Arquivo Notícias - Página 47 de 1963 - Relatório Reservado

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CPP amplia tese global de healthcare e volta os olhos ao Brasil

25/02/2026
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Circulam no mercado informações de que o Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments) — um dos maiores gestores de ativos do mundo, com mais de US$ 600 bilhões sob o seu guarda-chuva — tem planos de investir no setor de saúde no Brasil. O que se ouve no setor é que o fundo está prospectando negócios em infraestrutura hospitalar e clínicas de diagnóstico de alta complexidade. O CPP tem um histórico de investimentos globais em healthcare. O mais recente deles foi fechado há pouco mais de um mês: a formação de uma joint venture com a IRA Capital para adquirir e operar prédios médicos ambulatoriais nos Estados Unidos. Os canadenses aportaram US$ 143 milhões no negócio.

#CPP Investments

Entre o ocaso e a penúria, Imbel se torna uma estatal sem defesa

25/02/2026
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Não há soberania nacional, garantia de suprimento bélico ou preservação de tecnologias sensíveis que justifiquem a permanência da Imbel sob controle do Estado. Por qualquer ângulo que não seja o seu simbolismo para o Exército, a empresa já deveria ter encontrado uma solução pela via do mercado. A própria discussão nos Ministérios da Defesa e da Fazenda sobre a adoção de contratos de gestão, a exemplo do modelo cogitado para os Correios, como forma de reduzir sua dependência do Tesouro somente reforça que a companhia não anda mais com seus próprios pés. Se dependesse da avaliação técnica da equipe do Ministério da Fazenda, a solução poderia ser a sua simples privatização. Até porque existem candidatos manifestos. Segundo o RR apurou, nos últimos meses dois grupos da área de defesa levaram ao governo o seu interesse na compra da Imbel, inclusive com planos de investimento previamente definidos. No entanto, não encontraram um terreno favorável ao avanço nas conversas. Há também a dificuldade de formação de preço. Qual é o valor intangível que a empresa tem para o Exército?

Qualquer solução para a Imbel depende de uma articulação consensual com o estamento militar. Em contato com o RR, o Exército fez questão de ressaltar que a estatal “representa a capacidade fabril de produtos de defesa, os quais, muitas vezes são negados, tanto por empresas, como por governos”. A Força diz também que a companhia “funciona, ainda, como ‘braço fabril’ do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército”. Hoje, a instituição compra da estatal armamentos, explosivos, munições e equipamentos de comunicações e eletrônica. Perguntado sobre a possibilidade de privatização da Imbel, o Exército enfatiza que “a empresa, na condição atual, tem como responsabilidade assegurar a manutenção das capacidades das Forças Armadas, tendo como foco a política pública de servir ao Estado, ao invés de objetivar somente o lucro”. Há um fundo de verdade em todas as afirmações da Força. Mas, sem recursos, a Imbel é incapaz de cumprir esses objetivos. Os investimentos na companhia deveriam ser muito superiores. Porém, se praticamente todo o orçamento do Exército é alocado ao custeio de pessoal, sobram migalhas para vitaminar a companhia.

Haveria formas e formas de vender a Imbel. E certamente todas passam pela preservação dos interesses estratégicos das Forças Armadas. O desenho da operação poderia — e deveria — incorporar salvaguardas contratuais explícitas. A venda do controle seria condicionada à celebração de contratos de longo prazo com o Exército, prevendo garantias mínimas de fornecimento, cláusulas de prioridade em situações de emergência, metas de investimento em P&D e manutenção de determinadas capacidades industriais consideradas estratégicas. Para os próprios investidores, um contrato estruturado com as Forças Armadas funcionaria como âncora de receita e mitigador de risco, reduzindo a incerteza típica do setor.

Hoje, há uma espécie de dilema de Tostines aplicado à Imbel: a estatal é dependente do Tesouro porque produz e fatura pouco ou produz e fatura pouco porque é dependente do Tesouro. Por uma lógica perversa, a garantia das verbas do erário pode estar por trás da ociosidade das fábricas, estagnação produtiva, dificuldade de desenvolvimento de novas tecnologias e equipamentos e falta de competitividade no mercado externo. O regime de empresa estatal federal dependente do Tesouro impõe uma série de amarras. Além da subordinação a recursos sujeitos a contingenciamentos, bloqueios, atrasos de liberação, essas companhias não controlam o próprio fluxo de caixa. Assim como suas congêneres, casos da Embrapa, Hemobrás, Conab, Codevasf, entre outras, a Imbel não tem previsibilidade plurianual. Indexada ao Orçamento da União, quando muito consegue enxergar no máximo um horizonte de 12 meses. Para uma indústria intensiva em capital – ao menos deveria ser -, essa incerteza é um tiro de canhão. Trava contratações de matéria-prima em maior escala e a possibilidade de um planejamento industrial de longo prazo – o que, em grande parte, ajuda a entender a ociosidade de suas cinco fábricas. O desenvolvimento de armas, munições e congêneres exige ciclos longos de P&D e alta capacidade de investimento contínuo. A Imbel não tem nem uma coisa nem outra.

A Imbel está presa a um círculo vicioso: recebe poucos recursos e entrega de volta ainda menos. Entre 2020 e 2024, os repasses do Tesouro à empresa somaram R$ 661 milhões. Já o faturamento da empresa no mesmo intervalo foi inferior: R$ 648 milhões. Ou seja: em uma conta meramente ilustrativa, para cada real recebido do erário, a Imbel gerou apenas R$ 0,98 em vendas. Ano após ano, a empresa apresenta indicadores financeiros esquálidos, proporcionalmente muito aquém das cifras movimentadas pela indústria de defesa. Em 2024, último dado disponível, a estatal teve uma receita de apenas R$ 166 milhões, alta de 8% em relação ao exercício anterior, e um lucro de R$ 9 milhões, queda de 90% em comparação a 2023.

