Arquivo Notícias - Página 105 de 1964 - Relatório Reservado

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Acordo entre Trump e Xi Jinping esmaga o sobrepreço da soja brasileira

26/11/2025
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A “química” entre Donald Trump e Xi Jinping “contaminou” a soja brasileira. Desde outubro, quando a China firmou acordo para retomar as compras do produto norte-americano, o prêmio pago pelo país asiático na aquisição da commodity brasileira já acumula queda superior a 40%. E a tendência é que o recuo se acentue no início de 2026. Já no próximo ano, a China poderá comprar 25 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, mais do que o dobro dos 12 milhões de toneladas deste ano. Ou seja: a pressão que havia sobre os chineses para pagar o preço que fosse preciso pelo produto brasileiro e afastar o risco de desabastecimento do seu mercado interno arrefeceu. Para os produtores, o momento não poderia ser menos propício. A entrada da safra brasileira entre janeiro e fevereiro adicionará de seis a oito milhões de toneladas ao mercado, o que pode amplificar a pressão baixista.

Invepar ainda tem uma longa estrada para a renegociação de seu passivo

26/11/2025
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A complexa renegociação do passivo da Invepar deve ficar para 2026. A empresa estaria negociando com seus credores uma nova extensão do acordo de standstill extrajudicial, em vigor até 29 de dezembro. Na prática, a companhia pede um waiver maior para fechar um acordo com os bancos sem o risco de cobrança ou execução de dívidas. O que se diz no setor é que as tratativas avançaram, sobretudo após a Invepar ceder o controle da Linha Amarela (Lamsa) para o Mubadala como dação de pagamento. Mas ainda há arestas pontiagudas a serem aparadas – como os demais ativos que serão desmobilizados e o haircut a ser aplicado sobre o passivo. Entre os credores, já se dá como certo, por exemplo, que a Invepar venderá a participação remanescente na Lamsa, de 39,7%. Com base no valuation do acordo com a Mudabala, que envolveu a transferência de 60,3% da concessão, as ações restantes renderiam ao grupo algo como R$ 230 milhões. Ao todo, o passivo da empresa é da ordem de R$ 1,2 bilhão.

#Invepar

O Caso Eletrobras: Axia, União e o conforto da culpa sem dono

26/11/2025
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O julgamento do acordo entre a Axia Energia (ex-Eletrobras) e a União no Supremo Tribunal Federal não é apenas mais um capítulo de briga pelo poder de voto numa estatal privatizada. Ele expõe algo mais incômodo: o quanto o mercado e a gestão pública passaram a gostar de modelos de governança em que ninguém parece mandar – e, principalmente, ninguém parece responder.

Desde 2023, quando a AGU levou ao STF a ADI 7.385 para questionar o voting cap de 10% sobre uma participação de 43% da União, o contencioso foi apresentado como uma história de “injustiça societária”: o Estado com capital de sócio dominante, mas voz de acionista minoritário. A tese da AGU de “desapropriação indireta” de poder político na companhia ganhou contornos dramáticos, como se a União tivesse sido enganada por um arranjo que esvaziou seu papel numa empresa estratégica.

Do outro lado, a reação do mercado, encarnada pela Abrasca, também veio carregada de hipérbole: se o STF aceitasse a tese, assembleias virariam peças descartáveis e estatutos poderiam ser reescritos a cada mudança de governo. O pano de fundo era outro: a União participou da assembleia que aprovou o estatuto, votou a favor do voting cap e só depois, em outro governo, resolveu tratar o acordo como afronta ao interesse público.

O acordo agora submetido à aprovação do Supremo tenta escapar desse impasse sem que ninguém tenha de assumir a culpa. O julgamento da homologação desse acerto entre público e privado está programado para amanhã, prevendo os seguintes termos:

• Manutenção do voting cap de 10% de votos por acionista;
• União ganha três das 10 cadeiras do conselho e poder de veto em matérias estratégicas;
• Axia se livra de Angra 3, talvez o ativo mais tóxico da história recente do setor elétrico;
• É preservada a estrutura corporation (companhia aberta sem controlador definido) da ex-Eletrobras.

Essa previsão dos três assentos em voto separado não transforma a União em um “quase controlador”. O movimento é mais sutil: a construção de um acordo global, um regime de exceção societária negociado, com o selo do Supremo Tribunal Federal. No papel, todos seguem com o mesmo limite formal de voto. Na prática, um acionista que se ressentiu de ter deixado tanto na mesa ganha um pacote de direitos reforçados.

Se o Supremo chancelar o acordo, o recado institucional é direto: em um ambiente de conflitos societários complexos, especialmente em setores regulados, não vale o escrito; vale o que se acerta depois, nos termos e condições de amplos acordos híbridos – meio regulatórios, meio judiciais, meio políticos.

Como será que o mercado irá precificar isso? Será que o investidor ativista, em vez de simplesmente acumular ações e formar blocos de voto em companhias com ou sem a participação do Estado, passará a mirar a construção de “atalhos” de governança via negociações litigiosas? É possível, considerando o crescente apetite da Faria Lima em financiar litígios.

