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20.02.20

O presidente e as manifestações policiais

Termômetro

Protestos e pressão de policiais militares em diversos estados do país, em diferentes graus, ameaçam evoluir para problema nacional, que poria o presidente Bolsonaro em situação delicada.

Primeiro teste será amanhã, com evolução de possíveis manifestações ou articulações em outros estados – como a Paraíba e mesmo São Paulo – e a entrada da Força Nacional de Segurança no Ceará.

O presidente pode se ver obrigado a escolher entre assumir posicionamento de garantia da ordem contra grupos organizados de policiais grevistas – ou que ameacem greve – em diversos estados do país, apoiando, no processo, governadores de oposição, ou ser acusado de tibieza diante de crise institucional.

Por outro lado, se a temperatura subir, pode haver conflito entre os próprios governadores, opondo os que resistem em ceder a demandas por reajustes salariais e os que cedem – destaque absoluto nesse sentido para o governador Romeu Zema, de Minas Gerais.

O novo round entre o Congresso e o Planalto

Sexta-feira entrará em ritmo de carnaval, no entanto, ainda estará fervendo a relação entre o Congresso, o Planalto e, agora, o ministro Paulo Guedes. Declarações do general Heleno, parcialmente corroboradas hoje pelo ministro da Economia, criaram clima de retaliação a propostas do governo – ainda que possa ser apenas simbólica – cuja extensão se delineará melhor nesta sexta-feira.

O processo não deve afetar a reforma tributária, porque sairá como versão quase autônoma do Congresso, mas pode contaminar outros temas – inclusive a reforma administrativa. Nesse âmbito, vale atenção, amanhã, para sinais do presidente Bolsonaro, mesmo que o projeto só venha a ser apresentado após o carnaval.

Banco Central e Caixa: crédito mais fácil para incentivar crescimento

Medidas visando reduzir o volume de recursos de clientes que os bancos não podem utilizar para conceder crédito, anunciadas hoje pelo Banco Central, vão alimentar, amanhã, projeções positivas sobre injeção de dinheiro na economia – já se trabalha com número de R$ 135 bilhões. Mas pode gerar algum ruído – ainda que marginal – sobre diminuição de margem de segurança no sistema bancário e iniciativas algo heterodoxas do governo para impulsionar o crescimento.

Também no campo positivo, nesta sexta, início de contratação de nova linha de financiamento imobiliário da Caixa, com juros fixos. Boa notícia em setor que tem mostrado sinais consistentes de aquecimento.

A morte de ex-PM na Bahia vira bola de neve

Morte do ex-PM Adriano da Nóbrega tende a gerar novos – e imprevisíveis – desdobramentos amanhã. Segunda perícia, agora no Rio, pode opor o governador Witzel a Bolsonaro. E fatos novos indicando proximidade de Adriano com Flávio Bolsonaro aumentarão o foco – e as possíveis reações – no Planalto.

Greve na Petrobras: conciliação à vista?

Sindicatos de petroleiros e Petrobras se reunião amanhã, no Tribunal Superior do Trabalho, para tentativa de conciliação, após decisão hoje, em assembleia da categoria, por suspensão temporária da greve.

Comércio, construção, setor externo e dívida pública

Saem amanhã as Sondagens da Construção e do Comércio de fevereiro (FGV), as contas do setor externo (BC) e o Relatório Mensal da Dívida Pública (Tesouro).

Na construção, expectativa é boa, já que o ano começou muito forte, com as melhores projeções na sondagem desde maio de 2014 (94,2 pontos); enquanto no comércio a perspectiva é de otimismo moderado, mais voltado para o cenário futuro do que para a situação atual.

Já no que se refere ao setor externo e à dívida, número serão importantes para projetar curvas de 2020. O ano de 2019 terminou com números fracos, mas estáveis (crescimento na margem para investimentos diretos no país, sobre 2018; estoque da dívida pública de R$ 4,248 trilhões, dentro da meta do governo).

Indústria, serviços e inflação nos EUA e Zona do Euro

No exterior, ênfase nesta sexta-feira estará no PMI Industrial e de Serviços da Alemanha, Zona do Euro e EUA para fevereiro; no Índice de Preços ao Consumidor de janeiro na zona do Euro e na Venda de Casas Usadas nos EUA, também em janeiro.

Tanto na Alemanha quanto na Zona do Euro, deve haver recuo na indústria (na faixa de 0,5 ponto) e crescimento nos serviços (na faixa de 0,4 ponto). Já nos EUA, previsão é de crescimento em torno de 0,4 ponto em ambos os setores. O IPC na zona do Euro tende à estabilidade, em 1,4% (taxa anualizada), e a Venda de Casas Usadas nos EUA à leve variação negativa, ainda em patamar alto.

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