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Ecorodovias ensaia seu retorno aos leilões de estradas federais
6/06/2025
Lançamento de títulos do Tesouro no exterior foi combinado com os bancos brasileiros
6/06/2025O lançamento de US$ 2,75 bilhões em títulos do Tesouro Nacional, realizado na última quarta-feira, aparentemente teve um único propósito: servir como atestado da credibilidade do Brasil no exterior. De acordo com um analista assentado na Faria Lima, isso explicaria a colocação de um volume tão reduzido – e desnecessário – de papéis em uma operação isolada.
Esta teria sido a forma encontrada pela equipe econômica para mostrar que a piora da nota de crédito do país de “positiva” para estável, decretada pela Moody’s na semana passada, não deixou fuligem na reputação soberana do Brasil junto aos investidores internacionais. Uma montagem de efeito demonstração, milimetricamente calculada, que ganhou destaque em todos os veículos de mídia. De acordo com a mesma fonte, a emissão se deu a partir de um acordo com a banca privada nacional, que teria assegurado a compra de grande parte dos títulos ofertados.
Ou seja: o governo procurou fechar qualquer brecha capaz de gerar um efeito contrário, isto é, de levantar dúvidas quanto à percepção de risco do Brasil no exterior. No melhor estilo Tancredo Neves, que dizia só enviar uma carta quando já sabia qual seria a resposta, a equipe econômica apertou o gatilho da operação com a certeza de que havia garantia de compra dos papéis. Mesmo porque, nesse caso específico, é impossível decantar o interesse público do privado.
Está tudo junto e misturado. Não custa lembrar que a Moody’s também revisou de “positiva” para “estável” a perspectiva de 21 bancos brasileiros, nas avaliações de depósitos de longo prazo, ratings de dívida sênior sem garantia de longo prazo e de emissor, quando aplicável.
Entende-se o excesso de prudência do governo ao acolchoar a emissão de títulos do Tesouro com tamanho cuidado. Grassam dúvidas, justificáveis, em relação à eficácia do ajuste fiscal – dúvidas estas que tendem a se acentuar com a proximidade de 2026 e da planilha de gastos eleitoreiros que virá a reboque. Curioso é que a medida foi aceita até com uma certa bonomia pelo mercado.
Ou melhor dizendo, desprezo pela interpretação contrafactual. De toda a forma, não obstante a entropia das contas públicas, há sólidos fundamentos macroeconômicos que não podem ser ignorados. O país detém US$ 341 bilhões em reservas cambiais. É o segundo credor líquido de títulos do Tesouro norte-americano.
A estimativa de superávit comercial para este ano supera US$ 70 bilhões. A dívida externa brasileira é pequena. O investimento estrangeiro direto é crescente. Em abril, chegou a US$ 5,4 bilhões, acima dos US$ 4 bilhões projetados e dos US$ 3,8 bilhões registrados no mesmo mês no ano passado.
Natura volta ao passado e mira expansão na América Latina
6/06/2025O novo CEO da Natura, João Paulo Ferreira, vai avançar na estratégia “retrô” iniciada por Fabio Barbosa, agora alçado à presidência do Conselho de Administração. Por estratégia “retrô” leia-se, sobretudo, investir na expansão da própria marca Natura no exterior. Segundo o RR apurou, além da já anunciada ampliação da rede no México, a empresa planeja abrir outras cinco lojas na Colômbia em até um ano – hoje são três estabelecimentos. A gestão da companhia enxerga espaço também para duplicar sua presença no Peru, onde soma dez lojas. Hoje, diga-se de passagem, a maior operação na América do Sul, fora o Brasil, está no Chile, com 30 pontos de venda. Esse revival, com o crescimento exclusivamente da marca Natura no exterior, se contrapõe à grande investida internacional iniciada pela empresa na década passada, que a levou à aquisição de grifes globais da área de cosméticos, como Aesop, The Body Shop e Avon. Das três, as duas primeiras já foram vendidas. A Avon, por sua vez, foi destrinchada, e a gestão de Ferreira tem a missão de concluir o que a administração de Fabio Barbosa não conseguiu: vender as operações da empresa fora da América Latina. Procurada pelo RR, a Natura não quis comentar o assunto.
Hidrogênio verde entra no rol de investimentos da GWM no Brasil
6/06/2025O investimento da Great Wall Motors (GWM) no Brasil irá além da fabricação de automóveis. A FTXT (GWM Hydrogen), braço de energia limpa do grupo, está desembarcando no país. Há informações no setor de que os chineses vão desenvolver projetos de produção de hidrogênio verde – as portas estariam abertas para possíveis parceiros. A prioridade será o suprimento da fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), parte de um pacote de investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil. No entanto, os planos da FTXT contemplam também a venda de energia para terceiros. A companhia firmou um acordo de cooperação com a Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais, voltado à transferência e ao intercâmbio de tecnologias associadas ao uso de hidrogênio verde em caminhões e outros veículos. Fundada há pouco mais de cinco anos, a FTXT tem cinco centros de pesquisa e desenvolvimento, dois deles na China e os demais no Japão, Alemanha e Canadá. O Brasil está prestes a estacionar nesse seleto clube.