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Energia

Argentina busca no Brasil a luz que lhe falta

18/07/2025
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A Argentina já começa a se preparar para enfrentar mais um verão potencialmente crítico em seu sistema elétrico, e o Brasil volta ao radar como possível fornecedor emergencial de energia. A estatal Cammesa, responsável pela operação do setor elétrico argentino, iniciou sondagens junto a empresas brasileiras e agentes do setor sobre a disponibilidade de oferta de energia nos meses mais quentes de 2026. Segundo fonte do setor, as tratativas envolvem o fechamento de contratos de curto prazo a serem ativados a partir de dezembro. A movimentação da estatal argentina ocorre em meio a previsões de um novo episódio de La Niña, fenômeno climático que pode elevar as temperaturas no Cone Sul e agravar o consumo energético em todo o território argentino.
No último verão, a Argentina bateu recorde de demanda elétrica com mais de 30 mil megawatts (MW) em fevereiro, o que quase levou o sistema ao colapso. Embora o outono e o inverno tenham trazido alívio, a situação estrutural do parque gerador argentino continua crítica: a dependência de térmicas caras, os gargalos de transmissão e os investimentos insuficientes em renováveis deixam o país vulnerável a picos de consumo. A importação de energia do Brasil é vista pela Cammesa como uma alternativa tática para mitigar riscos de apagões e reduzir o uso de fontes poluentes.

#Cammesa #Energia elétrica

Uma luz no Mercosul

30/07/2020
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Mesmo com a turbulenta relação entre os governos de Alberto Fernández e Jair Bolsonaro, a estatal argentina Cammesa começou a importar energia de geradoras brasileiras, como a EDF Norte Fluminense. Para os argentinos, sai mais barato do que ligar suas obsoletas térmicas.

#Cammesa #Jair Bolsonaro

Um curto-circuito diplomático na tríplice fronteira

14/10/2019
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Um fio cruzado aumentou a tensão diplomática entre Brasil e Paraguai em meio à complexa negociação do Tratado de Itaipu. O governo paraguaio está exigindo do Itamaraty e do Ministério de Relações Exteriores da Argentina explicações técnicas sobre o possível descumprimento de um acordo bilateral no setor elétrico. O imbróglio envolve a hidrelétrica binacional de Yaciretá, controlada por paraguaios e argentinos. O Paraguai descobriu ter havido fornecimento de energia da usina para o Brasil nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de setembro e 6, 7 e 8 de outubro.

A transação ocorreu por meio da estação conversora de Garabí, localizada na fronteira entre a Argentina e o Brasil, e envolveu a empresa privada portenha Cammesa. O fornecimento teria sido da ordem de 1000 MW por dia, totalizando cerca de US$ 20 milhões. Ressalte-se que o tratado de Yaciretá assinado entre Paraguai e Argentina proíbe a comercialização de energia da hidrelétrica para terceiros. Olhando para a “cena do crime” as autoridades paraguaias têm todo o motivo para enxergar um conluio entre Brasil e Argentina: um com o objetivo de comprar energia mais barata; o outro, gerando um bocadinho de divisas e ganhando mercado com a venda de um insumo que não poderia ser comercializado. O pensamento do governo do Paraguai vai na seguinte direção: “Se o Brasil precisa de energia, que compre de Itaipu”.

É mais do que natural que o episódio torne ainda mais complexa a renegociação do tratado da usina. Mesmo porque o presidente paraguaio Mario Benitez precisa dar uma satisfação à oposição e à opinião pública local depois de quase ser alvo de um processo de impeachment, diante da revelação de que o país havia fechado um acordo lesivo aos seus interesses com o Brasil em relação à Itaipu. Consultado pelo RR, o Ministério de Minas e Energia confirmou oficialmente a transferência. Porém, fez questão de esclarecer que a operação não configura venda. Segundo a Pasta, houve uma “uma troca de energia (operação swap) em caráter não comercial”.

Neste contexto, o volume retirado da hidrelétrica é devolvido depois ao país cedente e vice-versa. O Ministério enfatizou ainda que Brasil e Argentina assinaram em 6 de junho passado uma nova versão do Memorando de Entendimentos, contemplando questões sobre intercâmbios de energia. O governo paraguaio não deverá aceitar tão facilmente a versão oficial. As autoridades locais evocam o Artigo XIV do Tratado de Yaciretá, que estabelece que a aquisição dos serviços da hidrelétrica só pode ser feito pela Água e Energia da Argentina e pela estatal paraguaia Ande (Administração Nacional de Eletricidade). Ou seja: a própria participação da argentina Cammesa já é uma prova de que o acordo foi descumprido.

#Cammesa #MME #Yaciretá

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