Arquivos Oncoclínicas - Relatório Reservado

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Destaque

Acionistas da Oncoclínicas ameaçam judicializar disputa por OPA

15/07/2026
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O litígio societário na Oncoclínicas deverá escalar mais um degrau. Segundo o RR apurou, a Latache, gestora de Renato Azevedo e dona de 14,6% do capital, e a Associação Brasileira de Investimento, Crédito e Consumo (Abraicc), que representa um conjunto de minoritários detentores de 16%, discutem medidas mais drásticas na disputa contra a norte-americana Centaurus Capital, controladora do fundo Josephina III – principal acionista da empresa, com 31,83%. O que está em jogo é a obrigatoriedade ou não de a Centaurus lançar uma OPA para a aquisição de todas as ações em mercado. A oferta, se realizada, teria valor estimado de aproximadamente R$ 6 bilhões (preço superior a R$ 16 por ação), enquanto as ações ONCO3 são negociadas a cerca de R$ 0,77. Latache e Abraicc avaliam a abertura de um processo arbitral ou mesmo de uma ação judicial. Nesta segunda hipótese, deve sobrar para a própria CVM. De acordo com a mesma fonte, os investidores partiriam para questionar na Justiça a condução do processo administrativo pela autarquia.

Ressalte-se que a Abraicc, em nome dos minoritários, já apresentou reclamações formais à Corregedoria da CVM e à Controladoria-Geral da União, além de pedir ao colegiado da autarquia o afastamento da Gerência de Registros 1 (GER-1), vinculada à Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da autarquia, da condução do caso. Essa solicitação foi protocolada em maio de 2026, mas a Procuradoria Federal Especializada da CVM rejeitou o pedido de avocação do processo. A associação alegou “quebra objetiva de imparcialidade”, citando, entre outros pontos, o envio de um ofício para endereço incorreto, a concessão de apenas 24 horas para resposta e a falta de acesso integral aos autos naquele momento. Procurada, a Latache não se manifestou. O RR também tentou contato com a Abraicc, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Por sua vez, a CVM limitou-se a dizer que “o tema objeto de sua demanda está sendo analisado no âmbito do processo CVM 19957.003474/2025-07” – e que “as áreas técnicas da CVM não comentam casos específicos”.

Segundo a fonte do RR, Latache e Abraicc já trabalham com o cenário de uma derrota no âmbito administrativo, no julgamento na CVM. A percepção da gestora de Renato Azevedo e da entidade é que o colegiado da Comissão deverá referendar o parecer da área técnica emitido em 30 de junho, contrário à necessidade de realização da OPA. O colegiado da CVM ainda julgará o recurso. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários concluiu que a reorganização envolvendo Goldman Sachs – que investiu na Oncoclínicas desde 2015, via fundos Josephina I e II -, Centaurus e seus respectivos fundos de investimento não acionou a cláusula estatutária que obriga a realização de uma oferta quando um investidor supera 15% do capital da Oncoclínicas. A Centaurus alega que já detinha, desde 2018, uma participação econômica indireta superior ao limite estatutário, por meio do fundo Josephina II, um veículo de coinvestimento controlado pelo Goldman Sachs (no qual a Centaurus figurava como sócia oculta com 31,8% de exposição econômica). Sob essa interpretação, a transferência das ações para um veículo exclusivo da gestora – o Josephina III – em novembro de 2024, não representou a entrada de um novo investidor, mas apenas a reorganização e a explicitação de uma posição preexistente. Os minoritários contestam justamente esse ponto. Até novembro de 2024, a Centaurus não aparecia diretamente como acionista da Oncoclínicas. Sua exposição estava abrigada em uma estrutura de coinvestimento comandada pelo Goldman Sachs, que detinha poderes discricionários sobre os ativos. O parecer da CVM reconheceu “zonas de fragilidade” nessa estrutura, mas entendeu que o estatuto não definia o conceito de “direitos sobre as ações” e que a exceção estatutária foi criada justamente para dispensar Centaurus e Goldman Sachs por serem grupos que já integravam a estrutura pré-IPO. A disputa societária ocorre em meio à grave crise financeira da Oncoclínicas. Na última segunda-feira, a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas financeiras quirografárias da ordem de R$ 5,1 bilhões. É mais uma das tantas chagas abertas pelas fraudes do Master. Fundos ligados ao banco de Daniel Vorcaro chegaram a ter quase 12% da empresa de medicina. Em uma engrenagem financeira circular, que se tornaria marca recorrente das operações do Master, a Oncoclínicas aplicou quase meio bilhão de reais em CDBs da própria instituição.

