Arquivo Notícias - Página 11 de 1971 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Espanha emerge como novo polo da migração brasileira na Europa

5/06/2026
  • Share

Durante décadas, os Estados Unidos dominaram o imaginário migratório brasileiro do “El Dorado”. Era para lá que seguiam trabalhadores, estudantes e famílias em busca de oportunidades econômicas. Também era dos EUA que vinha a maior parte dos recursos enviados ao Brasil por emigrantes — valores que ajudam a equilibrar contas externas, consumo familiar e circulação de moeda estrangeira no país.

Levantamento realizado pelo RR com base em séries oficiais do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central do Brasil revela, porém, uma transformação silenciosa — e cada vez mais relevante — nas relações financeiras entre o Brasil e a Península Ibérica.

Nas séries selecionadas do BC para transferências pessoais, Portugal aparece como um dos principais corredores financeiros ligados à migração brasileira, atrás dos Estados Unidos, em volume absoluto entre os países analisados. O dado novo e mais relevante, contudo, é outro: a Espanha tornou-se o país europeu com maior crescimento proporcional das remessas de dólares por pessoas. Esse fenômeno pode estar associado ao crescimento da comunidade brasileira nos últimos anos, cerca de 25%.

Os números ajudam a explicar uma mudança geopolítica, econômica e migratória já perceptível nas ruas de Lisboa, Madri, Barcelona, Valência e Málaga: a Península Ibérica consolidou-se como o principal eixo migratório brasileiro na Europa.

Ainda assim, o fenômeno permanece relativamente subestimado nos corredores diplomáticos brasileiros, enquanto reclamações de migrantes sobre burocracia, moradia e regularização crescem em nas embaixadas de Portugal e Espanha.

Segundo dados da Agência de Migrações lusa (AIMA), Portugal possui atualmente cerca de 500 mil brasileiros entre residentes regularizados e pessoas em processo de regularização. Mas há quem estime que esse valor está subestimado por não levar em conta os detentores de dupla cidadania e os indocumentados.  Já Na Espanha, o Instituto Nacional de Estadística e o Ministerio de Inclusión, Seguridad Social y Migraciones apontam para uma comunidade brasileira já está próxima a 200 mil pessoas — número que continua em expansão.

Mais do que simples estatísticas migratórias, os fluxos cambiais mostram como essas comunidades passaram a movimentar uma economia transnacional própria, baseada em: remessas familiares; pagamento de aluguel; apoio estudantil; compra de imóveis; abertura de empresas; manutenção de famílias divididas entre continentes; e circulação permanente de capital entre Brasil e Europa.

Os dados do Banco Central sugerem que a migração brasileira para Portugal entrou numa fase de consolidação estrutural. Já a Espanha, parece viver o início de um novo ciclo migratório acelerado — semelhante ao observado em Portugal após a pandemia.

Portugal, corredor financeiro migratório do Brasil

Os dados de transferências pessoais do Banco Central mostram que Portugal permaneceu entre os principais destinos de remessas enviadas do Brasil ao exterior no primeiro trimestre entre 2020 e 2026.

 

Tabela 1 — Países para onde moradores do Brasil mais enviaram dólares
Transferências pessoais — despesa
1º trimestre de cada ano (jan–mar) — US$ milhões

País 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026* Total 2020–2026 Variação %
EUA 121 136 149 161 158 152 109 986 -9,9%
Portugal 77 92 103 118 111 106 82 689 +6,5%
Reino Unido 25 29 33 36 35 34 27 219 +8,0%
Canadá 18 22 27 31 30 29 24 181 +33,3%
Bolívia 16 19 24 27 25 24 19 154 +18,8%

Obs (*):  Dados do 1º trimestre de 2026.
 
Fonte: elaboração própria do RR com base no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central do Brasil. Dados trimestrais oficiais do 1º trimestre de cada ano (jan–mar), em US$ milhões. Séries utilizadas: EUA (24793), Portugal (24794), Bolívia (24795), Reino Unido (24796), Espanha (24797) e Canadá (24802). Última atualização disponível: 24/04/2026.

No acumulado do período analisado, Portugal recebeu US$ 689 milhões em transferências pessoais originadas no Brasil, apenas no recorte do primeiro trimestre de cada ano. O dado chama atenção por diversos fatores. Primeiro porque Portugal possui população muito inferior à dos Estados Unidos. Segundo porque o fluxo financeiro permaneceu elevado mesmo após: a crise habitacional portuguesa; a desaceleração econômica europeia; o endurecimento do debate político migratório; e os problemas administrativos enfrentados pela AIMA.

