Tag: Banco Master
Política
Caso Master abre uma brecha eleitoral para o PSD, de Kassab, no Piauí
11/05/2026Gilberto Kassab, que conduz com rédeas curtas as candidaturas majoritárias do PSD, já enxerga a possibilidade de o partido eleger um senador a mais na esteira do escândalo do Banco Master. A brecha vem da ofensiva policial sobre Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de mandados de busca e apreensão na semana passada sob suspeitas de receber propina de Daniel Vorcaro. Nogueira é pule de dez para se reeleger ao Senado pelo Piauí. Se puder concorrer… As investigações da Polícia Federal podem alterar totalmente as condições de temperatura e pressão. Ainda há muito a emergir dos celulares e da delação premiada de Vorcaro. Na eventualidade do ex-ministro de Jair Bolsonaro ficar, digamos assim, privado de disputar o jogo eleitoral, aumentariam consideravelmente as chances do candidato do PSD ao Senado pelo Piauí, Julio Cesar. Hoje ele é o terceiro nas pesquisas com cerca de 11%, atrás de Marcelo Castro (MDB), com 29%, e de Nogueira, líder absoluto da última enquete, com 52%.
Mercado
BRB contabiliza os destroços financeiros herdados do Master
16/04/2026O BRB trata como de difícil recuperação uma parcela dos ativos herdados do Banco Master — em especial as participações em renda variável, como Oncoclínicas e Ambipar. Dentro do próprio banco, esses ativos são considerados destroços financeiros, dada a quase impossibilidade de capitalização e de saída. A Oncoclínicas, que chegou a ser avaliada em cerca de R$ 11 bilhões no IPO em 2021, viu seu valor de mercado encolher para algo próximo de R$ 2 bilhões–R$ 3 bilhões recentemente — uma destruição de mais de 70% do valuation. No mesmo período, a companhia passou a operar com alavancagem elevada (dívida líquida/Ebitda na casa de 3,5x a 4x) e forte pressão de caixa, o que reduz drasticamente o apetite de potenciais compradores. A Ambipar seguiu trajetória semelhante: após atingir um pico de valor de mercado superior a R$ 30 bilhões em 2021, passou a negociar em patamares abaixo de R$ 10 bilhões, acumulando uma queda superior a 60% desde o auge. Mais do que a desvalorização em si, pesa a perda de liquidez e a mudança de percepção de risco: são empresas que saíram da categoria de growth para ativos pressionados por estrutura de capital e execução, o que implica descontos adicionais em qualquer tentativa de venda.
Essa percepção ajuda a explicar a engenharia montada com a Quadra Capital. A estrutura, de cerca de R$ 15 bilhões, separa de forma implícita o que ainda pode ser monetizado do que já é visto como problema. Apenas R$ 4 bilhões entram como dinheiro novo, via cotas seniores de um FIDC. O restante permanece sob risco do próprio BRB, na forma de cotas subordinadas — ou seja, depende da performance dos ativos para se converter em caixa. O desenho privilegia direitos creditórios, que, ainda que carreguem inadimplência, ao menos têm fluxo e tese de cobrança. Já as participações acionárias seguem outro regime: dependem de mercado, de comprador e de valuation — três variáveis hoje em xeque tanto no caso da Oncoclínicas quanto da Ambipar.
Especial
Banco Central independente? Independente de quem?
29/12/2025Nos idos dos anos 90, o falecido senador Roberto Saturnino Braga convocou três sumidades econômicas – Octávio Gouvêa de Bulhões, ex-ministro da Fazenda e ex-presidente da Superintendência da Moeda e Crédito (Sumoc), que exercia as funções do BC antes da sua criação, José Luiz Bulhões Pedreira, jurista autor da Lei das SA e verdadeiro responsável pela arquitetura legislativa do BC, e a professora Maria da Conceição Tavares, ícone dos economistas de esquerda e crítica explosiva do overnight, operações de um dia para o outro, lastreadas em títulos públicos ou privados. A discussão sobre a independência do BC ainda engatinhava, com uma batalha eufemística sobre se seria autônomo ou soberano. Na verdade, ela sempre esteve presente, desde que Bulhões Pedreira extraiu do mármore a criatura, em 31 de dezembro de 1964, pela Lei nº 4.595. Ou seja: na prática, portanto, o BC era um apêndice do Ministério da Fazenda, que, por sua vez, respondia ao presidente da República. Àquela altura, o Federal Reserve já era uma realidade, com seu sistema incontinentemente apoiado pelo FMI – a título de registro, a independência do FED é uma decisão do presidente Woodrow Wilson e data de 1913.
