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22.10.19

Previdência aprovada. E agora?

Termômetro

Confirmada aprovação em segundo turno da reforma da Previdência no Senado – em curso agora, a princípio sem maiores alterações –, grande questão amanhã serão os sinais acerca da PEC Paralela. Especialmente na Câmara, onde pode enfrentar resistência.

Prevista para entrar em pauta logo após Previdência, a PEC elevaria a economia do governo acima de R$ 1 trilhão.

Outra consequência, nesta quarta, serão especulações sobre calendário de novas reformas e medidas de largo escopo. Da parte do Congresso, devem ser postas na mesa as reformas administrativa e tributária. Já o governo ensaia iniciativas para estimular emprego, reestruturar o pacto federativo e abrir economia, inclusive com redução de tarifas no âmbito do Mercosul. Também é esperada pelo mercado uma indicação mais concreta sobre autonomia do Banco Central.

Ministro Guedes deve capitalizar aprovação da Previdência e aproveitar o momento para cacifar tais propostas – ou ao menos parte delas, com destaque para o Pacto Federativo.

De negativo, possível ampliação de debate, difícil, sobre projeto de reforma da Previdência dos militares.

Eduardo Bolsonaro e Fake News

Espera-se avanço de ala bolsonarista em embate interno do PSL, amanhã, apoiada por decisão judicial suspendendo processo que levaria à punição de 19 parlamentares do grupo. Também parece improvável, ao menos de imediato, que apoiadores de Luciano Bivar consigam retomar a liderança do governo na Câmara. Mas importante observar:

1) Se Eduardo Bolsonaro ganha ou não força como líder, nesta quarta. Deputado ainda atua como nome tampão e não descartou, pessoalmente, candidatura à Embaixada dos EUA. A conferir;

2) As movimentações de bastidores de Bivar, que tem larga experiência no controle do partido, e a atuação do senador Major Olímpio e da deputada Joice Hasselmann. Se Joice não recuar em revelações sobre a campanha que levou à eleição de Bolsonaro, pode abrir flanco perigoso para o governo no Congresso. Há grandes chances de que suas declarações alimentem novas movimentações da CPI das Fake News, amanhã.

Ministro do Turismo em foco

Efeito colateral do embate no PSL será a continuidade e provável aprofundamento de questionamentos ao ministro do Turismo, Álvaro Antônio, amanhã. Se bolsonaristas, fortalecidos, insistirem em apontar “falta de transparência” de Bivar estarão, involuntariamente, ajudando a fritar o ministro. Não será possível sustentar discurso de rigor e ética partidária e, ao mesmo tempo, manter Álvaro Antônio no cargo.

STF, de novo

Noticiário, amanhã, será novamente dominado pelo julgamento do SFT sobre prisão após condenação em segunda instância, iniciado na semana passada. Prognósticos são de que atual entendimento, favorável à prisão, seja revertido. O que – será essa a leitura central – beneficiaria o ex-presidente Lula. No entanto, nada garante que decisão final seja tomada nesta quarta. O alvo de maiores especulações, amanhã, será a ministra Rosa Weber, cujo voto pode decidir a questão.

Veias abertas da América Latina

Com iniciativas até agora tímidas, governo e o presidente Bolsonaro, pessoalmente, tendem a ser mais questionados sobre posicionamentos diante de crises sucessivas em países vizinhos. Após revoltas populares no Equador, estarão em pauta amanhã problemas na Bolívia e no Chile. No que se refere ao governo brasileiro, tumultos no Chile têm efeito direto. Isso porque: 1) O presidente Piñera é importante aliado; 2) O país, acerca do qual se apontam diversos problemas ligados à desigualdade social, é tratado como modelo pela equipe econômica do ministro Guedes.

Salles e o Exército

Quarta-feira pode marcar virada parcial em relação ao combate do vazamento de óleo no Nordeste. Base para tanto serão imagens de ação mais ampla das Forças Armadas para combater o problema – indicam mobilização. No entanto, com ausência do presidente Bolsonaro, abre-se flanco para ataques mais duros contra o Ministro Salles. Devem se aprofundar, vindos da oposição, de ambientalistas e da própria mídia.

Boletim macro

Está previsto para amanhã o boletim macro da FGV, publicação mensal com análise geral sobre a economia brasileira, a partir das diversas sondagens realizadas pela Fundação. Para além da compilação de dados, destaque para previsões de inflação em 2019 (deve vir em torno de 3,3%) e 2020 (na faixa de 3,7%).

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