Arquivo Notícias - Página 166 de 1965 - Relatório Reservado

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Warren Buffett foi generoso com Lemann e cia.

4/09/2025
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A “desfusão” da Kraft Heinz, anunciada na última quarta-feira, é um atestado de que nem tudo que Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles tocam vira ouro. Um ano e meio após a 3G vender sua participação no negócio, a cisão da companhia coloca por terra o projeto do megagrupo de alimentos idealizado pelo trio, um Frankestein corporativo que jamais gerou os resultados esperados. No ano passado, a receita global da Kraft Heinz foi de US$ 26,5 bilhões, 3% inferior à registrada em 2016 (US$ 27,4 bilhões), primeiro exercício completo após a fusão. Nesse mesmo período, o setor de alimentos como um todo nos Estados Unidos cresceu 58% – de US$ 760 bilhões, em 2016, para US$ 1,2 trilhão, em 2024. A queda de faturamento até pode ser atribuída à desmobilização de ativos no meio do caminho, como a divisão de queijos na América do Norte e a marca de nozes e amendoins Planters. Ocorre que a própria venda de unidades de negócio faz parte do problema e não da solução, uma vez que a maioria delas se deu por dificuldades de integração entre as diversas operações que Lemann, Sicupira e Telles tentaram apinhar na mesma gôndola. Isso para não falar de episódios desabonadores. Em 2021, a Kraft Heinz fechou um acordo com a SEC e pagou uma multa de US$ 62 milhões para encerrar uma investigação sobre fraudes contábeis. Dois anos antes, a empresa realizou um impairment de US$ 15,4 bilhões de marcas como Kraft e Oscar Mayer, uma das maiores baixas contábeis já realizadas por uma corporação nos Estados Unidos. Na própria quarta-feira, logo após o anúncio do spinf off, Warren Buffett, parceiro de longa data da tríade de investidores brasileiros e ainda hoje maior acionista individual da Kraft Heinz, manifestou publicamente sua decepção com a companhia: “A fusão não se revelou uma ideia brilhante”. Buffett foi generoso com Lemann e cia. A julgar pelos números, a percepção do mercado é ainda pior. Desde a sua criação, em 2015, a empresa perdeu metade do seu market cap. 

#Jorge Paulo Lemann #Kraft Heinz #Warren Buffett

Infraestrutura pressiona Congresso a derrubar taxação de debêntures incentivadas

4/09/2025
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Há um forte lobby do setor de infraestrutura junto ao Congresso para retirar as debêntures incentivadas da Medida Provisória 1.303/2025, apresentada pelo governo para compensar a revogação do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Nos últimos dias, dirigentes de concessionárias e de entidades empresariais – a exemplo de ABDIB, ABCR, do segmento rodoviário, e ABTP, da área portuária – têm mantido intensa articulação com membros da equipe econômica, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o relator da MP, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), para derrubar a proposta de elevação das alíquotas do Imposto de Renda sobre essa modalidade de investimento.

A Medida Provisória estabelece o aumento de 15% para 25% no caso de pessoa jurídica, além da tributação de 5% para pessoas físicas, hoje isentas. As concessionárias batem na tecla de que a sobretaxa vai reduzir consideravelmente a atratividade de um dos principais mecanismos de financiamento do setor de infraestrutura, com o risco de retração de investimentos e suspensão de projetos.

Estudos apresentados pelo MoveInfra, que reúne grandes empresas da área de transporte, estimam uma queda de até 50% no valor das emissões de debêntures incentivadas no próximo ano, além do impacto sobre as tarifas – um aumento médio projetado de 5% nos pedágios.

Em contato com o RR, a ABCR confirmou que está atuando “junto ao Congresso Nacional para sensibilizar os parlamentares sobre os impactos negativos da Medida Provisória que altera a tributação das debêntures”. Ainda segundo a entidade, “o aumento previsto no imposto pode comprometer a agenda de infraestrutura do país, encarecendo o custo de capital e dificultando a viabilidade de novos projetos. É fundamental que esse ponto seja revisto, garantindo condições mais favoráveis ao financiamento de obras estruturantes e à atração de investimentos privados para o setor.”