Pois bem, a íntegra do debate entre Gouvêa de Bulhões, Bulhões Pedreira e Maria da Conceição Tavares pode ser encontrada em uma das edições amareladas do jornal do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro. Apresentados os devidos contendores, o palco do debate e o assunto que já parecia sacramentado, cabe repetir a pergunta que, à época, deixou os congressistas em alvoroço, à beira da perplexidade. Questionada sobre os benefícios que a independência do BC poderia trazer para reparação dos equívocos que ela própria estava apresentando, Conceição gritou: “O Banco Central independente? Independente de quem? Do Brasil?”.
Passadas mais de três décadas, com o episódio do Banco Master, a pergunta permanece como um grito parado no ar. O pedido de acareação urgente feito pelo ministro do STF Dias Toffoli, para colocar frente a frente o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, não deixa dúvida sobre a gravidade da operação. Acareação é quase um sinônimo de dúvida sobre a razão de um ou de outro. Ou seja, as vésperas da celebração do Ano Novo estão na ceia os pratos cheios de possibilidade das discussões sobre a fiscalização dos bancos, a ausência de recursos da autoridade monetária para cumprir essa missão, o prazo para a definição da liquidação extrajudicial dos bancos, a responsabilidade sobre a destruição patrimonial de uma instituição em caso de erros nos processos de liquidação, o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito e a omissão sobre medidas macroprudenciais. O assunto se tornou ainda mais confuso na medida em que ontem circularam informações de que a Polícia Federal colheria o depoimento individual de Aquino, Vorcaro e Costa antes de decidir sobre a necessidade de uma acareação no STF. É difícil considerar essa versão crível. O que teria a ver a PF com uma arguição junto a um diretor do BC? Incriminá-lo, ainda que tacitamente? Adiar a acareação depois de anunciá-la sob a luz dos holofotes somente tornaria o caso ainda mais sensível, colocando ainda mais dúvidas sobre a conduta do STF.
Mas há uma pergunta que assumiu proporções maiores do que todas as demais. A independência do BC e seus processos estariam acima de um dos Poderes da República? Esse, sem dúvida, é um assunto para o Congresso também meter sua colher. Já há quem defenda uma CPI de todo o caso, com ênfase na crítica a um sistema regulatório criado para blindar o investidor de qualquer tremelique. Mas são tantos os zangões envolvidos que, em um ano eleitoral, duvida-se da disposição de mexer nessa colmeia. Até porque há virtuais aferições que podem levar à necessidade de se repensar todo o sistema de compliance do BC. Foi o Congresso que aprovou a emenda constitucional que garante a independência da autarquia. Quem pariu Mateus que o embale.
Curioso. O Congresso Nacional exige explicações do Banco Central independente em circunstâncias de fracasso na performance em casos como a Regra de Ouro ou a Lei da Responsabilidade Fiscal. Mas o STF não pode pedir uma explicação mais acurada por um episódio que, devido à ausência de um comunicado da autoridade monetária em tempo hábil, chegou a ser considerado como uma possibilidade de risco sistêmico do setor bancário brasileiro. Ou mesmo a suspeição de que as razões técnicas “irrefutáveis” do BC são, sim, refutáveis e não levaram em consideração o fato que o banco poderia ser vendido ou consolidado – esqueça-se o BRB.
A fiscalização do BC é um dos setores mais sofridos da casa, mesmo não estando no top 20, vide a pesquisa de clima do banco, levantamento bienal feito pela autarquia. Para se ter uma ideia do ambiente, em sua edição mais recente (2024), o próprio BC inicia a introdução do relatório dizendo que “nem tudo são flores nesta aldeia”. A pior nota dos 60 itens avaliados pelos servidores ativos se deu diante da afirmação “confio nas mudanças estabelecidas pela Diretoria Colegiada do Banco Central”. O BC opera com um déficit de mais de 2.000 funcionários em relação a 2006. Uma condição de trabalho inviável já anunciada publicamente pelo ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto.
Onde entra a Justiça nessa história? O BC e principalmente sua equipe de fiscalização não são infalíveis. Nem vale a pena lembrar do estrago do sistema bancário provocado pela perda do floating bancário, com o Plano Real, quando nem a supervisão de bancos como o Econômico, Nacional e Bamerindus nem a adoção de medidas macroprudenciais foram tomadas, o que evitaria custos gigantes ao Erário. Em tempo: um dos bancos mais encalacrado em sua liquidez e beneficiado pelo Proer, o Bamerindus, pertencia ao empresário José Eduardo Andrade Vieira, maior financiador da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso. Mas essa avalanche, corrigida com dinheiro das reservas bancárias e emissão de títulos públicos, já foi para a cesta de muitos anos velhos.
