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COP30: o Mapa do Caminho perdeu a direção?

21/11/2025
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Belém – O presidente Lula colocou sobre a mesa da COP30 boa parte do seu cacife ao propor um Mapa do Caminho que guiasse o mundo rumo ao fim definitivo do uso dos fósseis. A ideia rapidamente ganhou o apoio de dezenas de países e da comunidade científica presente em Belém. Mas fica a pergunta: será que não foi uma aposta alta demais para o quadro geopolítico atual? Embora não incluísse um prazo concreto para pressionar os países, e o próprio Lula tenha frisado em seu discurso, no nono dia da COP30, que o abandono dos fósseis deveria ser feito pelos países, mas “cada um no seu tempo”, o Mapa do Caminho foi de longe o assunto mais comentado nos corredores da primeira Conferência Climática realizada no Brasil. Para o “bem” e para o “mal”.

Não obstante as adesões, a ideia de substituição total dos combustíveis fósseis angariou oposições de peso, seja por parte dos maiores produtores, seja por parte dos países consumidores e dependentes do insumo. A ponto de a proposta não ser sequer incluída no primeiro rascunho de negociações. A verdade é que os silêncios foram falando cada vez mais alto em relação ao caminho sem fósseis na reta final do encontro climático.

A presidência da COP30 tentou até antecipar a conclusão da COP em um primeiro pacote que deveria ser entregue na quarta-feira (19/11), dia da única aparição de Lula na Blue Zone. Não deu certo. Na coletiva restrita a alguns veículos — em vez do modelo da coletiva tradicional da conferência, aberta a toda a imprensa nacional e internacional, sem restrição — o presidente brasileiro tinha um único anúncio concreto a fazer: a contribuição da Alemanha de um bilhão de euros ao TFFF. Uma contribuição que, na verdade, já era dada como certa: faltava apenas a informação sobre o valor. Os dissensos entre os países foram se aprofundando, e não havia nenhum acordo para antecipar em um primeiro pacote.

Neste momento, a principal batalha em Belém é travada em torno da referência aos fósseis no texto final. Caso os cientistas percam essa batalha, a COP30 pode ficar marcada como a “COP da verdade”, embora em um sentido menos otimista para os objetivos ambientais. As perspectivas da aprovação da proposta de triplicar o financiamento da adaptação climática, no entanto, são mais favoráveis, o que seria uma vitória parcial para a presidência brasileira. O consenso em torno da adaptação climática globais sem se chegar a um consenso a respeito da redução dos fósseis, no entanto, abriria uma imensa lacuna de incoerência na agenda climática global.

Cintia Salomão é jornalista e editora do portal Integridade ESG, editado pela Insight Comunicação.

Entidades empresariais cercam Messias por voto de qualidade do Carf

21/11/2025
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Emissários da Fiesp e da CNI vêm rondando o advogado-geral da União, Jorge Messias, escolhido por Lula para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no STF. Messias herdará de Barroso a relatoria da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.548, um dos temas sob análise do Supremo que mais interessam ao meio empresarial. A ADI discute o voto de qualidade do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), uma questão nevrálgica para os grandes contribuintes. As empresas questionam a prerrogativa da Fazenda Nacional de ter o voto de minerva em caso de empate, com o argumento de que esse preceito tem desequilibrado julgamentos no Carf a favor da Receita. Para grupos empresariais, há muito em jogo: desde provisões contábeis e impacto em balanços até o incentivo (ou desincentivo) à judicialização de autuações fiscais de alto valor. Por ora, em conversas reservadas, sempre que instado a falar do assunto, Messias tem adotado um silêncio sepulcral.

Como colocar o orçamento de volta para dentro do orçamento?

