Tag: Arroz
Política
Arroz ferve na panela da oposição
18/11/2025Partidos de oposição, à frente o PL, estão se articulando para pleitear ao TCU a abertura de um processo de investigação contra a Conab. O alvo é a liberação de recursos para produtores de arroz. Neste ano, a estatal vinculada ao Ministério da Agricultura já destinou cerca de R$ 1,5 bilhão a medidas de suporte ao setor — desde a ampliação de estoques reguladores até mecanismos de equalização para garantir preço mínimo. A oposição quer que o TCU apure os critérios utilizados pelo governo para a liberação do dinheiro. A insinuação é que a maior parte tem beneficiado, de forma indiscriminada, agricultores do Rio Grande do Sul. A princípio, estranho seria o contrário. O estado responde por mais de 70% da produção nacional de arroz e é sabidamente um dos mais afetados por extremos climáticos. Mas, aos olhos dos opositores do governo Lula, é também o lócus político de Edegar Pretto, presidente da Conab e possível candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. A ofensiva do PL e demais partidos busca levantar suspeitas de que a política de apoio ao cereal estaria sendo usada para consolidar o capital político de Pretto no estado.
Agronegócio
Produtores de arroz cobram ajuda do governo
11/09/2025Dia sim e o outro também, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem administrado demandas do setor agrícolas por recursos públicos. A bola da vez é a pressão dos produtores de arroz do Rio Grande do Sul para que a Conab aumente o número de leilões para a compra do cereal. No mais recente, realizado no mês passado, a estatal firmou compromisso de compra de quase 110 mil toneladas – a ajuda pode chegar a R$ 180 milhões caso todos os agricultores optarem pela entrega do arroz na data de vencimento do contrato. Na paralela, o setor pede a tributação das importações da commodity, especialmente do Paraguai e do Uruguai. A crise na rizicultura gaúcha é cada vez maior por conta da queda dos preços do arroz, superior a 40% no acumulado dos últimos 12 meses. O atual valor da saca, em torno de R$ 70, não cobre sequer os custos de produção.
Agronegócio
Leilão de arroz deve provocar mais uma degola na Agricultura
18/06/2024O conturbado leilão de arroz deve derrubar mais um no governo. Nos corredores do Ministério da Agricultura, o entendimento é que o destino do diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Thiago José dos Santos, já está selado, e sua demissão em definitivo é apenas questão de tempo.
Na semana passada, a Pasta anunciou que Santos afastou-se temporariamente do cargo em licença remunerada. Entre os próprios assessores mais próximos do ministro Carlos Fávaro, o que se diz é que essa foi uma saída para inglês ver, como forma de evitar o desgaste político de duas demissões pelo mesmo motivo em menos de três dias – o escândalo do arroz já derrubou Neri Geller, secretário de Política Agrícola. Ressalte-se que Thiago José dos Santos, teólogo de formação, teria chegado ao cargo por indicação do próprio Geller.
Governo
Será mesmo que o arroz importado vai chegar no prato do brasileiro em 60 dias?
10/06/2024
Governo
Importação de arroz é um grão da discórdia na Agricultura
29/05/2024O governo atribui o adiamento dos leilões de compra de arroz à alta especulação e ao aumento dos preços do produto no Mercosul, no rastro da tragédia gaúcha. Pode ser. Mas, dentro do próprio Ministério da Agricultura, o que se diz é que o ministro Carlos Fávaro recuou por conta da resistência do corpo técnico da Pasta à operação. Além do entendimento de que a compra é açodada e os estoques oficiais são suficientes para cobrir as perdas de safra no Rio Grande do Sul, ao menos no curto prazo, a tecnocracia do Ministério já alertou sobre a dificuldade de garantir o controle de qualidade do produto no modelo cogitado, das compras descentralizadas. Significa dizer que, sob a justificativa das circunstâncias emergenciais, o arroz importado poderia entrar simultaneamente por vários portos brasileiros, o que dificultaria as inspeções sanitárias. O padrão do Ministério é concentrar eventuais importações em um mesmo terminal. Por ora, a Pasta ainda não confirmou uma nova data para o leilão que ocorreria no último dia 21, mesmo após o governo anunciar a liberação de R$ 6,7 bilhões para as importações
Governo
Importação de arroz está longe de ser um consenso na Pasta da Agricultura
15/05/2024A decisão do governo de importar um milhão de toneladas de arroz tem provocado divisões dentro do Ministério da Agricultura, notadamente na Conab. Na área técnica da Pasta, a leitura é que o hedge foi exagerado. O atual nível dos estoques oficiais já seria suficiente para suprir as perdas causadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul – estimadas em 15% da produção local – e conter movimentos especulativos.
Ressalte-se que 85% da safra gaúcha já foram colhidos e, segundo informações apuradas pelo RR, estudos conduzidos pelos técnicos da Pasta indicam ser possível aproveitar até 20% do arroz ainda em solo. Há ainda outro fator que desaconselharia a importação neste momento: nas últimas semanas, já antecipando a decisão do governo brasileiro, Argentina e Uruguai aumentaram seus estoques do cereal, com uma política mais agressiva de aquisições junto a produtores locais, o que, por si só, já contribuiu para a alta de 5% nos preços. E o ministro Carlos Fávaro, o que pensa?
O que se diz no próprio ministério é que Fávaro seria contra a compra imediata, ao menos até que se tenha uma melhor noção do impacto das enchentes sobre o restante da safra ainda a ser colhida. Agora, se o preço do arroz disparar nas prateleiras dos supermercados, não é a popularidade do ministro que vai cair na próxima pesquisa da Quaest…
Governo Bolsonaro engasga com as tarifas do arroz
2/10/2020No que seria uma súbita confissão de fracasso, o governo já cogita dar meia volta, volver e suspender a isenção temporária das tarifas para a importação de arroz – a princípio idealizada para durar até dezembro. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a medida foi um tiro no pé. Gerou forte insatisfação dos produtores nacionais, colocou a bancada ruralista na contramão do governo e tudo isso sem entregar o principal: frear a alta dos preços do cereal no mercado interno.
As razões fogem ao controle dos tecnocratas de Brasília. Os estoques mundiais de arroz estão baixos. Até o momento as cargas importadas, notadamente dos Estados Unidos, Guiana e Índia foram pequenas e não tiveram impacto no mercado brasileiro. A solução natural seria buscar arroz no mercado asiático – maior produtor global.
No entanto, a grande parcela da safra local está sendo literalmente devorada pela China, que, de janeiro a agosto, aumentou as compras da commodity em 60% na comparação com igual período em 2019. Em tempo: se os preços do arroz não subiram ainda mais, o consumidor pode agradecer principalmente ao contrabando vindo da Argentina, Uruguai e Paraguai. No próprio Ministério da Agricultura esse comércio paralelo já ganhou o apelido de “passeio noturno”. Normalmente, a mercadoria entra no país durante a madrugada, sobretudo por meio de barcaças. No mesmo dia, na parte da tarde, já está no pátio de alguma indústria brasileira.