Voltando ao presente e ao caso do Master, talvez um desacerto maior tenha sido o ingresso do Ministério Público nesse processo como um agente inquisidor. O assunto vinha sendo tratado como uma investigação do BC, ainda que controversa. O MP cravou uma série de perguntas de quem tem dúvidas quase generalizadas. Tudo que é vinculado ao Ministério Público é associado de alguma maneira à criminalização. Possivelmente pela sua atuação indissociável com a Polícia Federal. As questões enviadas para a diretoria de fiscalização pelo MP parecem indicar que houve açodamento na liquidação do Master. Há muito fermento para fazer crescer esse bolo. Ele enseja a discussão sobre um código de conduta dos togados. Ou pode atingir um dos heróis da resistência ao golpe, o juiz Alexandre de Moraes, devido às relações comerciais do escritório de advocaria da sua esposa com o Banco Master. Mas urge arrumar a fiscalização do BC. A autoridade monetária foi acusada de ser responsável pelas falências, em casos anteriores, da BRK Financeira e da PortoCred, em 2023. Ambas foram citadas como exemplos que “revelam falha no sistema”, sugerindo que a supervisão não foi capaz de impedir o colapso dessas instituições a tempo de evitar prejuízos a credores e investidores. Talvez um dos principais pontos que mereçam a acareação entre Vorcaro e o diretor do BC seja qual o prazo no qual a autarquia pode manter sob sigilo a conclusão de um processo de risco de liquidez que é público. Até que ponto essa lentidão não configura depreciação de patrimônio, permitindo o ajuizamento da destruição patrimonial pela parte prejudicada? Ninguém diz nada sobre isso em lugar nenhum.
O RR tratou do caso no dia 28 de agosto. Vale relembrar: “147 dias já se passaram desde que o BRB anunciou a compra de 49% das ações ordinárias e de 100% das ações preferenciais do Master sem que o BC tenha dado seu veredito. E sem qualquer horizonte de quando o fará – o Cade, por exemplo, chancelou o acordo em 81 dias; a Assembleia Legislativa do Distrito Federal, por sua vez, também já deu seu aval no último dia 19 de agosto. A demora do BC ultrapassou o tempo gasto pela autoridade monetária para apreciar outras negociações no setor bancário. Apenas a título de comparação, vamos a alguns exemplos. A aprovação da venda do Conglomerado Alfa para o Banco Safra demorou 139 dias. A autorização para a compra da Avenue Holding pelo Itaú Unibanco saiu em 82 dias. A transferência dos ativos do Credit Suisse no Brasil para o UBS, no âmbito de uma operação de abrangência global, recebeu o nihil obstat do BC em apenas 60 dias. Proporcionalmente, no entanto, talvez nada supere a venda em pele de fusão do Unibanco para o Itaú. O BC aprovou o negócio em 107 dias, praticamente em regime de fast track se levarmos em consideração as delicadas circunstâncias que cercavam a operação. O próprio Master já conheceu esse lado mais resoluto e menos procrastinador do Banco Central. No ano passado, o BC autorizou a aquisição do Banco Voiter em apenas 49 dias.”
Nenhuma dessas informações faz qualquer juízo de valor sobre os procedimentos de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O ponto central das observações é que a Justiça está preocupada, o Ministério Público está preocupado, o Executivo está preocupado, o PT está preocupado – então candidato à Presidência, Fernando Haddad defendeu a independência do BC nas eleições de 2018 – e o Congresso já emite sinais de que a regulamentação precisa ser afinada. O Master pode ser apenas o buraco da agulha. É melhor abrir logo a cortina.
Negócios
Os estratagemas de André Esteves para brecar a operação entre o Banco Master e o BRB
4/04/2025O encontro suspeitamente realizado entre André Esteves e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na última segunda-feira, foi uma tentativa de xeque-mate do banqueiro para impedir a associação entre o Master e o BRB. Esteves trabalha mais pela destruição do que pela construção do negócio. A mídia está repleta de análises fundamentalistas sobre as vantagens e desvantagens da operação. O que não é falado são as artimanhas de bastidor do banqueiro contra o acordo e suas partes. O RR apurou que grandes clientes do BTG com papéis do Master em sua carteira têm sido bombardeados com a recomendação de venda da sua posição. O RR teve acesso a um dos informes enviados por gestores de recursos do banco a investidores, com os seguintes dizeres: “Percebemos que sua posição em CDBs do Master está um acima do FGC.
