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A postura do governo Bolsonaro em relação à recente reunião do Conselho Internacional do Café (ICO) gerou insatisfação entre os grandes exportadores brasileiros. Segundo o RR apurou, o setor reivindicou ao governo para que o Brasil fosse representado pelo próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, ou pelo titular da Pasta da Agricultura, Marcos Montes. Nem um nem outro. O governo brasileiro despachou para Bogotá o embaixador em Londres, Marco Farani. O diplomata não é exatamente um estranho no tema. Tem, inclusive, atuado à frente de pautas do interesse do CNC (Conselho Nacional do Café), como a nova legislação da União Europeia, que impõe restrições à compra de produtos agrícolas sem a devida rastreabilidade. No entanto, os exportadores entendem que o governo brasileiro não deu a devida relevância ao momento. Desde fevereiro, o ICO é comandado pela brasileira Vanúsia Nogueira. Os exportadores defendem que a circunstância é favorável à costura de pautas comerciais de interesse do Brasil.
A norte-americana Apollo Capital Management, que soma mais de meio trilhão de dólares em ativos, está garimpando ativos em energia renovável no Brasil.
O fundo inglês Actis busca um comprador para a participação de 33% na Companhia Sulamericana de Distribuição CSD), rede de supermercados com 57 lojas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O ativo foi oferecido a uma grande gestora de private equity brasileira, com negócios no setor.
A Windey, uma das maiores fabricantes de turbinas para geração eólica da China, tem planos de entrar no Brasil. Na mira, o aguardado boom de usinas offshore no país.
A chinesa Shanghai Pengxin Group tem planos de investir na produção de soja no Piauí. Os asiáticos já estariam, inclusive, procurando terras no estado. Ressalte-se que o grupo já tem raízes fincadas no agronegócio brasileiro: por meio da subsidiária Hunan Dakang, é acionista da trading de grãos Fiagril.
Romeu Zema, que mergulhou de vez na campanha de Jair Bolsonaro, já teria feito duas indicações para o Ministério em caso de reeleição: o presidente da Fiemg, Flavio Roscoe, e o ex-secretário de governo de Minas Gerais, Igor Eto. Roscoe tem participado ativamente de eventos políticos da dupla “Bolsozema”. Eto, por sua vez, é homem de confiança de Zema – só deixou o secretariado para comandar a campanha do governador reeleito.
A Monte Rodovias estuda a emissão de debêntures incentivadas de infraestrutura. Seria uma estrada vicinal para a sua capitalização, depois que a empresa suspendeu seu IPO.
A campanha de Lula tem feito marcação cerrada sobre Romário. O escalado para a missão é o deputado estadual André Ceciliano, curiosamente derrotado pelo Baixinho na disputa pelo senado. O PT enxerga espaço para Romário, do partido de Jair Bolsonaro, virar casaca e apoiar Lula.
Antes mesmo de Jair Bolsonaro virar o jogo da reeleição, Paulo Guedes já está catando caquinho para fechar as contas fiscais a partir de 2023. Vale tudo, até soluções aparentemente pouco ortodoxas. A equipe econômica estuda uma nova proposta em torno da liberação dos jogos de azar no país.
A ideia seria vincular a abertura de cassinos à destinação de parte da arrecadação tributária para custear o Auxílio Brasil de R$ 600 durante os quatro anos de mandato. O caráter social do projeto seria uma forma de quebrar resistências à liberação do jogo no Brasil, que vêm, sobretudo, da comunidade evangélica. Não é pouco dinheiro que está em jogo.
Há estimativas de que a permissão para a abertura de cassinos no Brasil poderia gerar uma arrecadação da ordem de R$ 50 bilhões por ano. Ressalte-se que essa cifra ainda poderia ser aumentada com a regulamentação das apostas eletrônicas, leia-se a permissão para que sites internacionais se instalem formalmente no país. O projeto foi aprovado em 2018, mas até hoje o Ministério da Economia não concluiu a regulação da atividade.
“O FMI pode muito bem soltar um posicionamento sobre as declarações desabonadoras de Paulo Guedes em relação à agência. Se o Fundo colocar em dúvida os números apresentados pelo ministro da Economia, será bem pior do que se Guedes acatasse respeitosamente os dados divulgados pela instituição, ainda que discordando deles. Críticas aos critérios das contas do FMI se discutem internamente com a equipe técnica do Fundo.
A lavação de roupa do Guedes é pura campanha eleitoral”. A declaração acima foi dada ao RR por um ex-diretor do Brasil no FMI, ao ser perguntado sobre matéria publicada ontem pelo Valor Econômico abordando os números equivocados da macroeconomia nacional usados por Paulo Guedes para contestar o Fundo, em evento patrocinado pelo J.P. Morgan. Não fosse uma discussão fora do lugar apropriado, os termos deselegantes por si só já seriam suficientes para desautorizar o ministro.
Grosseria gera reações. Caso o problema ficasse apenas na esfera pessoal do ministro, as consequências recairiam em cima dele. Porém, no exterior, Guedes fala em nome do Brasil. Uma manifestação do FMI atrapalha a economia, o país e a própria credibilidade do governo. Pena que Guedes insista em modos de quem não está à altura do cargo.
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