23.10.19

Negócios da China

Termômetro

Com a chegada de Bolsonaro na China, tende a aumentar exponencialmente a atenção para viagem presidencial, amanhã. Foco será duplo: 1) Em questionamentos sobre possíveis influências ideológicas em negócios com o gigante asiático – levando-se em conta, ainda, o alinhamento do Brasil com os EUA; 2) As negociações visando aumentar as relações comerciais entre os países e – ponto delicado – os investimentos diretos chineses no Brasil. A despeito de negativas do presidente, infraestrutura 5G estará em pauta.

Previdência: a vez dos Estados

Se o governo federal já confirmou hoje que levantará uma série de pautas econômicas após aprovação da Previdência, dois temas, em particular, crescerão no Congresso, a partir de amanhã:

1) PEC Paralela, com foco na inclusão ou não dos estados. Apesar de otimismo no Senado, ainda é muito incerta a atitude de deputados e governadores acerca do tema. Mas movimentações já estarão a todo vapor amanhã, com sinais sendo emitidos através da mídia e em ações de bastidores;

2) Reforma da Previdência de militares, aprovada em Comissão especial da Câmara hoje. A se observar, nesta quinta, se debate sobre o tema continua em banho-maria, o que seria ideal para o governo, ou se oposição conseguirá alimentar polêmica. É desse embate que decorrerá possibilidade de aprovação expressa, que encaminharia diretamente o projeto para o Senado, ou votação – arriscada – em plenário da Câmara.

Eduardo Bolsonaro e CPI das Fake News

Decisão de Eduardo Bolsonaro ao abandonar candidatura à embaixada nos EUA aumentará as cobranças sobre sua liderança na Câmara e no PSL, nesta quinta. Bem como especulações sobre o novo nome escolhido pelo governo para ocupar o cargo. Ao mesmo tempo, Major Olímpio promete aprofundar ataques pessoais ao deputado e investirá, amanhã, em articulação para destituí-lo da direção do partido em São Paulo. 

Uma segunda fonte de desgastes deve se tornar constante, a partir de convocações aprovadas hoje: a CPI das Fake News, na qual aliança entre oposição e centrão pode se transformar em faca no pescoço do governo – e dos filhos do presidente. A conferir desdobramentos desta quinta. 

O STF de Dias Toffoli

Continuará amanhã o julgamento do STF sobre possibilidade de prisão em segunda instância – placar está em 3 x 1. Aumentarão, nesta quinta, as especulações sobre meio termo a ser proposto pelo ministro Dias Toffoli – que pode ser o voto de minerva na decisão. Nesse caso, ele defenderia que prisão possa ser decretada após condenação no STJ.

Meio ambiente no Congresso

Partidos de oposição devem iniciar ofensiva, amanhã, para levar ao Congresso – inclusive com a abertura de CPI – discussão sobre vazamento de óleo em praias do Nordeste. Alvos serão o Ministro Salles e a suposta falta de organização em órgão de controle ambiental, em função de demissões ou reestruturações promovidas pela atual gestão. 

A visão do consumidor

Serão divulgados nesta quinta a Sondagem do Consumidor de outubro (FGV) e as Estatísticas do Setor Externo de setembro (Banco Central). Sondagem da FGV é importante porque pode consolidar ou não tendência positiva, após dois meses seguidos de crescimento. Já dados do Banco Central vêm de queda acima do esperado tanto em importações quanto em exportações, em agosto (frente ao mesmo mês de 2018). Vale conferir se há reação – improvável – nessa área, bem como no que se refere aos ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP).

EUA e União Europeia: retração ou resiliência?

Destaque amanhã deve ser a Declaração de Política Monetária do Banco Central Europeu, que gera grande expectativa no mercado. Há cobrança por atuação mais firme do BCE para estimular o crescimento econômico. Junto a isso, prevê-se para esta quinta o Índice de Atividade do Gerente de Compras da Indústria e dos Serviços de setembro nos EUA, Alemanha, França e União Europeia. 

Nos EUA, estima-se leve recuo (de 51,1 para 50,7), mas ainda em patamar positivo (acima de 50) para a indústria e crescimento na margem nos serviços. Na União Europeia, estabilidade em patamar negativo na indústria e alta (de 51,6 para 52) nos serviços. Vale destacar, também, previsão de crescimento em ambos os setores na Alemanha.

Embora a indústria alemã ainda patine, se confirmados tais resultados haverá boa reação do mercado. Seria indicação de que a economia alemã pode apresentar mais resistência do que o projetado diante de temores de retração global. 

Por fim, vale conferir outros dois índices internacionais, amanhã: o Núcleo de Pedidos de Bens Duráveis para setembro, nos EUA, para o qual se projeta recuo importante, de –0,2% após crescimento de 0,5% em agosto; o Índice de Atividade Econômica da Argentina, que busca antecipar o PIB e, ao que tudo indica, trará resultado fortemente negativo.

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