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11.05.20

A ascensão sem fim de Paulo de Guedes

Circula em Brasília a informação de que Paulo Guedes está mudando o seu escritório de trabalho. O presidente Jair Bolsonaro teria oferecido ao ministro da Economia uma sala para que ele passe a despachar no Palácio do Planalto, pelo menos alguns dias por semana. Seria uma medida com alta dose de simbolismo, uma exibição de força do “Posto Ipiranga”. Nunca se viu antes um ministro da Fazenda, do Planejamento ou os dois conjugados dando expediente no Planalto.

Sua presença ao lado de Bolsonaro demonstraria proximidade não apenas com o presidente, mas também com os generais quatro estrelas do governo. Guedes teria a deferência de ser o ministro civil em meio aos ministros militares que coabitam o Palácio. A medida representa também uma espécie de fast track para ações do governo na crise da pandemia. Guedes teria maior facilidade para diversos despachos emergenciais, levando, na outra via, informações frescas ao presidente.

Por algum motivo parece que Bolsonaro decidiu receber dos seus ministros “operacionais” relatórios presenciais mais frequentes. Guedes é o principal “ministro operacional”. Em meio à pandemia, a convite de Bolsonaro, o ministro mudou-se do hotel onde morava em Brasília para a Granja do Torto, residência oficial da Presidência da República. Na última quinta-feira, Bolsonaro fez questão de reafirmar que segue a cartilha de Guedes na economia: “99% é o Paulo Guedes que decide; 1% sou eu”.

Tudo indica que está sendo criado um derivativo do semipresidencialismo, um híbrido onde o presidente está em campanha eleitoral permanente, inclusive contra seu próprio governo; e o ministro da Economia, que abarca metade dos ministérios do governo, administra freneticamente as contas em todas as áreas do setor público. O que sobra de gestão da máquina fica sob os auspícios dos militares. Mas esses já se encontram amplamente representados no Palácio do Planalto.

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