No Ministério da Defesa e no Alto-Comando do Exército ricocheteiam discussões em relação ao futuro da Imbel. A ideia mais debatida é justamente sua transformação em empresa estatal não dependente do Tesouro e a consequente assinatura de um contrato de gestão com a Pasta da Defesa. Segundo uma fonte do RR, a solução poderia até passar pela criação de um híbrido de public company com golden share. Um ornitorrinco concebido com finalidade específica. Em contato com o RR, o Exército confirmou que a proposta do contrato de gestão “foi tratada em 2025, porém ainda não houve evolução do tema”. E ainda que haja, a essa altura essa é uma solução que não soluciona, dado o gap tecnológico, produtivo e comercial da Imbel.

Na prática, a Imbel é um conglomerado industrial heterogêneo e de escala limitada, com linhas que vão de armas leves a explosivos e insumos químicos, passando por munição de grosso calibre e equipamentos de comunicações/eletrônica. A quase totalidade da sua produção é absorvida pelas Forças Armadas. Exportações? Sabe-se que no passado a companhia vendeu armamentos para Botsuana, África do Sul, Estados Unidos e Austrália. Hoje, no entanto, não há qualquer dado sobre a inserção da estatal no mercado internacional de defesa.

A própria relação do Exército com a Imbel é um tanto quanto esquizofrênica. Ainda que por vias oblíquas, a estatal suga recursos do Ministério da Defesa que poderiam ser investidos diretamente no aparelhamento da Força. Ou seja: ambos disputam a mesma fonte pagadora. De toda a forma, apesar do atraso tecnológico e das restrições financeiras, o debate sobre a Imbel não pode ignorar que ela dispõe de ativos industriais associados à Base Industrial de Defesa que, ao menos em tese, possuem relativo valor estratégico. O que, aliás, se comprova pelo interesse de investidores privados. A venda do controle ajudaria, inclusive, a desatar outras amarras que vão além da questão orçamentária. Quando surgem oportunidades de exportação, que já são raras, a estatal por vezes esbarra em níveis intermediários da burocracia, que vão do Itamaraty à Pasta da Defesa até chegar ao próprio Palácio do Planalto. A decisão final é quase sempre política.

#Imbel

Será que Angra 3 estará nas cenas dos próximos capítulos da Âmbar?

25/02/2026
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A Eletronuclear é um jogo no qual os irmãos Batista entraram já antevendo o resultado final. A decisão da ENBPAr (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional) de abrir mão do direito de preferência sobre as ações da estatal em poder da Axia reforça a sintonia entre o governo Lula e Joesley e Wesley Batista. A coreografia de um parece feita sob medida para acompanhar os passos do outro. O movimento da ENBPar abre caminho para a Âmbar Energia, enfim, sacramentar a aquisição da participação da Axia na Eletronuclear. Para todos os efeitos, a União levou quatro meses para informar se exerceria ou não a opção de compra das ações. Mas, no setor, já era dado como certo que essa demora não passava de um filme de suspense fajuto. A questão que realmente prende a plateia é descobrir quais serão as próximas cenas dessa película. No fundo do cinema, surgem cochichos de que o governo poderá anunciar em breve um plano para a retomada das obras de Angra 3 com recursos federais. Para os novos sócios da Eletronuclear, não seria exatamente um plot twist.

#Energia

Riachuelo aperta o passo na corrida do varejo digital

25/02/2026
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A Riachuelo está indo ao mercado captar R$ 400 milhões com um olho no “velho” e outro no novo varejo. Segundo informações filtradas pelo RR, além da já anunciada abertura de lojas físicas, a rede de Flavio Rocha vai destinar uma parcela dos recursos para anabolizar seu e-commerce. Entre as prioridades da Riachuelo estão aprimorar a integração de estoques das lojas físicas e do online (ship-from-store), geração de tráfego próprio (social commerce/mídia) e logística. A maior preocupação é melhorar o sistema de distribuição para concorrer com os prazos de entrega cada vez menores ofertados pelos grandes players da área de varejo digital. Ressalte-se que a Riachuelo está longe de ser uma empresa “analógica”. Em 2025, o capex totalizou R$ 571,8 milhões, dos quais R$ 380,3 milhões foram destinados a Tecnologia & Transformação Digital. No ano passado, por exemplo, a companhia estreou no TikTok Shop com mais de cinco mil itens, apostando em lives e afiliados. Ainda assim, em um ambiente de concorrência cada vez mais acirrada, o desafio é transformar capex em prazo de entrega, conversão e recorrência. De um lado, está a feroz ofensiva dos marketplaces chineses no Brasil; do outro, a assimetria financeira do Mercado Livre, híbrido de e-commerce e fintech (Mercado Pago) – no ano passado, a companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 34 bilhões.

#Riachuelo

Zema abre vantagem sobre Tarcísio na “privatização” de escolas

25/02/2026
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Romeu Zema e Tarcísio de Freitas parecem disputar quem “privatiza” mais escolas no Brasil. Por ora, o mineiro leva ampla vantagem. E ela deve aumentar. O governo Zema tem feito estudos para conceder à iniciativa privada um novo lote de colégios da rede estadual no segundo semestre. Essa fornada envolveria cerca de 50 estabelecimentos da rede estadual. Em janeiro, o governo mineiro lançou o edital para contratos de reforma, conservação, manutenção, gestão e operação de serviços não pedagógicos de 95 escolas, por meio de PPP (Parceria Público-Privada). É de dar inveja a Tarcísio de Freitas. Até o momento, o seu governo anunciou a concessão de “apenas” 33 colégios em São Paulo.

#Romeu Zema

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