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Empresa
Jogo de empurra trava reestruturação da enferma Oncoclínicas
9/06/2026A Oncoclínicas está presa em um looping. Segundo o RR apurou, os investidores com os quais a empresa tem conversado exigem que a rede de clínicas avance com a sua recuperação extrajudicial para só então aportar recursos no negócio. Há três fundos do outro lado da mesa e todos querem garantias mínimas de equacionamento do passivo de R$ 3,2 bilhões. Ocorre que, na mão contrária, os principais credores da Oncoclínicas já sinalizaram que só darão sinal verde para a REJ após a companhia receber uma capitalização. Ou seja, investidores e bancos lançam a bola um na direção do outro. A tomografia financeira da Oncoclínicas ajuda a explicar o temor a cautela de ambos os lados. No primeiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais de três vezes a perda registrada um ano antes. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.
A alavancagem chegou a 5,2 vezes o Ebitda ajustado, ante 3,5 vezes no trimestre anterior.
No meio desse jogo de empurra, a Oncoclínicas agoniza. A companhia precisa de uma capitalização da ordem de R$ 500 milhões para manter sua operação. No momento, sobrevive graças a um empréstimo de R$ 150 milhões da Lumina, que possibilitou a retomada da compra de medicamentos e a recomposição de estoques. A empresa de medicina trabalha a toque de caixa na elaboração do seu pedido de recuperação extrajudicial, que deve ser protocolado ainda neste mês.
Destaque
Oncoclínicas entre a UTI financeira e a guerra societária
25/05/2026A Oncoclínicas é um enfermo em disputa sobre a mesa de cirurgia. Como se não bastassem as graves sequelas financeiras deixadas pelo Banco Master, a empresa está no centro de uma batalha societária. Corre no mercado que a Mak Capital voltou a comprar ações da Oncoclínicas na Bolsa. Já teria ultrapassado os 7% de participação no capital. A investida é um sinal de que os norte-americanos decidiram aumentar a aposta no embate societário com o Lumen Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito, de Arnoldo Wald Filho e Alexandre Wald, sob administração da Exa Capital. Em uma guinada até certo ponto surpreendente, o Lumen, detentor de 5% de participação, desbancou a Mak na última assembleia geral extraordinária, no fim de abril, elegendo três representantes para o Conselho da Oncoclínicas. Com isso, alcançou o mesmo número de integrantes da Mak, que esperava conquistar a maioria dos assentos do board, mas conseguiu apenas passar de dois para três conselheiros – ao todo, são sete cadeiras. Era a condição imposta pelos norte-americanos para liberar uma linha de crédito de até R$ 150 milhões à rede de clínicas oncológicas, que atravessa uma delicada situação financeira. A eleição redesenhou o mapa de poder da Oncoclínicas. Nesse contexto, a aquisição de ações sugere que a Mak pretende aumentar sua munição societária para voltar à carga, seja em nova rodada de pressão sobre o conselho, seja em eventual disputa futura por influência na companhia. Procuradas pelo RR, Oncoclínicas e Exa Capital não quiseram comentar o assunto. Também consultada, a Mak Capital não retornou.
Nesse contexto belicoso, há ainda a Latache, que desponta como uma espécie de tertius da disputa societária da Oncoclínicas. Dona de 14,6% da empresa de medicina, a gestora trava outro duelo, com a também norte-americana Centaurus, dona de 18,3% do capital. A Latache exige que a casa de investimentos texana lance uma OPA, alegando que ela descumpriu a pílula de veneno prevista no estatuto da Oncoclínicas, de 15%. Diante da gravidade da situação da Oncoclínicas, o que os fundos de investimento disputam? Mesmo com as suas moléstias financeiras, a empresa continua sendo um ativo de relevância no setor de saúde. A companhia reúne uma rede de aproximadamente 140 clínicas e unidades de atendimento e fatura mais de R$ 5 bilhões por ano, mantendo posição estratégica em um dos segmentos mais resilientes da medicina privada. No caso de uma reestruturação bem-sucedida – a “medicina financeira” evoluiu muito -, estar mais bem posicionado no capital e no conselho significará capturar a recuperação de valor da empresa.
