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Futebol
Mercado publicitário disputa o passe de Carlo Ancelotti
17/12/2025O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, tem tudo para ser um dos principais garotos-propaganda de 2026. Com a proximidade da Copa do Mundo, o treinador italiano já foi sondado por pelo menos quatro grandes empresas, entre elas duas patrocinadoras da própria CBF, para estrelar campanhas publicitárias no próximo ano. Os contatos são conduzidos por sua esposa, a canadense Mariann Barrena, especialistas em finanças – o que se diz nos bastidores é que Mariann administra a carreira de Ancelotti com mãos de ferro. O técnico já deu uma amostra do que está por vir em 2026 ao protagonizar um anúncio da Amazon Prime Vídeo para a transmissão das finais da Copa do Brasil. Estimativas no mercado indicam que, na Europa, o treinador já chegou a embolsar até cinco milhões de euros em um único ano com contratos de publicidade. Mas Ancelotti tem suas restrições. Nega-se a vincular seu nome a sites de aposta, hoje os maiores anunciantes do marketing esportivo do Planeta, a bebidas alcoólicas e a tabaco, curiosamente sendo ele um inveterado fumante.
Destaque
Palácio do Planalto mira na outra “Copa” que Ancelotti pode ganhar em 2026
13/05/2025A contratação de Carlo Ancelotti como novo técnico da seleção brasileira ganhou ares de assunto de Estado. O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, teve o cuidado de antecipar o acordo a diferentes instâncias de Poder da República, assim como já vinha fazendo ao longo das tratativas com o treinador italiano. Antes do anúncio oficial, o dirigente teria confidenciado a informação a parlamentares aliados e, principalmente, ao Palácio do Planalto.
Nesse jogo cruzado de interesses institucionais, é a segunda tabelinha que mais chama atenção. Segundo informações filtradas pelo RR, teria partido dos próprios assessores do presidente Lula a iniciativa de monitorar a reta final das negociações e de tomar conhecimento prévio do acerto com Ancelotti. Na paralela, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, foi colocado de plantão para estudar com a sua equipe ações na área de comunicação que permitam ao governo de alguma forma capitalizar o impacto da contratação.
Na Secom, tudo que envolve o Mundial de 2026 vem sendo tratado, desde já, não apenas como uma questão estritamente esportiva, mas, sobretudo, como um fato político. Há duas Copas em disputa no ano que vem: a primeira, em junho, nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México; a segunda, em outubro, nas urnas.
Ainda que por vias indiretas, Carlo Ancelotti desponta, desde já, como um potencial cabo eleitoral de Lula ou do candidato que ele vier a indicar, caso não dispute a reeleição. Trata-se de um jogo sutil, disputado não no terreno do concreto, mas no campo abstrato do psicossocial. Assessores de Lula vislumbram o efeito positivo que a eventual conquista do hexacampeonato poderia ter sobre o ânimo da população três meses antes da eleição. É algo extremamente subjetivo, pero no mucho.
Momentos catárticos como este costumam ter impacto sobre o estado geral da sociedade, seja como válvula de escape emocional, seja como um fator de coesão social. No pragmatismo da política, desde a Grécia antiga feitos esportivos costumam ser capturados por governantes. Lula não seria o primeiro. Muito menos no Brasil. Ancelotti serviria ao petista como um dia, mesmo que involuntariamente, Vicente Feola serviu a JK e Zagallo a Médici.
Em tempo: a Copa do Mundo de 2026 já está mais do que politizada. Vide o vazamento da tal camisa vermelha da seleção brasileira que teria sido planejada pela CBF e pela Nike para o ano que vem. Logo após o alvoroço nas redes sociais, a entidade soltou uma nota afirmando que a imagem não era oficial. Ficou a percepção de que tudo não passou de um balão de ensaio da própria CBF e da Nike para medir a aceitação de uma população polarizada a uma camisa “vermelho-comunista” em um momento da história em que o verde-amarelo foi apropriado pela extrema direita.
Por mais que tudo fique no âmbito da abstração, coincidência ou não, títulos de Copa do Mundo costumam rimar com melhora da economia brasileira. A série histórica não deixa mentir. Em 1958, o PIB cresceu 10,8%, contra uma média de 6,38% nos cinco anos anteriores. Em 1970, nos gramados do milagre econômico, o Produto Interno Bruto subiu 10,4% – a média do período 1965-69 foi de 6,52%.
Em 1994, no embalo do Plano Real, a economia avançou 5,8% – um assombro se comparado ao medíocre desempenho dos cinco anos antecedentes (média de 0,84%). Por sua vez, em 2022, a taxa do PIB aumentou 3,1%, acima da média de 2% no quinquênio anterior. O ponto fora da curva foi 1962, quando a economia cresceu 6,6%, abaixo da média de 9,26% registrada entre 1957 e 1961. Lula, mais do que ninguém, espera que tenha sido a exceção à regra.
Em tempo: guardadas as devidas proporções, o hexa pode valer a sobrevivência política não apenas de um, mas de dois presidentes. A conquista da Copa do Mundo seria a blindagem de que Ednaldo Rodrigues tanto precisa para assegurar sua permanência do cargo. Rodrigues, como se sabe, é um dirigente que caminha sobre areia movediça. Por ora, deve sua posição no comando da entidade ao STF, que já negou dois pedidos para afastá-lo da presidência da CBF.