Arquivo Notícias - Página 51 de 1963 - Relatório Reservado

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Azzas unifica negócios e concentra poder após resultados decepcionantes

19/02/2026
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A recente unificação das unidades Arezzo, Schutz, Vans e Hering debaixo do mesmo guarda-chuva vai além de uma mera mudança no organograma da Azzas 2154. Há outros ajustes organizacionais em estudo. A lógica é condensar verticais de negócio e concentrar poder decisório, o avesso do que se viu logo após a criação da empresa, há dois anos, a partir da fusão entre a Arezzo e o Grupo Soma. Trata-se de uma boa dose de mea culpa. Dentro da companhia, há o reconhecimento tácito de que a estrutura anterior não entregou o que prometia. Ao juntar as unidades de Shoes & Bags (Arezzo, Schutz, Vans) e Basic (Hering), a Azzas 2154 pretende reduzir camadas intermediárias e redesenhar o fluxo de decisões. O modelo mantido até então expôs fragilidades que a arquitetura descentralizada não conseguiu absorver. A captura de sinergias ficou aquém da expectativa do mercado. O redesenho é também uma resposta direta aos resultados decepcionantes da companhia: no terceiro trimestre do ano passado, as verticais Shoes & Bags e Basic registraram queda de receita, respectivamente, de 5,6% e 4,2% na comparação com igual período em 2024.

#Azzas 2154

A perda de valuation dos ativos eleitorais de Lula

19/02/2026
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Como conter a depreciação dos ativos eleitorais de Lula que, historicamente, sempre fizeram diferença nas urnas? Esse é o dilema que ricocheteia no entorno do presidente, particularmente na cabeça do ministro chefe da Secom, Sidônio Palmeira. Pesquisas qualitativas encomendadas pelo Palácio do Planalto têm mostrado de forma dura e crua que o capital simbólico acumulado por Lula durante décadas já não opera como gerador automático de votos. Ao menos não na proporção necessária. Nas sondagens sobre as quais está debruçado, Sidônio identificou três pontos de preocupação para as hostes petistas. O primeiro deles é o esvaziamento do que sempre foi o núcleo celular do lulismo: as políticas sociais. Bolsa Família, BPC, Tarifa Social de Energia Elétrica, Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, Vale Gás, ProUni, Pé-de-Meia… Todas essas políticas compensatórias já são percebidas como direito adquirido. Ao se tornarem parte do “estado natural das coisas”, deixam de produzir gratidão política. Mesmo a ampliação dos repasses não se converte linearmente em fidelização porque o eleitor de baixa renda já internalizou o benefício. E narrativas terroristas, de que o adversário A ou B extinguirá determinada benesse, não colam mais. Jair Bolsonaro passou e as concessões sociais não foram cortadas.  Pelo contrário.

Some-se o fato de que efeitos cumulativos de corrosão, como a inflação – especialmente de alimentos, energia e serviços básicos –, desidratam a percepção de prosperidade. Por outro lado, há o efeito de que, mesmo que Lula tenha dado de benefícios granel e Bolsonaro praticado políticas sociais de forma minúscula e muito eventualmente, o estoque de carências da população é tão grande e cresce com tanta rapidez que lembra a fábula do menino e o dique. Havia uma parede de contenção de um rio. De repente surgiu, um pequeno vazamento. O menino colocou o seu dedo para tampá-lo. Nisso, a pressão da água estourou outro vazamento ainda maior. O garoto colocou o outro dedo, e mais uma vez um novo buraco se abriu. E assim sucessivamente. O povo são as águas. Os buracos, a queda na aprovação popular e a perda de votos.

O segundo vetor escancarado nas pesquisas é o endurecimento ideológico. A polarização deixou de ser circunstancial e se tornou identitária. O jogo do “nós” contra “eles”, ou de “comunistas” x “fascistas” está dado. Com isso, há pouca margem para deslocamento de votos. A quantidade de eleitores que se oferecem para serem convencidos do contrário é cada vez menor. É um problema especialmente para Lula, que terá pouco espaço de crescimento do primeiro para o segundo turno. Ao contrário de Flavio Bolsonaro, que muito provavelmente terá na rodada decisiva o reforço maciço de votos que se espalharam por outros candidatos do campo da direita. Portanto, a eleição tende a ser menos sobre convencimento e mais sobre mobilização de base. O eleitorado disposto a atravessar o Rubicão ideológico encolheu drasticamente.

