Últimas Notícias
Aquilo que não foi discutido na COP30
24/11/2025Há mais de uma década, exatamente no dia 10 de novembro de 2014, tive a honra de apresentar pesquisas em biotecnologia marinha e os recifes amazônicos para o então embaixador do Brasil no Japão, junto com o biólogo baiano Pedro Meirelles, hoje professor da UFBA, meu amigo da Universidade de Hokkaido, professor Tomoo Sawabe e o assessor do embaixador brasileiro em Tóquio, sobrinho de um grande compositor e músico brasileiro. Na ocasião destacamos a importância de projetos bilaterais, entre o Brasil e o Japão, em bioenergia e biorrecursos marinhos. Destaque especial foi dado aos estudos de recifes brasileiros, incluindo os recifes Amazônicos e Abrolhos, bem como aos recifes do Japão em Okinawa. Os corais “mesa” (table corals) japoneses formam imensos recifes que sustentam vasta biodiversidade. Estes projetos contavam com financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), no lado brasileiro, e da JST (Japan Science and Technology Agency) e da JSPS (Japan Society for the Promotion of Science), no lado japonês. Desde então, o fomento público a parcerias como esta com o Japão só tem diminuído.
Neste ano, uma grande petroleira se manifesta a favor da exploração de petróleo na foz do Amazonas, e informa, em matéria de jornal de grande circulação, que não haveria corais na foz do Amazonas (1). Na esteira desta manifestação, poucos dias depois, a Academia Brasileira de Ciências se manifesta sobre a exploração do petróleo na foz do Amazonas (2). Esta manifestação da ABC foi debatida logo na sequência (3 e 4).
Por outro lado, algumas matérias destacaram a problemática da exploração do óleo e gás na foz do Amazonas durante a COP30, ressaltando que o Brasil não poderia buscar liderança global diante da crise climática, ao explorar “a última gota de óleo” (5 e 6). Paralelamente, a situação apenas se agrava no que se refere aos navios de pesquisa brasileiros, com a crise financeira da Marinha do Brasil, devido ao corte de verbas (7). A ausência de navios de pesquisa brasileiros impulsiona a pesquisa helicóptero aqui (8). Recentemente trouxemos uma proposta concreta para o desenvolvimento da bioeconomia marinha e para o uso sustentável dos recifes Amazônicos (9 e 10).
1) https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/08/05/presidente-da-petrobras-diz-que-debate-sobre-exploracao-da-margem-equatorial-esta-beirando-o-consenso.ghtml
2) https://www.abc.org.br/2025/08/07/abc-lanca-relatorio-petroleo-margem-equatorial/.
3) https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2025/08/exploracao-de-petroleo-na-margem-equatorial-demanda-mais-estudos-e-salvaguardas-diz-academia-brasileira-de-ciencias.shtml
4) https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/carlos-nobre/2025/11/22/transicao-alinhada-a-ciencia-exige-lideranca-coragem-e-coerencia.htm
5) https://www.science.org/doi/10.1126/science.aed3748
6) https://www.science.org/doi/10.1126/science.aed3752
7) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/06/29/nas-forcas-armadas-ha-escassez-de-verba-para-radares-cacas-e-navios.ghtml
8) https://www.nature.com/articles/d41586-021-01795-1
9) https://www.abc.org.br/2025/11/19/abc-lanca-resumo-do-que-ha-de-mais-atual-na-ciencia-sobre-a-regiao-amazonica/
10) https://relatorioreservado.com.br/noticias/fundo-de-recifes-tropicais-para-sempre/
Fabiano Thompson é professor da UFRJ, onde coordena o Laboratório de pesquisa (https://www.thompsonlab.com.br/). É membro da Academia Brasileira de Ciências.
Escândalo da Acciona na Espanha acende alerta no governo Tarcísio
24/11/2025
GIP avança por todos os lados no setor de data centers no Brasil
24/11/2025
Governo tenta atrair grandes tradings para hidrovia do Rio Paraguai
24/11/2025O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, tem mantido conversas com tradings de commodities agrícolas – a exemplo de Cargill, Bunge e Amaggi – com o objetivo de atrai-las para disputar a licitação da hidrovia do Rio Paraguai, prevista para 2026. O desafio de Costa é garantir a competitividade do leilão – até agora, apenas a Hidrovias do Brasil e a LHG Mining, leia-se a J&F, dos irmãos Batista, acenaram, com a possibilidade de entrar na disputa. O Rio Paraguai é um importante corredor logístico para o escoamento de grãos e de fertilizantes. Na visão do governo, um consórcio com a presença de tradings agrícolas seria o modelo perfeito, uma vez que os próprios acionistas da operação funcionariam como âncoras de carga, garantindo previsibilidade de receita. O problema é que as empresas do setor têm se mostrado resistentes a investir em logística, dadas as incertezas regulatórias e limitadas perspectivas de retorno. No passado recente, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Amaggi chegaram a montar uma parceria para estudar projetos no modal ferroviário, em especial a Ferrogrão. A iniciativa ficou pelo caminho.
Riza desarma campo minado da Virgo no ecossistema de securitização
24/11/2025A Riza passou no teste de fogo da incorporação da Virgo, vista como um campo minado de suspeições. No mercado, o entendimento é que a instituição financeira do trio Daniel Lemos, Paulo Mesquita e Renato Jerusalmi debelou o que ameaçava se tornar uma crise de confiança em relação à própria securitização de títulos. A Riza separou o joio do trigo na carteira da Virgo, neutralizando o risco de que operações talvez menos ortodoxas contaminassem a indústria de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). Um dos casos mais rumorosos foi a suposta utilização indevida de clientes para investir em um CRI da Cedro Participações. O negócio rendeu uma denúncia contra a Virgo na CVM, feita por um executivo da própria securitizadora, Eduardo Levy. No entorno da Riza, havia um certo receio de que a compra da Virgo pudesse, de alguma forma, respingar na reputação da casa, o que não aconteceu, nem de longe. Prova disso é que a empresa de investimentos acaba de levantar R$ 400 milhões com a emissão de um Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais). O resultado, considerado robusto dada a conjuntura, funcionou como uma espécie de “prova de estresse” bem-sucedida.