A operação societária que deveria reforçar o capital da companhia produziu o efeito inverso: deixou dinheiro preso, aprofundou a escassez de liquidez e abriu uma disputa adicional sobre as ações mantidas pelos veículos ligados ao Master. O rolo se refere ao aumento de capital de R$ 1,5 bilhão homologado em maio de 2024, do qual o Master subscreveu R$ 1 bilhão e o investidor Bruno Ferrari, fundador da companhia, R$ 500 milhões. Desse montante, parte foi aplicada pela própria Oncoclínicas em CDBs do Master. Dona de mais de 140 unidades em 40 cidades e receita líquida próxima de R$ 5,7 bilhões em 2025, a maior rede privada de tratamento de câncer da América Latina tenta respirar, após registrar prejuízo de R$ 3,67 bilhões no ano passado e ver seu caixa ser comprimido pela inadimplência de clientes e pela restrição de crédito de fornecedores.

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Empresa

Jogo de empurra trava reestruturação da enferma Oncoclínicas

9/06/2026
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A Oncoclínicas está presa em um looping. Segundo o RR apurou, os investidores com os quais a empresa tem conversado exigem que a rede de clínicas avance com a sua recuperação extrajudicial para só então aportar recursos no negócio. Há três fundos do outro lado da mesa e todos querem garantias mínimas de equacionamento do passivo de R$ 3,2 bilhões. Ocorre que, na mão contrária, os principais credores da Oncoclínicas já sinalizaram que só darão sinal verde para a REJ após a companhia receber uma capitalização. Ou seja, investidores e bancos lançam a bola um na direção do outro. A tomografia financeira da Oncoclínicas ajuda a explicar o temor a cautela de ambos os lados. No primeiro trimestre, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões, mais de três vezes a perda registrada um ano antes. O Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.

A alavancagem chegou a 5,2 vezes o Ebitda ajustado, ante 3,5 vezes no trimestre anterior.

No meio desse jogo de empurra, a Oncoclínicas agoniza. A companhia precisa de uma capitalização da ordem de R$ 500 milhões para manter sua operação. No momento, sobrevive graças a um empréstimo de R$ 150 milhões da Lumina, que possibilitou a retomada da compra de medicamentos e a recomposição de estoques. A empresa de medicina trabalha a toque de caixa na elaboração do seu pedido de recuperação extrajudicial, que deve ser protocolado ainda neste mês.

