Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Coteminas paralisa produção em sua fábrica na Argentina

10/12/2025
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A crise financeira da Coteminas chegou à Argentina. A empresa suspendeu a produção em sua fábrica na cidade de La Banda, na província de Santiago Del Estero e demitiu 56 funcionários, pouco mais de 10% da força de trabalho. A decisão deflagrou uma queda de braço com os sindicatos locais. Eles exigem que a empresa pague 70% dos salários durante a paralisação. Para todos os efeitos, a interrupção é temporária: vai até meados de janeiro. Mas a combinação de fatores em torno da companhia – recuperação judicial no Brasil e queda das vendas no mercado argentino – coloca em risco a retomada das atividades. Não é de hoje que a fábrica, a única da Coteminas fora do Brasil, está na berlinda. Desde o ano passado, com o agravamento da situação financeira da empresa, há rumores na imprensa argentina sobre o fim das operações em Santiago Del Estero.

#Coteminas #La Banda

Impasse com credores trava recuperação judicial da Coteminas

10/12/2025
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A relação entre a Coteminas e seus credores é um tecido que parece estar puindo. O desgaste se reflete na dificuldade da empresa de Josué Gomes da Silva em aprovar o seu plano de recuperação judicial. Segundo o RR apurou, a assembleia geral de credores prevista para a última sexta-feira, dia 5, foi adiada a pedido da própria companhia à 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. A retomada está prevista para o próximo dia 16 – conforme a Coteminas confirmou ao RR. É justamente a data limite estabelecida pelo juiz Murilo Silvio de Abreu. Desde que o conclave foi instalado, em junho, esta é a quarta vez que os trabalhos são suspensos. Em todas elas, o motivo é um só: a falta de um acordo com bancos e fornecedores para o pagamento do passivo de R$ 2 bilhões. Mais uma vez, o grupo têxtil anteviu que não teria apoio suficiente para levar seu plano de recuperação adiante – não por acaso, os detentores de mais de 90% dos créditos votaram pela suspensão da assembleia da sexta-feira passada.
No entorno da Coteminas, corre a informação de que um dos principais entraves é o Banco do Brasil, o maior credor, com cerca de R$ 490 milhões para receber. Procurado pelo RR, o BB não quis comentar o assunto. São muitos os pontos de impasse. Não apenas as instituições financeiras, mas também os trabalhadores entendem que o plano não oferece garantia real de cumprimento. Há questionamentos ainda ao modelo do Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) idealizado pela Coteminas para o pagamento dos passivos. A proposta de venda de ativos para a quitação de dívidas também enfrenta resistência entre os credores, não exatamente pela possibilidade em si, mas pelo descrédito em relação ao laudo de avaliação apresentado pela empresa. De acordo com o documento, imóveis, parques fabris e equipamentos da companhia valem cerca de R$ 1,2 bilhão. À boca miúda, os bancos dizem que uma parcela do maquinário incluída na conta está sucateada. Há pouca areia na parte de cima da ampulheta para a Coteminas aparar as arestas com os credores.
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#Coteminas

Brasil se torna um pilar na expansão da americana Netskope

10/12/2025
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A empresa de cibersegurança Netskope mira o Brasil como peça central de sua estratégia de expansão. Há informações no setor de que a empresa estuda a implantação de até quatro data centers no país nos próximos dois anos. Os norte-americanos já têm quatro centros de armazenamento de dados no país – dois em São Paulo, um em Brasília e um no Rio. O projeto ilustra a ambição da Netskope de ampliar sua presença em mercados emergentes. A aposta no Brasil vem no rastro do IPO realizado pela empresa na Nasdaq em setembro. A companhia captou US$ 908 milhões, com um valuation de US$ 8,6 bilhões. Desde então, seu valor de mercado já se aproxima dos US$ 9 bilhões. O carro-chefe da Netskope é o desenvolvimento de soluções de cibersegurança para empresas hard users de sistemas de nuvem.

