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Kinea avança a passos largos no capital da LWSA
28/08/2025Circula no mercado que, nos últimos dois dias, a Kinea, leia-se Itaú, voltou a atuar fortemente na ponta compradora de ações da LWSA, a antiga Locaweb. A gestora de recursos já teria ultrapassado os 10% de participação no capital da empresa de tecnologia – há pouco mais de um mês, essa fatia era de apenas 5%. Com isso, tornou-se o terceiro maior acionista, atrás do bloco formado pelos acionistas fundadores (28%) e pela norte-americana General Atlantic (15%). A investida tem alimentado especulações sobre a disposição da Kinea de participar da gestão da LWSA, com a indicação de um representante para o Conselho.
Alvo da Operação Carbono Oculto, Reag cresceu 14 vezes em cinco anos
28/08/2025A Operação Carbono Oculto, deflagrada hoje pela Receita e pela Polícia Federal, lança luz sobre a Reag Investimentos e seu frenético crescimento. Em 2020, a gestora de João Carlos Mansur somava apenas R$ 21 bilhões em ativos. Três anos depois, pulou para R$ 163 bilhões. Neste ano, bateu a marca de R$ 300 bilhões sob gestão. Ou seja: em cinco anos, a Reag multiplicou sua base de ativos em 14 vezes. Nesse período, a firma de investimentos fez mais de uma dezena de aquisições – a maior delas, a da Empírica, que à época (junho de 2024) somava cerca de R$ 9 bilhões em ativos. Não obstante a sequência de M&As, a maior parte do crescimento se deu de forma orgânica, com captação junto a clientes. Hoje pela manhã, a Reag foi um dos 350 alvos de mandados de busca e apreensão na megaoperação da Receita e da PF que investiga o envolvimento do crime organizado, notadamente o PCC, em setores formais da economia. Em nota à imprensa, a Reag afirmou que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados”. A companhia diz ainda que “permanecerá à disposição para esclarecimentos” e que manterá acionistas e o mercado informados sobre o caso.
Até quando o BC vai se sentar em cima da operação BRB-Master?
28/08/2025BRB e Master tornaram-se protagonistas involuntários de uma versão bancária da Divina Comédia de Dante. No papel de Caronte, o Banco Central. Ainda que não seja por deliberada intenção, mas por omissão, o BC age como se quisesse carregar a associação entre as duas instituições financeiras diretamente para o inferno. Se, neste momento, há um fator de risco nessa operação, ele não está em nenhuma das partes.
147 dias já se passaram desde que o BRB anunciou a compra de 49% das ações ordinárias e de 100% das ações preferenciais do Master sem que o BC tenha dado seu veredito. E sem qualquer horizonte de quando o fará – o Cade, por exemplo, chancelou o acordo em 81 dias; a Assembleia Legislativa do Distrito Federal, por sua vez, também já deu seu aval no último dia 19 de agosto.
A demora do BC ultrapassa o tempo gasto pela autoridade monetária para apreciar outras negociações no setor bancário. Apenas a título de comparação, vamos a alguns exemplos. A aprovação da venda do Conglomerado Alfa para o Banco Safra demorou 139 dias. A autorização para a compra da Avenue Holding pelo Itaú Unibanco saiu em 82 dias. A transferência dos ativos do Credit Suisse no Brasil para o UBS, no âmbito de uma operação de abrangência global, recebeu o nihil obstat do BC em apenas 60 dias.
Proporcionalmente, no entanto, talvez nada supere a venda em pele de fusão do Unibanco para o Itaú. O BC aprovou o negócio em 107 dias, praticamente em regime de fast track se levarmos em consideração as delicadas circunstâncias que cercavam a operação. O próprio Master já conheceu esse lado mais resoluto e menos procrastinador do Banco Central. No ano passado, o BC autorizou a aquisição do Banco Voiter em apenas 49 dias.
O RR encaminhou uma série de perguntas de perguntas ao Banco Central, mas a instituição não quis se manifestar.
O que chama mais atenção é que BRB e Master já atenderam a todos os requerimentos do Banco Central. Segundo o RR apurou, o BC solicitou informações adicionais sobre 21 tópicos da operação, todas já fornecidas entre julho e o início de agosto.
As duas instituições também já cumpriram uma série de recomendações, orientações e exigências para a aprovação do negócio. Desde o anúncio do acordo, por exemplo, o Master recebeu dois aportes de capital do seu acionista controlador, Daniel Vorcaro, cada um no valor de R$ 1 bilhão.
O próprio Vorcaro vendeu cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos de sua propriedade (entre os quais participação societária de 15,2% na Light e de 8,1% na Méliuz e um imóvel do Hotel Fasano) para injetar recursos no banco. Ao todo, os ajustes feitos pelo Master desde o anúncio da operação com o BRB somam algo em torno de R$ 23 bilhões.
A demasiada demora na análise da operação pelo Banco Central, os excessivos óbices colocados no percurso e mesmo as informações desencontradas que saem de dentro do próprio órgão regulador têm contribuído apenas para aumentar a percepção de fragilização do negócio e, no limite, do próprio BRB e do Master.
É como se o BC, ao postergar a solução, estivesse concorrendo para que as previsões menos favoráveis sobre o acordo se transformassem em uma profecia autorrealizável. Os movimentos erráticos do órgão regulador causam insegurança e surgem como um fator de depreciação dos ativos do BRB e do Master, além de fomentar toda uma narrativa contrária à operação que vem sendo alimentada desde a primeira hora por interesses difusos e motivações inconfessáveis.
