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Guilherme Paulus não voltou para a CVC a passeio
6/05/2025A CVC está fazendo uma “operação trator” para ampliar sua capilaridade. A empresa de turismo pretende abrir 350 lojas ao longo deste ano, contra 300 inaugurações em 2024. A meta é chegar a dezembro com quase 1,9 mil pontos de atendimento. Pari passu, segundo o RR apurou, a companhia vai intensificar a estratégia de incorporação de agências menores, sobretudo fora das grandes capitais. O projeto agressivo de expansão leva a assinatura do fundador da CVC, Guilherme Paulus, que reassumiu o manche da empresa em 2023. Sua presença se reflete na performance da companhia. Em pouco mais de um ano, a CVC voltou a operar no azul. Em 2024, teve um lucro de R$ 53 milhões, sua melhor performance desde 2018.
A expansão da rede é fundamental para o crescimento da CVC. Mesmo com toda a tecnologia e a explosão do e-commerce no setor de viagens, a força de vendas da empresa ainda é essencialmente “analógica”. Cerca de 90% dos pacotes comercializados pela companhia passam por alguma interação direta, leia-se lojas físicas ou, em menor escala, suporte telefônico. Procurada pelo RR, a CVC não se pronunciou alegando estar “em período de silêncio por conta da divulgação de resultados, que será realizada no próximo dia 13 de maio”.
Netanyahu e as bigas de Gideão
6/05/2025No sétimo capítulo do Livro de Juízes do Antigo Testamento ou da Bíblia hebraica, conta-se como Gideão, por ordem de Deus e com a ajuda de apenas 300 israelitas munidos de trombetas e tochas, derrotou milhares de midianitas e alcançou o rio Jordão, matando os reis de seus inimigos. Pois Benjamin Netanyahu vem de lançar o plano denominado “Bigas de Gideão”, cujo objetivo consiste em ocupar por tempo indeterminado a Faixa de Gaza e, num primeiro momento, empurrar os 2,3 milhões de palestinos para o sul do território, seguindo-se um “deslocamento voluntário” que permita a implantação do resort sonhado por Donald Trump.
Isso significa uma radical mudança na estratégia israelense após 19 meses de guerra contra o Hamas, porém nada mais é que a concretização parcial do conceito de Great Israel que Netanyahu não teve o menor escrúpulo em exibir ao mundo durante a última Assembleia Geral da ONU. No mapa que então mostrou do alto da tribuna, o território israelense se estende do rio Jordão ao Mar Mediterrâneo, sem que haja qualquer indício da existência de alguma área governada por palestinos. Na Cisjordânia, o governo de extremistas de direita liderado por Netanyahu aprovou este ano a maior apreensão de terras palestinas em três décadas e permitiu que colonos judeus tomassem violentamente largas áreas para projetos de colonização a um ritmo nunca antes visto. É possível também que esse impulso imperialista alcance o sul do Líbano, onde Israel já forçou a evacuação de uma centena de aldeias da região, abrangendo segundo a ONU uma população de 1,2 milhão de habitantes e uma área equivalente a 25% do território do país.
A ocupação ostensiva de Gaza é, assim, o desdobramento de uma visão de longo prazo, porém se torna menos arriscada para as forças armadas israelenses – mesmo reforçadas agora pela convocação de dezenas de milhares de reservistas – graças ao virtual desmantelamento do poderio militar do Hamas e do Hezbollah, acompanhado das ameaças de pesados ataques aéreos por Israel e pelos Estados Unidos que praticamente paralisam o Irã. Mas as declarações de Netanyahu ao lançar a operação revelam uma sutil mudança em sua postura porque, enquanto antes a derrota total do Hamas e a recuperação dos reféns eram proclamadas como objetivos de igual importância, o primeiro agora é dado como prioritário. Isso gera protestos ainda mais veementes das famílias que ainda têm parentes em mãos do Hamas, protestos esses que têm crescente impacto sobre toda a população porque atualmente cerca de 70% dos israelenses apoiam o fim da guerra e o retorno de todos os 59 reféns (dos quais se estima que 24 ainda estejam vivos).