#Oncoclínicas

Destaque

Oncoclínicas entre a UTI financeira e a guerra societária

25/05/2026
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A Oncoclínicas é um enfermo em disputa sobre a mesa de cirurgia. Como se não bastassem as graves sequelas financeiras deixadas pelo Banco Master, a empresa está no centro de uma batalha societária. Corre no mercado que a Mak Capital voltou a comprar ações da Oncoclínicas na Bolsa. Já teria ultrapassado os 7% de participação no capital. A investida é um sinal de que os norte-americanos decidiram aumentar a aposta no embate societário com o Lumen Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito, de Arnoldo Wald Filho e Alexandre Wald, sob administração da Exa Capital. Em uma guinada até certo ponto surpreendente, o Lumen, detentor de 5% de participação, desbancou a Mak na última assembleia geral extraordinária, no fim de abril, elegendo três representantes para o Conselho da Oncoclínicas. Com isso, alcançou o mesmo número de integrantes da Mak, que esperava conquistar a maioria dos assentos do board, mas conseguiu apenas passar de dois para três conselheiros – ao todo, são sete cadeiras. Era a condição imposta pelos norte-americanos para liberar uma linha de crédito de até R$ 150 milhões à rede de clínicas oncológicas, que atravessa uma delicada situação financeira. A eleição redesenhou o mapa de poder da Oncoclínicas. Nesse contexto, a aquisição de ações sugere que a Mak pretende aumentar sua munição societária para voltar à carga, seja em nova rodada de pressão sobre o conselho, seja em eventual disputa futura por influência na companhia. Procuradas pelo RR, Oncoclínicas e Exa Capital não quiseram comentar o assunto. Também consultada, a Mak Capital não retornou.

Nesse contexto belicoso, há ainda a Latache, que desponta como uma espécie de tertius da disputa societária da Oncoclínicas. Dona de 14,6% da empresa de medicina, a gestora trava outro duelo, com a também norte-americana Centaurus, dona de 18,3% do capital. A Latache exige que a casa de investimentos texana lance uma OPA, alegando que ela descumpriu a pílula de veneno prevista no estatuto da Oncoclínicas, de 15%. Diante da gravidade da situação da Oncoclínicas, o que os fundos de investimento disputam? Mesmo com as suas moléstias financeiras, a empresa continua sendo um ativo de relevância no setor de saúde. A companhia reúne uma rede de aproximadamente 140 clínicas e unidades de atendimento e fatura mais de R$ 5 bilhões por ano, mantendo posição estratégica em um dos segmentos mais resilientes da medicina privada. No caso de uma reestruturação bem-sucedida – a “medicina financeira” evoluiu muito -, estar mais bem posicionado no capital e no conselho significará capturar a recuperação de valor da empresa.

Há muitas facetas na crise da Oncoclínicas. Em meio à contenda entre os investidores, o management da empresa se movimenta em busca de uma solução que eventualmente passe ao largo dos atuais acionistas. A companhia negocia uma capitalização de pelo menos R$ 500 milhões com três interessados, como parte do plano para protocolar uma recuperação extrajudicial – segundo informou o Pipeline, do Valor Econômico, na última quinta-feira. A operação está sendo estruturada pelo BR Partners. Dinheiro novo é apenas uma parte da equação. O plano prevê ainda alongamento e desconto no valor da dívida, com haircut ainda em discussão com os credores. A Oncoclínicas carrega um passivo de R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão em CRIs pulverizados. A régua do mercado é dura: uma estrutura minimamente equilibrada precisaria reduzir a dívida em pelo menos R$ 1,5 bilhão. Ou seja, a disputa societária se mistura agora à disputa pela caneta da reestruturação — quem aporta, quem aceita perder, quem dilui e quem fica de pé quando a cirurgia terminar.

A Oncoclínicas é um exemplo corporativo da devastação deixada pelo Banco Master. Em 2024, o banco surgiu como uma espécie de âncora de salvação da companhia ao liderar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão. O medicamento foi pior do que a doença. Parte relevante desses recursos foi aplicada em CDBs emitidos pelo próprio Master. Com o colapso da instituição financeira, a rede de clínicas oncológicas viu aproximadamente R$ 478 milhões ficarem travados nesses papéis, obrigando a empresa a reconhecer perdas e provisões bilionárias. O episódio atingiu em cheio a liquidez da Oncoclínicas justamente no momento em que o grupo já enfrentava forte pressão de endividamento, dificuldades para geração de caixa e necessidade urgente de refinanciamento. O efeito foi devastador: deterioração adicional do balanço, aumento da desconfiança do mercado e intensificação da disputa societária em torno do futuro da companhia.

