Arquivo Notícias - Página 104 de 1964 - Relatório Reservado

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JP Morgan enche o prato de ações da MBRF

27/11/2025
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O JP Morgan, ao que parece, está sancionando a estratégia expansionista do empresário Marcos Molina. Corre no mercado que, nos últimos dias, o banco norte-americano voltou a comprar lotes expressivos de ações da MBRF. Em outubro, a instituição financeira ultrapassou a marca de 5% de participação. O avanço do JP Morgan é uma boa bússola. Entre os investidores, a leitura é que o banco está apostando em uma performance ainda melhor da empresa em 2026, por conta da curva ascendente de preços da carne bovina no mercado internacional. O aumento da demanda é assegurado, sobretudo, pela China e pelo Oriente Médio. Além disso, o ciclo pecuário joga a favor do grupo: a menor oferta de gado nos Estados Unidos e na Austrália afunila a produção global e aumenta a atratividade da proteína brasileira.

Washington afrouxa a corda, mas Brasília ainda tem muitos nós para desatar

27/11/2025
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A retirada da sobretaxa de 40% sobre 238 produtos brasileiros – anunciada pela Casa Branca no último dia 20 em meio à forte pressão do mercado interno – representou um alívio no torniquete tarifário imposto por Donald Trump.  Mas o governo ainda tem muitos nós para desatar. Para começo de conversa, nem mesmo o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio têm a devida clareza em relação à miríade de produtos que permanecem no índex da gestão Trump. Com o waiver da semana passada, sabe-se que o total de itens isentos da sobretaxa subiu de 700 para mais de 900. Em termos relativos, o impacto foi, de fato, significativo. Segundo dados da Amcham, a proporção da balança comercial com os Estados Unidos afetada pela sobretaxa caiu de 60% para 36,5%. A expressiva queda decorre da retirada da tarifa de 40% sobre produtos de notório peso nas exportações para o mercado norte-americano, a começar por carne bovina e café. Essa é a forma de ver o copo meio cheio. Mas sempre há uma metade vazia que precisa ser enchida. Do outro lado, estima-se que a lista de produtos ainda sujeitos à tributação adicional de 40% ou 50% contemple mais 9,5 mil códigos tarifários (NCMs – Nomenclatura Comum do Mercosul). Para efeito de comparação, em agosto, a relação original de itens atingidos pelo tarifaço somava mais de 9.803 NCMs. Significa dizer que, de lá para cá, não mais do que 300 códigos, ou 3% do total, deixaram o purgatório tarifário de Donald Trump. Cada NCM, ressalte-se, representa não um item único, mas, sim, uma família de mercadorias – um mesmo código pode abarcar dezenas de artigos com especificações distintas entre eles. Ou seja: quando o assunto são os números mais vistosos da balança comercial, de fato o alívio concedido pelos Estados Unidos faz diferença; porém, há uma massa enorme e atomizada de exportadores que ainda tem sob sua cabeça a guilhotina do tarifaço.
O governo Trump vai rever, no curto e médio prazo, a sobretaxa que ainda incide sobre esses milhares de produtos? Se vai, qual será a dosimetria do ajuste: 10%, 25%, 40%, isenção plena? E quando isso ocorrerá? São perguntas viscerais ainda sem resposta. Além das informações difusas sobre os itens tarifados, o governo opera no escuro em relação a timing e ao tamanho do impacto sobre essa nuvem de exportadores dispersos. É neste ponto que reside o problema do problema do problema: como distribuir os recursos do Plano Brasil Soberano, o colchão de R$ 40 bilhões em crédito e fundo garantidor para empresas impactadas pelo tarifaço? O MDIC e a Fazenda estão diante de um quebra-cabeças político-econômico. Já havia um desenho pré-estabelecidos para a partilha desse funding. No entanto, as isenções aplicadas pelo governo norte-americano criaram um “vazio de critérios”. A retirada das tarifas sobre carne bovina, café, cacau, mandioca, frutas e açaí desmontou a lógica original do plano, que previa uma calibragem proporcional ao impacto tarifário e ao peso na balança comercial. Agora, técnicos do MDIC e da Fazenda buscam reconstruir uma matriz de repasses que contemple setores que continuam fortemente prejudicados — como máquinas, químicos, metalurgia, autopeças, móveis, pescados e mel. Por ora, não há definição sobre o destino e o ritmo dos desembolsos. Talvez uma solução fosse concentrar todo esse processo nas mãos do BNDES, de onde já sai parcela expressiva do crédito público para o setor produtivo.
E dentro do terceiro problema ainda há um quarto: a MP 1.309/25, que sustenta o Brasil Soberano, expira no dia 10 de dezembro. É grande o risco de que a proposta não seja votada a tempo pelo Congresso – o que seria mais um revés para um Executivo que há muito não é soberano no jogo entre os Poderes. Na última segunda-feira, o próprio vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, admitiu publicamente a possibilidade de uma nova Medida Provisória. Ocorre que o governo não pode editar um segunda MP com o mesmo teor dentro de uma sessão legislativa. A atual se encerra em 22 de dezembro. Ou seja: se a 1.309 morrer de morte morrida, uma nova Medida Provisória só poderá ser publicada no dia seguinte, 23 de dezembro, e sua votação somente se dará após o recesso do Congresso, em fevereiro de 2026. E ainda que o Congresso se disponha a votar a proposta original neste ano, há outras peças a serem ajustadas. Não faz sentido manter o valor original de R$ 40 bilhões de ajuda depois da derrubada da sobretaxa para setores como carne e café. Talvez o próprio governo queira deixar a MP derreter e editar uma nova, com as cifras recalibradas. A questão é se os exportadores e setores mais asfixiados pelo tarifaço ainda estarão respirando até lá? Pode quebrar um bocado de gente. Nesse balaio estão segmentos maiores da indústria, com emprego qualificado, mas, sobretudo, uma ampla colônia de exportadores-vagalume.
Os produtos que continuam sob o jugo da sobretaxa representam algo entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Técnicos do MDIC e da Fazenda reconhecem, reservadamente, que o Brasil Soberano interno virou uma espécie de “obra em movimento”: a cada rodada de exceções anunciada pelos EUA, todos os parâmetros — beneficiários, valores, cronograma, prioridades — precisam ser refeitos. Na prática, Brasília reage, não planeja.