Os números sugerem que a migração brasileira para Portugal deixou de ser apenas conjuntural. Tornou-se estrutural.

O ciclo português desacelera, mas não desaparece

Os dados revelam outro movimento relevante: o ritmo de crescimento desacelerou fortemente após 2023.

 

Tabela 2 — Crescimento anual das transferências do Brasil para Portugal

Ano Crescimento anual
2021 +16,0%
2022 +12,8%
2023 +11,0%
2024 -3,8%
2025 -3,9%
2026 -24,3%

Fonte: elaboração própria do RR com base nas séries do SGS/Banco Central do Brasil.

 

O comportamento é compatível com uma onda migratória que amadureceu. Entre 2021 e 2023 houve: instalação familiar; pagamento de cauções imobiliárias; aluguel; compra de mobiliário; regularizações; abertura de atividade profissional; e envio intenso de capital inicial.

Depois disso, os fluxos tendem naturalmente a desacelerar porque muitos emigrantes já estão estabilizados financeiramente e administrativamente. Mas o ponto mais relevante é saber se Portugal continua ocupando posição importante na circulação financeira ligada à diáspora brasileira. Mesmo com: inflação imobiliária; crise de moradia; aumento dos aluguéis; desaceleração econômica; e maior burocracia migratória, os fluxos financeiros permanecem elevados.

Segundo o Banco de Portugal, o país enfrenta desaceleração do crescimento, pressão sobre o mercado imobiliário e perda de produtividade — fatores que afetam diretamente a comunidade migrante. Hoje, muitos brasileiros em Portugal movimentam recursos para: sustentar familiares no Brasil; manter imóveis; pagar cursos; financiar processos de nacionalidade; reorganizar patrimônios; ou investir entre os dois lados do Atlântico.

A Espanha será a nova Portugal?

Se Portugal representa uma migração brasileira consolidada, a Espanha começa a representar uma migração emergente e acelerada. Os volumes absolutos ainda são menores. Mas o crescimento proporcional chama atenção.

 

Tabela 3 — Países que mais enviaram dólares ao Brasil
Transferências pessoais — receita
1º trimestre de cada ano (jan–mar) — US$ milhões

País 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026* Total 2020–2026 Variação %
EUA 338 471 563 612 545 557 601 3.687 +77,8%
Portugal 51 66 79 88 91 97 103 575 +102,0%
Reino Unido 34 39 46 51 54 58 61 343 +79,4%
Suíça 28 31 36 41 43 45 48 272 +71,4%
Espanha 22 27 31 36 38 41 44 239 +100,0%

* Dados do 1º trimestre de 2026.

 
Fonte: elaboração própria do RR com base no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central do Brasil. Dados trimestrais oficiais do 1º trimestre de cada ano (jan–mar), em US$ milhões. Séries utilizadas: EUA (24781), Portugal (24785), Espanha (24786), Suíça (24787), Reino Unido (24789) e Canadá (24790). Última atualização disponível: 24/04/2026.

As séries do Banco Central indicam crescimento consistente das transferências pessoais associadas à comunidade brasileira na Espanha entre 2020 e 2026.

O movimento coincide com: expansão da comunidade brasileira; aumento do número de estudantes; flexibilização migratória; e maior atratividade econômica relativa no contexto ibérico.

Espanha flexibiliza entrada de migrantes; Portugal endurece as regras

A diferença entre Portugal e Espanha começou a ficar mais evidente após 2023. Portugal passou a discutir: endurecimento de regras migratórias; revisão das políticas de nacionalidade; aumento de exigências burocráticas; e mudanças no sistema de regularização.

Já a Espanha adotou movimento distinto. Segundo o Ministerio de Inclusión, Seguridad Social y Migraciones, Madri ampliou: mecanismos de regularização; vistos de estudo; autorizações de trabalho; permanência estudantil; e possibilidades de transformação de vistos temporários em residência.

Além disso, brasileiros possuem vantagem relevante no sistema espanhol: cidadãos ibero-americanos podem solicitar nacionalidade após dois anos de residência legal contínua.

Nas redes sociais de brasileiros residentes na Europa, tornou-se frequente a expressão: “A Espanha virou a nova Portugal.” A frase resume uma mudança importante: custo de vida relativamente mais equilibrado; cidades maiores; mercado imobiliário mais distribuído; maior dinamismo econômico; e menor saturação administrativa.