Encaminho uma opção de investimento para a sua avaliação. Podemos realocar uma parte”. No fim da mensagem, o principal: “Para você não ficar a descoberto caso ocorra algo com o banco (Master) e garantir a cobertura para os valores totais do FGC”. No mesmo dia, o banco enviou outra mensagem a seus clientes: “Você sabe qual é o limite da cobertura do FGC? O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o valor principal mais os juros, e por conglomerado financeiro, independentemente do custodiante, com um teto de R$ 1 milhão em um período de quatro anos. No BTG Pactual, você pode conferir diretamente no app se os seus investimentos estão dentro dessa cobertura. Acesse o Monitor de Cobertura FGC e invista com mais segurança”. Poucos minutos depois, investidores do BTG receberam outra notificação: “Limite do FGC: A cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por conglomerado financeiro. Acesse o Monitor Cobertura FGC”. Nos dois últimos casos, não há menção explícita ao Master. E nem seria preciso.
Além do Banco Central, André Esteves tem se movimentado junto a outras esferas do poder, valendo-se do seu notório trânsito e influência entre as mais distintas instâncias – governamental, empresarial, midiático ou mesmo no Judiciário. Neste momento, a depreciação dos ativos do Banco Master facilita os interesses de Esteves, especialmente no que diz respeito à carteira de precatórios da instituição. O Master tem cerca de R$ 7 bilhões em títulos dessa modalidade. A maioria é constituída em dívidas do estado de São Paulo, que hoje tem melhores condições de pagamento do que a própria União. Sabe-se também que uma parcela expressiva dos precatórios em poder do Master já conta com depósito em juízo ou tem previsão de recebimento no curto ou médio prazo. Trata-se de um maná para o BTG, que tem se notabilizado nos últimos anos como um voraz comprador de precatórios. Deteriorar a percepção em relação ao Master e consequentemente as condições de negociação do banco seria uma peça-chave na estratégia de Esteves. É uma espécie de operação-asfixia. Para o BTG, quanto pior melhor. Isso abriria caminho para o banco negociar a compra da carteira de precatórios do Master em termos mais vantajosos, com um deságio maior. Há informações também sobre um possível interesse do BTG na operação de consignado do Master, de aproximadamente R$ 920 milhões. Pode até ser. No entanto, parece muito mais um movimento diversionista, para desfocar o interesse maior de André Esteves.
Desde o anúncio da associação, na última sexta-feira, a operação entre o Master e o BRB tem sido alvo de uma torrente de aleivosias. Uma das narrativas mais batidas é que o negócio não passa de uma ação do governo para acudir o Banco Master. Por sinal, a julgar pelo que se diz aqui e ali, o acordo tem padrinhos na direita, na esquerda e no centro. Ora, a operação é atribuída a Ciro Nogueira, do PP; ora, a Antônio Rueda, do União Brasil; quando não ao petista Guido Mantega, passando, é claro, pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB. É como se o negócio entre o Master e o BRB tivesse ensejado a criação da maior frente ampla já vista no país. Esse tiroteio nas mais variadas direções pode ser mais uma manobra de Esteves. Ou não.
Escalando para ilações mais graves, André Esteves também estaria aludindo a operação ao convite de um risco de crise sistêmica no setor bancário, caso o acordo se concretize nos termos divulgados. Aliás, Esteves, com seu trabalho de transformar a operação em um escândalo, não ajuda em nada a afastar a versão do risco sistêmico. Não há, diga-se de passagem, qualquer dado contábil que aponte nessa direção. Pelo contrário: o Master reportou um lucro de R$ 1 bilhão em 2024. A construção dessa “realidade” sem comprovação chegou ao ponto de se espalhar que toda a operação foi feita ao largo do Banco Central.
Os próprios sócios do BTG dizem que é impossível ter visibilidade do que André Esteves pensa e quais são as operações no seu radar. No passado, ele foi o principal conspirador do levante que expulsou o fundador e controlador do Banco Pactual, Luiz César Fernandes. Esteves consegue fazer do brand do banco – na verdade, do seu próprio brand – um outdoor para convites junto a qualquer autoridade do país. No mercado não basta saber o que ele pretende, mas porque pretende. É absolutamente razoável que Esteves esteja olhando para onde ninguém está mirando. E usando o que melhor sabe fazer quando identifica um bom negócio ou um negócio que o atrapalha: usar o seu incontrolável poder de destruição.
Master joga a rede
15/09/2021O Banco Master (antigo Banco Máxima) tem planos de entrar no negócio de pagamentos eletrônicos. A instituição mira a compra de fintechs no setor. Procurado, o Master não se pronunciou.