Arquivos GPA - Relatório Reservado

Tag: GPA

Mercado

Moelis é promessa de mais estresse na relação entre GPA e credores

26/03/2026
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A contratação da Moelis por credores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) adiciona uma carga extra de tensão ao processo de recuperação extrajudicial da rede varejista. Por si só, a presença da boutique norte-americana é um recado de que os detentores de títulos do GPA não estão dispostos a ceder nas negociações com a companhia, espremida por uma dívida de R$ 4,5 bilhões. A Moelis tem um histórico de atuação no Brasil marcado por duros embates, na fronteira do contencioso. O caso mais emblemático é o da Oi. Credores internacionais assessorados pela instituição norte-americana se insurgiram contra o plano apresentado pela companhia. O grupo passou a atuar de forma coordenada para bloquear a proposta original, contestando formalmente seus termos em assembleias e no âmbito judicial. Mais do que isso: chegou a pressionar pela conversão de parte relevante da dívida em capital, com diluição significativa dos acionistas. Na Americanas, a lógica se repetiu. Diante de um rombo contábil que levou a uma recuperação judicial com dívida superior a R$ 40 bilhões, a Moelis entrou como um trator. Contratada por bondholders, foi um dos líderes das tratativas que obrigaram o trio de acionistas de referência – Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles – a aumentar o valor do aporte na companhia de R$ 10 bilhões para R$ 12 bilhões. A Light é outro exemplo representativo. Credores internacionais assessorados pela Moelis questionaram a capacidade da companhia de cumprir o plano apresentado e, sobretudo, a alocação de perdas entre acionistas e detentores de dívida. O ponto de maior tensão foi a discussão sobre o nível de haircut e a conversão de dívida em capital. Parte dos credores, inclusive, passou a defender alternativas mais agressivas, incluindo cenários de intervenção e redistribuição de ativos, caso não houvesse acordo. Maus prenúncios para o GPA.

#Beto Sicupira #GPA #Jorge Paulo Lemann #Marcel Telle

Empresa

Dívida tributária é o nó mais apertado na reestruturação do GPA

12/03/2026
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A recuperação extrajudicial anunciada pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) trata apenas da face mais visível e “simples” do problema — a dívida financeira de cerca de R$ 4,5 bilhões com bancos e credores privados. A parte mais delicada da equação permanece fora do plano: o passivo tributário acumulado ao longo de anos de autuações fiscais e disputas judiciais. O grupo ainda carrega aproximadamente R$ 11 bilhões em contingências tributárias, débitos que dependem de uma negociação direta com o Fisco, nas esferas municipal, estadual e federal. Segundo o RR apurou, a maior parte desse passivo envolve tratativas que se encontram em estágio inicial e são classificadas dentro do próprio Pão de Açúcar como de difícil encaminhamento. Uma fração relevante dessas pendências envolve autuações da Receita Federal e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, sobretudo em disputas ligadas a PIS e Cofins sobre créditos fiscais e operações societárias antigas, além de discussões sobre ICMS e aproveitamento de créditos tributários.
O histórico recente ilustra o tamanho do problema. Em um dos episódios mais relevantes, o GPA fechou acordo com o governo do Estado de São Paulo para encerrar uma disputa de R$ 3,6 bilhões em ICMS. Após negociações e descontos em juros e multas, o valor foi reduzido para R$ 794 milhões, a serem pagos em 120 parcelas mensais. Parte da perda já havia sido reconhecida contabilmente: a companhia mantinha R$ 533 milhões provisionados, restando cerca de R$ 261 milhões adicionais a serem absorvidos no resultado. Esse caso, no entanto, resolve apenas uma fração das pendências tributárias do grupo.
O núcleo mais pesado do passivo continua concentrado nas discussões com a União. Segundo estimativas de mercado, cerca de dois terços das contingências fiscais do GPA estão vinculadas a autuações federais, muitas delas ainda em fase de litígio administrativo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) ou em processos judiciais. A natureza dessas disputas torna o desfecho particularmente incerto: diferentemente das dívidas financeiras, elas dependem de decisões administrativas ou judiciais e podem se arrastar por anos antes de qualquer definição definitiva.

