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Negócios
Família Constantino é quase onipresente nos leilões da gestão Tarcísio
14/10/2025O Grupo Comporte, controlado pela família Constantino, dona da Gol, é apontado como forte candidato ao leilão das travessias hídricas do litoral de São Paulo, marcado para o dia 13 de novembro. O pacote engloba a concessão de 14 linhas de transporte aquaviário de passageiros e veículos, com investimentos da ordem de R$ 2,5 bilhões. Os Constantino ostentam um histórico de recentes vitórias em licitações de infraestrutura do governo Tarcisio de Freitas. Em março deste ano, o Grupo Comporte ganhou o leilão das linhas 11, 12 e 13 de trens de São Paulo, com um de desconto de 2,57% sobre as contraprestações pecuniárias a serem pagas pelo Estado. No ano passado, em consórcio com a chinesa CRCC, arrematou a concessão do Trem Intercidades, entre São Paulo e Campinas. Trata-se de um dos maiores projetos de infraestrutura da gestão Tarcísio, com custo estimado em R$ 14 bilhões. Também em 2024, a empresa dos Constantino ganhou o leilão da linha 7 do metrô paulista. Procurado pelo RR, o Grupo Comporte não se pronunciou até o fechamento desta matéria.
Destaque
Grupo Comporte negocia com governo do Rio para ficar com a Supervia
5/05/2023O Grupo Comporte – da família Constantino, fundadora da Gol – desponta como forte candidato a assumir a Supervia. Segundo o RR apurou, a empresa já teria iniciado conversações com o governo do Rio de Janeiro para ficar com a concessão do transporte de trens urbanos da capital no lugar da Mitsui, que decidiu deixar a operação. De acordo com a mesma fonte, um dos possíveis caminhos para a concretização do negócio seria a venda da Supervia para o Comporte – muito provavelmente por um valor simbólico. Esse modelo dispensaria a necessidade de um lento processo de relicitação. Há “jurisprudência” no setor. Em 2021, o Mubadala assumiu o Metrô do Rio, que pertencia à Invepar, sem ter de passar por um novo leilão. Na ocasião, parte da dívida da holding de infraestrutura com o fundo árabe foi trocada pelo controle da concessionária Metrô Rio.
O Grupo Comporte tem raízes em empresas de ônibus, exatamente a origem do empresário Nenê Constantino, patriarca do clã. Dona de companhias como Expresso União, Princesa do Norte e VCB Transportes, a holding arrematou, no fim do ano passado, a concessão do metrô de Belo Horizonte, pagando R$ 25,7 milhões. No caso da Supervia, o “pedágio” será muito maior. Caso as conversas com o governo do Rio avancem, o Grupo Comporte vai pilotar um negócio deficitário, endividado e que ainda carrega peculiaridades típicas do Rio de Janeiro – no ano passado, a empresa teve um prejuízo de R$ 12 milhões com o roubo de cabos de energia. Os atuais indicadores financeiros da Supervia estão trancados a sete chaves. O último balanço divulgado pela companhia foi em 2020. No ano seguinte, a concessionária entrou em recuperação judicial com uma dívida superior a R$ 1,2 bilhão. A pandemia piorou o que já estava ruim. Até então, os trens da Supervia transportavam cerca de 600 mil passageiros/dia. Hoje, a média gira em torno dos 350 mil. Há ainda um gap de investimentos na operação. Segundo estudo do próprio governo do Rio, entre 2010 e 2020 a concessionária deixou de investir cerca de R$ 300 milhões previstos em contrato.