De qualquer forma, a implementação do plano fica suspensa até que se conheçam os resultados da visita que Trump fará ao Oriente Médio em meados do corrente mês. Chegando na Arábia Saudita no dia 13, o presidente norte-americano terá reuniões bilaterais com o príncipe-herdeiro Mohammed Bin Salman, mas já no dia seguinte participará de uma reunião de cúpula do Conselho de Cooperação do Golfo em que devem estar presentes, além do anfitrião saudita, os chefes de Estado dos Emirados, Bahrain, Kuwait, Omã e Qatar, não sendo impossível que outros líderes árabes venham a ser convidados. Posteriormente, Trump visitará para conversas bilaterais Doha e Abu Dhabi. Os temas principais desses encontros serão supostamente investimentos, venda de armas e cooperação no campo da inteligência artificial, porém é evidente que as empacadas negociações para um cessar-fogo em Gaza farão parte de todas as pautas.
Enquanto são aguardados os resultados dessa segunda viagem de Trump ao exterior, sendo a primeira provocada inesperadamente pela morte do Papa Francisco, muitos se perguntam por que não existe um clamor mundial contra essas medidas de “limpeza racial” prometidas pela dupla Netanyahu/Trump, que muitos equiparam a um Holocausto moderno. Em primeiro lugar, existe uma certa fadiga diplomática em suscitar mais uma vez em vão tal matéria na Assembleia Geral ou no Conselho de Segurança, onde agora o governo de Trump será representado por ninguém menos que Mike Waltz, vergonhosamente demitido do cargo de conselheiro de Segurança Nacional por vazar uma delicada operação militar no Iêmen. Em segundo lugar – e mais importante – porque muitos países temem aplicar medidas concretas contra Israel sabendo que Trump tomará as dores de seu parceiro de fé e muito provavelmente se encarregará de puni-los com retaliações políticas ou econômicas.
Sendo assim, enquanto Gideão não se valeu de bigas para derrotar seus inimigos, parece inevitável que Netanyahu continue a utilizar os poderosos tanques Merkava IV para levar a cabo a destruição sistemática da infraestrutura, moradias, hospitais e escolas que transformarão em terra arrasada os 365 km2 da Faixa de Gaza.
Jorio Dauster é colaborador especial do Relatório Reservado
Vazamento de dados da XP expõe não apenas clientes, mas também o Banco Central
6/05/2025O Banco Central é um vigilante insone ou está mais para um síndico ausente quando se trata da proteção de informações pessoais confiadas a instituições financeiras? Pode até ser que a autoridade monetária faça muito e divulgue pouco. No entanto, o recente vazamento de dados de clientes da XP, no mês passado, aumenta a percepção de que o BC não tem atuado com a devida severidade, seja para prevenir episódios como esse, seja para apurar eventuais responsabilidades e, se necessário, punir os próprios bancos por falhas em sua segurança digital.
No ano passado, por exemplo, 84,6 milhões de contas bancárias foram violadas no Brasil, segundo dados da Surfshark, empresa de segurança cibernética sediada na Holanda. O número é 24 vezes superior ao registrado em 2023. No ranking global do vazamento de informações financeiras, o Brasil subiu do 9º para o 7º lugar. Não é uma posição compatível com um dos países que se orgulha de ter uma das mais complexas e rígidas regulações do sistema bancário no mundo.
Como se não bastasse, o Brasil somou o maior número de ataques virtuais a bancos na América Latina em 2024, com 1,6 milhão de incidentes, de acordo com estudo da russa Kaspersky, também especializada em proteção de dados. Diante desse cenário, há perguntas que não querem calar: o Banco Central estipula regras rígidas a serem cumpridas pelas instituições financeiras? O BC audita os sistemas de segurança da informação dos bancos?
Há muitos dilemas e controvérsias. O BC, ao contrário de outras autarquias, não pode sair por aí dizendo que tal banco não dispõe de um bom sistema de controle das informações, seus clientes tiveram contas devassadas e que vai punir a referida instituição. O grau de simbiose do sistema financeiro é tremendo. Qualquer declaração da autoridade monetária contamina a galáxia bancária.