Independentemente do que o futuro nos reserva, uma análise fria dos termos do acordo levado a votação no Supremo não parece ter ficado particularmente ruim para nenhum dos lados.

Para os capitalistas que investiram na desestatização, continua sendo confortável operar numa companhia sem controlador definido e com liquidez em bolsa. A nova possibilidade de repactuação, pela via judicial, junto ao atual governo de um negócio firmado com a gestão anterior, mantendo-se o grosso do que foi combinado e fazendo concessões recíprocas, é interessante – ainda mais quando se consegue a liberação do compromisso de investimento em um projeto problemático como o caso das obras de Angra 3.

Para o Poder Público, é igualmente conveniente manter a narrativa de que a empresa foi privatizada e que o governo atual respeita acordos firmados pela administração anterior. Como já foi defendido da tribuna por um conhecido estatista de Alagoas, aqui parafraseado, neste acordo entre Axia e União não se estaria diante de uma mudança legislativa, mas apenas promovendo uma “equiparação” da posição do Estado aos direitos dos demais acionistas.

No fim, sobra uma pergunta que o acordo não responde: se, na assembleia que definiu o estatuto pós-privatização, a União não votou contra o modelo de desestatização que agora alega contrariar o interesse público, quem paga a conta dessa escolha? Não se fala em responsabilização de quem desenhou, aprovou e executou a privatização com voting cap de 10% para a União enquanto detentora de 43% do capital votante. O sistema apenas se adapta, redistribui cadeiras, reescreve vetos, para seguir o jogo.

Talvez seja justamente aí o ponto onde o mercado e o Poder Público se abraçam: nesse modelo de governança em que não se sabe quem é o controlador, que acidentes de percurso podem ser corrigidos sem derramamento de sangue, em mesas de conciliação onde não se apontam culpados e todos os supostamente envolvidos acabam anistiados de toda e qualquer culpa.

A desestatização da Eletrobras deixa de ser apenas um caso de privatização problemática e passa a ser um espelho de como o Brasil gosta de lidar com o poder econômico e o poder político: a arte cada vez mais sofisticada de nunca haver ninguém realmente no comando quando algo dá errado e de se fazer dos limões a limonada. Por vezes, o sumo é demasiadamente cítrico; em outras, mais açucarado no paladar.

Matheus Sousa Ramalho é advogado e sócio de Licks Attorneys. Doutor em direito comercial pela USP (Largo do São Francisco) e Doutor em direito Processual pela UERJ.

#Axia #Eletrobras

Venda da Uni.co expõe erosão do valor dos ativos da Americanas

26/11/2025
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A maior fraude contábil da história do Brasil cobra seu preço das mais variadas formas. Vide o processo de desmobilização de ativos da Americanas. A iminente venda da Uni.co, dona das marcas Puket e Imaginarium, sanciona a depreciação das participações acionárias do grupo em meio ao processo de recuperação judicial. Segundo comunicado da Americanas, a empresa está sendo negociada para a Fan Store Entretenimento por R$ 152 milhões. É menos da metade do que a rede varejista de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles pagou para ficar com 100% da Uni.co – o desembolso total, realizado em duas tranches, uma em 2021 e outra em 2024, foi de aproximadamente R$ 350 milhões. Não se trata de um caso isolado. O esfarelamento do valuation dos ativos da Americanas se estende também ao Hortifruti Natural da Terra. O que se ouve no mercado é que, até o momento, as melhores propostas apresentadas giram em torno de R$ 1 bilhão. Em 2021, a Americanas pagou R$ 2,1 bilhão pelo controle da rede de supermercados.
Essas duas operações formam um retrato fiel da perda de valor enfrentada pelo grupo e reforçam a percepção de que a maioria dos ativos sofrerá forte deságio em relação ao período pré-crise. Além da deterioração operacional causada pelos efeitos da recuperação judicial, há um “desconto reputacional” que pesa sobre qualquer bem associado à Americanas.

#Lojas Americanas

A nova ofensiva de Tarcísio de Freitas contra a Enel

26/11/2025
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O governador Tarcísio de Freitas tem atuado junto a ministros do TCU com o objetivo de aumentar a voltagem contra a Enel. A articulação já rendeu a primeira descarga elétrica: na semana passada, a Corte apontou uma série de falhas operacionais e de deficiências estruturais da companhia na distribuição de energia em São Paulo. Além disso, cobrou da Aneel ações mais rigorosas contra os seguidos apagões na capital paulista. Um dos alvos do Tribunal de Contas é levantar se há relação entre eventuais cortes de investimento da Enel e as recorrentes interrupções no fornecimento de energia. Paralelamente, o governo paulista faz pressão sobre a Aneel pela decretação da caducidade da concessão da companhia. Tarcísio age nos bastidores e também à luz do dia. Já disse com todas as letras que vai lutar até o fim para “varrer a Enel de São Paulo”.

#Enel #Tarcísio de Freitas

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