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Fundos fazem fila na bilheteria para comprar UCI no Brasil
23/01/2026Enquanto o “Agente Secreto” brilha no exterior, a Paramount Skydance quer distância do cinema brasileiro. O grupo mantém conversações com duas gestoras de private equity, uma norte-americana e outra brasileiríssima, para vender a rede UCI no país. São 29 complexos com 240 salas, espalhados por 14 cidades. Trata-se de um negócio com faturamento anual na casa dos R$ 400 milhões. Além do Brasil, a Paramount também colocou à venda seus cinemas na Argentina. O epílogo se deve à reorganização global da companhia, que surgiu em 2025 com a fusão entre a antiga Paramount Global e a Skydance Media.
Cinema
Quanto “custa” ganhar um Globo de Ouro?
12/01/2026A consagração de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro reforça uma certeza: o Brasil não apenas pegou o jeito de fazer filmes com temáticas e roteiros sob medida para o escrutínio internacional como aprendeu que por trás de toda película premiada há um bem-sucedido script de lobby. Além da sua qualidade, a produção de Kleber Mendonça Filho chegou ao Beverly Hilton, em Los Angeles, amparada por uma grande e custosa engrenagem de representação institucional, relações estratégicas e presença estratégica junto à indústria e a formadores de opinião. Um Globo de Ouro “custa” caro. Vamos a algumas ordens de grandeza, apenas a título de ilustração. O primeiro item da conta é a contratação de uma agência de awards em Los Angeles. Não são assessorias comuns, mas casas especializadas em premiações, com acesso direto à imprensa internacional, associações de críticos e aos próprios votantes da Golden Globe Foundation. Segundo o RR apurou, o fee de uma campanha costuma variar entre US$ 150 mil e US$ 250 mil, dependendo do escopo e da agressividade. A isso se soma a assessoria de imprensa internacional premium, responsável por entrevistas exclusivas, capas, perfis, reportagens de bastidor e narrativas favoráveis. Aqui entram veículos como Variety, Hollywood Reporter, Deadline e Vanity Fair. O custo adicional gira em torno de US$ 120 mil por temporada. Outro capítulo relevante é o circuito de exibições privadas e eventos. São sessões fechadas para votantes, jornalistas e formadores de opinião, geralmente seguidas de Q&As com diretor, elenco e produtores. De acordo com fontes da indústria ouvidas pelo RR, aluguel de salas, recepção, logística, equipe local e convites facilmente consomem mais de US$ 140 mil ao longo da campanha. Há ainda o custo da presença física. A campanha exige viagens frequentes dos produtores, do diretor e de integrantes do cast a Los Angeles e Nova York. Esses deslocamentos jogam, por baixo, mais US$ 100 mil na conta. Não menos importante é o trabalho de relacionamento institucional contínuo: almoços, encontros discretos, convites estratégicos, manutenção de vínculos com associações e jornalistas-chave, algo que Hollywood lê como sinal de relevância. Em um cálculo conservador, esse esforço não saiu por menos de US$ 100 mil. Ou seja: pegando-se apenas as etapas chave, uma campanha de representação básica para o Globo de Ouro consome ao menos US$ 700 mil. Ou algo como R$ 3,7 milhões. No caso de “O Agente Secreto”, esse valor é maior do que os produtores do filme desembolsaram com promoção e marketing no Brasil.
O Rio de Janeiro continua derretendo
6/12/2019Ao que tudo leva a crer, o Rio perdeu de vez mais um importante evento da área cultural. Pelo segundo ano seguido, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro será realizado em São Paulo. A data da 19ª edição já está escolhida: 3 de junho de 2020. Trata-se de uma derrota do próprio governo Witzel. João Doria envolveu-se diretamente nas tratativas, oferecendo a Sala São Paulo para a Academia Brasileira de Cinema, organizadora da premiação. A edição deste ano ocorreu no Teatro Municipal.