O BC, portanto, tem de ficar calado, sem dar visibilidade aos seus processos ou disclosure dos bancos que exercem más práticas de segurança ou até mesmo foram punidos. A priori, a julgar pelo enunciado das suas ações, o órgão fiscalizador, o Banco Central, estipula exigências rígidas a serem cumpridas por seus fiscalizados em relação à segurança de dados dos clientes. No âmbito administrativo, há Resoluções editadas tanto pelo BC quanto pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
É o caso da Resolução do BC no 85/21 (voltada a instituições de pagamento) e da Resolução do CMN no 4.893/2021 (para instituições financeiras). Segundo o próprio BC em contato com o RR, “ambas tratam da política de segurança cibernética e dos requisitos para a contratação de serviços de processamento e armazenamento de dados e de computação em nuvem a serem observados pelas instituições supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Estabelecem, portanto, requisitos de segurança da informação para as instituições supervisionadas pelo BCB”.
Há ainda a Resolução do BC no 260/22 (para instituições de pagamento) e a Resolução do CMN no 4.968/2021 (para instituições financeiras), “que dispõem sobre os sistemas de controles internos das instituições supervisionadas pelo BCB”. Segundo o Banco Central, “entre as exigências dessas normas, inclui-se a realização de testes periódicos de segurança para os sistemas de informações e de tecnologia por parte das instituições”. Em meio a essa sopa de resoluções, de que maneira o BC audita se as normas estão sendo seguidas à risca?
De acordo com a instituição, “a verificação de conformidade com a regulamentação estabelecida é conduzida no curso do processo contínuo de supervisão, sendo a intensidade das ações desenvolvidas e a periodicidade das verificações realizadas proporcionais ao perfil de riscos das instituições”.
Frente ao tamanho do problema, tudo soa pomposo, mas, ao mesmo tempo, vazio e frágil. Faltam explicações sobre o que é realizado na práxis. Sob um certo ângulo, os bancos parecem fazer mais do que o BC. Em contato com o RR, a Febraban afirma que “no exercício de sua função institucional, mantém grupos para discussões relacionadas à segurança de dados, que tocam cibersegurança e tratamento de dados pessoais, e mantém diálogos com diversos stakeholders, como o BCB e a ANPD”.
A entidade tem um Laboratório de Segurança Cibernética, inaugurado em setembro de 2020, “que já realizou 202 atividades com mais mil horas direcionadas para 23.800 profissionais dos 113 bancos associados e de diversos parceiros estratégicos, com temas voltados para prevenção, conscientização e combate a crimes digitais, gestão de segurança, governança de dados, inovação e desenvolvimento seguro”.
No entendimento da Febraban, “o sistema bancário possui robustas estruturas de monitoramento de seus sistemas e utiliza o que há de mais moderno em termos de tecnologia e segurança da informação, tais como mensageria criptografada, autenticação biométrica, tokenização, os quais são continuamente aprimorados, considerando os avanços tecnológicos e as mudanças no ambiente de riscos”.
Ainda segundo a entidade, “a segurança de seus clientes é prioridade, e os bancos associados têm a estimativa de investir neste ano R$ 47,8 bilhões em tecnologia, sendo que 10% deste total voltado para a cibersegurança”. Parece bem convincente. Segundo o BC, “em caso de descumprimento das normas editadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central do Brasil (BCB) que estabelecem diretrizes e comandos prudenciais e de conduta para a mitigação dos riscos operacionais e tecnológicos incorridos pelas instituições financeiras, entre os quais se incluem eventos relevantes de vazamentos de dados, mas não se limitam a esses, as instituições ficam sujeitas às sanções administrativas previstas na Lei 13.506 e normas infralegais aplicáveis”.
Já não parece tão convincente. Não se tem indícios, mesmo que preservados os nomes dos bancos, de medidas profiláticas ou sanções aplicadas pelo BC a instituições financeiras devido à exposição de dados de clientes. Como fica tudo como está, parece normal que um mesmo banco possa ter episódios recorrentes de vazamentos.
A XP, por exemplo, é reincidente. Em 2017, informações como nome, CPF, telefone, e-mail e até mesmo número de contas de aproximadamente 29 mil clientes foram expostos. Os criminosos chegaram a enviar mensagens aos próprios investidores. Como se soube à época, a fragilidade na proteção de dados remonta a 2013. Nesse ano, conforme amplamente divulgado pela mídia, hackers invadiram o sistema da XP e roubaram informações cadastrais.
