Arquivo Notícias - Página 28 de 1963 - Relatório Reservado

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Relicitação do Galeão e eleição no Rio são dois voos que se cruzam

23/03/2026
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A relicitação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, prevista para o próximo dia 30, é um voo que se cruza com o cenário político e eleitoral do estado. Segundo informações que circulam no setor, a Changi, de Cingapura, atual concessionária, e a espanhola Aena procuraram escutar do próprio Eduardo Paes quais são seus planos para o Galeão em caso de vitória na corrida pelo governo do Rio. Gostaram do que ouviram: sobre a mesa planos para aumentar o momento do terminal para 25 milhões de passageiros em até dois anos. Na avaliação das duas empresas, o potencial de expansão do aeroporto está, em razoável medida, indexado à eleição de Paes. O track records aponta nessa direção. Como prefeito, Paes empenhou-se pessoalmente para restringir o movimento no Santos Dumont e redirecionar voos para o Galeão, medida que ajudou a elevar o fluxo de passageiros no aeroporto internacional de oito milhões para 17 milhões/ano entre 2023 e 2025.

Além da Changi, que vai participar do leilão ao lado da Vinci Compass, sua sócia, e da Aena, concessionária de Congonhas, a Zurich Aiport também é apontada nos bastidores como candidata à relicitação do aeroporto carioca. Se espanhóis e suíços entram na disputa olhando exclusivamente para a frente, os asiáticos têm de mirar, ao mesmo tempo, o futuro e o passado. De outra maneira, a sua conta não fecha. A Changi ainda busca cobrir os prejuízos acumulados no Galeão desde 2017, quando assumiu a operação, até então nas mãos da Odebrecht.

Cosan põe os lubrificantes da Moove sobre o balcão

23/03/2026
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O desmonte da Cosan avança mais uma casa. Segundo informações apuradas pelo RR, o grupo de Rubens Ometto planeja vender parte ou mesmo o controle da Moove, seu braço de produção e distribuição de lubrificantes. De acordo com a mesma fonte, emissários de Ometto já sondaram possíveis candidatos, entre os quais a BP, fabricante da marca Castrol, e a Petronas, da Malásia. No mercado, a Iconic, joint venture entre a Chevron e a Ipiranga, também é vista como uma potencial interessada no negócio. Ao menos em condições normais de temperatura e pressão. No entanto, a própria Ipiranga está sobre o balcão, colocada à venda pelo Grupo Ultra, o que reduz consideravelmente a probabilidade de a empresa entrar em um deal desta magnitude. Segundo a fonte do RR, a pretensão da Cosan seria levantar algo em torno de R$ 10 bilhões com a venda da Moove. Porém, o que se diz no mercado é que dificilmente o grupo conseguirá alcançar este valor. Trata-se da mesma referência de valuation buscada pela Cosan na frustrada tentativa de IPO da Moove em Nova York, em outubro 2024 — a operação foi engavetada por falta de demanda pelos papéis. Procurada pelo RR, a companhia não quis se pronunciar.

Há outro fator que pressiona ainda mais a precificação da empresa de lubrificantes – como de resto, de todos os negócios de Ometto: a crise financeira da Cosan. Que não é apenas a crise financeira da Cosan. Como se não bastasse sua própria dívida de curto prazo, da ordem de R$ 16 bilhões, o grupo ainda carrega o peso do passivo de R$ 65 bilhões da Raízen, o que têm obrigado tanto a controladora quanto a controlada a venderem ativos em profusão. Em pouco mais de um ano, a Cosan, por exemplo, já se desfez da sua participação na Vale, de usinas de álcool e açúcar e de parques de energia solar. A Moove, companhia com atuação em dez países e faturamento anual superior a R$ 11 bilhões, é mais um pingente que está prestes a cair do colar de participações de Rubens Ometto.