Madri, Valência, Málaga e Sevilha passaram a atrair perfis que antes escolhiam Lisboa ou Porto quase automaticamente.
Os dados do Banco Central mostram algo maior do que simples remessas familiares.

Eles indicam a formação de um corredor econômico transatlântico permanente entre Brasil, Portugal e Espanha, impulsionado por: migrantes; estudantes; trabalhadores remotos; famílias binacionais; aposentados; empreendedores; e comunidades digitais.

Os Estados Unidos continuam liderando em volume absoluto de transferências pessoais envolvendo brasileiros. Ainda assim, os dados sugerem que Portugal e Espanha consolidaram-se como dois dos principais eixos europeus da mobilidade financeira associada à diáspora brasileira.

Mais do que remessas familiares, os fluxos indicam uma reorganização estrutural da presença brasileira na Península Ibérica — fenômeno que tende a ganhar ainda mais relevância na próxima década.

Quem será o “Carlos Piani” da Copasa?

5/06/2026
  • Share
Com a Equatorial prestes a se tornar o acionista de referência da Copasa, o mercado já especula quem será o eleito para comandar a terceira maior empresa de saneamento do Brasil. O que se ouve nos bastidores é o que o nome dos sonhos do grupo seria o de Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo. Natália é hoje uma das autoridades mais influentes na agenda de concessões e obras públicas do país. À frente da Secretaria, foi personagem central na montagem da arquitetura regulatória, política e financeira que permitiu a privatização da Sabesp, da qual a própria Equatorial é investidora de referência. Em um paralelo quase automático, caberia a Natália uma missão similar à de Carlos Piani, o todo-poderoso CEO da Sabesp. Piani assumiu o cargo logo após a entrada da Equatorial no capital da empresa paulista, liderando um processo de choque de gestão, disciplina de capital e drástica mudança de cultura corporativa. Nada muito distante do que terá de ser feito na Copasa. No entanto, entre o desejo da Equatorial e a realidade há uma considerável distância, ainda mais em ano eleitoral. A contratação de Natália é vista como uma operação de altíssima dificuldade política. Ela ocupa uma posição estratégica no governo Tarcísio de Freitas, com status de “supersecretária”. Além disso, acumula o cargo com a coordenação da campanha de Tarcísio à reeleição.
Na bolsa de apostas para comandar a Copasa, outro nome citado no mercado nos últimos dois dias é o de Luciane Godinho Domingues, diretora de Regulação e Gestão de Energia da Sabesp. Antes de assumir o cargo, Luciane foi diretora de M&A e Novos Negócios da própria Equatorial entre 2017 e 2024. Ou seja: é uma “executiva da casa”. Independentemente de quem venha a ser o escolhido pela Equatorial, o fato é que o futuro CEO da companhia mineira terá de conduzir uma profunda reorganização empresarial. Para começar, a Copasa precisará investir bem mais do que os R$ 3 bilhões desembolsados no ano passado para acelerar obras de esgoto, tratamento e expansão da rede e atingir as metas do marco regulatório do saneamento. Sua cobertura de esgoto está em 80%, abaixo da exigência de universalização até 2033, com 99% de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Outro desafio será reduzir as perdas operacionais. Hoje, o desperdício de água da empresa mineira gira em torno de 35%. Trata-se de um índice inferior à média do mercado nacional (40%), o que não chega a ser exatamente um feito dado o baixíssimo padrão de eficiência do saneamento brasileiro – o benchmark internacional é da ordem de 15%. Mais uma vez, a inevitável comparação mora ao lado: a Sabesp opera com perdas abaixo de 30%.

#Copasa

Pátria e Kinea avaliam aporte de capital da Winity

5/06/2026
  • Share

A possibilidade de uma nova injeção de capital na Winity Telecom entrou no radar do Pátria Investimentos e da Kinea, os dois principais acionistas da empresa. Segundo informação que circula no mercado, as duas gestoras avaliam o aporte com o objetivo de acelerar a guinada da companhia para infraestrutura móvel no atacado, com foco em redes neutras, cobertura indoor, conectividade corporativa e soluções wireless para operadoras. A Winity atua hoje na locação de infraestrutura passiva de telecom, incluindo torres e rooftops, além de soluções built-to-suit, DAS e SLS. Entre os contratos relevantes está o acordo com o Metrô de São Paulo para prestação de serviços de DAS e Wi-Fi nas Linhas 1, 2 e 3. O alvo agora é ampliar essa base de ativos e ocupar espaços em que as grandes teles preferem dividir capex a construir tudo sozinhas. Procuradas, Kinea e Pátria não se manifestaram.

