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Energia
Um projeto de R$ 27 bilhões sob risco de curto-circuito
19/03/2026Um dos maiores investimentos em transição energética já anunciados no Brasil caminha sobre a corda bamba. No mercado, crescem as incertezas em relação ao projeto da Solatio de instalar um complexo de hidrogênio verde no Piauí, estimado em R$ 27 bilhões. As dúvidas não se devem à disposição da empresa em seguir adiante, mas, sim, ao crescente acúmulo de entraves para a execução do empreendimento. O primeiro deles é a fragilidade da infraestrutura de transmissão no Brasil. A planta está ancorada em parques solares no interior do estado, capazes de gerar vários gigawatts para alimentar os eletrolisadores responsáveis pela produção de hidrogênio. Ocorre que a conexão ao Sistema Interligado Nacional vem esbarrando em estudos técnicos que apontam risco de sobrecarga e instabilidade na rede regional. Outro empecilho é de natureza jurídica-ambiental. Em decisão liminar, a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Piauí determinou a suspensão da licença de instalação do empreendimento, interrompendo o avanço das obras e dos preparativos industriais até que sejam esclarecidos os pontos levantados na ação, movida pelo Ministério Público Federal. Os procuradores sustentam que o licenciamento teria avançado sem estudos ambientais suficientemente detalhados e sem a devida análise sobre o uso de recursos hídricos necessários ao processo de eletrólise.
Em contato exclusivo com o RR, a Solatio admite que “está avaliando alternativas para o projeto, incluindo a redução de escala e a reconfiguração como um complexo de Data Centers Hyperscale”, por conta “de atrasos e restrições técnicas identificadas quanto à conexão à rede do Sistema Interligado Nacional (SIN) na escala originalmente planejada para 2028”. Em relação à questão judicial, a empresa adota um discurso diplomático e diz que “suspendeu imediatamente todas as atividades relacionadas ao projeto de hidrogênio verde e amônia em Parnaíba (PI) assim que tomou conhecimento da manifestação do Ministério Público Federal na primeira metade de 2025”. A Solatio afirma respeitar “integralmente a recente decisão judicial que revogou a licença ambiental do projeto”. Segundo a companhia, “os estudos de licenciamento ambiental para revisão serão conduzidos em estrita conformidade com a legislação aplicável vigente”.