Hoje, a cada R$ 5 investidos no setor de infraestrutura, R$ 1 vem de debêntures incentivadas. No ano passado, as emissões atingiram R$ 132 bilhões, mais do que o dobro do registrado em 2023 (R$ 62,5 bilhões). Nos sete primeiros meses deste ano, as colocações chegaram a R$ 88,8 bilhões, 6,2% a mais do que em igual período em 2024. Os setores de energia elétrica e de transporte e logística (31,6%) concentraram a maior parte das operações, respectivamente 37% e 31,6%.

Ressalte-se que as cobranças pela exclusão das debêntures incentivadas do texto da MP vêm não apenas do setor privado. Elas crescem dentro do próprio governo.

Os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, dos Transportes, Renan Filho, e de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, fazem coro com o setor de infraestrutura e pressionam para que a sobretaxa seja derrubada. Cada um sabe onde o calo mais lhe aperta. Se o de Haddad lateja em razão das contas públicas, Silveira, Renan e Costa Filho, especialmente os dois últimos, têm em comum a obrigação de acelerar os leilões de concessão.

#Infraestrutura

Há mais senões do que cifras na venda da Reag Investimentos

4/09/2025
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Os executivos da Reag Investimentos que articulam a aquisição da gestora estão amarrando um contrato de risco com o atual controlador, João Carlos Mansur. A proposta não prevê qualquer desembolso imediato pelo negócio. Haveria um tempo de carência, de 12 a 24 meses, para o pagamento. O valor, por sua vez, só seria fixado ao final desse prazo e calibrado em função da carteira de ativos retidos e dos resultados financeiros. Ou seja: do que restará da Reag após a grave crise reputacional deflagrada com as denúncias de envolvimento com o PCC. E, mesmo assim, com todas essas amarras, os executivos da gestora ainda não estão certos de que assumirão esse risco apenas entre si. O que corre no mercado é que eles buscam parceiros externos para a compra do controle da Reag.

#Reag Investimentos

Os próximos passos do Mercado Livre no varejo farmacêutico

4/09/2025
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A aquisição da Cuidamos Farma, drogaria localizada em Jabaquara, na capital paulista, é apenas a primeira drágea de uma posologia maior. O Mercado Livre deverá partir para a compra de outras farmácias. O objetivo é montar uma rede de distribuição que permita não apenas a venda física, mas, sobretudo, o abastecimento do e-commerce. Ou seja: as lojas serão uma operação secundária, atuando em função da estratégia digital do grupo. Nesse sentido, a Cuidamos Farma funcionará como uma “cobaia”, que permitirá ao Mercado Livre testar modelos de negócio, como o “click & collect”, no qual o cliente compra um produto online e o retira numa loja física, ou “Subscribe & Save”, literalmente um serviço de assinatura para entregas automáticas de medicamentos de uso contínuo. Tudo devidamente turbinado pelo Mercado Pago, o braço financeiro do grupo.

#Mercado Livre

Acciona é a parceira certa das horas incertas para Tarcísio Freitas

4/09/2025
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A entrada da Acciona no leilão de concessão do túnel Santos-Guarujá trouxe um certo alívio ao governador Tarcísio de Freitas. A participação dos espanhóis foi vista no Palácio dos Bandeirantes como estratégica para atenuar a percepção de fracasso que ronda um dos maiores projetos em infraestrutura da gestão Tarcísio – o investimento total beira os R$ 7 bilhões. Na hora H, outros grandes players do setor, como a chinesa CCCC, a italiana WeBuild, Andrade Gutierrez e Odebrecht, recuaram e desistiram de apresentar proposta. A Acciona terá como único concorrente a portuguesa Mota Engil, que tem uma operação bem menor no Brasil. Por sinal, parece haver uma sintonia entre os espanhóis e o governador Tarcísio de Freitas. Responsável pela construção da linha 6 (laranja) do metrô de São Paulo, o grupo é apontado como forte candidato a assumir também a implantação da linha 19 (celeste), orçada em mais de R$ 12 bilhões.

#Tarcísio de Freitas

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