Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Será que Angra 3 estará nas cenas dos próximos capítulos da Âmbar?

25/02/2026
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A Eletronuclear é um jogo no qual os irmãos Batista entraram já antevendo o resultado final. A decisão da ENBPAr (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional) de abrir mão do direito de preferência sobre as ações da estatal em poder da Axia reforça a sintonia entre o governo Lula e Joesley e Wesley Batista. A coreografia de um parece feita sob medida para acompanhar os passos do outro. O movimento da ENBPar abre caminho para a Âmbar Energia, enfim, sacramentar a aquisição da participação da Axia na Eletronuclear. Para todos os efeitos, a União levou quatro meses para informar se exerceria ou não a opção de compra das ações. Mas, no setor, já era dado como certo que essa demora não passava de um filme de suspense fajuto. A questão que realmente prende a plateia é descobrir quais serão as próximas cenas dessa película. No fundo do cinema, surgem cochichos de que o governo poderá anunciar em breve um plano para a retomada das obras de Angra 3 com recursos federais. Para os novos sócios da Eletronuclear, não seria exatamente um plot twist.

#Energia

Riachuelo aperta o passo na corrida do varejo digital

25/02/2026
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A Riachuelo está indo ao mercado captar R$ 400 milhões com um olho no “velho” e outro no novo varejo. Segundo informações filtradas pelo RR, além da já anunciada abertura de lojas físicas, a rede de Flavio Rocha vai destinar uma parcela dos recursos para anabolizar seu e-commerce. Entre as prioridades da Riachuelo estão aprimorar a integração de estoques das lojas físicas e do online (ship-from-store), geração de tráfego próprio (social commerce/mídia) e logística. A maior preocupação é melhorar o sistema de distribuição para concorrer com os prazos de entrega cada vez menores ofertados pelos grandes players da área de varejo digital. Ressalte-se que a Riachuelo está longe de ser uma empresa “analógica”. Em 2025, o capex totalizou R$ 571,8 milhões, dos quais R$ 380,3 milhões foram destinados a Tecnologia & Transformação Digital. No ano passado, por exemplo, a companhia estreou no TikTok Shop com mais de cinco mil itens, apostando em lives e afiliados. Ainda assim, em um ambiente de concorrência cada vez mais acirrada, o desafio é transformar capex em prazo de entrega, conversão e recorrência. De um lado, está a feroz ofensiva dos marketplaces chineses no Brasil; do outro, a assimetria financeira do Mercado Livre, híbrido de e-commerce e fintech (Mercado Pago) – no ano passado, a companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 34 bilhões.

#Riachuelo

Zema abre vantagem sobre Tarcísio na “privatização” de escolas

25/02/2026
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Romeu Zema e Tarcísio de Freitas parecem disputar quem “privatiza” mais escolas no Brasil. Por ora, o mineiro leva ampla vantagem. E ela deve aumentar. O governo Zema tem feito estudos para conceder à iniciativa privada um novo lote de colégios da rede estadual no segundo semestre. Essa fornada envolveria cerca de 50 estabelecimentos da rede estadual. Em janeiro, o governo mineiro lançou o edital para contratos de reforma, conservação, manutenção, gestão e operação de serviços não pedagógicos de 95 escolas, por meio de PPP (Parceria Público-Privada). É de dar inveja a Tarcísio de Freitas. Até o momento, o seu governo anunciou a concessão de “apenas” 33 colégios em São Paulo.

#Romeu Zema

Faros MFO entra no jogo das grandes fortunas e já mira aquisições

24/02/2026
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Corre à boca miúda na Faria Lima que a Faros Multi Family Office (Faros MFO) está garimpando o mercado de administração de fortunas em busca de possíveis aquisições. Na mira, não apenas gestoras, mas também consultorias e plataformas capazes de complementar o ecossistema de serviços de patrimônio. Braço da Fami Capital, por sua vez criada a partir da fusão entre a Messem Investimentos e a Faros Private, a instituição financeira acaba de colocar os pés no segmento de wealth management. A autorização da CVM saiu do forno há cerca de 15 dias. A Faros MFO soma cerca de R$ 20 bilhões em fortunas sob gestão.