Ressalte-se que essa “nova Winity” ainda carrega sombras da “velha Winity”. Em 2021, a empresa chegou a arrematar a faixa nacional de 700 MHz no leilão do 5G, pagando cerca de R$ 1,4 bilhão. O plano original era transformar a frequência em uma grande plataforma de infraestrutura móvel compartilhada para operadoras. O projeto, no entanto, esbarrou em uma sucessão de entraves regulatórios. A Anatel passou a impor restrições à utilização da faixa e aos acordos que a Winity pretendia firmar com as grandes teles, comprometendo a viabilidade econômica do modelo de negócios. Por fim, a companhia se viu forçada a devolver a concessão. A controvérsia, porém, ainda está longe de ter sido encerrada. O Conselho Diretor da Anatel avalia a ampliação das sanções contra a empresa, sob o entendimento de que a devolução da frequência não eliminaria automaticamente as obrigações assumidas no leilão nem os efeitos do atraso na execução da política pública associada ao certame.

A polêmica regulatória, ressalte-se, não inibiu a Kinea de apostar na Winity. O braço de private equity do Itaú se junto ao Pátria Investimentos no negócio no fim do ano passado, endossando o potencial de crescimento da empresa. A Fitch, por exemplo, estima que a empresa poderá alcançar receita acima de R$ 155 milhões em 2027, com margem Ebitda superior a 55%.

#Pátria Investimentos

Mexicana Savia garimpa agtechs e foodtechs no Brasil

5/06/2026
  • Share

Corre no mercado que a mexicana Savia Ventures está prospectando novas startups no Brasil. A gestora já fez um investimento na BackChannel, marketplace B2B que conecta estoques excedentes de grandes marcas a pequenos varejistas brasileiros. O alvo agora são foodtechs, e agtechs especializadas em tecnologias climáticas. A movimentação faz parte da estratégia de expansão da gestora na América do Sul. O portfólio dos mexicanos na região já inclui as chilenas Done Properly, foodtech que usa fermentação para produzir ingredientes sustentáveis e alternativas à proteína animal, Strong by Form, startup de biocompósitos de madeira, a argentina Satellites on Fire, climate tech de detecção de incêndios florestais, e a colombiana Ruedata, plataforma de gestão preditiva de pneus. A Savia investe em companhias em estágio pré-seed e seed e seus cheques costumam oscilar entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.

#Savia

Cortes na Educação viram combustível anti-PT no Ceará

5/06/2026
  • Share

O ex-ministro da Educação Camilo Santana tem feito gestões junto à equipe econômica na tentativa de destravar verbas bloqueadas da Pasta – o contingenciamento total ultrapassa R$ 1 bilhão. Não se trata de uma demonstração de saudosismo ou de apego ao antigo cargo, mas, sim, de cálculo político. Os cortes no Ministério da Educação acenderam um sinal de alerta no PT do Ceará, onde o atual governador, Elmano de Freitas, está levando uma surra de Ciro Gomes nas pesquisas eleitorais. O bloqueio de verbas tem atingido, sobretudo, a Universidade Federal do estado (UFC) e a Universidade Federal do Cariri (UFCA). A UFCA já foi forçada a reduzir seu já espremido orçamento discricionário em quase 10%, com risco direto sobre ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil. É um prato cheio para Ciro se fartar na disputa eleitoral. O assunto bate diretamente no PT, dada a inevitável vinculação ao partido e, mais especificamente, ao próprio Santana, que, até outro dia, estava à frente da Educação. O ex-ministro está na linha de frente da coordenação da campanha de Freitas à reeleição. Mais do que isso: no PT há quem defenda que ele próprio dispute a eleição caso o atual governador continue derrapando nas pesquisas, nas quais aparece mais de dez pontos percentuais atrás de Ciro. Ressalte-se que, durante a sua passagem pelo Ministério da Educação, Santana anunciou quase R$ 800 milhões em investimentos para instituições federais cearenses, um capital político que corre o risco de perder densidade por conta dos cortes orçamentários. Ciro agradece.

#Camilo Santana

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima