estado pretende seguir o mesmo caminho, judicializando o caso. Tarcísio de Freitas é um inimigo declarado da Enel. Já disse textualmente que vai “varrer” a empresa de São Paulo. O RR enviou uma série de perguntas à Enel e fez várias tentativas de contato com a empresa, mas não obteve retorno. Após a publicação da matéria, a Enel entrou em contato para esclarecer que “desmente a especulação sobre possível venda de ativos no País. A Companhia tem um compromisso de longo prazo com o Brasil, cumpre com todas as normas e indicadores que regulam seu contrato e está seguindo, confiante, os ritos de renovação de suas concessões em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.”

Ainda que em Brasília o clima não lhe seja tão abertamente hostil quanto em São Paulo, a Enel também não tem encontrado respaldo institucional e político na esfera federal. Na Aneel, o processo de renovação já estava devagar, quase parando antes mesmo da Justiça decretar a suspensão.

Do lado do Ministério de Minas e Energia, mesmo após o grupo ter levado ao presidente Lula um plano de investimentos de R$ 25 bilhões no Brasil, a relação é áspera. Há cerca de duas semanas, o ministro Alexandre Silveira afirmou que a concessão da Enel São Paulo apenas será renovada “se a companhia cumprir certos requisitos e prestar serviços mais eficientes”.

Lembra até o estratagema adotado pelo técnico Carlo Ancelotti. Sempre que perguntado sobre a possível convocação de Neymar, o conterrâneo da Enel costuma dizer que o jogador estará na Copa do Mundo “se recuperar a antiga forma física”. Tanto em um caso quanto no outro, o discurso dissimulado parece feito sob medida para antecipar o motivo do “não”.

A venda da Enel São Paulo tem suas complexidades. A operação dependeria de um acordo bem amarrado com a Aneel e o Ministério de Minas e Energia. A negociação do controle teria de estar vinculada à garantia de renovação antecipada da concessão, que vence em julho de 2028. Nenhum investidor se arriscaria a comprar uma empresa de energia cujo contrato expira daqui a pouco mais de dois anos e meio.

Some-se a isso outras pendências da companhia, como os quase R$ 400 milhões referentes a multas aplicadas pela Aneel, quase todas em discussão na Justiça. Por sua vez, do lado da agência reguladora e da Pasta de Minas e Energia, a prorrogação do contrato estaria condicionada à saída da Enel do negócio.

Ou seja: em última instância, o futuro da Enel São Paulo está nas mãos da Aneel e do Ministério. E isso vale tanto para a permanência quanto para a saída dos italianos da operação.

#Enel

Governo tira uma arma das mãos do Congresso

21/10/2025
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Ao criar o programa Município mais Seguro, que será oficialmente lançado amanhã, o governo “desarmou” o Congresso. Com o repasse de R$ 65 milhões às guardas municipais, o Palácio do Planalto vai sair na frente e capturar uma agenda de razoável calibre político que estava nas mãos dos parlamentares. Curiosamente, “sequestrou” o projeto de lei de um aliado, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Trata-se do PL 1478/2025, que propõe mudanças na lei do Fundo Nacional de Segurança Pública, com o objetivo de transferir recursos a municípios com forças policiais próprias. Ao atirar primeiro, o Palácio do Planalto se vincula à pauta da segurança pública, segundo as pesquisas um dos fatores que mais influenciam no voto do eleitorado. Ao mesmo tempo, reduz a margem de manobra dos parlamentares para arbitrar o destino de verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública. Para completar o goodwill político, o Executivo tira do Legislativo a prerrogativa da interlocução com prefeitos. Ainda que a primeira reação dos alcaides não tenha sido das mais amistosas. Ontem, o presidente da CNM (Confederação Nacional de Municípios), Paulo Ziulkoski, afirmou que a entidade não foi consultada sobre o Município Mais Seguro. E ainda deu um tiro para o alto: “Normalmente, esses programas só ferram as prefeituras”. A ver.

#Congresso

Brasil BioFuels vende ativos em busca de combustível financeiro

21/10/2025
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A Brasil BioFuels (BBF), do empresário Milton Steagall, prepara um plano de venda de ativos. A companhia estuda se desfazer de parte das suas 25 térmicas para levantar recursos e fazer frente a sua crise financeira. Na semana passada, a Justiça aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia, que carrega uma dívida de R$ 1,2 bilhão. A situação da BBF agravou-se nos últimos meses. Com bens bloqueados, companhia passou a ter dificuldades para pagar pelo fornecimento de combustível das suas usinas e honrar compromissos trabalhistas. Nos últimos meses, promoveu mais de duas mil demissões, cortando praticamente à metade sua força de trabalho. Os entraves financeiros da BBF começaram a ficar mais claros para o mercado no fim do ano passado, quando a Aneel revogou seis outorgas de usinas térmicas que seriam implementadas pela empresa no Pará.

#Brasil BioFuels

Chineses miram concessão de saneamento em Pernambuco

21/10/2025
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O governo de Pernambuco mantém conversações com investidores chineses dispostos a disputar os leilões de saneamento no estado. Entre os candidatos estaria a China Gezhouba Group Company (CGGC). A entrada da CGGC no setor faria parte de um acordo maior com o governo chinês, que se espraiaria por outros investimentos em infraestrutura. Ontem mesmo a governador Raquel Lyra mencionou a possibilidade da chinesa CRRC, maior fabricante de trens de metrô do mundo, assumir a operação do sistema metroviário de Recife. No caso do setor de saneamento, a concessão será dividida em dois blocos. No total, os investimentos previstos chegam a R$ 20 bilhões.

#China #saneamento

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