A situação da Oncoclínicas se deteriorou a tal ponto que a própria auditoria independente coloca em dúvida a sobrevivência da rede de clínicas. No balanço do primeiro trimestre, a PwC alertou sobre “incerteza relevante” em relação à continuidade operacional da companhia. O parecer chama atenção para o capital circulante negativo de R$ 2,3 bilhões, decorrente sobretudo do descumprimento de índices financeiros previstos em contratos de empréstimos, financiamentos e debêntures. Com a quebra dos covenants — a alavancagem chegou a 4,27 vezes dívida líquida/Ebitda, acima do limite contratual de 3,5 vezes — uma parcela significativa das dívidas foi reclassificada para o curto prazo, aumentando dramaticamente a pressão sobre o caixa da empresa.

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Mercado

MAK empurra Oncoclínicas contra a parede em takeover camuflado

15/04/2026
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A Oncoclínicas diz ao mercado que “avalia alternativas”. Na prática, não tem nenhuma. O fracasso das negociações com Fleury e Porto apenas escancarou o que já era evidente nos bastidores: a companhia perdeu poder de barganha e passou a negociar sob pressão crescente de seus próprios credores e acionistas. Nesse vácuo, a MAK Capital assumiu o controle da mesa. O fundo americano vem escalando sua ofensiva para forçar o management da Oncoclínicas a aceitar os termos da sua proposta – na prática, um takeover envernizado com uma camada de aporte de capital. Em carta recente, a gestora classificou a situação da companhia como “crítica” e deixou claro que qualquer aporte está condicionado a uma reconfiguração profunda da governança, incluindo a troca do conselho de administração. O pacote ofertado pela MAK, de até R$ 500 milhões, impõe cláusulas que implicam tomada de controle. A proposta alternativa estruturada via FIDC, com cessão de recebíveis, funciona como um instrumento adicional de pressão: injeta liquidez no curto prazo, mas amarra ainda mais a empresa a condições duras de financiamento.  O timing joga a favor da blitzkrieg da MAK e da “rendição” da Oncoclínicas. Mesmo com a decisão cautelar da Justiça proferida na última segunda-feira, que a protege da cobrança de dívidas, a rede de clínicas segue com o caixa pressionado e graves dificuldades de honrar compromissos do dia a dia.

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Negócios

Goldman Sachs planeja reduzir participação na Oncoclínicas

5/04/2023
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A Goldman Sachs, acionista majoritária da Oncoclínicas, com 62,1%, estuda reduzir sua participação na companhia, por meio de um block trade. O banco norte-americano chegou a ter 93% do capital, mas reduziu sua posição no IPO da companhia, em agosto de 2021. A Oncoclínicas vive em uma gangorra. Desde a abertura de capital, seu valor de mercado caiu quase 60%. No entanto, considerando um recorte mais recente, o papel está na maior cotação em quase um ano, sendo negociado na casa dos R$ 8,70.  

A recuperação dos últimos meses reflete uma profunda reestruturação interna, com impacto nos resultados. Em outubro de 2021, Bruno Ferrari, um dos fundadores do grupo, assumiu a presidência, em substituição a Luis Natel. À época, a gestão de Natel estava desgastada pela queda dos resultados e por uma crise de confiança no mercado. No ano passado, a Oncoclínicas reagiu: registrou um lucro líquido de R$ 113 milhões, contra um prejuízo de R$ 22 milhões no ano anterior A companhia teve ainda um Ebitda da ordem de R$ 673 milhões, alta de 80% em relação a 2021. Procuradas pelo RR, Goldman Sachs e Oncoclínicas não quiseram se manifestar. 

 

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Tratamento demorado

21/10/2022
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O programa de recompra de ações da Oncoclínicas, aprovado em julho, ainda está longe de atingir seu objetivo: devolver o preço do papel ao patamar mais alto do ano, em torno de R$ 10. A ação vem sendo negociada na casa dos R$ 7. Desde o IPO, em agosto de 2021, a Oncoclínicas só murchou na bolsa. Seu valor de mercado despencou de R$9 bilhões para R$ 3,5 bilhões.

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