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Americana Ultradent lidera as apostas para ficar com a Surya Dental
28/07/2025A norte-americana Ultradent é apontada no mercado como forte candidata à compra da Surya Dental, distribuidora de produtos odontológicos do Grupo Elfa, por sua vez, controlado pela Pátria Investimentos. Com receita anual superior a US$ 750 milhões, a companhia sediada em Utah atua em mais de 130 países. O Brasil, onde está há 20 anos, é uma de suas maiores operações internacionais. Basta dizer que a fábrica de Indaiatuba (SP) é a única da Ultradent fora dos Estados Unidos. Do lado do Grupo Elfa, a decisão de venda da Surya faz parte da sua estratégia de desalavancagem. A sucessão de aquisições realizadas nos últimos anos, conduzida pelo Pátria, provocou um indesejável efeito colateral, com o aumento da dívida. No fim do ano passado, a relação dívida líquida/Ebitda chegou perto de quatro vezes. A Surya não é o único ativo sobre o balcão. A Elfa procura também um comprador para a Descarpack, fornecedora de materiais hospitalares – conforme informou o Pipeline, do Valor Econômico, no último dia 15 de julho.
Olhando para o dia 2 de agosto
28/07/2025A menos que Donald Trump desista inesperadamente do ultimato imperialista que lançou contra o Brasil, todos os produtos por nós exportados para os Estados Unidos estarão no dia 1º de agosto sobrecarregados com uma tarifa de 50%, o que corresponde na verdade a um embargo comercial. Os brasileiros não morrerão de fome como as crianças palestinas em Gaza sob o jugo genocida da dupla Trump-Netanyahu, porém os efeitos do tarifaço serão muito severos para alguns setores da economia, implicando perda de renda e desemprego quando não o fechamento de numerosas empresas.
É hora, pois, de pensarmos no “day after”, que para nós é o 2 de agosto, no famoso mês do desgosto assim chamado porque era quando as caravelas partiam de Portugal deixando chorosas as famílias dos bravos navegantes.
Ficamos sabendo pela mídia que o governo federal e alguns governos estaduais já preparam Planos B para auxiliar os setores atingidos, embora, segundo o que vazou, eles envolvam sobretudo empréstimos emergenciais. Sem desprezar a relevância dessas iniciativas, cumpre ter em mente que os recursos disponíveis são escassos e que o aumento da dívida do setor produtivo, mesmo em condições favoráveis de prazo e juros, não representa uma solução estrutural.
Em termos de retaliação direta, a primeira opção reside na aplicação da Lei de Reciprocidade com base na qual o governo poderia, por exemplo, aplicar tarifas sobre os produtos provenientes dos Estados Unidos e/ou tributar maiormente as remessas de dividendos de empresas norte-americanas. É fundamental que não caiamos nessas duas tentações porque a primeira só serviria para aumentar as pressões inflacionárias e a segunda para espantar o capital estrangeiro de todas as origens de que tanto necessitamos. Nada impede, contudo, que examinemos com cuidado a possibilidade de suspender as patentes de produtos farmacêuticos e sementes agrícolas detidas por grandes corporações norte-americanas, nesse caso com benefícios para o sistema de saúde e o agronegócio nacionais.
Paralelamente, cumpre buscar com afinco novos mercados para os bens afetados, porém sabemos que é impossível encontrar, a curto e médio prazos, consumidores para os grandes volumes de produtos agropecuários que vendemos tradicionalmente aos Estados Unidos. Uma alternativa seria vendê-los, a preços subsidiados, para as agências da ONU que cuidam de combater a fome em Gaza e outras regiões devastadas por conflitos que não ganham as manchetes de jornais.
No entanto, há um enorme mercado de mais de 200 milhões de consumidores que não aplica tarifas nem tem seu acesso dificultado por complexos problemas de logística: o Brasil brasileiro! Tratemos, assim, de comprar pelo menos parte dessas carnes, desses pescados, desses sucos de laranja, desses cafés e dessas frutas para reforçar as merendas escolares em todo o território nacional, para melhorar a qualidade das refeições servidas em restaurantes populares! Quem sabe essas medidas emergenciais só serão necessárias por alguns meses porque, quando os efeitos do embargo aos produtos nacionais chegar às prateleiras dos supermercados e aos balcões das lanchonetes, o imperador Donaldus verá que seu tiro saiu pela culatra.
Jorio Dauster é um colaborador especial do Relatório Reservado.
Governo Trump quer colonizar os minerais nucleares do Brasil
28/07/2025Ao ambicionar os minerais críticos do Brasil, os Estados Unidos olham não apenas a floresta, mas, sobretudo, a árvore. Para além das terras raras como um todo, objeto de cobiça das maiores potências internacionais, o governo de Donald Trump tem um interesse específico no subsolo brasileiro: os minérios nucleares, mais precisamente urânio e tório. Segundo informações que circulam em um seleto grupo de empresários do setor, os norte-americanos já colocaram sobre a mesa algumas de suas condições, vocalizadas pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, com quem Geraldo Alckmin conversou na semana passada, e pelo encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar.
A gestão Trump quer que o governo brasileiro assuma o compromisso de não restringir exportações dos minerais estratégicos. Trata-se de um pleito antigo dos Estados Unidos, que voltou à pauta, com força e intensidade redobradas, a partir do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Essa medida abriria caminho para o que realmente interessa aos norte-americanos: um acordo que lhes desse direito de preferência sobre os metais estratégicos brasileiros, com foco em urânio e tório.
