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Economia

Governo quer dividir com o Congresso o custo do IOF

12/06/2025
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O ministro Fernando Haddad está disposto a voltar logo na semana que vem à mesa de negociações com o Congresso Nacional para tratar do bloqueio do IOF. Conforme o RR disse, os parlamentares sabem que, se o governo espremer o limão das verbas públicas, ainda sai caldo. A ideia é manter alguma parcela do IOF, até para não dizer que o governo arregou de vez. Para isso cataria milho em alguns recursos públicos para tangenciar os lobbies considerados incontornáveis no Congresso. O esforço caracterizaria a boa vontade de ambas as partes. O governo tem alguma gordura para cortar, mas preferia aproveitar o bonde do IOF para “arrumar”, ainda que em uma pequena dosagem, a algaravia tributária que reina nos fundos de investimento. Ocorre que a pequena dosagem, na verdade uma redistribuição de recursos quase salomônica frente às necessidades orçamentárias, ainda foi suficiente para dobrar a disposição dos hegemônicos grupos de interesse que querem manter a integridade do seu quinhão. Seria uma rentabilidade intocável. Note-se que uma parcela da base do PT no congresso defende a cassação do IOF. A boa vontade manifesta pelo governo seria a solução para que ninguém saísse da contenda como derrotado. E também uma forma de poupar o ministro Fernando Haddad de uma fritura em óleo cada vez mais fervente.

Uma derrota acachapante no Congresso também faria parte dos planos da Faria Lima, que quer apertar o governo até o raiar das eleições presidenciais. Nas palavras de um banqueiro ao RR, as instituições financeiras e seus satélites não admitem a reeleição de Lula de “maneira nenhuma”. O instrumento para torturar o governo seria sua própria invenção: o arcabouço fiscal. Mas tem ou não tem dinheiro livre de contenda no orçamento? Ainda em maio, o governo mostrou o caminho das pedras: resgatou R$ 1,4 bilhão dos fundos Garantidor de Operações (FGO) e do Fundo de Garantia de Operações de crédito educativo. São apenas partículas pensando no montante necessário para compensar a metade perdida do IOF (R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões em 2026) caso o Congresso aceite a proposta. Alguns gastos passíveis de corte com um mínimo de arranhão nas bancadas que dominam o Congresso completariam a contrapartida na navalhada na metade do IOF. Mas haja criatividade e lupa para construir esse mosaico. Por essas e outras, que o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, um dos quadros mais inventivos do PT na área econômica, foi visto circulando em áreas decisivas para a solução do imbróglio. Mais do assunto o RR se permite o direito de não avançar.

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