#GPA #Grupo Pão de Açúcar #ICMS

Empresa

Recuperação extrajudicial do GPA é a pá de cal na era Casino

11/03/2026
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A recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), anunciada ontem, representa o fim da era Casino. O plano para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas foi conduzido inteiramente à margem do grupo, que ainda mantém uma participação acionária de 22,5% na empresa. O isolamento é absolutamente calculado e faz parte da própria ação medicamentosa na tentativa de sobrevivência da rede varejista. Nos bastidores, a nova gestão do GPA, indicada pela família Coelho Diniz, hoje maior acionista, atribui a deterioração da companhia a uma sucessão de erros estratégicos, omissões operacionais e decisões financeiras desastrosas do Casino ao longo dos últimos anos. O legado deixado pelos franceses inclui ziguezagues estratégicos que desnortearam a companhia, desinvestimentos que reduziram sua musculatura operacional, incapacidade de reagir à migração do consumidor para formatos mais baratos e a insistência em uma estrutura de capital tóxica, que se tornou insustentável com a escalada dos juros. A crise, nessa leitura, não é só financeira. É também a conta atrasada de um ciclo de gestão marcado por perda de foco, destruição de valor e erosão progressiva da capacidade competitiva do GPA.

Os números mostram a profundidade do estrago. O GPA encerrou 2025 com capital circulante líquido negativo de R$ 1,22 bilhão e R$ 1,7 bilhão em vencimentos financeiros previstos para 2026. No curto prazo, cerca de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões vencem em maio e outros R$ 1,2 bilhão a R$ 1,3 bilhão em julho, o que ajuda a explicar a pressa em costurar o acordo com os credores.

O estrago da era Casino se reflete na Bolsa. Apenas neste ano, o GPA perdeu mais de um terço do seu valor de mercado, hoje na casa de R$ 1,3 bilhão. Os próprios franceses sentem no bolso o derretimento da empresa. Em pouco mais de dois meses, o valor da sua participação caiu de R$ 424 milhões para R$ 275 milhões. E é justamente aí que se instala a especulação do mercado: o que o Casino fará com sua participação remanescente? Uma venda imediata em bolsa parece improvável, porque pressionaria ainda mais um papel já fragilizado. Uma saída negociada, em bloco, para um investidor estratégico ou financeiro, seria mais compatível com o momento. Outra hipótese é o grupo francês simplesmente esperar a poeira da reestruturação baixar para tentar se desfazer da posição em condições menos desfavoráveis. E, quando isso ocorrer, é provável que ninguém no Pão de Açúcar venha a sentir saudades.

#GPA

Empresa

Minoritários do Pão de Açúcar contestam acordo caseiro com Casino

15/09/2023
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Um grupo de minoritários do Grupo Pão de Açúcar (GPA) está se mobilizando para acionar a companhia junto à CVM. O objetivo é exigir da empresa detalhes das negociações para a venda da sua participação na Cnova para o próprio Casino. O GPA anunciou ter criado uma comissão independente para analisar a proposta. Mas, até o momento, trata-se de uma caixa preta: não há qualquer detalhe dos termos e condições do possível acordo.

O Pão de Açúcar detém 34% na Cnova, empresa de comércio eletrônico do próprio Casino – o restante das ações pertence ao grupo francês. A valores de mercado, essa participação é estimada em aproximadamente 340 milhões de euros. O Casino está nas duas pontas da operação. Em última instância, na condição de controladores da GPA, os franceses terão o poder de aprovar a oferta apresentada por eles próprios. O receio dos minoritários do Pão de Açúcar é que o conglomerado pague um valor subapreciado. Consultada pelo RR, a GPA não se manifestou.

A CVM, por sua vez, afirmou que “acompanha e analisa informações envolvendo companhias abertas, tomando medidas cabíveis, sempre que necessário.” Disse ainda que “que reclamações e consultas encaminhadas à entidade são devidamente verificadas, recebendo o tratamento adequado.” Perguntada sobre o Pão de Açúcar, a autarquia informou que “não comenta casos específicos”.

