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Os presentes de Trump ao candidato Lula
2/06/2026O presidente Lula encarregou o vice presidente Geraldo Alckmin de fazer um movimento de união das classes produtoras. Lula, é claro, também participaria das manifestações. Qualquer relação com as eleições de 2026 não será mera coincidência. A ideia é criar um clima de diretas já, reunindo, inclusive, correntes antagônicas na seara política. O mote seria algo como “quem não participa é traidor da pátria”. Lula, que estava começando a enrolar seu governo em graves problemas macroeconômicos, recebeu um presentão. E corre hoje, em Brasília, que um outro torpedo pode estar sendo dirigido contra o Brasil: a comparação a países com práticas “análogas” à escravidão. Essa consideração poderia levar a tarifas adicionais.
O secretário de Estado, Marco Rubio, ontem, fez uma exdrúxula comparação do Brasil com Cuba. Seriam países não alinhados com a política norte-americana. Entre os mais diversos analistas de relaçóes internacionais, essa violenta pancadaria contra o Brasil é difícil de ser interpretada. O tarifaço é uma medida que corre na mão contrária do fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro. De estilingue virou vidraça. Caso a intervenção alcance o PIX, que ê incrivelmente associado a um subsídio brasileiro, a medida poderia descer ao patamar da indignação popular. O PIX é gratuito, facilitou a circulação da moeda e caiu nas graças do povo. O mais difícil de compreender é a divisão do comportamento do presidente Donald Trump e do Secretário de Estado, Marco Rubio em relação ao governo brasileiro. O comportamento parcimonioso não encontra eco na violência de Rubio contra o Brasil. Trump olha de cara feia para o país, mas comparado a Rubio parece um eleitor de Lula.
Um cientista político ouvido pelo RR considera que por trás dessa cortina encontra-se a disposição de Rubio tornar-se sucessor de Trump. Não parece que o Brasil tenha esse peso todo para enfraquecer os republicanos e fortalecer os democratas na peleja pelo poder na Nação hoje mais imprevisível do mundo.
“Centrão Futebol Clube” avança sobre o caixa da CBF
2/06/2026A CBF estuda montar um fundo para financiar clubes das Séries C e D, nos moldes do programa lançado neste ano para a Série B. A pressão vem não apenas dos próprios cartolas, mas, sobretudo, de parlamentares. É um jogo feito sob medida para o Centrão. Os parlamentares vislumbram a possibilidade de tirar uma casquinha do bilionário caixa da CBF e capitalizar a iniciativa junto as suas bases eleitorais. Ressalte-se que as Séries C e D reúnem 116 times dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. Ou seja: é reduto de voto que não acaba mais. As tratativas são conduzidas junto a Gustavo Dias Henrique, o poderoso vice-presidente e principal articulador político da CBF – tratado por muitos como o verdadeiro manda-chuva da entidade, acima do presidente, Samir Xaud. Em fevereiro, a Confederação lançou o PARF-B, programa de aproximadamente R$ 70 milhões destinado aos clubes da Série B. O apoio às Séries C e D existe, mas se dá de forma mais modesta, pulverizado em repasses por competição e custeio operacional. A ideia em discussão é sair do modelo de socorro por competição e criar uma linha mais previsível de apoio.
BV e Santander trabalham para barrar RJs de cooperativas agrícolas
2/06/2026Ao entrar na Justiça contra o pedido de recuperação judicial da Cotribá, o Banco Votorantim (BV) e o Santander falam não apenas por eles próprios, mas, de certa forma, por toda a banca nacional. Há no sistema financeiro uma preocupação de que outras cooperativas agrícolas venham a seguir o mesmo caminho, provocando uma nova onda de recuperação judiciais no agronegócio. No caso específico da Cotribá, Votorantim e Santander estão, inclusive, buscando a adesão de outros bancos credores à ação movida contra a empresa, segundo informações filtradas pelo RR. O assunto é objeto de controvérsia jurídica. Muitos juristas sustentam que cooperativas não podem recorrer à Lei de Recuperação Judicial, por não serem sociedades empresariais, mas, sim, entidades sujeitas a regime próprio, incluindo liquidação extrajudicial. É o entendimento que fundamenta o litígio aberto pelo Banco Votorantim e pelo Santander. A alegação dos credores é que a cooperativa estaria tentando usar uma brecha jurídica para obter blindagem contra cobranças, ganhar tempo e forçar uma negociação coletiva mais favorável. O BV chegou a acusar a Cotribá de “má-fé” e “chicana jurídica”, afirmando que a cooperativa teria desistido de uma ação anterior e apresentado novo pedido semelhante em busca de uma decisão mais conveniente. Consultado, o Banco Votorantim não quis comentar o assunto. Também contatados pelo RR, Santander e Cotribá não retornaram.
