Arquivo Notícias - Página 250 de 1965 - Relatório Reservado

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Cada um tem o Doge que merece

12/05/2025
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Quando Donald Trump anunciou que Elon Musk presidiria um novo órgão chamado DOGE (Department of Government Efficiency), me perguntei se alguém naquela Casa Branca sabia que a palavra tinha origem nobre, derivando do latim dux e designando por mais de mil anos o governante máximo da República de Veneza. Mas havia uma diferença capital: enquanto o magistrado veneziano era eleito, o americano era um rei ungido por outro rei, não tendo sido submetido às normas de aprovação de altas autoridades governamentais que exigem o placet do Senado.

Nos primeiros dias da nova administração, o mundo ficou pasmo ao ver, circulando à vontade no solene Salão Oval, um cidadão usando roupas esportivas e boné, por vezes na companhia do filho de quatro anos, X Æ A-Xii (que sensatamente mandou Trump se calar). Mas, já em sua primeira aparição naquele augusto recinto, o bilionário fez declarações estapafúrdias acerca da corrupção nas agências governamentais, dizendo inclusive que US$ 50 milhões em recursos públicos tinham sido usados para enviar camisas de vênus para Gaza. Comprovando o amadorismo irresponsável da equipe que ele contratou para executar tarefas supostamente de grande envergadura, verificou-se depois que se tratava de uma província de Moçambique com nome idêntico ao da massacrada Faixa do Oriente Médio, bem como de um programa de combate à AIDS e à tuberculose que não teria envolvido o fornecimento de preservativos.

Como é de conhecimento geral, nas semanas seguintes Donald Trump e Musk divulgaram inúmeras informações falsas ou distorcidas sobre fraudes e gastos injustificáveis, mas o propósito básico das intervenções de Musk consistia em reduzir o déficit orçamentário e, com isso, contribuir para sustar o crescimento aparentemente incontrolável da dívida pública americana. Como tive a oportunidade de expor em artigo publicado recentemente no Relatório Reservado sob o título de “Quo vadis, Donaldus? II” (https://relatorioreservado.com.br/noticias/quo-vadis-donaldus-ii/), esse é o maior risco para a economia do país, pois no corrente ano se estima que a dívida ultrapasse US$ 35 trilhões, o equivalente a mais de 120% do PIB norte-americano.

Usando uma motosserra idêntica à que Javier Milei lhe deu mais tarde, Musk encerrou contratos relativos a pesquisas científicas e iniciativas de mudança climática, além de programas voltados à diversidade, equidade e inclusão. Ademais, provocou a dispensa de dezenas de milhares de funcionários e desmantelou numerosas organizações, auxiliando também as incursões contra imigrantes. Em outra delicada vertente de ação, ganhou acesso a informações governamentais antes sigilosas, incluindo matérias de segurança nacional. Nessa área, o Pentágono se preparava para expor a Musk os planos secretos de uma eventual guerra contra a China quando, diante da gritaria geral, essa absurda revelação teria sido sustada.

Em suma, o que se tem de concreto é que as medidas atrabiliárias do doge americano não se basearam em análises técnicas segundo critérios de eficiência sugeridos pelo nome do novo “departamento”, e sim por princípios ideológicos caros à direita, sobretudo no tocante a raça, sexo e religião.

Embora tais medidas continuem a contar com amplo suporte dos eleitores republicanos, são cada vez mais intensas as críticas de outros setores no tocante à falta de transparência do órgão criado por um ato presidencial e não pelo Congresso, assim como ao fato de que Musk assumiu poderes totalmente incompatíveis com sua designação por 130 dias como “empregado especial do governo”. Causa também grande preocupação o potencial de conflitos de interesse, uma vez que os negócios controlados por Musk mantêm contratos de bilhões de dólares como governo e grande número das agências afetadas efetivamente lidam com questões relacionadas a seus interesses pessoais. No judiciário, cresce o número de ações movidas contra o órgão por grupos de cidadãos ou pelos procuradores-gerais de estados liderados por governadores do Partido Democrata. Em consequência, os tribunais já sustaram medidas que impunham cortes de custo ou permitiam acesso a informações pessoais mantidas nos registros do Departamento do Tesouro, gerando grave instabilidade institucional e jurídica.

O mais significativo, porém, é o fato de que, tendo Musk anunciado inicialmente que reduziria os gastos federais em US$ 2 trilhões, esse número caiu sem fanfarras para US$ 1 trilhão e, recentemente, para meros US$ 160 bilhões, dos quais apenas US$ 63 bilhões têm algum tipo de comprovação. Diante de resultados tão pífios, não surpreende que o bilionário, às voltas com mil problemas na Tesla, já viesse assumindo um perfil muitíssimo mais baixo aos olhos do público, em contraste com a impressão inicial de que se mudara para a Casa Branca e dividia o Salão Oval com Trump. Conquanto ambos ainda insistam em declarar que tiveram imenso sucesso, o doge americano diz agora que está pronto a dedicar apenas um ou dois dias por semana às duras tarefas governamentais.