Na mesma época, os cibercriminosos conseguiram, inclusive, desviar cerca de R$ 500 mil de três clientes – posteriormente ressarcidos pelo banco. No episódio mais recente, o banco de Guilherme Benchimol enviou um comunicado a seus clientes apenas em 24 de abril, 32 dias depois de tomar conhecimento, em 22 de março, de que “uma base de dados que se encontrava hospedada em um fornecedor externo da XP teve um acesso não autorizado”. No caso em questão, não basta à XP proteger os dados de seus clientes com extrema segurança. É preciso parecer radicalmente que a XP protege os dados de seus clientes com extrema segurança.
No próprio mercado, a extensa rede de agentes autônomos da XP, seu grande trunfo comercial, é vista como um ponto sensível em termos de proteção de dados. São mais de 400 escritórios e 15 mil agentes, cada qual com acesso a um volume expressivo de dados de clientes. Essa atomização da estrutura de atendimento e da gestão de investimentos levanta algumas dúvidas: a pulverização da força de venda da XP, com a existência de centenas de agentes autônomos, é um fator de vulnerabilidade em termos de segurança da informação?
A XP dispõe de um plano de contingência para episódios como este, que padronize os procedimentos a serem adotados pela própria instituição e por seus agentes autônomos? Qual é o grau de acesso dos agentes autônomos aos sistemas da XP? O RR fez essas perguntas ao próprio banco, que não respondeu especificamente aos questionamentos. A instituição ficou restrita a assertivas óbvias. Afirmou que “os recursos dos clientes e da própria instituição estão seguros, protegidos e não sofreram qualquer tipo de impacto”. Que “os clientes podem continuar a operar com total segurança.”
Estranho que banco tenha dito que “adotou todas as medidas adicionais de segurança para solucionar o fato”. Ora, deveria ter tomado as providências antes da infração, e não depois. E essas medidas deveriam ser obrigatórias e não adicionais. O RR perguntou à XP quais foram as “medidas de segurança” adotadas para solucionar o fato. Mas uma vez, o banco preferiu não responder. É compreensível que a XP não queira cutucar o vespeiro. Depois da repetição da falha de segurança, é de se imaginar que a instituição financeira fará o possível e o impossível para que não ocorra um novo episódio da mesma espécie. Há muito capital reputacional em jogo.
Plano de expansão da Rede D’Or prevê mil novos leitos em 2025
6/05/2025A rede D’Or trabalha, a portas fechadas, com a meta de abrir mais de mil leitos ao longo de 2025. O número, ressalte-se, contempla apenas investimentos no greenfield, sem eventuais aquisições. Será uma das maiores expansões do grupo hospitalar em um único ano. Para efeito de comparação, em 2024, foram implantadas 259 unidades. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a empresa quase bateu este número, ao atingir mais de 240 novos leitos. São dados que podem mexer com as expectativas do mercado em relação à rede D’Or. A família Moll, acionista controladora, tem como um de seus maiores desafios recuperar o valuation do grupo D’Or. Desde o IPO, em dezembro de 2020, a companhia perdeu mais de 51% do seu valor de mercado. Procurada pelo RR, a Rede D’Or não se manifestou.
Ferrogrão provoca divisões dentro do governo Lula
6/05/2025Ainda que involuntariamente, o STF está prestando um favor ao governo Lula ao manter suspensa a construção da Ferrogrão. O projeto é responsável por um racha interministerial. O ministro dos Transportes, Renan Filho, mantém articulações junto ao Supremo com objetivo de destravar os estudos para a implantação e licitação da ferrovia. O processo está parado desde 2021 por decisão da Corte, por questionamentos ao impacto ambiental da Ferrogrão, notadamente sobre o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. Renan ainda vislumbra a hipótese, cada vez mais remota, de realizar o leilão de concessão até o fim do atual governo. Em jogo, um empreendimento da ordem de R$ 30 bilhões. O ministro dos Transportes tem como principal aliado o colega da Agricultura, Carlos Fávaro. Em contrapartida, duas vozes se levantam dentro do governo contra a Ferrogrão: as das ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. Segundo levantamento das duas Pastas, o traçado de mais mil km da ferrovia afeta seis terras indígenas, três povos isolados e 17 unidades de conservação ambiental. Diante de um governo que bate cabeça, talvez seja melhor mesmo o STF deixar o projeto na geladeira.