A Cotribá sustenta na Justiça que, embora formalmente cooperativa, atua materialmente como grande empresa agroindustrial, com faturamento bilionário, milhares de associados, originação de grãos, insumos, armazenagem e forte impacto econômico regional. É justamente essa ambiguidade que torna o caso explosivo. Se o Judiciário aceitar a tese da Cotribá, outras cooperativas em dificuldade poderão seguir o mesmo caminho. A preocupação dos bancos é com o chamado efeito manada: um precedente que permita a grandes cooperativas agropecuárias usar a RJ para suspender execuções, reordenar passivos e impor descontos ou alongamentos a credores financeiros.
Não há uma estatística pública consolidada sobre o número de cooperativas agropecuárias em dificuldade financeira, mas o entorno do caso Cotribá mostra um agro sob forte estresse. O setor fechou abril com 539 empresas em recuperação judicial. Em 2025, houve 1.990 pedidos de RJ no agronegócio, alta de 56,4% sobre 2024. O caso específico da Cotribá mostra a dimensão do problema: são 20.614 credores e mais de 78 mil registros de débitos, espalhados por 1,7 mil páginas. Do passivo de R$ 1,4 bilhão, cerca de R$ 1,3 bilhão é formado por créditos quirografários, sem garantia real. Há ainda R$ 99,7 milhões em créditos com garantia real e R$ 10,2 milhões em créditos trabalhistas. A maior parte do drama está entre produtores rurais associados e instituições financeiras, com bancos e cooperativas de crédito somando ao menos R$ 527,1 milhões em exposição.
Fundo chinês corre atrás de novas térmicas no Brasil
2/06/2026Transição energética não parece ser exatamente o que move os interesses do Claifund (China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund) no Brasil. Segundo o RR apurou, o fundo chinês, criado para financiar investimentos de longo prazo na América Latina e no Caribe, vem prospectando termelétricas a gás no país. Um dos seus alvos seria a térmica GNA II, localizada no Porto do Açu, em São João da Barra, no norte fluminense, que tem entre seus acionistas a também chinesa SPIC (State Power Investment Corporation). Trata-se da maior termelétrica a gás natural do Brasil. Inaugurada em 2025, tem 1,67 GW de capacidade instalada
Ressalte-se que, no início deste ano, o Claifund comprou as participações da Shell e da Mitsubishi Power na termelétrica Marlim Azul, em Macaé, tornando-se sócio do Pátria Investimentos na usina. O movimento reforçou a leitura de que o apetite do fundo no Brasil passa menos pela pureza do discurso verde e mais por ativos de energia firme, com contratos, previsibilidade de caixa e papel estratégico em um sistema cada vez mais pressionado pela intermitência das fontes renováveis.
O Claifund é financiado por recursos das reservas internacionais da China e pelo China Development Bank. Seu mandato é amplo: infraestrutura, energia, mineração, recursos naturais e cooperação industrial. Cabe lembrar que, há cerca de dois anos, o fundo chinês firmou um acordo com o BNDES para investimentos conjuntos no país. Até o momento, no entanto, a parceria produziu mais sinalizações institucionais do que operações visíveis. Enquanto o discurso bilateral segue embalado pelo vocabulário da economia verde, o dinheiro do Claifund parece seguir em outra direção: térmicas a gás, segurança energética e ativos capazes de entregar energia quando sol e vento não bastam.
Até onde iam as relações entre Paulo Henrique Costa e Vorcaro?
2/06/2026