Essa variável se cruza com o terceiro vetor que emerge das pesquisas do Palácio do Planalto: Lula tem um problema de “brand”. À exceção de Leonel Brizola, com quem dividiu os votos da esquerda em 1989, e de FHC, o petista quase nunca precisou concorrer com marcas políticas à sua altura. Esse cenário mudou com a entrada em cena de Jair Bolsonaro. Queira-se ou não, o sobrenome Bolsonaro é uma grife eleitoral, vide a transferência de votos para Flavio Bolsonaro. O “01” já aparece na última pesquisa Genial/Quaest com 31% no primeiro turno e 38% no segundo, contra, respectivamente, 38% e 43% de Lula. Assim como o petista entregou um pacote fechado de votos para Fernando Haddad em 2018, Flavio já mostrou que a loja da Kopenhagen não é a única franquia em sua vida. Hoje, ele é o master-franqueado do brand Bolsonaro nas urnas, aparecendo como o recebedor dessa herança simbólica.

A maior evidência da erosão da marca Lula é a perda de popularidade no Nordeste. Na mesma pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último dia 11, a aprovação do seu governo na região caiu para 61%, contra 67% no levantamento anterior, em janeiro. O fenômeno é atribuído a diversos fatores: avanço das igrejas evangélicas, maior penetração de redes sociais com discurso conservador, desgaste econômico e emergência de lideranças locais menos alinhadas automaticamente ao PT. A essa altura, o que menos importa para a campanha lulista é mapear as causas da infecção, mas reduzir seus sintomas. A questão é como? No Planalto, espera-se que, com uma taxa de juros real da ordem de 8% (projeção para dezembro de 2026), o cenário melhore um pouquinho em relação à atual taxa real da ordem de 10,5% a 11%. Mesmo caindo do atual patamar, a taxa básica ainda será a segunda ou maior terceira do mundo.

O que as pesquisas acompanhadas por Sidônio Palmeira sugerem é uma mudança de ciclo. Lula não perdeu seu patrimônio político, mas já não opera em regime de monopólio simbólico. Seu capital deixou de ser multiplicador automático. Em mercados competitivos, ativos não desvalorizam apenas por fracasso — desvalorizam quando o ambiente muda. E o ambiente eleitoral brasileiro mudou: menos transferência emocional, mais identidade rígida; menos gratidão retrospectiva, mais disputa de narrativa em tempo real. A eleição de 2026, nesse contexto, tende a ser menos uma reedição do passado e mais uma disputa por eficiência de marca e retenção de base. Lula ainda lidera, mas sob pressão estrutural. E Flávio Bolsonaro, é bom que se lembre, ainda não começou a fazer suas promessas eleitoreiras nem para os brasileiros e brasileiras, notadamente aos do Nordeste, curral eleitoral de Lula. Por ora, o que se tem é que o presidente da República começou sua “campanha” sambando com o pé esquerdo. A homenagem a Lula terminou no rebaixamento da Acadêmicos de Niterói no carnaval carioca.

