Arquivo Notícias - Página 31 de 1963 - Relatório Reservado

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Guerra no Irã coloca sob risco IPO da Sadia Halal

18/03/2026
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A guerra no Irã desponta como uma ameaça aos planos expansionistas da MBRF no Oriente Médio. O conflito coloca sob o risco o processo de IPO da Sadia Halal, subsidiária criada pela companhia para consolidar suas operações no mercado de proteína halal na região. A oferta de ações está originalmente prevista para o ano que vem e, segundo o RR apurou, emissários do empresário Marcos Molina, controlador da MBRF, já têm feito sondagens junto a investidores e fundos soberanos do Oriente Médio. Com a escalada bélica na região, toda essa arquitetura pode ser varrida para longe. O aumento do risco geopolítico na região, por si só, já altera a percepção de valor em relação à Sadia Halal, impondo um fator de reprecificação do ativo que não estava sobre a mesa. Ressalte-se que a empresa de Molina, resultado da fusão entre a Marfrig e a BRF, está razoavelmente indexada a investidores soberanos do Oriente Médio. Para começar, a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (SALIC), fundo ligado à família real da Arábia Saudita criado para garantir a segurança alimentar do país, tem uma posição na MBRF a partir de derivativos financeiros. Por sua vez, a própria Sadia Halal é uma associação com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do fundo soberano saudita PIF, um potentado com quase US$ 1 trilhão em ativos e controlador da própria Salic. Ou seja: está tudo junto, misturado e na linha de fogo do Oriente Médio. Consultada pelo RR, a MBRF não se pronunciou, alegando estar em período de silêncio devido à proximidade da divulgação de seus resultados de 2025.

A Sadia Halal foi idealizada para ser o passaporte da MBRF para o mercado halal – leia-se as regras do Islã que definem o que é permitido para consumo. A empresa de US$ 2,07 bilhões reúne fábricas e centros de distribuição na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além das distribuidoras no Catar, Kuwait e Omã e do negócio de exportação direta de aves, bovinos e produtos processados para clientes da região MENA. Também integram o pacote a participação na Addoha Poultry Company, produtora de frango resfriado em Dammam, e a nova planta de processados em construção em Jeddah, considerada peça central da estratégia industrial da companhia no Golfo. A Sadia Halal herdou ainda uma rede comercial robusta, com cerca de 111 mil entregas mensais para mais de 17 mil pontos de venda, além de participação de mercado de aproximadamente 36% nos países do Conselho de Cooperação do Golfo.

Em tempo: a MBRF já teve um cartão de visitas dos impactos da guerra. No início de março, uma comitiva de mais de 100 empresários brasileiros do varejo, liderada pela empresa, precisou antecipar em um dia sua saída da Arábia Saudita após os ataques no Oriente Médio. Segundo relatos, o grupo teve de reorganizar a volta ao Brasil depois que a aeronave inicialmente negociada foi requisitada pelo governo saudita, levando Marcos Molina a fretar um voo para Londres. Parte da delegação ainda permaneceu na capital britânica aguardando conexão comercial para o Brasil. 

A Sadia Halal está irremediavelmente exposta às turbulências geopolíticas e bélicas da região. O projeto foi concebido para capturar crescimento e eventualmente acessar o mercado de capitais saudita, mas a escalada militar envolvendo o Irã introduz uma nova camada de risco para investidores. Em um cenário de instabilidade logística e tensões no Golfo, a pergunta que começa a circular no mercado é se a Sadia Halal ainda conseguirá chegar ao IPO com a mesma narrativa de expansão que sustentou sua criação.

#Sadia Halal

Grupo chinês estuda fábrica de equipamentos de energia no Brasil

18/03/2026
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Informação de cocheira: a chinesa LONGi Green Energy avalia instalar uma fábrica no Brasil. O foco seria a produção de equipamentos para usinas fotovoltaicas e também para projetos de hidrogênio verde, ampliando a presença da companhia no país. A empresa já atua no mercado brasileiro, com forte presença no suprimento de módulos fotovoltaicos. Entre outros empreendimentos de peso, os chineses forneceram mais de um milhão de módulos para o complexo Sol do Sertão, um investimento de R$ 1,5 bilhão da Essentia Energia, leia-se Pátria, na Bahia. O projeto de ter uma operação industrial no país se daria na esteira da iminente onda de investimentos em data centers, que exigirá um aumento expressivo da oferta de energia — sobretudo de fontes limpas — para sustentar a expansão da infraestrutura digital. O movimento também dialoga com a estratégia global do grupo de diversificar sua base produtiva para além da Ásia. A LONGi tem sete fábricas na China, além de unidades de produção no Vietnã e na Malásia. O grupo é um dos maiores fabricantes de equipamentos de energia da Ásia, com faturamento na casa dos US$ 14 bilhões por ano.

#LONGi Green Energy

Fernando Haddad deixa o governo, pero no mucho

18/03/2026
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Fernando Haddad tem dado demonstrações sucessivas de que pretende manter sua influência no governo Lula, ainda que de fora para dentro. Prestes a emplacar Dario Durigan, secretário executivo do Ministério da Fazenda, como seu substituto à frente da Pasta, Haddad trabalha também para aninhar Anelize Almeida no comando da Advocacia-Geral da União (AGU). O assunto tem sido conduzido diretamente junto ao presidente Lula. Anelize ocupa o posto de procuradora-geral da Fazenda Nacional, indicada pelo próprio ministro em 2022. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas para que ela ascenda à chefia da AGU, é preciso antes que Jorge Messias deixe o cargo. Indicado por Lula para o STF, Messias já bateu o recorde de chá de cadeira: aguarda há quase quatro meses pela sua sabatina no Senado.

#Fernando Haddad

BlackRock acumula um “latifúndio” de ações da SLC Agrícola

18/03/2026
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Circula à boca miúda no mercado que a BlackRock tem atuado de forma intensa na ponta compradora de ações da SLC Agrícola. Nos bastidores, a gestora norte-americana é apontada como uma das principais responsáveis pela demanda e consequentemente pela valorização do papel – nos últimos cinco pregões, a alta acumulada passa de 8%. O apetite da BlackRock está ancorado em uma tese clássica: exposição a commodities agrícolas em um cenário de preços ainda elevados e oferta global pressionada. Soma-se a isso o fato de a SLC negociar a múltiplos considerados descontados em relação a pares internacionais, o que reforça o apelo para investidores globais. A entrada da BlackRock também dialoga com a estratégia de alocação em mercados emergentes, em meio à busca por ativos com geração de caixa em dólar. E, last, but not least, a empresa de propriedades agrícolas vem de uma boa safra de resultados. Em 2025, registrou lucro de R$ 565 milhões, alta de 17,3% em relação ao ano anterior. O Ebitda, por sua vez, subiu 30% no mesmo intervalo de comparação, chegando a R$ 2,6 bilhões.

#BlackRock

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