#Faros MFO

Bondholders arrastam contencioso com a Oi para a Justiça dos EUA

24/02/2026
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A tragédia da “supertele brasileira”, concebida em 2008 sob as bênçãos do governo Lula, parece não ter fim. A Oi está no epicentro de um tensionamento jurisdicional entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o RR apurou, bondholders da companhia, notadamente Pimco, SC Lowy e Ashmore, planejam acionar a Justiça norte-americana, mais precisamente a Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York, contra o arresto de seus créditos determinado pelo Judiciário brasileiro. A estratégia envolve o uso do Chapter 15 — instrumento que reconhece processos estrangeiros de insolvência — para questionar os efeitos internacionais da medida cautelar e proteger direitos que, no entendimento dos investidores, já estão devidamente estruturados na segunda recuperação judicial da operadora. No limite, o trio pretende questionar a legitimidade da própria Justiça brasileira, especificamente da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que determinou o bloqueio dos seus créditos. O montante a receber gira em torno de US$ 1,4 bilhão.

Ressalte-se que a companhia sofreu recentemente uma derrota relevante na Corte norte-americana. Em outubro do ano passado, o Tribunal de Falências do Distrito Sul negou o pedido da Oi de encerramento do Chapter 15, frustrando a tentativa da empresa de migrar sua recuperação judicial para o Chapter 11, alternativa que poderia permitir uma reorganização mais autônoma sob a lei americana. A decisão manteve a tele sob o guarda-chuva da cooperação internacional entre jurisdições. Na prática, a Justiça dos Estados Unidos sinalizou que o processo brasileiro ainda produz efeitos que justificam sua supervisão. Consultada pelo RR, a Ashmore não quis comentar. Também procuradas, Pimco, SC Lowy e Oi não retornaram até o fechamento desta matéria.

Ontem, fundos vinculados à Pimco acionaram a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro com pedido de reconsideração da decisão do último dia 19, quando a juíza Simone Chevrand determinou o arresto dos créditos e garantias detidos pelos bondholders. No requerimento, a gestora classificou a medida como gravíssima e capaz de causar “enorme impacto no mercado nacional e internacional, que confia no Poder Judiciário para a proteção de créditos concedidos em cenários de insolvência”. Paralelamente, a Pimco se prepara para levar o contencioso a Nova York. O movimento deve incluir pedidos para limitar a eficácia extraterritorial do arresto, sob o argumento de que a decisão brasileira altera a ordem de prioridades, garantias, contratos e direitos creditórios reconhecidos na recuperação internacional. O embate ganhou contornos ainda mais agudos após a própria Oi ter ingressado com ação contra Pimco e Ashmore, acusando as gestoras de abuso de poder e influência excessiva na condução da recuperação judicial, alegando exercício de controle de fato sobre decisões estratégicas.

Enquanto isso, a Oi segue em sua agonia. Com dívidas de R$ 45 bilhões, a reincidente em recuperações judiciais chegou a ter sua falência decretada no ano passado. A decisão foi suspensa dias depois diante de argumentos de bancos credores sobre riscos sistêmicos. A empresa enfrenta situação extremamente crítica. Mesmo após a alienação de ativos, registrava em novembro apenas R$ 8 milhões em caixa líquido, segundo documentos encaminhados à Justiça. A última grande possibilidade de levantar recursos depende da venda da participação na V.tal, empresa de fibra óptica controlada por fundos do BTG, cuja fatia da Oi é avaliada em aproximadamente R$ 12 bilhões.

#Oi

Governo Milei vira peça-chave na venda de ativos da Raízen

24/02/2026
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A venda da operação da Raízen na Argentina extrapolou as fronteiras corporativas e se tornou um tema sensível no tabuleiro político do país. O que se ouve nos corredores da companhia é que o governo Milei tem atuado nos bastidores para sacramentar a negociação dos ativos – a refinaria de Dock Sud e mais de 700 postos da marca Shell – à suíça Mercuria. O grupo – uma das maiores tradings globais de commodities, com forte presença no setor de energia – é parceira dos empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila. O trio é sócio na Phoenix Global Resources, operadora de ativos petrolíferos com atuação em Vaca Muerta. Manzano e Vila são bastante próximos de Javier Milei. Costumam defender de forma aguerrida a agenda de desregulação e abertura econômica promovida pelo presidente argentino. O apoio valeu à dupla uma posição privilegiada na interlocução com o governo para a formulação de políticas para o setor de energia.

