Arquivo Notícias - Página 96 de 1964 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Aumento de capital desponta como um teste de fogo para a Casas Bahia

9/12/2025
  • Share

O pré-Natal da Casas Bahia promete ser tenso. A assembleia extraordinária convocada pela empresa para o dia 17 dezembro, com o objetivo de deliberar sobre um aumento de capital de até R$ 13,25 bilhões, funcionará como um teste da confiança — ou desconfiança — do mercado em relação à atual gestão. O aumento de capital, apontado pela diretoria como peça central para reduzir dívida líquida e reequilibrar o fluxo financeiro, exige dos acionistas disposição para aportar novos recursos ou aceitar diluições substanciais — uma preocupação real para investidores que já viram a ação cair quase 70% apenas nos últimos oito meses. Nos bastidores, gestoras e credores discutem se a diretoria e mesmo a Mapa Capital, que assumiu o controle acionário há alguns meses, têm lastro suficiente para levar adiante um plano deste porte. Entre os investidores, a percepção é que a aprovação ou não da capitalização poderá ter impacto até mesmo na permanência de Renato Franklin no cargo de CEO. Franklin carrega como handicap o acordo com os credores da rede varejista para a renegociação de R$ 4 bilhões em dívidas. Mas esse crédito do executivo pode vir a se deteriorar no caso de um resultado adverso na assembleia de credores. Até porque a Casas Bahia tem apresentado uma performance financeira ainda errática. No terceiro trimestre, a companhia teve prejuízo de R$ 496 milhões, 34% a mais do que em igual período no ano passado. Ao menos, o Ebitda chegou a R$ 587 milhões, alta de 19,6% sobre o terceiro trimestre de 2024.

Last but not least: nesse contexto, há ainda a variável Michael Klein, que tanto pode ser um fator de apoio ou de instabilidade para a Casas Bahia – ultimamente a segunda hipótese tem prevalecido. Em abril, Klein tentou derrubar o presidente do Conselho da empresa, Renato Carvalho do Nascimento. E tem permanentemente feito gestões junto a outros minoritários com o objetivo de interferir na gestão da companhia – vide RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/o-teste-de-fogo-para-a-governanca-da-casas-bahia/). Por tudo isso – e por ser quem é, filho do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein – o empresário será um personagem importante na assembleia de acionistas.

Pátria reavalia posição na Athena Saúde após aposta de US$ 1 bi na Banmédica

9/12/2025
  • Share
Vender ou não vender a Athena Saúde? Essa é a dúvida hamletiana do Pátria Investimentos. A interrogação é alimentada, sobretudo, pelo recente movimento feito pela gestora, que desembolsou US$ 1 bilhão na compra das operações da UnitedHealth, ex-controladora da Amil, no Chile e na Colômbia. Ao todo, são sete hospitais, 47 centros médicos e 1,7 milhão de clientes de plano de saúde reunidos sob o guarda-chuva da Banmedica. O elevado investimento reposiciona o portfólio de saúde do Pátria e empurra para o centro da mesa a discussão sobre o futuro da Athena. À luz da compra da Banmédica, há na balança razões para a gestora tanto renovar a aposta na empresa brasileira quanto se desfazer do seu controle. A Athena – holding que reúne três operadoras de planos de saúde, 12 hospitais e 57 centros médicos – cresceu por meio de aquisições, consolidou operações regionalmente fortes, mas não teve sucesso em sua tentativa de IPO, algo que na estratégia do Pátria era fundamental como porta de saída da companhia. Neste contexto, a venda da empresa liberaria capital para a integração e expansão da Banmédica. E eventualmente para a compra de outros ativos na América do Sul. A diversificação geográfica, por si só, é vista internamente no Pátria como um diferencial relevante num setor exposto à inflação médica, à judicialização e às incertezas regulatórias do mercado brasileiro.
Do outro lado, há argumentos igualmente plausíveis para manter a Athena na carteira. A plataforma ainda tem espaço para crescer via aquisições regionais e expansão verticalizada, o que pode elevar seu Ebitda e sustentar, no médio prazo, o valuation mais alto. Ao mesmo tempo, a integração da Banmédica exigirá tempo. Abrir mão da Athena agora pode significar a perda de potenciais sinergias futuras entre operações hospitalares e de saúde suplementar no Brasil e no exterior. E há uma razão que talvez seja a mais forte de todas: vender neste momento pode significar um desconto significativo. O valuation da Athena, já há algum tempo, é objeto de questionamentos por parte de investidores. Em 2023, por exemplo, a empresa chegou a estar marcada no fundo V do Pátria a US$ 1,8 bilhão, o que, na ocasião, representava um múltiplo estratosférico e incomum de 150 vezes o EV/Ebitda. Esse sarrafo desceu. Há informações no mercado de que há pouco mais de dois meses o Pátria tem sondado potenciais candidatos à compra da Athena, entre grupos da área hospitalar e private equities. O que se diz é que a sua pedida é de R$ 2,5 bilhões. Mas, ao que tudo indica, ainda existe uma significativa diferença entre o que o Pátria e o mercado acham que a Athena vale. Procurado pelo RR, o Pátria Investimentos não quis comentar o assunto.