#Netskope

Correios vivem seu “conto de Natal” às avessas

10/12/2025
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Poderia ser um conto de Charles Dickens, mas o melancólico Natal dos funcionários dos Correios está longe de ser ficção. O anúncio de que a direção da estatal suspendeu o benefício de fim de ano a seus trabalhadores acendeu um alerta no Palácio do Planalto. Há a realidade financeira e caótica da empresa, que justifica a decisão. Mas há também a realidade política. E é esta que preocupa e mobiliza assessores de Lula. O corte do “Vale Natal” aos mais de 83 mil funcionários dos Correios às vésperas de um ano eleitoral é visto como um ponto de tensão. Para uma parcela expressiva da força de trabalho da estatal, notadamente carteiros em níveis iniciais, o valor médio da bonificação, R$ 2,5 mil, equivale a mais um mês de salário. No Planalto, a percepção é que o episódio, se não bem administrado, pode virar um gatilho de insatisfação, com potencial de ressonância no funcionalismo público como um todo. A situação pode ser contornada caso o Tesouro efetive o aporte emergencial de R$ 6 bilhões ainda neste ano, solicitado pela diretoria dos Correios. Uma parcela dos recursos, algo em torno de R$ 200 milhões, poderia ser usada para bancar o benefício natalino. Outra hipótese aventada no governo seria a adoção, a partir de 2026, de benefícios não-recorrentes, gratificações condicionadas ao desempenho ou metas de produtividade. Seria uma tentativa de empurrar o problema para a frente e aplacar o mal-estar com a suspensão do “Vale Natal”.

#Correios

Emirates enxerga o Nordeste como sua nova porta de entrada no Brasil

10/12/2025
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A operação da Emirates no Brasil vai ganhar mais altitude. A companhia aérea planeja lançar, em 2026, um voo direto entre o Nordeste e Dubai — com possibilidade de ampliar para duas frequências semanais em períodos de alta temporada, acompanhando o fluxo de turismo internacional e a crescente demanda por viagens entre América do Sul, Oriente Médio e Ásia. Paralelamente, a empresa avalia reforçar a conectividade entre São Paulo e grandes aeroportos asiáticos a partir de conexões no emirado, utilizando Dubai como ponte estratégica para destinos como Tóquio, Seul, Xangai, Singapura e Sydney. Os planos foram discutidos na recente visita do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a Dubai, em encontros com o xeique Mohammed Al Mansouri, secretário de Infraestrutura e Transportes dos Emirados Árabes, e outras autoridades do setor.
O movimento da Emirates não é isolado: insere-se em uma reconfiguração global das rotas de longo curso, em que as companhias do Golfo buscam capturar tráfego de mercados emergentes, posicionando-se como hubs preferenciais para viagens multilaterais. Ao mirar o Nordeste, a Emirates identifica um corredor de crescimento ainda pouco explorado. Capitais como Recife, Fortaleza e Salvador atraem turistas estrangeiros, preservam custos operacionais mais baixos em comparação com grandes centros e funcionam como porta de entrada para toda a Região Nordeste. Além disso, a proximidade geográfica em relação à Europa reduz o consumo de combustível e amplia o range operacional para conexões transatlânticas eficientes.