A venda de seus negócios na Argentina é uma peça importante no quebra-cabeças da Raízen para o equacionamento do seu passivo. A Mercuria já teria feito uma oferta de US$ 1,4 bilhão pelos ativos. No mercado local, a operação pode redesenhar o equilíbrio de forças no downstream argentino. A refinaria de Dock Sud é uma das mais relevantes do país, com posição estratégica na Grande Buenos Aires. Já a rede de postos Shell é a segunda maior do país, com market share próximo dos 25%, superada apenas pela estatal YPF, com 55% das vendas. Para o governo Milei, a transação carrega peso simbólico e econômico. A consolidação do negócio reforçaria a narrativa de abertura ao capital privado e de atração de investidores internacionais em um setor historicamente marcado por forte intervenção estatal. Nesse contexto, o apoio de Milei à Mercuria busca também assegurar que ativos estratégicos permaneçam sob controle de grupos alinhados ao governo.

#Raízen

Aneel enxerga a sombra de Alexandre Silveira por trás de investida do TCU

24/02/2026
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Mais um round na queda de braço entre o ministro Alexandre da Silveira e o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa: dentro da agência, a recente decisão do TCU de apontar riscos em processos da entidade foi recebida como resultado de uma “dobradinha” entre a Corte e Silveira. A leitura é que o ministro agiu nos bastidores junto a integrantes do Tribunal de Contas para a elaboração do parecer que aponta uma série de fragilidades na Aneel. O relatório identificou seis áreas de vulnerabilidade — incluindo morosidade decisória, lacunas na fiscalização, inadequação em processos de outorga, atrasos na regulamentação de etapas da transição energética e até defasagens tecnológicas que poderiam comprometer a segurança do suprimento elétrico. O plano de fiscalização aprovado pela Corte não se limita a uma carta de recomendação: ele engloba auditorias em contratos e concessões, revisão de mecanismos regulatórios e monitoramento reforçado de temas sensíveis, como a fiscalização de distribuidoras e a resposta a eventos climáticos ou cibernéticos que possam afetar o sistema elétrico. Na Aneel, a interpretação é que por trás está mais uma ação estimulada por Silveira com o objetivo de enfraquecer a posição de Feitosa à frente da agência reguladora. O ministro tem sido um crítico contumaz da gestão da Aneel. Já acusou o órgão de lentidão, omissão e de “boicotar” políticas alinhadas ao governo. Também tem pressionado a agência a agir mais rapidamente na revisão ou possível término de concessões, como a da Enel em São Paulo.

#Aneel

Clã Bolsonaro usa munição de grosso calibre para impor vice de Tarcísio

24/02/2026
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No perímetro de colaboradores mais próximos de Tarcísio de Freitas há quem sinta cheiro de pólvora bolsonarista na artilharia contra o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD). Ou seja: o próprio clã Bolsonaro estaria insuflando, nos bastidores, as denúncias contra Ramuth e sua esposa por suposta lavagem de dinheiro no valor de US$ 1,6 milhão em conta mantida no AndBank, de Andorra. O ex-presidente e sua prole estão entre os principais interessados na criminalização e no consequente esvaziamento do atual vice-governador. Os Bolsonaro querem impor o companheiro de Tarcísio na chapa que disputará à reeleição. O mais cotado é do atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL). No entanto, nos últimos dias circula em petit comité que o clã Bolsonaro teria outro nome guardado no bolso do colete: o também deputado estadual Conte Lopes (PL). Policial militar aposentado e ex-integrante da temida Rota, Lopes é um dos representantes mais linha dura da bancada da bala na Alesp. Ficou célebre por escrever o livro “Matar ou Morrer”, em resposta à obra “Rota 66”, do jornalista Caco Barcellos, que denunciou casos de violência policial em São Paulo, muitas delas em ações nas quais o próprio Conte Lopes esteve envolvido.

