Arquivo Notícias - Página 30 de 1963 - Relatório Reservado

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Bancos pressionam acionistas do Pão de Açúcar por aporte de capital

19/03/2026
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Ainda vai correr muita água até que o Grupo Pão de Açúcar consiga costurar uma solução de consenso com seus principais credores. Segundo o RR apurou, os bancos – à frente Itaú Unibanco, Rabobank e BTG – pressionam os acionistas da rede varejista a realizar um aporte de capital. Do outro lado da mesa, estão a família Coelho Diniz, o investidor ativista Silvio Tini, que se tornou o segundo maior sócio da empresa, e o Casino. Mas este último não conta muito: os franceses, como se sabe, não veem a hora de deixar o Brasil. Na avaliação das instituições financeiras, dificilmente haverá saída para o Pão de Açúcar sem uma injeção de capital. Essa é uma condicionante fundamental para destravar a negociação: até porque os bancos só aceitam falar na hipótese de conversão de dívida em participação acionária depois que os sócios do Pão do Açúcar colocarem as mãos no próprio bolso. Em recuperação extrajudicial, a rede varejista precisa equacionar uma dívida da ordem de R$ 4,5 bilhões.

Com “dívidas” a pagar, governo Lula turbina o Desenrola Brasil

19/03/2026
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A disparada da inadimplência das famílias está no centro do debate econômico – e eleitoral – no governo. O Palácio do Planalto discute a reedição do Desenrola Brasil, o programa de renegociação de dívidas encerrado em maio de 2024. No núcleo político de colaboradores do presidente Lula, a medida é considerada de caráter urgente. O endividamento já atinge 80,2% dos lares brasileiros, o maior patamar histórico. No Palácio já se fala, inclusive, da necessidade de um dispêndio financeiro maior do que o feito para viabilizar o Desenrola Brasil entre 2023 e 2024. Por dispêndio, entenda-se o lastro do Fundo Garantidor de Operações (FGO), instrumento criado para oferecer garantias a operações de crédito, reduzindo o risco de inadimplência para bancos e credores. Na prática, o FGO funciona como um seguro estatal que cobre parte das perdas caso o devedor não pague o empréstimo ou a dívida renegociada. Na primeira edição, o fundo recebeu R$ 8 bilhões em recursos públicos. Agora, a partir de simulações feitas pela Fazenda, já há quem fale no governo até mesmo em dobrar a dose, chegando a R$ 16 bilhões. De onde sairia esse dinheiro? A equipe econômica aventa a possibilidade de lançar essa nova despesa no balaio do parafiscal. A gestão Lula tem usado e abusado desse expediente – desde o início do mandato, os gastos extraorçamentários, portanto não contabilizados para efeito de cumprimento da meta fiscal, já ultrapassam os R$ 350 bilhões. A essa altura, na lógica do governo, R$ 16 bilhões a mais ou a menos não fariam diferença. Ainda mais em ano eleitoral.
A deterioração das famílias brasileiras avança a passos largos. Dados da Serasa Experian indicam que cerca de 73 milhões de brasileiros estão inadimplentes, o equivalente a aproximadamente quatro em cada dez adultos no país. Do enorme contingente de famílias endividadas, aproximadamente 29,6% têm débitos negociados já em atraso, segundo Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na escala de gravidade do problema, há um estágio ainda pior: 12,6% dessas famílias afirmam que não vão pagar suas dívidas por falta de dinheiro. O comprometimento da renda doméstica com o serviço da dívida também atingiu patamares elevados. Estimativas da CNC indicam que cerca de um terço da renda mensal das famílias é destinado ao pagamento de dívidas, comprimindo o consumo e limitando a capacidade de recuperação da economia.
No mundo real, esses números se traduzem em situações cada vez mais corriqueiras nos lares brasileiros. São pais que trocam filhos de escola por não conseguir pagar; filhos que vêm pais aflitos sem meios de saldar suas dívidas; jovens que adiam o início da vida independente ou voltam a morar com os pais por falta de condições financeiras; aposentados que comprometem parte crescente da renda com empréstimos consignados; casais que vendem bens – um carro, uma moto ou mesmo um imóvel – para quitar dívidas mais urgentes etc. Enfim, são famílias brasileiras amarguradas. Um fel que muito provavelmente será levado para as urnas em outubro. O aumento da inadimplência é um excelente cabo eleitoral para Flavio Bolsonaro.
A situação é ainda mais delicada para o governo porque Lula enfrenta hoje uma escassez de narrativas econômicas capazes de mobilizar o eleitorado. Nem mesmo medidas voltadas à classe média, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, produziram o efeito político esperado, enquanto entre os estratos de renda mais baixa cresce a percepção de aperto no orçamento doméstico. Ou seja: o próprio Lula precisa de um “Desenrola eleitoral”. Aos olhos da população, o governo tem muitas dívidas a pagar…
Um Desenrola Brasil ainda mais vitaminado é a única resposta que o presidente Lula tem à mão para esses brasileiros. Até porque o governo está diante de uma bola de neve. Os cidadãos que se desenrolaram na primeira versão do programa, entre 2023 e 2024, já se reenrolaram. E nem poderia ser diferente. Em maio de 2024, quando o Desenrola Brasil entrou em hibernação, a Selic estava em 10,5%. De lá para cá, a taxa básica de juros bateu em 15%. O juro real na casa dos 9,3% – o segundo maior do mundo, atrás apenas da Rússia – esfola o brasileiro no consignado, no cartão de crédito, no cheque especial, na prestação da geladeira. Não bastassem os fatos, a guerra no Oriente Médio e a perspectiva de que ela não tenha um fim tão próximo mexeram na arquitetura da inflação esperada – que vinha em um ritmo cadente -, na expectativa de redução da Selic, que pode ser postergada pelo menos em parte, e no ritmo do consumo, até então quem vinha carregando um PIB esquálido.
A equipe de Lula tem claro a existência de um trade off: ou o presidente deixa o mercado se ajustar pelas vias normais e perde fôlego eleitoral ou subsidia a renegociação das dívidas de uma população quebrada e torna-se mais competitivo no pleito de outubro. O orçamento parafiscal, que já está mesmo comprometido, é de onde deve ser subtraído o programa de redução do calote popular. Ou alguém ainda tem dúvida?