#Pátria Investimentos

Bombril tem nas mãos uma palha de aço tributária

9/12/2025
  • Share

A Bombril ganhou um fôlego com a aprovação do plano de recuperação judicial, anunciada na semana passada. Mas o verdadeiro teste de resistência da companhia está previsto para Brasília. Trata-se da dura negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A fabricante de produtos de limpeza comandada pelo empresário Ronaldo Sampaio Ferreira busca um acordo para a renegociação de aproximadamente R$ 2,3 bilhões em dívidas tributárias. Para se ter uma ideia do quanto essa palha de aço é áspera, o valor equivale a quase oito vezes o total das dívidas incluídas na recuperação judicial, em torno de R$ 330 milhões – entre os maiores credores, estão Itaú, Daycoval e Santander. Sem um acordo com a receita, a RJ, per si, terá um efeito limitado para a reestruturação da companhia. Será como tentar tirar gordura de um prato apenas com água. Sampaio Ferreira joga a responsabilidade pela dívida com o Fisco no colo da italiana Cirio, de Sergio Cragnotti, que controlou a Bombril entre 1997 e 2006, quando o empresário retomou a empresa. Paralelamente à complexa renegociação da dívida, outro desafio da companhia é resgatar a confiança do mercado. A Bombril tornou-se uma caixa preta: não publica balanço desde dezembro do ano passado. Nos últimos 12 meses, sua ação acumula queda de quase 40%. O RR fez contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

#Bombril

Impasse expõe fragilidade do governo (também) na agenda dos minerais críticos

9/12/2025
  • Share

A votação do PL 4.443/2025, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, tornou-se mais um capítulo do crescente desgaste entre o Congresso e o Palácio do Planalto. Parlamentares acusam o governo de enviar “sinais trocados” sobre sua posição: ora, incentiva a tramitação do projeto no Senado, ora, articula nos bastidores para desacelerar o processo, com o objetivo de assumir a paternidade da iniciativa. A gestão Lula ainda tenta encaminhar uma proposta de sua autoria, elaborada a quatro mãos pela Casa Civil e pelo Ministério de Minas Energia. No entanto, em mais uma demonstração de fragilidade política, não tem conseguido furar a resistência do Congresso, que conta não apenas com um, mas com dois projetos sobre o assunto. Além do PL 4.443/2025, de autoria do senador Renan Calheiros, há um PL (2.780/2024) em tramitação na Câmara, este apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG). No caso do Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) havia programado a votação do PL 4.443 para o último dia 2. Mas adiou o prazo – o período de apresentação de emendas termina hoje. A postergação se deu a pedido da Vale e do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

#Ministério de Minas e Energia

Luz e trevas no caminho de Messias para o Supremo

9/12/2025
  • Share

À luz do dia, o pastor Silas Malafaia diz que não vai trabalhar contra a indicação do evangélico Jorge Messias para o STF e até faz críticas públicas a David Alcolumbre pelas suas tentativas de brecar a nomeação; nas trevas da noite, no entanto, Malafaia e lideranças religiosas ligadas a ele fazem campanha contra o advogado geral da União. Nos últimos dias, circulam entre parlamentares da bancada da Bíblia textos associando Messias, membro da Igreja Batista Cristã de Brasília, à defesa do aborto e de bandeiras LGBT. Um dos principais disseminadores dos ataques ao candidato de Lula para o Supremo é o deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ). A mobilização deflagrou nos corredores do Congresso uma contraofensiva comandada pelo pastor e deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), ex-aliado de Jair Bolsonaro e agora amigo de fé, irmão camarada do governo Lula.

#Silas Malafaia

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima