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BV e Santander trabalham para barrar RJs de cooperativas agrícolas
2/06/2026Ao entrar na Justiça contra o pedido de recuperação judicial da Cotribá, o Banco Votorantim (BV) e o Santander falam não apenas por eles próprios, mas, de certa forma, por toda a banca nacional. Há no sistema financeiro uma preocupação de que outras cooperativas agrícolas venham a seguir o mesmo caminho, provocando uma nova onda de recuperação judiciais no agronegócio. No caso específico da Cotribá, Votorantim e Santander estão, inclusive, buscando a adesão de outros bancos credores à ação movida contra a empresa, segundo informações filtradas pelo RR. O assunto é objeto de controvérsia jurídica. Muitos juristas sustentam que cooperativas não podem recorrer à Lei de Recuperação Judicial, por não serem sociedades empresariais, mas, sim, entidades sujeitas a regime próprio, incluindo liquidação extrajudicial. É o entendimento que fundamenta o litígio aberto pelo Banco Votorantim e pelo Santander. A alegação dos credores é que a cooperativa estaria tentando usar uma brecha jurídica para obter blindagem contra cobranças, ganhar tempo e forçar uma negociação coletiva mais favorável. O BV chegou a acusar a Cotribá de “má-fé” e “chicana jurídica”, afirmando que a cooperativa teria desistido de uma ação anterior e apresentado novo pedido semelhante em busca de uma decisão mais conveniente. Consultado, o Banco Votorantim não quis comentar o assunto. Também contatados pelo RR, Santander e Cotribá não retornaram.
A Cotribá sustenta na Justiça que, embora formalmente cooperativa, atua materialmente como grande empresa agroindustrial, com faturamento bilionário, milhares de associados, originação de grãos, insumos, armazenagem e forte impacto econômico regional. É justamente essa ambiguidade que torna o caso explosivo. Se o Judiciário aceitar a tese da Cotribá, outras cooperativas em dificuldade poderão seguir o mesmo caminho. A preocupação dos bancos é com o chamado efeito manada: um precedente que permita a grandes cooperativas agropecuárias usar a RJ para suspender execuções, reordenar passivos e impor descontos ou alongamentos a credores financeiros.
Não há uma estatística pública consolidada sobre o número de cooperativas agropecuárias em dificuldade financeira, mas o entorno do caso Cotribá mostra um agro sob forte estresse. O setor fechou abril com 539 empresas em recuperação judicial. Em 2025, houve 1.990 pedidos de RJ no agronegócio, alta de 56,4% sobre 2024. O caso específico da Cotribá mostra a dimensão do problema: são 20.614 credores e mais de 78 mil registros de débitos, espalhados por 1,7 mil páginas. Do passivo de R$ 1,4 bilhão, cerca de R$ 1,3 bilhão é formado por créditos quirografários, sem garantia real. Há ainda R$ 99,7 milhões em créditos com garantia real e R$ 10,2 milhões em créditos trabalhistas. A maior parte do drama está entre produtores rurais associados e instituições financeiras, com bancos e cooperativas de crédito somando ao menos R$ 527,1 milhões em exposição.
Negócios
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