#Cosan

Guerra no Irã ricocheteia no IPO da BRK Ambiental

23/03/2026
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A escalada do conflito no Irã praticamente detonou os planos de IPO da BRK Ambiental, controlada pela Brookfield. O pipeline de investidores estrangeiros — que vinha sendo estruturado como pilar central da oferta — perdeu tração à medida que a guerra no Oriente Médio jogou a precificação de risco global nas alturas. Segundo informação que circula em petit comité, dois fundos internacionais que já haviam manifestado a firme intenção de participar da oferta decidiram abandonar a operação. Caso se confirme, o cancelamento do IPO, estimado em R$ 4 bilhões, será um duro baque para a BRK. A empresa carrega uma estrutura de capital pressionada pelo elevado endividamento. O passivo de curto prazo gira em torno de R$ 12 bilhões, o que significa uma preocupante alavancagem de seis vezes o Ebitda. Sem a injeção de capital via equity, a holding de concessões de saneamento perde um instrumento direto de desalavancagem e tende a permanecer dependente do mercado de crédito — justamente em um momento de encarecimento global do funding. Isso pode alongar o ciclo de maturação financeira e postergar a convergência da alavancagem para níveis mais próximos de 4x o Ebitda.

#BRK Ambiental

Quanto valem os imóveis dos Correios?

23/03/2026
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O plano dos Correios de levantar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis começa a ser tratada dentro da própria estatal como inexequível. O ceticismo decorre do descompasso entre a meta financeira e a qualidade do portfólio disponível para alienação. Um primeiro levantamento mostrou que uma parcela expressiva dos imóveis é antiga, exige reformas pesadas e está localizada em áreas que perderam valor de mercado ao longo do tempo. Uma amostra dessa depreciação: nas próximas semanas, os Correios pretendem levar a leilão um primeiro lote de prédios e terrenos contabilmente estimados em cerca de R$ 600 milhões. A própria companhia calcula que o deságio chegará a 80%. Ou seja: a cifra levantada não passará dos R$ 120 milhões.

O problema é que o plano de desinvestimento imobiliário é um dos pilares da estratégia de reestruturação dos Correios. Outras medidas em curso são a renegociação da dívida com credores financeiros e fornecedores e um plano de demissões voluntárias que tem como meta reduzir o efetivo em até dez mil funcionários. Com perdas recorrentes, estimadas em R$ 9 bilhões no ano passado, a estatal tornou-se uma “caloteira” contumaz. No ano passado, os Correios não quitaram cerca de R$ 3,7 bilhões em obrigações financeiras, incluindo fornecedores, pagamento de tributos e contribuições para o fundo de pensão, o Postalis, e o plano de saúde de seus trabalhadores, o Postal Saúde.

#Correios

O intrincado xadrez da sucessão no Ministério da Previdência

23/03/2026
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A sucessão de Wolney Queiroz na Pasta da Previdência tornou-se um movimento sensível para o governo no tabuleiro da reforma ministerial. A iminente saída de Queiroz, que deverá disputar a eleição para a Câmara dos Deputados, se dá no meio da CPI do INSS, que gradativamente está se transmutando na CPI do Master. Some-se o fato de que a Comissão é o isqueiro que a oposição está acendendo nas vestes de Lulinha. Nesse contexto, ao contrário da solução encontrada para a maioria das Pastas, há resistências dentro do Palácio do Planalto em efetivar na cadeira de ministro o atual secretário-executivo, Felipe Cavalcanti e Silva. A avaliação é que ele não tem peso político para suportar o que pode vir pela frente a partir da CPI.

O Palácio do Planalto roda feito biruta, matutando sobre hipóteses aparentemente conflitantes entre si. Há quem entenda que Lula deve convencer Wolney Queiroz (PDT-PE) a seguir no cargo. É o caso do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Por outro lado, existem vozes que defendem até mesmo que o governo entregue outro Ministério ao PDT e o retire da Previdência. O argumento é que a presença do partido remete a suspeições que pairam sobre o INSS, sobretudo na gestão de Carlos Lupi.

#Ministério da Previdência

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