Há muitas facetas na crise da Oncoclínicas. Em meio à contenda entre os investidores, o management da empresa se movimenta em busca de uma solução que eventualmente passe ao largo dos atuais acionistas. A companhia negocia uma capitalização de pelo menos R$ 500 milhões com três interessados, como parte do plano para protocolar uma recuperação extrajudicial – segundo informou o Pipeline, do Valor Econômico, na última quinta-feira. A operação está sendo estruturada pelo BR Partners. Dinheiro novo é apenas uma parte da equação. O plano prevê ainda alongamento e desconto no valor da dívida, com haircut ainda em discussão com os credores. A Oncoclínicas carrega um passivo de R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão em CRIs pulverizados. A régua do mercado é dura: uma estrutura minimamente equilibrada precisaria reduzir a dívida em pelo menos R$ 1,5 bilhão. Ou seja, a disputa societária se mistura agora à disputa pela caneta da reestruturação — quem aporta, quem aceita perder, quem dilui e quem fica de pé quando a cirurgia terminar.
A Oncoclínicas é um exemplo corporativo da devastação deixada pelo Banco Master. Em 2024, o banco surgiu como uma espécie de âncora de salvação da companhia ao liderar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão. O medicamento foi pior do que a doença. Parte relevante desses recursos foi aplicada em CDBs emitidos pelo próprio Master. Com o colapso da instituição financeira, a rede de clínicas oncológicas viu aproximadamente R$ 478 milhões ficarem travados nesses papéis, obrigando a empresa a reconhecer perdas e provisões bilionárias. O episódio atingiu em cheio a liquidez da Oncoclínicas justamente no momento em que o grupo já enfrentava forte pressão de endividamento, dificuldades para geração de caixa e necessidade urgente de refinanciamento. O efeito foi devastador: deterioração adicional do balanço, aumento da desconfiança do mercado e intensificação da disputa societária em torno do futuro da companhia.
A situação da Oncoclínicas se deteriorou a tal ponto que a própria auditoria independente coloca em dúvida a sobrevivência da rede de clínicas. No balanço do primeiro trimestre, a PwC alertou sobre “incerteza relevante” em relação à continuidade operacional da companhia. O parecer chama atenção para o capital circulante negativo de R$ 2,3 bilhões, decorrente sobretudo do descumprimento de índices financeiros previstos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures. Com a quebra dos covenants — a alavancagem chegou a 4,27 vezes dívida líquida/Ebitda, acima do limite contratual de 3,5 vezes — uma parcela significativa das dívidas foi reclassificada para o curto prazo, aumentando dramaticamente a pressão sobre o caixa da empresa.
Mercado
MAK empurra Oncoclínicas contra a parede em takeover camuflado
15/04/2026Negócios
Goldman Sachs planeja reduzir participação na Oncoclínicas
5/04/2023A Goldman Sachs, acionista majoritária da Oncoclínicas, com 62,1%, estuda reduzir sua participação na companhia, por meio de um block trade. O banco norte-americano chegou a ter 93% do capital, mas reduziu sua posição no IPO da companhia, em agosto de 2021. A Oncoclínicas vive em uma gangorra. Desde a abertura de capital, seu valor de mercado caiu quase 60%. No entanto, considerando um recorte mais recente, o papel está na maior cotação em quase um ano, sendo negociado na casa dos R$ 8,70.
A recuperação dos últimos meses reflete uma profunda reestruturação interna, com impacto nos resultados. Em outubro de 2021, Bruno Ferrari, um dos fundadores do grupo, assumiu a presidência, em substituição a Luis Natel. À época, a gestão de Natel estava desgastada pela queda dos resultados e por uma crise de confiança no mercado. No ano passado, a Oncoclínicas reagiu: registrou um lucro líquido de R$ 113 milhões, contra um prejuízo de R$ 22 milhões no ano anterior A companhia teve ainda um Ebitda da ordem de R$ 673 milhões, alta de 80% em relação a 2021. Procuradas pelo RR, Goldman Sachs e Oncoclínicas não quiseram se manifestar.
Tratamento demorado
21/10/2022O programa de recompra de ações da Oncoclínicas, aprovado em julho, ainda está longe de atingir seu objetivo: devolver o preço do papel ao patamar mais alto do ano, em torno de R$ 10. A ação vem sendo negociada na casa dos R$ 7. Desde o IPO, em agosto de 2021, a Oncoclínicas só murchou na bolsa. Seu valor de mercado despencou de R$9 bilhões para R$ 3,5 bilhões.