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Saem amanhã os números do PIB do terceiro trimestre. As estimativas vão de crescimento de 0,2% até 0,9% sobre o trimestre anterior, mas a mediana – e número-chave para expectativas do mercado nesta terça – é 0,4%. Valores abaixo desse patamar tendem a ser recebidos com frieza e gerar desgaste para o governo.

Já se a mediana for confirmada – ou superada – gestão federal colherá importantes frutos de imagem, especialmente a equipe econômica. Que ganhará fôlego em momento no qual enfrenta turbulências geradas por alta do dólar e resistência do desemprego.

Bolsonaro e Trump

Ao mesmo tempo, o governo federal terá de enfrentar, amanhã, duras cobranças após o anúncio do presidente Trump de que vai aumentar taxação de aço e alumínio brasileiros.

Não se pode descartar possibilidade de negociação que reverta a decisão e, assim, acabe por valorizar o relacionamento “especial” do Brasil com os EUA. Entretanto, a não ser que haja alguma sinalização nesse sentido, o cenário amanhã será de forte desgaste para a política externa e para o presidente Bolsonaro, pessoalmente.

Haverá balanço de todas as iniciativas tomadas de parte a parte, desde o início do governo, provavelmente indicando prejuízo para o Brasil.

As pautas da Câmara: segunda instância, PEC paralela e saneamento

Está prevista para amanhã a definição, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de cronograma para tramitação de emenda constitucional que pode reinstaurar a prisão após condenação em segunda instância.

Se Maia confirmar o anúncio, a tendência é que se chegue a acordo com o Senado para que o tema seja tratado a partir da Câmara. Caso contrário – ou mesmo se cronograma for considerado “frouxo” – deve se manter resistência de ala “lavajatista” de senadores, que tem sido capitaneada pela presidente da CCJ, senadora Simone Tebet.

Haverá, ainda, outras questões em debate no Congresso, ao longo da semana, que já ganharão espaço e vão implicar movimentações de parlamentares e mídia, amanhã. São eles:

1) A PEC paralela que, aprovada no Senado, entra em discussão na Câmara. Nesta terça devem surgir os primeiros indícios sobre o grau de resistência de deputados à medida, particularmente no que tange inclusão de estados na reforma da Previdência.

2) O Marco do Saneamento, que abre o setor para a iniciativa privada. Espera-se boa receptividade de parlamentares e envolvimento da equipe econômica (o ministro Paulo Guedes defendeu enfaticamente a iniciativa em entrevista no final de semana).

3) Análise de vetos recentes do presidente, particularmente os referentes à minireforma eleitoral. É pauta que pode servir mais a recados ao presidente (e retaliação à não liberação de recursos de emendas parlamentares) do que ao debate político em si.

As mortes em Paraisópolis e o excludente de ilicitude

Após questionamentos ao governador João Doria, hoje, acerca de mortes durante ação policial em baile funk, em Paraisópolis, amanhã o caso respingará mais diretamente no governo federal.  Alvo será a defesa, tanto pelo presidente quanto pelo ministro Moro, de ampliação do excludente de ilicitude.

Medida aumentaria casos nos quais policiais envolvidos em mortes durante operações seriam isentos de punibilidade. Podem-se esperar, também, declarações de congressistas sobre o projeto.

Ricardo Salles e verbas internacionais

Praticamente ausente do noticiário ao longo do dia de hoje, espera-se novidades acerca da participação brasileira na Conferência do Clima, amanhã. Foco central será posicionamento do Ministro Salles, que anunciou como prioridade obter recursos “prometidos” por países desenvolvidos para conservação ambiental no Brasil.

Isenção do IR

Há expectativa por maior detalhamento, amanhã, sobre intenção, anunciada hoje pelo presidente Bolsonaro, de elevar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 2 mil, ainda este ano. Atualmente a isenção vai até R$ 1.903,99.

Guerra cultural

Áreas de cultura e educação continuarão sob pressão, amanhã, em decorrência de: 1) no MEC, desdobramentos de estudo da Câmara mostrando ineficiência de gestão, que provocou sequência de balanços negativos e críticas de especialistas. Se não houver reação mais clara e técnica do ministro Weintraub, imagem de incompetência e gestão ideológica se consolidará perigosamente; 2) Na cultura, novas declarações polêmicas – e ao que tudo indica propositais, como parte de “guerra cultural” – do novo presidente da Funarte, Dante Mantovani, afirmando que o rock induz a drogas, aborto e satanismo.

Os serviços na China

No exterior, vale conferir o PMI de Serviços de novembro, na China. Expectativa é de avanço sobre junho, na faixa de 52 pontos (contra 51,1 em outubro).

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