Ainda não está claro como isso se daria na prática: se os Estados Unidos teriam acesso exclusivo ou prioritário ao excedente de produção ou uma fatia fixa sobre todos os recursos extraídos. O fato é que o governo Trump quer vestir essa camisa de força no Brasil, usando-a como dress code da sua diplomacia da chantagem. Seria o preço a ser pago para os Estados Unidos reduzirem as draconianas tarifas impostas sobre os produtos brasileiros.
O governo Trump tem como estratégia expandir fortemente a produção de energia nuclear. Atualmente, há pouco mais de 50 usinas em operação e 94 reatores ativos no país, com uma capacidade instalada em torno de 100 GW, o equivalente a 20% de toda a eletricidade consumida pelos norte-americanos. A meta da gestão de Donald Trump é quadriplicar essa produção até 2050.
O governo trumpista já anunciou a construção de dez grandes reatores, com cerca de 10 GW cada um, que deverão ser entregues até 2030. Nesse contexto, debaixo do guarda-chuva das terras raras – e dentro de um papel de subserviência -, os Estados Unidos enxergam no Brasil um potencial garantidor da sua segurança nuclear. O subsolo brasileiro concentra a sétima maior reserva de urânio do mundo.
Mais do que isso: o país é dono do segundo maior depósito de tório do Planeta, concentrando aproximadamente 20% das reservas conhecidas, algo como 630 mil toneladas. Trata-se de um ativo absolutamente estratégico, que valeria todo o tarifaço do mundo dentro da tortuosa e supremacista lógica de Trump de colocar o bode na sala e depois cobrar um preço elevado para tirá-lo. O pano de fundo, praticamente o papel de parede deste tempo, é a disputa geopolítica e geoeconômica com a China.
O país asiático está derivando para o tório como principal fonte de produção de energia nuclear. Recentemente, os chineses anunciaram a descoberta de uma reserva do minério na Mongólia Interior capaz de abastecer sua demanda energética pelos próximos 60 mil anos! A tentativa de colonização do subsolo brasileiro, notadamente no que diz respeito ao tório, não é uma prerrogativa de Donald Trump e muito menos uma novidade do século XXI.
Desde meados do século passado, os norte-americanos exercem pressão para controlar as reservas mundiais do minério, assim como do urânio. Na ocasião, o Brasil exportava areia monazítica, rica em tório, para os Estados Unidos. Esse comércio foi organizado a partir de dois acordos, um firmado em 1945 e outro em 1952.
No entanto, a exportação não gerava qualquer compensação específica para o Brasil. Em 1946, o Conselho de Segurança Nacional solicitou que o primeiro acordo fosse denunciado. Ainda assim, as exportações prosseguiram, para não falar do contrabando. Entrou em cena o vice-almirante da Marinha e cientista Alvaro Alberto da Mota e Silva, que dá nome ao submarino nuclear em construção pela Força Naval Brasileira.
Tido como grande idealizador do programa nuclear no país, o vice-almirante lançou uma campanha de nacionalização do tório e do urânio. Mais do que isso: foi o artífice do Princípio das Compensações Específicas, pelo qual nenhuma transação de minerais estratégicos deveria se realizar mediante pagamento em dinheiro, mas, sim, atrelada à troca de tecnologia. Tão ou mais importante do que a conclusão do submarino nuclear que batizará, talvez o maior tributo que o governo poderia fazer ao vice-almirante Alvaro Alberto é colocar à mesa das “negociações” com os Estados Unidos o Princípio das Compensações Específicas.
Um contencioso elétrico entre Norte Energia e ONS
28/07/2025A Norte Energia, leia-se Eletrobras, Neoenergia, Cemig, entre outros, tem feito uma operação de lobby de alta voltagem em Brasília, junto ao próprio ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A empresa busca apoio político para solucionar um contencioso com o Operador Nacional do Sistema (ONS) e, indiretamente, com a Caixa Econômica. O ONS solicitou ao banco estatal a execução de garantias financeiras contra a Norte Energia, alegando que a companhia não honrou compromissos referentes ao uso do sistema de transmissão. O que está em jogo é uma cobrança da ordem de R$ 500 milhões. A empresa obteve uma decisão judicial que lhe permite pagar o encargo proporcionalmente ao volume de energia injetado no sistema de transmissão e não pela disponibilidade da rede como um todo, como exige o Operador. A questão é das mais delicadas, tanto do ponto de vista regulatório e jurídico quanto, sobretudo, político. Se os acionistas da Norte Energia tentam angariar o respaldo do ministro Alexandre Silveira, há braços igualmente fortes na outra ponta do cabo de guerra. Grandes grupos da área de transmissão, a exemplo de Taesa, ISA Energia e EDP, pressionam pelo pagamento do valor relativo à disponibilidade da rede.
Quem vai cuidar das joias da Vivara?
28/07/2025No mercado, a leitura é que a indicação de Paulo Kruglensky para o board da Vivara representará, na prática, um downgrade do CEO da companhia, Icaro Borrello. Entre os investidores, predomina o entendimento de que Kruglensky não está voltando para ser apenas um conselheiro a mais e, sim, para ter ingerência direta na gestão executiva da companhia. Sobrinho do empresário Nelson Kaufman, fundador e principal acionista da Vivara, o executivo foi presidente da rede de joalherias entre 2021 e 2024. Em sua gestão, ganhou prestígio junto ao mercado por entregar resultados consistentes de forma sucessiva. Não por acaso, sua saída do cargo no ano passado, quando o próprio Kaufman assumiu a presidência, mergulhou a Vivara em uma crise de governança e de confiança, que levou à derrubada das ações. O resultado foi tão catastrófico que poucos dias depois o empresário deixou à gestão.