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A empresa de cibersegurança Netskope mira o Brasil como peça central de sua estratégia de expansão. Há informações no setor de que a empresa estuda a implantação de até quatro data centers no país nos próximos dois anos. Os norte-americanos já têm quatro centros de armazenamento de dados no país – dois em São Paulo, um em Brasília e um no Rio. O projeto ilustra a ambição da Netskope de ampliar sua presença em mercados emergentes. A aposta no Brasil vem no rastro do IPO realizado pela empresa na Nasdaq em setembro. A companhia captou US$ 908 milhões, com um valuation de US$ 8,6 bilhões. Desde então, seu valor de mercado já se aproxima dos US$ 9 bilhões. O carro-chefe da Netskope é o desenvolvimento de soluções de cibersegurança para empresas hard users de sistemas de nuvem.
Poderia ser um conto de Charles Dickens, mas o melancólico Natal dos funcionários dos Correios está longe de ser ficção. O anúncio de que a direção da estatal suspendeu o benefício de fim de ano a seus trabalhadores acendeu um alerta no Palácio do Planalto. Há a realidade financeira e caótica da empresa, que justifica a decisão. Mas há também a realidade política. E é esta que preocupa e mobiliza assessores de Lula. O corte do “Vale Natal” aos mais de 83 mil funcionários dos Correios às vésperas de um ano eleitoral é visto como um ponto de tensão. Para uma parcela expressiva da força de trabalho da estatal, notadamente carteiros em níveis iniciais, o valor médio da bonificação, R$ 2,5 mil, equivale a mais um mês de salário. No Planalto, a percepção é que o episódio, se não bem administrado, pode virar um gatilho de insatisfação, com potencial de ressonância no funcionalismo público como um todo. A situação pode ser contornada caso o Tesouro efetive o aporte emergencial de R$ 6 bilhões ainda neste ano, solicitado pela diretoria dos Correios. Uma parcela dos recursos, algo em torno de R$ 200 milhões, poderia ser usada para bancar o benefício natalino. Outra hipótese aventada no governo seria a adoção, a partir de 2026, de benefícios não-recorrentes, gratificações condicionadas ao desempenho ou metas de produtividade. Seria uma tentativa de empurrar o problema para a frente e aplacar o mal-estar com a suspensão do “Vale Natal”.
O pré-Natal da Casas Bahia promete ser tenso. A assembleia extraordinária convocada pela empresa para o dia 17 dezembro, com o objetivo de deliberar sobre um aumento de capital de até R$ 13,25 bilhões, funcionará como um teste da confiança — ou desconfiança — do mercado em relação à atual gestão. O aumento de capital, apontado pela diretoria como peça central para reduzir dívida líquida e reequilibrar o fluxo financeiro, exige dos acionistas disposição para aportar novos recursos ou aceitar diluições substanciais — uma preocupação real para investidores que já viram a ação cair quase 70% apenas nos últimos oito meses. Nos bastidores, gestoras e credores discutem se a diretoria e mesmo a Mapa Capital, que assumiu o controle acionário há alguns meses, têm lastro suficiente para levar adiante um plano deste porte. Entre os investidores, a percepção é que a aprovação ou não da capitalização poderá ter impacto até mesmo na permanência de Renato Franklin no cargo de CEO. Franklin carrega como handicap o acordo com os credores da rede varejista para a renegociação de R$ 4 bilhões em dívidas. Mas esse crédito do executivo pode vir a se deteriorar no caso de um resultado adverso na assembleia de credores. Até porque a Casas Bahia tem apresentado uma performance financeira ainda errática. No terceiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 496 milhões, 34% a mais do que em igual período no ano passado. Ao menos, o Ebitda chegou a R$ 587 milhões, alta de 19,6% sobre o terceiro trimestre de 2024.
Last but not least: nesse contexto, há ainda a variável Michael Klein, que tanto pode ser um fator de apoio ou de instabilidade para a Casas Bahia – ultimamente a segunda hipótese tem prevalecido. Em abril, Klein tentou derrubar o presidente do Conselho da empresa, Renato Carvalho do Nascimento. E tem permanentemente feito gestões junto a outros minoritários com o objetivo de interferir na gestão da companhia – vide RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/o-teste-de-fogo-para-a-governanca-da-casas-bahia/). Por tudo isso – e por ser quem é, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein – o empresário será um personagem importante na assembleia de acionistas.
A Bombril ganhou um fôlego com a aprovação do plano de recuperação judicial, anunciada na semana passada. Mas o verdadeiro teste de resistência da companhia está previsto para Brasília. Trata-se da dura negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A fabricante de produtos de limpeza comandada pelo empresário Ronaldo Sampaio Ferreira busca um acordo para a renegociação de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em dívidas tributárias. Para se ter uma ideia do quanto essa palha de aço é áspera, o valor equivale a quase oito vezes o total das dívidas incluídas na recuperação judicial, em torno de R$ 330 milhões – entre os maiores credores, estão Itaú, Daycoval e Santander. Sem um acordo com a receita, a RJ, per si, terá um efeito limitado para a reestruturação da companhia. Será como tentar tirar gordura de um prato apenas com água. Sampaio Ferreira joga a responsabilidade pela dívida com o Fisco no colo da italiana Cirio, de Sergio Cragnotti, que controlou a Bombril entre 1997 e 2006, quando o empresário retomou a empresa. Paralelamente à complexa renegociação da dívida, outro desafio da companhia é resgatar a confiança do mercado. A Bombril tornou-se uma caixa preta: não publica balanço desde dezembro do ano passado. Nos últimos 12 meses, sua ação acumula queda de quase 40%. O RR fez contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
A votação do PL 4.443/2025, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, tornou-se mais um capítulo do crescente desgaste entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Parlamentares acusam o governo de enviar “sinais trocados” sobre sua posição: ora, incentiva a tramitação do projeto no Senado, ora, articula nos bastidores para desacelerar o processo, com o objetivo de assumir a paternidade da iniciativa. A gestão Lula ainda tenta encaminhar uma proposta de sua autoria, elaborada a quatro mãos pela Casa Civil e pelo Ministério de Minas Energia. No entanto, em mais uma demonstração de fragilidade política, não tem conseguido furar a resistência do Congresso, que conta não apenas com um, mas com dois projetos sobre o assunto. Além do PL 4.443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros, há um PL (2.780/2024) em tramitação na Câmara, este apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). No caso do Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) havia programado a votação do PL 4.443 para o último dia 2. Mas adiou o prazo – o período de apresentação de emendas termina hoje. A postergação se deu a pedido da Vale e do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).
À luz do dia, o pastor Silas Malafaia diz que não vai trabalhar contra a indicação do evangélico Jorge Messias para o STF e até faz críticas públicas a David Alcolumbre pelas suas tentativas de brecar a nomeação; nas trevas da noite, no entanto, Malafaia e lideranças religiosas ligadas a ele fazem campanha contra o advogado geral da União. Nos últimos dias, circulam entre parlamentares da bancada da Bíblia textos associando Messias, membro da Igreja Batista Cristã de Brasília, à defesa do aborto e de bandeiras LGBT. Um dos principais disseminadores dos ataques ao candidato de Lula para o Supremo é o deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ). A mobilização deflagrou nos corredores do Congresso uma contraofensiva comandada pelo pastor e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), ex-aliado de Jair Bolsonaro e agora amigo de fé, irmão camarada do governo Lula.
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