#Brasília

Yum! Brands intervém na “cozinha” da Taco Bell no Brasil

27/11/2025
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A decisão da Yum! Brands de reassumir o comando da Taco Bell no Brasil, a partir de janeiro de 2026, é lida no setor como mais do que uma simples reorganização operacional. O movimento soa como uma espécie de intervenção dos norte-americanos na gestão da rede de fast food no país, desde 2016 nas mãos do Grupo Sforza, do empresário Carlos Wizard. O que se ouve no mercado é que existe um descontentamento da Yum! Brands com a performance do negócio. Nos bastidores, há relatos de gargalos logísticos e dificuldades de inserção da marca fora dos grandes centros. Os norte-americanos estariam insatisfeitos também com o ritmo de abertura de restaurantes. Na matriz, a percepção é que Wizard não conseguiu – talvez isso não estivesse entre as suas prioridades – dar a tração necessária para a expansão da Taco Bell no Brasil. Não por acaso, a Yum! Brands já chegou ao país alardeando a meta de abrir 200 lojas até 2030 – hoje, são apenas 34. Se a promessa for cumprida, significa dizer que a Yum! Brands terá inaugurado uma média de 40 restaurantes por ano – mais do que o total de pontos abertos pelo Sforza em quase uma década. O RR entrou em contato com a Yum! Brands e o Grupo Sforza, mas não obteve retorno.
Quando a Yum! Brands resolve assumir as rédeas de uma operação regional, historicamente essa tomada de poder é acompanhada de uma forte estratégia de expansão. Na Índia, por exemplo, em 15 anos o grupo inaugurou cerca de 800 lojas da Taco Bell. Do seu lado, com o “rebaixamento”, o Grupo Sforza volta a ser apenas um franqueado da rede de fast food, sem qualquer influência sobre a gestão da marca no país.

#Taco Bell

Acordo entre Brasil e China empurra os ônibus da BYD na direção do PAC

27/11/2025
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A BYD largou na frente. Os chineses mantêm tratativas com a Casa Civil em torno do projeto do governo de comprar 207 ônibus sustentáveis que serão repassados a prefeituras de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará e Rio Grande do Norte, no âmbito do PAC. O pacote de R$ 185 milhões englobará a aquisição de veículos elétricos e equipados com motores Euro 6. Do lado da BYD, os entendimentos são conduzidos por alguém que conhece por dentro a tecnocracia em Brasília: o ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy, vice-presidente da companhia no Brasil. A negociação junto a BYD se daria na esteira do acordo bilateral firmado entre os governos Lula e Xi Jinping para investimentos em transição energética, que tem como um de seus subeixos a produção de automotivos eletrificados. Com fábrica em Campinas, a montadora chinesa já é uma das principais fornecedoras de ônibus elétricos no país. Só neste ano deverá entregar cerca de 230 veículos.

#BYD

Safra abaixo do previsto reacende pressão de alta sobre preços do açúcar

27/11/2025
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À medida que grandes grupos sucroalcooleiros do país encerram sua colheita, vai se desenhando que a produção brasileira de cana de açúcar no ciclo 2025/26 terminará abaixo até mesmo das estimativas oficiais recentemente decrescidas pela Conab. Segundo informações filtradas pelo RR, dentro do Ministério da Agricultura já se trabalha com uma safra inferior a 666 milhões de toneladas, última projeção revisada pela estatal. A se confirmar, a queda em relação ao ano passado será próxima de 2% – os cálculos iniciais apontavam uma retração de 1,6%. Com isso, o mercado já começa a recalibrar expectativas para oferta interna e exportações e para a formação de preços – o Brasil é responsável por cerca de 45% do comércio global de açúcar. A queda da produção brasileira, somada às incertezas que cercam a safra na Índia e na Tailândia, já se reflete nas cotações, pressionando os valores para cima. Nas últimas semanas, o contrato de açúcar bruto na ICE para março/2026 oscilou para a faixa de US$ 445 a US$ 455 por tonelada, acumulando alta próxima de 10% desde setembro.

#Açúcar

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