21/11/2025
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O governo – seja ele qual for – já tem uma missão hercúlea a sua espera em 2027: “reconstitucionalizar” o orçamento federal. O desafio é desmontar o regime de exceção fiscal, com a utilização permanente de um orçamentário paralelo, criado a partir das sucessivas exclusões de gastos do cálculo da meta fiscal. O expediente não é uma jabuticaba do atual governo. Na gestão Bolsonaro, foi utilizado a rodo. A retirada do pagamento dos precatórios foi um exemplo emblemático de operação parafiscal. Só que Lula está levando a desmoralização do orçamento longe demais. Desde o início do seu mandato, o montante de gastos parafiscais, compreendidos como despesas artificialmente retiradas do orçamento da União, somam R$ 342 bilhões. Somente neste ano, essas rubricas já estão em R$ 67 bilhões, a maior parte referente ao pagamento de precatórios (R$ 48,6 bilhões). Esse valor equivale a 1,1% do orçamento da União em 2025. Ou a 0,57% do PIB projetado para este ano. É “pouco” se comparado ao contorcionismo contábil de 2023, quando os gastos fora da meta chegaram a R$ 241 bilhões – o correspondente a 4,8% do orçamento ou 2,2% do PIB. Aquele ano ainda trazia a reboque as sequelas da pandemia, com R$ 145 bilhões da PEC da Transição e R$ 92 bilhões em precatórios expurgados da meta fiscal. Digamos que, de fato, havia excepcionalidades. Neste ano, no entanto, o que se vê é uma “mini-Covid” nas contas públicas. O total de despesas jogadas para o “orçamento do B” representa o dobro da cifra de 2024 (R$ 33 bilhões). E tem tudo para aumentar. O governo já sinalizou a intenção de tirar do cálculo da meta os dispêndios com segurança pública. Quando a exceção se excede, ela passa a ser regra.  Ou seja, a nova moda não é mais fazer política fiscal, mas, sim, parafiscal.
O contraditório nesse espetáculo de artificialismos é que pode não ser nada simples ou muito simples alcançar a meta fiscal em um ano eleitoral, quando normalmente os gastos do governo são maiores. Agora, tudo depende de ser achar uma justificativa para tirar a despesa do orçamento. Mantidas as regras normais, não será nada corriqueiro para a próxima gestão colocar novamente essa contabilidade lateral para dentro do orçamento e consequentemente do cálculo da meta fiscal. O desafio para 2027 se materializa nos dois lados da moeda: receita e despesa. Pela face da arrecadação, o futuro governo não vai dispor de “margem fiscal” ampliável — ou seja, dificilmente poderá elevar muito a carga tributária ou expandir a base sem comprometer competitividade ou gerar instabilidade. Em relação aos custos, não há muito onde cortar, a não ser que o próximo presidente esteja disposto a fazer uma sangria nos programas sociais, uma hemorragia nas renúncias fiscais ou uma cirurgia na Constituição, extirpando parte das despesas obrigatórias, notadamente em saúde e educação.  O calendário eleitoral é um muro de cimento para que essas medidas sequer tramitem no Congresso. É isso ou, então, manter as gambiarras temporárias usadas para o cumprimento das regras do arcabouço fiscal. Temporárias, mas, ao mesmo tempo, contínuas: o risco é que medidas ditas emergenciais se perpetuem como atenuantes estruturais da disciplina fiscal.
Para este ano, toda essa ginástica tem como objetivo atingir o piso da meta, ou seja, um déficit de 0,25% do PIB, ou algo como R$ 31 bilhões. No mundo real, em 2027, ano em que o fiscal pode se tornar sobrenatural, o governo terá de alocar 10% do estoque de precatórios dentro da meta fiscal. Para 2026, o volume desses títulos inscritos para pagamento é de R$ 70 bilhões. No ano que vem, conforme ressaltou o Valor Econômico em editorial na última quarta-feira, o governo deve fechar as contas públicas com superávit de 0,25% do PIB, segundo os economistas Manoel Pires e Bráulio Borges, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). Será a visita da saúde fiscal. De acordo com um modelo de médio prazo elaborado por Pires e Borges, a partir do de metodologia do Congressional Budget Office dos EUA, os déficits primários tendem a se estender por dez anos mantidas as atuais condições de temperatura e pressão das contas públicas. Para não falar, como bem lembra o Valor, que a partir de 2028 a União começará a pagar os recursos do Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais – o desembolso previsto é R$ 160 bilhões em quatro anos. Com isso, já há uma piora do déficit contratada para 2029 próxima de 1% do PIB. Segundo a Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado Federal que analisa as contas públicas, para o cumprimento da meta fiscal em 2026 o governo terá de aumentar sua arrecadação ou cortar despesas em cerca de R$ 80 bilhões.  Dependendo da qualidade da narrativa ou da argumentação, uma parcela desse montante pode muito bem parar no limbo do parafiscal. O problema, em 2027, e talvez com esse mesmo presidente, vai ser fazer com que essas contas caiam do céu de novo na terra.