#Emirates

Aumento de capital desponta como um teste de fogo para a Casas Bahia

9/12/2025
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O pré-Natal da Casas Bahia promete ser tenso. A assembleia extraordinária convocada pela empresa para o dia 17 dezembro, com o objetivo de deliberar sobre um aumento de capital de até R$ 13,25 bilhões, funcionará como um teste da confiança — ou desconfiança — do mercado em relação à atual gestão. O aumento de capital, apontado pela diretoria como peça central para reduzir dívida líquida e reequilibrar o fluxo financeiro, exige dos acionistas disposição para aportar novos recursos ou aceitar diluições substanciais — uma preocupação real para investidores que já viram a ação cair quase 70% apenas nos últimos oito meses. Nos bastidores, gestoras e credores discutem se a diretoria e mesmo a Mapa Capital, que assumiu o controle acionário há alguns meses, têm lastro suficiente para levar adiante um plano deste porte. Entre os investidores, a percepção é que a aprovação ou não da capitalização poderá ter impacto até mesmo na permanência de Renato Franklin no cargo de CEO. Franklin carrega como handicap o acordo com os credores da rede varejista para a renegociação de R$ 4 bilhões em dívidas. Mas esse crédito do executivo pode vir a se deteriorar no caso de um resultado adverso na assembleia de credores. Até porque a Casas Bahia tem apresentado uma performance financeira ainda errática. No terceiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 496 milhões, 34% a mais do que em igual período no ano passado. Ao menos, o Ebitda chegou a R$ 587 milhões, alta de 19,6% sobre o terceiro trimestre de 2024.

Last but not least: nesse contexto, há ainda a variável Michael Klein, que tanto pode ser um fator de apoio ou de instabilidade para a Casas Bahia – ultimamente a segunda hipótese tem prevalecido. Em abril, Klein tentou derrubar o presidente do Conselho da empresa, Renato Carvalho do Nascimento. E tem permanentemente feito gestões junto a outros minoritários com o objetivo de interferir na gestão da companhia – vide RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/o-teste-de-fogo-para-a-governanca-da-casas-bahia/). Por tudo isso – e por ser quem é, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein – o empresário será um personagem importante na assembleia de acionistas.

Pátria reavalia posição na Athena Saúde após aposta de US$ 1 bi na Banmédica

9/12/2025
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Vender ou não vender a Athena Saúde? Essa é a dúvida hamletiana do Pátria Investimentos. A interrogação é alimentada, sobretudo, pelo recente movimento feito pela gestora, que desembolsou US$ 1 bilhão na compra das operações da UnitedHealth, ex-controladora da Amil, no Chile e na Colômbia. Ao todo, são sete hospitais, 47 centros médicos e 1,7 milhão de clientes de plano de saúde reunidos sob o guarda-chuva da Banmedica. O elevado investimento reposiciona o portfólio de saúde do Pátria e empurra para o centro da mesa a discussão sobre o futuro da Athena. À luz da compra da Banmédica, há na balança razões para a gestora tanto renovar a aposta na empresa brasileira quanto se desfazer do seu controle. A Athena – holding que reúne três operadoras de planos de saúde, 12 hospitais e 57 centros médicos – cresceu por meio de aquisições, consolidou operações regionalmente fortes, mas não teve sucesso em sua tentativa de IPO, algo que na estratégia do Pátria era fundamental como porta de saída da companhia. Neste contexto, a venda da empresa liberaria capital para a integração e expansão da Banmédica. E eventualmente para a compra de outros ativos na América do Sul. A diversificação geográfica, por si só, é vista internamente no Pátria como um diferencial relevante num setor exposto à inflação médica, à judicialização e às incertezas regulatórias do mercado brasileiro.
Do outro lado, há argumentos igualmente plausíveis para manter a Athena na carteira. A plataforma ainda tem espaço para crescer via aquisições regionais e expansão verticalizada, o que pode elevar seu Ebitda e sustentar, no médio prazo, o valuation mais alto. Ao mesmo tempo, a integração da Banmédica exigirá tempo. Abrir mão da Athena agora pode significar a perda de potenciais sinergias futuras entre operações hospitalares e de saúde suplementar no Brasil e no exterior. E há uma razão que talvez seja a mais forte de todas: vender neste momento pode significar um desconto significativo. O valuation da Athena, já há algum tempo, é objeto de questionamentos por parte de investidores. Em 2023, por exemplo, a empresa chegou a estar marcada no fundo V do Pátria a US$ 1,8 bilhão, o que, na ocasião, representava um múltiplo estratosférico e incomum de 150 vezes o EV/Ebitda. Esse sarrafo desceu. Há informações no mercado de que há pouco mais de dois meses o Pátria tem sondado potenciais candidatos à compra da Athena, entre grupos da área hospitalar e private equities. O que se diz é que a sua pedida é de R$ 2,5 bilhões. Mas, ao que tudo indica, ainda existe uma significativa diferença entre o que o Pátria e o mercado acham que a Athena vale. Procurado pelo RR, o Pátria Investimentos não quis comentar o assunto.