Os líderes da Serenissima Repubblica di Venezia certamente conheciam as fábulas de Fedro e, por isso, saberiam que às vezes as montanhas só conseguem parirum rato. Alguns dos potentados contemporâneos fariam bem caso pudessem alcançar tal nível de sabedoria.

Jorio Dauster é colaborador especial no Relatório Reservado

#Donald Trump #Estados Unidos

Com Ancelotti em seu cast, CBF já vislumbra o documentário do hexa

12/05/2025
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A maior novela do futebol mundial chegou ao fim. Mas a dramaturgia em torno da contratação de Carlo Ancelotti como técnico da seleção brasileira está apenas começando. Uma produtora vem costurando com a CBF e uma plataforma de streaming global o projeto de realizar a maior série entre todas as seleções para a Copa de 2026. Para o comando da entidade, notadamente seu presidente, Ednaldo Rodrigues, o assunto desponta como uma acertada decisão estratégica. Tudo joga a favor. Para a CBF, seria a chance não apenas de produzir um documento histórico como também capturar uma importante oportunidade de negócio que está quicando a sua frente. Ao mesmo tempo, ajudaria Rodrigues a melhorar a percepção da opinião pública em relação à gestão. A chegada de Ancelotti e uma eventual conquista da Copa do Mundo de 2026 seriam a redenção do presidente da entidade, sobre o qual volta e meia paira o risco de afastamento do cargo. A contratação do técnico italiano sempre foi uma aposta pessoal do dirigente, que bancou as negociações mesmo quando a história beirava o inverossímil.

O que está em discussão é um projeto do tamanho de um treinador cinco vezes campeão da Champions League e único técnico da história a ganhar os cinco principais campeonatos nacionais da Europa (Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha). A ideia é cobrir todo o ciclo do primeiro ano de Ancelotti no cargo, do dia da sua apresentação até, assim se espera, 19 de julho do ano que vem, data da final da Copa. Ou seja: o roteiro perfeito irá da Av. Luis Carlos Prestes 130, na Barra da Tijuca, no Rio, sede da CBF, ao MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. A série deverá ser o epicentro de todo o trabalho de comunicação da CBF para a Copa de 2026.

#CBF #Seleção Brasileira

Distribuidoras de combustíveis e produtores de biodiesel travam uma disputa inflamável

12/05/2025
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As grandes distribuidoras de combustíveis, os maiores produtores de biodiesel do Brasil, a bancada ruralista, a ANP e, por fim, o crime organizado formam hoje uma mistura com considerável poder de combustão. Em maior ou menor octanagem, todos esses atores estão no centro de uma queda de braço que põe em risco o cumprimento da Lei do Combustível Futuro, aprovada no ano passado com o objetivo de estimular a produção de fontes renováveis no país. As distribuidoras, à frente Raízen, Vibra, Ultra/Ipiranga, entre outras, discutem ações contundentes na tentativa de suspender a mistura de 14% de biodiesel ao diesel, estipulada pela nova legislação.

Segundo informações que circulam em petit comité no setor, as empresas cogitam levar o caso à Justiça. As distribuidoras estariam, inclusive, elaborando um dossiê para embasar sua argumentação. A alegação é que as fraudes na composição do diesel vêm aumentando consideravelmente com o aumento do percentual de adição do biodiesel. Há estimativas de que até 40% do biodiesel misturado ao diesel apresentam irregularidades.

Os grandes grupos de distribuição afirmam que é cada vez mais difícil competir com esse mercado paralelo, que, graças a falcatruas, trabalha com preços até 20% inferiores na bomba. No setor, grande parcela das fraudes é atribuída à notória presença de facções criminosas, notadamente o PCC (Primeiro Comando da Capital), no negócio de distribuição de combustíveis. O próprio governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, já disse publicamente que o PCC controla mais de mil postos no estado.

Diante desses dados e da crescente concorrência com o crime organizado, as distribuidoras de combustíveis parecem estar bem calçadas em suas alegações para suspender as novas regras de adição de biodiesel ao diesel – pela Lei do Combustível do Futuro, o índice da mistura chegará a 20% em 2030. Mas há controvérsias. Esse está longe de ser um assunto pacificado, a começar pelo órgão regulador. Em março, o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes) solicitou à ANP que suspendesse a adição de 14% de biodiesel ao diesel por 90 dias.