#Economia #orçamento

O teste de fogo para a governança da Casas Bahia

21/11/2025
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Além de equacionar o passivo da Casas Bahia, da ordem de R$ 5 bilhões, a Mapa Capital tem se dedicado a uma missão tão ou mais sensível: blindar a governança da companhia das tentativas de interferência de Michael Klein. A gestora, que assumiu o controle da rede varejista, com 85%, tem encontrado no herdeiro do fundador da empresa, Samuel Klein, um foco permanente de tensão societária. Intramuros, Klein tem questionado rumos estabelecidos pela nova gestão e pressionado por maior participação no processo decisório. O que se diz no setor é que o empresário trabalha também para tirar Renato Franklin do cargo de CEO – em abril, já havia tentado a destituição do presidente do Conselho, Renato Carvalho do Nascimento, sem sucesso. O RR entrou em contato com Michael Klein, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Das portas para fora, Michael Klein segue provocando ruídos no mercado com as sucessivas manifestações de que pretende voltar a ter uma posição de mando nas Casas Bahia. A mais recente declaração nesse sentido veio em entrevista à Folha de S. Paulo no último dia 17, quando disse com todas as letras ter interesse em comprar parte das ações em poder da Mapa. Hoje, Klein tem aproximadamente 10% do capital da rede varejista, entre participação direta e fundos de investimentos que orbitam ao seu redor.

#Casas Bahia

Salão do Automóvel exibe a polarização da indústria automotiva no Brasil

21/11/2025
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O Salão do Automóvel de São Paulo reflete o cabo de guerra entre a “velha” e a “nova” indústria automobilística brasileira. De um lado, Stellantis Volkswagen, GM e congêneres e, do outro, as chinesas BYD e GWM têm buscado instrumentalizar o evento como demonstração de força e de convencimento das autoridades em relação a seus pleitos. Nas conversas reservadas, é intensa a disputa envolvendo subsídios e taxas de importação. Os chineses tentam sensibilizar o governo a rever o aumento escalonado da alíquota sobre carros elétricos, que está em 25% e irá a 35% em julho de 2026. Já as montadoras tradicionais buscam assegurar que a elevação dos tributos seja mantida – para elas, o ideal é que fossem ainda maiores. Nessa espécie de choque geracional, os asiáticos chegaram ao Salão do Automóvel dispostos a demonstrar sua ascensão tecnológica. A BYD, em especial, preparou uma ofensiva: está lançando no Brasil sua marca de luxo, a Denza, com destaque para o SUV híbrido plug-in Denza B5.

#Automóveis #BYD

AgBiTech reforça aposta no Brasil e planeja fábrica de bioinseticidas

21/11/2025
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A agtech australiana AgBiTech, controlada pelo fundo nova-iorquino Paine Schwartz, vai aumentar seus investimentos no Brasil. Especializada na produção de bioinseticidas a partir de lagartas, a empresa tem planos de instalar uma fábrica no país, a primeira fora dos Estados Unidos. A América Latina já responde por mais de dois terços do seu faturamento. E nenhum outro país é tão estratégico para a startup quanto o Brasil, a começar pela escala das lavouras de soja, milho e algodão. A ideia é que a operação brasileira seja um hub de abastecimento para a região.

#AgBiTech

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