#Pátria Investimentos

Bombril tem nas mãos uma palha de aço tributária

9/12/2025
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A Bombril ganhou um fôlego com a aprovação do plano de recuperação judicial, anunciada na semana passada. Mas o verdadeiro teste de resistência da companhia está previsto para Brasília. Trata-se da dura negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A fabricante de produtos de limpeza comandada pelo empresário Ronaldo Sampaio Ferreira busca um acordo para a renegociação de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em dívidas tributárias. Para se ter uma ideia do quanto essa palha de aço é áspera, o valor equivale a quase oito vezes o total das dívidas incluídas na recuperação judicial, em torno de R$ 330 milhões – entre os maiores credores, estão Itaú, Daycoval e Santander. Sem um acordo com a receita, a RJ, per si, terá um efeito limitado para a reestruturação da companhia. Será como tentar tirar gordura de um prato apenas com água. Sampaio Ferreira joga a responsabilidade pela dívida com o Fisco no colo da italiana Cirio, de Sergio Cragnotti, que controlou a Bombril entre 1997 e 2006, quando o empresário retomou a empresa. Paralelamente à complexa renegociação da dívida, outro desafio da companhia é resgatar a confiança do mercado. A Bombril tornou-se uma caixa preta: não publica balanço desde dezembro do ano passado. Nos últimos 12 meses, sua ação acumula queda de quase 40%. O RR fez contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

#Bombril

Impasse expõe fragilidade do governo (também) na agenda dos minerais críticos

9/12/2025
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A votação do PL 4.443/2025, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, tornou-se mais um capítulo do crescente desgaste entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Parlamentares acusam o governo de enviar “sinais trocados” sobre sua posição: ora, incentiva a tramitação do projeto no Senado, ora, articula nos bastidores para desacelerar o processo, com o objetivo de assumir a paternidade da iniciativa. A gestão Lula ainda tenta encaminhar uma proposta de sua autoria, elaborada a quatro mãos pela Casa Civil e pelo Ministério de Minas Energia. No entanto, em mais uma demonstração de fragilidade política, não tem conseguido furar a resistência do Congresso, que conta não apenas com um, mas com dois projetos sobre o assunto. Além do PL 4.443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros, há um PL (2.780/2024) em tramitação na Câmara, este apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). No caso do Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) havia programado a votação do PL 4.443 para o último dia 2. Mas adiou o prazo – o período de apresentação de emendas termina hoje. A postergação se deu a pedido da Vale e do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

#Ministério de Minas e Energia

Luz e trevas no caminho de Messias para o Supremo

9/12/2025
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À luz do dia, o pastor Silas Malafaia diz que não vai trabalhar contra a indicação do evangélico Jorge Messias para o STF e até faz críticas públicas a David Alcolumbre pelas suas tentativas de brecar a nomeação; nas trevas da noite, no entanto, Malafaia e lideranças religiosas ligadas a ele fazem campanha contra o advogado geral da União. Nos últimos dias, circulam entre parlamentares da bancada da Bíblia textos associando Messias, membro da Igreja Batista Cristã de Brasília, à defesa do aborto e de bandeiras LGBT. Um dos principais disseminadores dos ataques ao candidato de Lula para o Supremo é o deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ). A mobilização deflagrou nos corredores do Congresso uma contraofensiva comandada pelo pastor e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), ex-aliado de Jair Bolsonaro e agora amigo de fé, irmão camarada do governo Lula.

#Silas Malafaia

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