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7/05/2025
Depois da Skechers, qual será o próximo passo de Lemann e cia.?
7/05/2025Um analista arguto, fonte do RR com o crédito de ter acertado a grande maioria dos seus palpites, enxerga algo além da compra da Skechers pela 3G, por US$ 9,4 bilhões. A investida coloca Jorge Paulo Lemann, Marcelo Telles e Beto Sicupira em uma posição privilegiada para conduzir um projeto de consolidação do setor calçadista, com a reunião de grandes marcas globais sob um único guarda-chuva. Soa familiar?
Guardadas as devidas proporções, seria algo semelhante ao que a tríade fez no mercado mundial de cerveja a partir da criação da AmBev. Talvez com uma diferença importante: se, lá atrás, Lemann e cia. avançaram de dentro para fora do Brasil – primeiro, com a fusão entre Brahma e Antarctica; depois, com a aquisição da Anheuser-Busch e de outros fabricantes – desta vez o caminho percorrido pode ser o inverso. Perguntada sobre os próximos movimentos de Lemann, Telles e Sicupira na indústria de calçados, a fonte do RR responde quase de pronto: um segundo passo nada improvável seria uma ofensiva da Skechers/3G sobre a Alpargatas, fabricante das Havaianas.
São duas empresas ao mesmo tempo sinérgicas e complementares. A associação permitiria à 3G ter um amplo portfólio, que cobriria desde a moda casual/lazer até o segmento de alta performance e de calçados técnicos. O mutualismo entre as duas companhias possibilitaria o aproveitamento cruzado dos respectivos canais de distribuição.
A Alpargatas ganharia um canhão de vendas nos Estados Unidos; a Skechers, por sua vez, reforçaria sua presença na América Latina como a estrutura logística da fabricante da Havaianas na região.
A história mostra que os negócios do trio não são insulares. Quando Lemann, Telles e Sicupira entram em um setor, normalmente é para formar um arquipélago de empresas. O exemplo da InBev é o mais didático. Mas também há outros casos notórios. Em 2013, a trinca comprou a Heinz. Dois anos depois, costurou sua fusão com a Kraft Foods.
Algo similar ocorreu na área de fast food. Primeiro veio a aquisição do Burger King. Depois Lemann e cia. fisgaram outras redes de restaurantes, como Tim Hortons, Popeyes Louisiana Kitchen e Firehouse Subs. Seguindo esse mesmo raciocínio, em tempos de Trump e de guerra comercial entre Estados Unidos e China, amarrar os cadarços da Skechers aos da Alpargatas seria um golpe de mestre da 3G.
A aquisição funcionaria também como um hedge para a empresa norte-americana no que diz respeito a sua cadeia de suprimento. A companhia tem uma grande dependência do país asiático. Mais de 80% da sua produção são provenientes da China. Some-se a isso o fato de que a Skechers não tem fábricas próprias, apenas parceiros contratados.
Em meio às sapatadas comerciais entre Estados Unidos e China, a associação com a Alpargatas calçaria à perfeição nos planos da 3G. A Skechers passaria a ter acesso à rede de fornecedores da empresa brasileira e ainda poderia utilizar suas quatro fábricas.
A eventual associação entre Skechers e Alpargatas daria origem a um grupo com presença em mais de 190 países, vendas globais acima de US$ 10 bilhões e Ebitda da ordem de US$ 1,2 bilhão. Em termos de faturamento, ressalte-se, a Skechers é mais de dez vezes maior do que a empresa brasileira – cerca de US$ 9 bilhões contra US$ 700 milhões em receitas. No entanto, a Alpargatas não fica muito atrás em termos de volume.
No rastro do notável sucesso da Havaianas, uma coqueluche em todos os cantos do mundo, a companhia fabrica por ano mais de 226 milhões de pares de calçados, contra aproximadamente 300 milhões de pares da Skechers. A Alpargatas atualmente é controlada pelos Setúbal e pelos Moreira Salles, por meio, respectivamente, da Itaúsa e da Cambuhy Holding. As duas famílias não costumam se desfazer dos negócios que controlam. No entanto, em recente entrevista ao Valor Econômico, o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, mencionou a dificuldade de se obter retorno acima do custo do capital e a possibilidade de a holding rever seu portfólio: “Se acharmos que um ativo chegou a um retorno razoável, podemos vender”.
Ressalte-se que a Alpargatas destoa em demasia da carteira de investimentos das famílias Setubal e Moreira Salles. A empresa não atravessa um período dos mais confortáveis. Nos últimos dois anos, enfrentou problemas logísticos, tanto no Brasil quanto no exterior, que minaram sua rentabilidade – ver RR. Nesse período, a companhia passou por uma mudança de CEO, com a chegada de Liel Miranda, e pela troca do head da marca Havaianas no Brasil, com a contratação de Fernando Rosa – curiosamente, ex-presidente da Kraft Heinz no país. No ano passado, após a reestruturação, a Alpargatas voltou ao azul. No entanto, o lucro de R$ 107 milhões ainda está longe de cobrir as perdas de R$ 1,8 bilhão registradas em 2023. Por enquanto, uma possível ofensiva da 3G é somente uma especulação. Mas há um enorme nexo no raciocínio.
Dívida elevada obriga Raízen a vender ativos com “deságio”
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