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A venda da operação da Raízen na Argentina extrapolou as fronteiras corporativas e se tornou um tema sensível no tabuleiro político do país. O que se ouve nos corredores da companhia é que o governo Milei tem atuado nos bastidores para sacramentar a negociação dos ativos – a refinaria de Dock Sud e mais de 700 postos da marca Shell – à suíça Mercuria. O grupo – uma das maiores tradings globais de commodities, com forte presença no setor de energia – é parceira dos empresários argentinos José Luis Manzano e Daniel Vila. O trio é sócio na Phoenix Global Resources, operadora de ativos petrolíferos com atuação em Vaca Muerta. Manzano e Vila são bastante próximos de Javier Milei. Costumam defender de forma aguerrida a agenda de desregulação e abertura econômica promovida pelo presidente argentino. O apoio valeu à dupla uma posição privilegiada na interlocução com o governo para a formulação de políticas para o setor de energia.
A venda de seus negócios na Argentina é uma peça importante no quebra-cabeças da Raízen para o equacionamento do seu passivo. A Mercuria já teria feito uma oferta de US$ 1,4 bilhão pelos ativos. No mercado local, a operação pode redesenhar o equilíbrio de forças no downstream argentino. A refinaria de Dock Sud é uma das mais relevantes do país, com posição estratégica na Grande Buenos Aires. Já a rede de postos Shell é a segunda maior do país, com market share próximo dos 25%, superada apenas pela estatal YPF, com 55% das vendas. Para o governo Milei, a transação carrega peso simbólico e econômico. A consolidação do negócio reforçaria a narrativa de abertura ao capital privado e de atração de investidores internacionais em um setor historicamente marcado por forte intervenção estatal. Nesse contexto, o apoio de Milei à Mercuria busca também assegurar que ativos estratégicos permaneçam sob controle de grupos alinhados ao governo.
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