Um projeto de R$ 27 bilhões sob risco de curto-circuito

19/03/2026
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Um dos maiores investimentos em transição energética já anunciados no Brasil caminha sobre a corda bamba. No mercado, crescem as incertezas em relação ao projeto da Solatio de instalar um complexo de hidrogênio verde no Piauí, estimado em R$ 27 bilhões. As dúvidas não se devem à disposição da empresa em seguir adiante, mas, sim, ao crescente acúmulo de entraves para a execução do empreendimento. O primeiro deles é a fragilidade da infraestrutura de transmissão no Brasil. A planta está ancorada em parques solares no interior do estado, capazes de gerar vários gigawatts para alimentar os eletrolisadores responsáveis pela produção de hidrogênio. Ocorre que a conexão ao Sistema Interligado Nacional vem esbarrando em estudos técnicos que apontam risco de sobrecarga e instabilidade na rede regional. Outro empecilho é de natureza jurídica-ambiental. Em decisão liminar, a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí determinou a suspensão da licença de instalação do empreendimento, interrompendo o avanço das obras e dos preparativos industriais até que sejam esclarecidos os pontos levantados na ação, movida pelo Ministério Público Federal. Os procuradores sustentam que o licenciamento teria avançado sem estudos ambientais suficientemente detalhados e sem a devida análise sobre o uso de recursos hídricos necessários ao processo de eletrólise.
Em contato exclusivo com o RR, a Solatio admite que “está avaliando alternativas para o projeto, incluindo a redução de escala e a reconfiguração como um complexo de Data Centers Hyperscale”, por conta “de atrasos e restrições técnicas identificadas quanto à conexão à rede do Sistema Interligado Nacional (SIN) na escala originalmente planejada para 2028”. Em relação à questão judicial, a empresa adota um discurso diplomático e diz que “suspendeu imediatamente todas as atividades relacionadas ao projeto de hidrogênio verde e amônia em Parnaíba (PI) assim que tomou conhecimento da manifestação do Ministério Público Federal na primeira metade de 2025”. A Solatio afirma respeitar “integralmente a recente decisão judicial que revogou a licença ambiental do projeto”. Segundo a companhia, “os estudos de licenciamento ambiental para revisão serão conduzidos em estrita conformidade com a legislação aplicável vigente”.

#Solatio

Sabesp reúne artilharia pesada para disputar a privatização da Copasa

19/03/2026
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A Sabesp promete entrar na disputa pela Copasa com munição pesada. A empresa está montando um project finance de alto calibre para a privatização da empresa mineira, prevista para ser concluída até maio. Entre os cenários em análise está a estruturação de operações de capital mais sofisticadas, incluindo novas emissões de dívida ESG e instrumentos híbridos, como bonds subordinados. Esse tipo de captação permitiria à companhia reforçar seu caixa e ampliar seu capex sem pressionar de forma significativa os indicadores de alavancagem — um ponto particularmente sensível diante do plano de investimentos de aproximadamente R$ 70 bilhões até 2029. Outra hipótese sobre a mesa é buscar um novo financiamento junto a agências multilaterais. Em janeiro, a Sabesp fechou uma operação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na ocasião, a empresa captou US$ 1,35 bilhão por meio de blue bonds dentro de um modelo conhecido como “A/B loan”. O próprio BID entrou com credor âncora, aportando US$ 150 milhões.

#Copasa #Sabesp

PT de São Paulo prega candidatura de Alexandre Padilha

19/03/2026
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A decisão do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de não disputar as eleições de 2026 está longe de ser um consenso dentro do próprio PT. Embora o auxiliar de Lula sustente que permanecerá no cargo para reforçar a gestão e a campanha à reeleição do presidente, sua ausência nas urnas tem gerado incômodo entre lideranças partidárias em São Paulo. Com a visibilidade potencializada pelo cargo de ministro, dirigentes do PT entendem que Padilha pode vir a ser o segundo ou terceiro maior puxador de votos da legenda para a Câmara. O primeiríssimo, tudo leva a crer, será José Dirceu, que voltará a disputar uma eleição depois de 24 anos. Padilha reúne ainda um valioso ativo político, notadamente junto a prefeitos: está à frente do cobiçado orçamento da Saúde.

#Alexandre Padilha #eleições de 2026

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