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Censo Agropecuário vira um campo minado para o governo

23/12/2025
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O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem feito articulações dentro do governo na tentativa de assegurar a realização do Censo Agropecuário previsto para 2026. Fávaro está pleiteando à equipe econômica uma suplementação orçamentária para o IBGE, responsável pelo trabalho. A situação é preocupante. A autarquia já sinalizou que é grande a probabilidade de o levantamento ser postergado para 2027 por falta de verbas. O cobertor do instituto é curtíssimo. Com base no orçamento da União para 2026, o IBGE não dispõe de recursos sequer para a fase preparatória do Censo, estimada em torno de R$ 400 milhões. O que dizer, então, da verba necessária para a consumação de toda a pesquisa, orçada em aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O calo financeiro da instituição dói em Fávaro. O IBGE é vinculado ao Ministério do Planejamento, de Simone Tebet, mas é o ministro da Agricultura que terá de arcar com as implicações técnicas e políticas do adiamento do Censo Agropecuário.
O Censo Agropecuário é principal mapeamento da atividade agrícola no Brasil do ponto de vista econômico, político e social. O levantamento reúne dados essenciais, como área plantada, uso da terra, produção, perfil do produtor, tecnologias utilizadas, questões relacionadas à estrutura fundiária (posse, arrendamento, titulação), receita, custos, acesso a crédito etc. Trata-se de um subsídio essencial para a definição de políticas públicas e para o próprio mercado. Bancos e fundos usam bases censitárias para calibrar riscos, definir limites de financiamento e precificar juros no crédito rural. Ocorre que há coisas que só acontecem no Brasil. Uma das maiores potências agrícolas do Planeta, o país enfrenta uma estiagem na coleta de dados estratégicos da atividade rural, que pode se agravar caso o Censo seja empurrado para 2027. O último mapeamento do agronegócio realizado pelo IBGE data de 2017. Ou seja: as informações coletadas já estão razoavelmente desatualizadas. Apenas a título de exemplo: de lá para cá, a área plantada no Brasil já saltou de 76 milhões para mais de 84 milhões de hectares.
Caso se confirme, o adiamento do Censo aumentará essa defasagem estatística, ampliando os pontos cegos em relação ao agronegócio. Na melhor das hipóteses, se a pesquisa for iniciada em 2027, os primeiros dados só estarão disponíveis no fim de 2028 ou no início de 2029, ou seja, mais de uma década após o último levantamento. Para efeito de comparação, os Estados Unidos realizam seu Censo de cinco em cinco anos. A China, por sua vez, trabalha com um espaçamento maior para o seu, digamos, macromapeamento, feito de dez anos em dez anos. No entanto, o país realiza levantamentos anuais e, em alguns casos, trimestrais, coordenados diretamente por Pequim e executados com o auxílio de bases administrativas em múltiplas esferas – províncias, condados e vilas. Esse sistema permite uma pesquisa de dados pormenorizada, graças a uma extensa rede de coleta de informações. E o Brasil? Ao longo da história, a periodicidade tem variado entre quinquenal e decenal, quase sempre ditada por questões de ordem orçamentária.

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