Essa máquina difamatória elevou artificialmente a associação entre o BRB e o Master à enésima potência em termos de percepção de risco sistêmico e impacto sobre o setor bancário. E o BC pouco ou nada tem ajudado a conter esse jogo de intrigas.
Vide o próprio noticiário. Segundo levantamento exclusivo feito pelo RR, desde o anúncio da operação, em 28 de março deste ano, os 40 veículos jornalísticos de maior audiência do país publicaram até o dia de ontem 13.249 menções ao acordo entre BRB e Master.
Desse total, 38% fazem menção a risco sistêmico, o que mostra o quanto essa ideia está entranhada. Entre as citações, 22% delas trazem algum tipo de ilação sobre irregularidades. E 52% se referem a exigências e questionamentos do próprio BC, a uma aludida resistência do órgão regulador e consequentemente a dúvidas sobre a aprovação ou não do negócio.
Ou seja: se existe uma percepção de risco permeando a entrada do BRB no capital do Master, o BC tem sua cota de contribuição.
Para além do impacto direto sobre BRB e Master, a morosidade na análise da associação trava o surgimento de um novo player do setor bancário e, mais do que isso, de um novo perfil de competidor.
Uma vez juntos, BRB e Master formarão uma espécie híbrida, um banco comercial composto por capital público e privado com forte atuação no middle market, especialmente no financiamento de empresas de médio porte, e uma expressiva operação na área digital, por meio notadamente do Will Bank, instituição controlada pelo Master que soma nove milhões de contas cadastradas.
Guardadas as devidas proporções, um modelo de negócio que carrega algumas similaridades com players bancários da Europa que combinam investidores mistos. Apenas a título de exemplo, pode-se citar o ProCredit Bank AG, da Alemanha, que reúne acionistas privados, como o Zeitinger Invest, e públicos, como o KfW (Kreditanstalt für Wiederaufbau), um dos maiores bancos de fomento do mundo.
Na Suíça, há os chamados bancos cantonais, como o Banque Cantonale Vaudoise, o Banque Cantonale de Genève e o Basler Kantonalbank (BKB), da Basileia, nos quais também coabitam sócios privados e estatais, em sua maioria a própria administração pública dos respectivos cantões.
Não deixa de ser curioso. Na contramão do desmonte dos bancos estatais, iniciado no governo FHC com as privatizações do setor, a associação entre BRB e Master desponta com um movimento capaz de dar a uma instituição financeira pública maior poder de competição e punch comercial para deslocar mercado em nichos estratégicos.
De fato, há muito em jogo. Com a palavra, o Banco Central.
Reag Investimentos busca o “perdão” da CVM
28/08/2025Há informações no mercado de que a Reag Investimentos vai apresentar à CVM uma nova proposta de termo de compromisso na tentativa de encerrar as investigações referentes à compra da GetNinjas. A primeira oferta de acordo feita pela gestora de João Mansur, que previa o pagamento de R$ 300 mil, acabou rechaçada pela autarquia. Conforme descrito no próprio Processo Administrativo Sancionador instaurado pela CVM (no 19957.018146/2024-16), “após analisar o caso, o Comitê de Termo de Compromisso (CTC) entendeu não ser conveniente e oportuna a aceitação da proposta apresentada, considerando (a) a gravidade do caso; (b) e que as referidas aquisições de participação acionária relevante foram seguidas de efetiva aquisição do controle da GetNinjas pelo Fundo Reag, sendo que, atualmente, esse fundo detém 65,018% do capital da Companhia”. Em contato com o RR, a CVM informou que, “a depender da análise concreta do caso, os acusados estarão sujeitos às penalidades dispostas no art. 11 da Lei 6385/76”. O referido artigo prevê penas que vão de advertência ou multa à inabilitação temporária de até 20 anos para o exercício de cargo de administrador ou de conselheiro fiscal de companhia aberta. Também consultada, a Reag não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Candidatos à aquisição empurram Virgo contra a parede
28/08/2025Em corner, Ivo Kos, fundador da Virgo, terá de aceitar uma série de exigências para conseguir vender a securitizadora. Segundo o RR apurou, os interessados já colocaram sobre a mesa rigorosas condicionalidades para a conclusão do negócio, a começar por cláusulas de rompimento automático da operação em caso de sanções por parte da CVM. Reag e Pátria estão entre os candidatos à aquisição, conforme informou o Pipeline, do Valor Econômico. A Virgo passar por um momento delicado, tanto do ponto de vista financeiro quanto reputacional. A CVM abriu um processo para investigar a instituição financeira por possíveis irregularidades no uso de recursos de fundos de reserva de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio). A denúncia foi levada à autarquia pelo ex-head de Investment Banking da Virgo, Eduardo Levy. Procurada, a Virgo não se manifestou.
Licenciamento ambiental: Marina tem pressa; Planalto nem tanto
28/08/2025A nova lei do licenciamento ambiental tem causado mal-estar dentro do governo, notadamente entre a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a articulação política do Palácio do Planalto, à frente Gleisi Hoffmann. Marina quer acelerar a tramitação do projeto na Câmara e no Senado. No entanto, no cálculo do Planalto, não é hora para ter pressa. No fundo, o governo tenta evitar o inevitável: mais uma derrota no Congresso, com a derrubada dos 63 vetos de Lula à nova lei. A bancada do agro já está mais do que mobilizada para ceifar as mudanças feitas pela Presidência da República.