#Tarcísio de Freitas

EPR acelera rumo ao leilão da Rota dos Sertões

23/02/2026
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A EPR, leia-se Perfin Investimentos e Equipav, é apontada no mercado como forte candidata à licitação da Rota dos Sertões, marcada para 28 de maio. Trata-se de um dos maiores leilões de infraestrutura programados para o último ano do Lula III. A Rota dos Sertões abrange cerca de 502 km de rodovias estratégicas no Nordeste, conectando o entroncamento da BR-116, em Feira de Santana (BA), a Salgueiro (PE), passando por trechos de grande relevância logística como a BR-324 (Feira de Santana – Salvador). O contrato prevê investimentos totais da ordem de R$ 4,32 bilhões. Desde a sua formação em 2022, a EPR tem empilhado vitórias em leilões no setor rodoviário. Arrematou a BR-040 entre Juiz de Fora e Belo Horizonte e os lotes Triângulo Mineiro (627 km), Sul de Minas (454 km) e Vias do Café (433 km), todos em Minas Gerais. No Paraná, seu portfólio reúne a EPR Litoral Pioneiro e a EPR Iguaçu. Todos os contratos sob sua administração somam cerca de R$ 24 bilhões em investimentos.

#EPR #Rota dos Sertões

Com CMOC Group, China avança sobre o lítio brasileiro

23/02/2026
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A China ensaia uma ofensiva sobre o lítio brasileiro. Há informações no mercado de que a CMOC Group (antiga China Molybdenum) planeja investir na produção do mineral estratégico no país. Um dos caminhos traçados seria uma dobradinha puro-sangue costurada diretamente por Pequim: uma associação com a BYD. A montadora chinesa já tem o mapa da mina. Literalmente. Em 2023, adquiriu direitos minerários sobre uma área de 852 hectares em Coronel Murta (MG), no Vale do Jequitinhonha, com reservas comprovadas de lítio. Com essa investida casada, a China daria um passo duplamente estratégico: a CMOC entraria como plataforma exportadora do mineral, ampliando sua presença em minerais críticos no comércio global; por sua vez, a BYD garantiria suprimento para montar uma operação integrada e verticalizada, do minério ao carro elétrico, passando pela produção de baterias. Seriam dois engenhosos modelos sob o mesmo guarda-chuva. De um lado, lítio como commodity estratégica, negociada em escala internacional; de outro, o mineral como insumo industrial cativo, vinculado à cadeia de produção de automóveis elétricos. Ou seja: uma engenharia que combinaria segurança de abastecimento, captura de valor e influência geoeconômica. Tudo junto e misturado.

Há uma Gestalt geoeconômica na qual tanto a figura quanto o fundo são ocupados por Pequim e Washington, protagonistas e contendores na corrida global por minerais críticos. Os movimentos da CMOC no Brasil ganham ainda mais peso diante das recentes cartadas de Donald Trump. No início do mês, o presidente norte-americano anunciou a criação de estoque estratégico de minérios estratégicos, com US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA (U.S. Export-Import Bank). Quase que simultaneamente, Trump convidou o Brasil para integrar uma coalizão internacional para o fornecimento, à extração e ao refino de minerais voltados à transição energética.

A CMOC já atua em solo – e subsolo – brasileiro. Tem uma operação de nióbio e fosfatados em Catalão (GO). E, em dezembro, fechou a compra dos ativos da canadense Equinox Gold no Brasil por US$ 1 bilhão. Herdou duas empresas, a Leagold LatAm Holdings e a Luna Gold, que reúnem três minas de ouro no Brasil – Aurizona, no Maranhão; RDM, em Minas Gerais; e Fazenda Brasileiro e Santa Luz, na Bahia -, com capacidade de produção de oito toneladas. No setor, o apetite da CMOC tem alimentado especulações sobre o interesse do grupo em buscar também parcerias com mineradoras que já têm projetos avançados na extração de lítio, como Sigma Lithium e Atlas Lithium Corporation.

 

#CMOC Group

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