No entanto, a diretoria da agência negou o pedido por unanimidade. Mais do que isso: sutilmente, a ANP deu a entender que se há alguma “inconformidade” é nos dados usados pelo Sindicom para embasar as denúncias de fraude na mistura do diesel. Segundo parecer da área técnica da agência, os números apresentados pela entidade “não refletem a realidade estatística do país, em função do direcionamento da escolha dos locais de coleta das amostras de combustíveis”.

Nesse cenário, a judicialização do caso desponta como uma forma das grandes distribuidoras pressionarem a ANP e o próprio Ministério de Minas e Energia a suspender, ainda que temporariamente, a nova política de adição de biodiesel ao diesel. O que existe é um duelo entre grupos de interesse. Além da ANP, a argumentação das distribuidoras de combustíveis também encontra forte resistência entre produtores de biodiesel e parte da bancada ruralista.

Logo após a requisição do Sindicom à ANP, a Frente Parlamentar do Biodiesel veio a público e classificou a iniciativa como um “ardil pouco transparente para eliminar as energias renováveis” e um “ataque à soberania nacional”, uma vez que a política de adição de biodiesel ao diesel garante “à cadeia da soja e proteínas a participação de 25,8% na pauta de exportações” e assegura “a manutenção de 16 milhões de empregos diretos e indiretos”.

Em conversas reservadas, produtores de biocombustível acusam as distribuidoras de usar as irregularidades como subterfúgio para descumprir a nova legislação e driblar a obrigatoriedade dos percentuais de mistura. Ou seja: tudo não passaria de um estratagema para escapar do forte aumento dos preços do biodiesel. No ano passado, a alta chegou a 45%.

A eventual judicialização do caso pelas distribuidoras será uma faísca a mais perto do combustível. O RR entrou em contato com o Sindicom, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Por sua vez, a Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil) afirma que a decisão da ANP de manter a mistura em 14% “foi correta”. Nem poderia ser diferente. A associação diz ainda que “a fiscalização e a punição dos infratores é o único caminho para garantir para a toda a sociedade o direito a ter uma energia limpa, que garanta mais saúde para todos”.

A Aprobio diz ainda que entidades ligadas ao setor de distribuição de combustíveis, entre as quais ela própria e o Sindicom, “estão investindo R$ 1,3 milhão para a doação de cinco espectrofotômetros”. Trata-se de um aparelho que permite a identificação de fraudes na mistura do biodiesel ao diesel in loco, além de ser capaz de detectar a presença de metanol na gasolina. A ANP contava com apenas um desses equipamentos, doado pelo Ministério Público do Estado de Sergipe (MPSE).

#Biodiesel

Positivo joga suas fichas no mercado latino-americano

12/05/2025
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A Positivo Tecnologia está ampliando sua estrutura comercial na América Latina. Alguns países são considerados particularmente estratégicos e prioritários dentro do projeto de expansão, como Colômbia e México. O foco é o mercado B2B, a grande aposta do grupo com a recente criação da Positivo S+. A nova empresa reúne todo o portfólio de serviços da Positivo Tech Services e da antiga Algar Tech, comprada no ano passado por R$ 235 milhões. Em tempo: a Positivo S+ é também o principal trunfo da companhia para dar uma chacoalhada nas expectativas do mercado. Apesar dos importantes investimentos que têm sido feitos pela Positivo Tecnologia, o papel acumula queda de quase 40% nos últimos 12 meses. No fim de abril, inclusive, a companhia lançou um programa de recompra de ações, com a possibilidade de adquirir até 6,75% do free float. No mercado, a operação chegou a alimentar rumores sobre a intenção da Positivo de sair da bolsa. Em contato com o RR, a empresa garante não ter planos de fechar o capital, afirmando que se trata de uma especulação que não procede.

#Positivo

Caiado vai à China em clima de pré-candidatura presidencial

12/05/2025
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, está costurando uma viagem à China para o início do segundo semestre. Em pauta, a busca de investimentos notadamente para o agronegócio e o setor automotivo. A YTO, que integra o Sinomach, um dos maiores conglomerados industriais chineses, já sinalizou a intenção de instalar uma fábrica de máquinas agrícolas no estado. Em seu atual mandato, Caiado já fez uma visita à China, no fim de 2023. Na ocasião, entre outros negócios, fechou, por exemplo, a ida da Weichai Power para Goiás. A companhia investiu R$ 100 milhões em uma fábrica de motores e equipamentos agrícolas em Itumbiara. Em tempo: a visita à China será também uma boa vitrine para Caiado tentar impulsionar sua pré-candidatura à Presidência da República de fora para dentro do Brasil.

#China #Ronaldo Caiado

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