#Lula

Governo Tarcísio faz mea culpa e tenta salvar PPPs de saneamento

19/02/2026
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Emissários do governador Tarcísio de Freitas têm conduzido uma rodada de conversas com grandes grupos do saneamento, a exemplo da Aegea e da BRK Ambiental. A missão é convencer estes players a disputar os leilões de Parcerias Público-Privadas (PPPs) previstos para este ano. Em jogo, um pacote de investimentos que pode chegar a R$ 40 bilhões. Nas tratativas, segundo uma fonte do setor, o governo tem feito uma mea culpa, reconhecendo que o formato anterior foi duplamente fracassado: não alcançou a adesão esperada dos municípios e do mercado privado. Além disso, o Palácio dos Bandeirantes acena com subsídios financeiros para as concessões, uma isca a mais para os investidores.
O projeto de lei 1.083/2025, que deverá ser aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp) nas próximas semanas, reorganiza os territórios de saneamento em subunidades menores e viabiliza a concessão dessas áreas por meio de PPPs. A ideia é que esse modelo aumentará a atratividade dos blocos para investidores privados – um recuo parcial em relação à estratégia de 2021, em que apenas o bloco da Sabesp prosperou.
No diagnóstico feito entre os assessores de Tarcísio de Freitas, a baixa adesão de prefeitos à primeira rodada de regionalização evidenciou que muitos municípios preferem manter a prestação direta dos serviços ou têm dúvidas sobre a viabilidade econômica de concessões isoladas. A nova abordagem tenta contornar esse gargalo ao agrupar municípios por bacias hidrográficas e oferecer contraprestação financeira do estado nos contratos de longo prazo (20 a 40 anos).

#Tarcísio de Freitas

Kavak acelera em seu processo de “fintechzação” no Brasil

19/02/2026
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O Brasil desponta como o destino de uma parcela expressiva dos US$ 300 milhões captados pela mexicana Kavak em sua rodada Série F, fechada no início desta semana. Segundo informações apuradas pelo RR, o foco da startup de carros seminovos é consolidar a operação brasileira como uma possante máquina de crédito e giro de estoque. O modelo que ganha tração é o de plataforma de liquidez combinada a financiamento: comprar veículos com desconto via originação direta e contratos estruturados, recondicioná-los, vende-los com giro acelerado e financiar com spread. O carro é meio; o crédito é fim. Ou seja: a Kavak pretende acelerar sua porção fintech no Brasil. Isso tende a se materializar em três movimentos objetivos. Em primeiro lugar, elevar a penetração de financiamento nas vendas próprias e de parceiros; em segundo, firmar contratos recorrentes de fornecimento com locadoras e grandes frotistas, aumentando previsibilidade de estoque; por fim, investir em infraestrutura de recondicionamento e logística nos principais eixos urbanos, encurtando tempo de pátio — variável crítica de rentabilidade. O Brasil é visto pelos mexicanos como uma estrada muito bem pavimentada, com oportunidades em todas as pistas. No ano passado, mais de 18 milhões de automóveis usados foram comprados e vendidos no país – 16% a mais do que em 2024. Esse número representa 88% de todos os veículos de passeio comercializados no Brasil em 2025. No México, a Kavak não tem um panorama tão favorável como esse: por lá, os automóveis usados respondem por cerca de 80% do mercado total.

#Kavak

Pacheco não quer ser o “Fernando Haddad de Minas de Gerais”

19/02/2026
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Em conversas reservadas, o senador Rodrigo Pacheco tem condicionado sua candidatura ao governo de Minas Gerais à formação de uma “frente ampla”, leia-se um arco de apoios englobando a esquerda, o centro e a centro-direita. Pacheco não quer ser o Fernando Haddad de Minas, ou seja, um candidato com encontro marcado com a derrota, cuja única função seria dar um palanque para Lula no estado – a exemplo do destino que o PT quer impor ao futuro ex-ministro da Fazenda em São Paulo. Para isso, o senador tem conversado dia sim, e o outro também, com lideranças do PT, PSB, MDB, União Brasil e PP. A todos diz que só sai candidato se tiver essa sopa de letrinhas ao seu lado. A questão é que o próprio Pacheco tem de definir qual delas será a sua sigla matriz. Sua permanência no PSD é tida como inviável depois que o atual vice-governador, Mateus Simões, migrou para o partido. Simões é o candidato de Romeu Zema ao governo. União Brasil e MDB já teriam oferecido um teto para Pacheco disputar a eleição.  No primeiro, o senador teria acesso a um fundo eleitoral robusto e a uma bancada federal numerosa; no segundo, contaria com capilaridade municipal maior no interior de Minas Gerais.

#Rodrigo Pacheco

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