#Casino #CVM #GPA

Destaque

Minoritários do Pão de Açúcar querem barrar spin-off do Éxito

11/08/2023
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Segundo o RR apurou, minoritários do Pão de Açúcar acionaram a CVM na tentativa de barrar o iminente spin-off da participação da GPA (Grupo Pão de Açúcar) na rede de supermercados colombiana Almacenes Éxito. Alegam que a operação é danosa aos investidores e feita sob medida para beneficiar um único acionista da companhia: o próprio Casino, seu controlador. Não estão sozinhos. Internamente, executivos do próprio Pão de Açúcar já se manifestaram contra a cisão entre as duas redes varejistas, conforme informou o jornal Valor Econômico. No entanto, a operação tem o apoio – para não dizer a imposição – da maior parte dos conselheiros da companhia, não por acaso indicados pelo Casino. Trata-se de uma engenharia idealizada por Jean Charles Naouri, uma de suas últimas demonstrações de poder antes de perder o controle do grupo francês.

Em contato com o RR, a CVM informou que “não comenta casos específicos”. Por sua vez, o Pão de Açúcar afirma que a “distribuição de ações do Almacenes Êxito a acionistas do GPA foi proposta pelo Conselho de Administração e aprovada em assembleia de acionistas na data de14/02/2023 com amplo apoio de acionistas minoritários”. Não deixa de ser verdade, ainda que parcialmente. Para começar, nem todos os minoritários votaram a favor da proposta. Além disso, de lá para cá, um fato novo, que não estava na mesa no momento em que ocorreu a assembleia de acionistas, embaralhou todas as cartas e mexeu com o racional da operação: a entrada em cena do empresário colombiano Jaime Gilinski. Dono da terceira maior fortuna da Colômbia, Gilinski já fez duas ofertas por 51% das ações do Éxito em poder do Pão de Açúcar – no total, a participação da empresa brasileira é de 96,5%. O conselho do GPA rechaçou ambas as ofertas, a mais recente de US$ 586,5 milhões.

A acusação de parte dos minoritários é que a recusa não passa de uma manobra do Casino e, em particular de Jean Charles Naouri, para se beneficiar, lesando os demais investidores do Pão de Açúcar. Com o spin-off e a consequente distribuição da participação no Éxito proporcionalmente entre os acionistas da GPA, o grupo francês vai ficar com 34% da empresa colombiana. E poderá vender esses papéis imediatamente – antes mesmo de qualquer definição sobre sua saída do Brasil. Ou seja: o Casino vai embolsar um dinheiro que poderia entrar no caixa do Pão de Açúcar, seja para abater dívida, seja para ser distribuído sob a forma de dividendos, caso a proposta de Gilinski fosse aceita, e o spin=off da participação no Éxito, suspenso.

Os minoritários contrários à operação estão pressionados. Neste momento, travam uma corrida contra o relógio. Conforme o próprio Pão de Açúcar informou ao RR, aoperação de distribuição de ações do Éxito “já obteve devidas aprovações regulatórias e está em fase final de conclusão.”

Na última terça-feira, o Pão de Açúcar teve autorização do órgão regulador do mercado de capitais na Superintendência Financeira de Colômbia, órgão regulador daquele país. para a transferência das ações do Éxito aos seus acionistas. No mesmo dia, GPA e Casino firmaram um acordo prevendo a data de 22 de agosto para a distribuição dos ADRs e BDRs da empresa colombiana.

#GPA #Pão de Açúcar

Assaí vai morar de aluguel

23/07/2021
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Após fechar a transferência de cinco lojas para o TRX Real Estate por R$ 364 milhões, o Assaí estaria negociando a venda de outros pontos de venda para o fundo Credit Suisse Hedging Griffo Renda Urbana. Os recursos deve ser usados no pagamento de dívidas. Após sua cisão do Gripo Pão de Açúcar (GPA), o Assaí carregou o passivo do GPA referente à aquisição da rede de varejo colombiana Éxito.

#Assaí #GPA #TRX Real Estate

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