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A disputa pelo Banco do Nordeste (BMB) esquentou. A indicação do ex-governador de Pernambuco Paulo Câmara, que já era dada como certa no governo, passou a ter concorrência dentro do próprio PT. O ministro da Educação, Camilo Santana, trabalha pela nomeação de Nelson Martins, assessor especial do governador do Ceará, Elmano Freitas. Por sua vez, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, defende a escolha de Luiz Carlos Farias, secretário de Inclusão Sócio-Econômica da Pasta. Farias já ocupou uma diretoria no Banco do Nordeste. Ao mesmo tempo, é o seu handicap e o seu calcanhar de Aquiles. Farias é considerado próximo de Stelio Gama, diretor do Instituto Norte Cidadania. A entidade cuidava da operacionalização do Crediamigo, a carteira de microcrédito do BNB. A parceria foi desfeita no governo Bolsonaro, depois que Valdemar da Costa Neto levantou suspeições sobre a relação entre o banco e a ONG.
A gestão Lula ensaia um preocupante volta ao passado. O governo pretende usar o BNDES e, mais especificamente, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) na proa de um projeto de ressurreição da indústria naval brasileira. A ideia é aumentar o orçamento do FMM e, consequentemente, os empréstimos feitos pelo banco de fomento com recursos do Fundo. O governo enxerga uma oportunidade de estimular a produção de plataformas e equipamentos destinados à instalação de eólicas offshore, segmento que deverá ter uma pesada onda de investimentos no Brasil. Outra proposta em discussão é usar o FMM para fomentar a renovação da frota de apoio à Petrobras – medida que, a julgar pelo track records dos governos do PT, viria acompanhada do aumento dos índices de conteúdo local.
A missão caiu no colo de Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. No que depender da sua vontade, Alckmin tem outras prioridades à frente da Pasta, como, por exemplo, o complexo industrial de saúde e área de defesa. No entanto, cumprindo os desígnios de Lula, que já manifestou por diversas vezes a disposição de reativar a indústria naval no país, Alckmin tem mantido interlocução com o setor. Segundo o RR apurou, representantes da construção naval já fizeram chegar a Alckmin a proposta de criação de um projeto nos moldes do antigo Prorefam (Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo da Petrobras).
Ao longo do governo Bolsonaro, o Fundo da Marinha Mercante aguou. Entre 2019 e 2022, os repasses do FMM somaram aproximadamente R$ 3,3 bilhões. A cifra liberada em 2020, por exemplo (R$ 350 milhões), foi a mais baixa dos 13 anos anteriores. Nos quatro anos anteriores (de 2015 a 2018), o Fundo da Marinha Mercante havia financiado cerca de R$ 12,6 bilhões em projetos. Isso em um período em que a Lava Jato já havia destroçado boa parte da indústria naval.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas é difícil entender o que o governo pretende. Por mais que mire em novas oportunidades de impulso à indústria local – como no caso das eólicas offshore -, o projeto de apoio da indústria naval com dinheiro do FMM repete uma política adotada nos governos de Lula e Dilma que deu errado. Muito errado. Mais do que isso: a investida remete a episódios escabrosos com a aplicação de recursos públicos em empresas como Sete Brasil e OSX.
Mais um grande player chinês da área de energia ensaia seu desembarque no Brasil. Segundo o RR apurou, a Shenzen Energy acenou ao Ministério de Minas e Energia o interesse em investir no país, mais precisamente em geração renovável. Os chineses já estariam vasculhando o mercado em busca de projetos maduros de usinas solares e eólicas. A companhia é a maior fornecedora de energia da importante e rica província de Shenzen, sendo responsável por mais de 40% da capacidade instalada de geração na região. Com pesados investimentos, sobretudo no Norte da China, o grupo tem se concentrado em aumentar a participação da energia renovável no seu portfólio. A meta é chegar a 40% até 2025 – no ano passado, esse índice foi de 37%.
O Rio de Janeiro não chega a ser o primo pobre da história, já que há estados carregando maiores passivos da varejista. Mas não escapou da mordida de R$ 215 milhões dos R$ 43 bilhões confessados que a Americanas tem em dívidas. Os números ainda podem aumentar. E bem. A Secretaria Estadual da Fazenda está atualizando as cifras, com o levantamento de autos de infração ainda não contabilizados na dívida ativa Fluminense.
A Cogna Educação está faminta para comprar sistemas de ensino de concorrentes, notadamente de aulas bilíngue. O objetivo é ampliar a operação da Vasta, o braço de educação básica do grupo. Quem te viu, quem te vê. No ano passado, a Cogna chegou a colocar o negócio à venda.
O Itamaraty não perdeu tempo. Já costura um encontro do diplomata Julio Bitelli, indicado nesta semana como novo embaixador do Brasil em Buenos Aires, com a equipe do ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa. Em pauta, as primeiras tratativas formais para o possível apoio do BNDES à construção do gasoduto Nestor Kirchner.
Considerada a mais ativa do Congresso, com cerca de 250 deputados e senadores, a Frente Parlamentar da Agricultura vai ser recebida pelo ministro Carlos Fávaro no próximo dia 6, em Brasília. A data coincide com a primeira semana do ano legislativo. Não será uma conversa relaxada. Integrantes da FPA vão cobrar de Fávaro seus recentes ataques a entidades do agronegócio com acusações de apoio a atos antidemocráticos. No passado, o clima entre as partes era bem melhor. O ex-senador e empresário foi homenageado pela FPA. Lá se vão seis anos quando Carlos Fávaro, então parlamentar, reconheceu o papel da entidade para o desenvolvimento do agronegócio nacional.
A ministra dos Esportes, Ana Moser, avalia o rompimento da parceria entre a Pasta e o Instituto Dani Alves, ONG pertencente ao ex-jogador da seleção brasileira. A entidade recebe cerca de R$ 3,5 milhões por ano em repasses do governo federal. Trata-se de uma decisão difícil. De um lado, uma causa nobre: o Instituto desenvolve uma série de ações voltadas a crianças e adolescentes em situação de carência; do outro, a inevitável contaminação da imagem da ONG pela acusação de estupro que pesa contra Daniel Alves, preso em Barcelona. Segundo o RR apurou, a pressão pelo fim do convênio vem também de outras Pastas – são 11 Ministérios ocupados por mulheres.
O fechamento de capital da Arco Educação virou um cabo de guerra. De um lado, minoritários, entre os quais Gávea Investimentos, tentam puxar a oferta de recompra das ações em mercado para a casa dos US$ 13, mais próxima do valor negociado em bolsa (US$ 13,61 no pregão de ontem); por sua vez, a General Atlantic e a Dragoneer Investment Group estariam resistindo a aumentar a proposta inicial de US$ 11 por ação. Os dois lados vão ter de ceder um pouco da corda para o negócio sair.
O Santander, a ex-casa bancária de Sergio Rial, deverá tratar os créditos contra a Americanas com dose extra de conservadorismo. O banco já avalia provisionar até 70% da dívida da rede varejista, que soma R$ 3,7 bilhões. Cerca de R$ 1,8 bilhão desse valor se refere à modalidade do “risco sacado”, para o pagamento de fornecedores, justamente o terreno em que brotou a fraude contábil das Americanas. Ressalte-se que Sergio Rial acumulou por dez dias os chapéus de CEO da rede varejista e de chairman do Santander Brasil, cargo ao qual renunciou na última sexta-feira, dia 20. Essa interseção, ou promiscuidade, só reforça o cuidado com o que o Santander precisa administrar o caso Americanas.
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