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25.10.19

Crises políticas e futuro do Mercosul

Termômetro

Forte atenção para Argentina, Chile e Bolívia, ao longo do final de semana. Argentina será o destaque, com eleições no domingo que, tudo indica, levarão o kirchnerismo de volta ao poder. Se confirmada, a vitória deve provocar reação negativa em mercados na segunda-feira. Algumas variáveis serão decisivas para o Brasil:

1) Primeiras declarações do cabeça da chapa, Alberto Fernández, bem como de sua vice, Cristina Kirchner. Indicarão governo voltado para a conciliação – o que parece ser estilo mais afeito à Fernández do que à Cristina – ou apostarão em radicalização à esquerda? E qual será a sinalização acerca do Brasil?

2) Reação do presidente Bolsonaro e do chanceler Ernesto Araújo deixarão porta aberta para o diálogo ou linha adotada será de por “faca no pescoço” do novo governo argentino, bradando risco para o Mercosul?

Já no Chile, prognósticos são de que protestos continuem, após marcha de 1 milhão de pessoas em Santiago, hoje. E há possibilidade de que se acirrem, voltando-se mais diretamente contra o sistema político, mesmo com medidas anunciadas pelo presidente Piñera. Por fim, na Bolívia, o principal ponto será a evolução de conversas com a OEA e o posicionamento dos governos dos EUA e do Brasil.

Se for consolidada a oposição entre esse grupo e o governo boliviano, situação evoluirá para perda de legitimidade internacional do presidente Evo Morales. E nova frente de embates do Brasil com países vizinhos.

Agronegócio e indústria militar em foco

Apesar de certa cobrança por pautas mais concretas, o final da viagem do presidente à China ainda terá boa repercussão, estimulando cobertura positiva de chegada aos Emirados Árabes (sábado) e à Arábia Saudita (segunda).

Pode-se esperar, nos próximos dias:

1) Balanço final de acordos – realizados ou projetados  – com os chineses. Destaque será para exportação de carne bovina; avaliação de possibilidade real de participação de empresas do gigante asiático no megaleilão de petróleo em novembro; parcerias a serem consolidadas nas áreas de energia e infraestrutura.

Também deve haver ilações – embora o assunto tenha ficado em aberto – sobre planejamento do governo brasileiro para adoção da tecnologia 5G. Tema é polêmico porque envolve embate entre a China (através da empresa Hwawei) e os EUA.

2) Nos dois países árabes, pauta sobre compra de tecnologia militar brasileira, com ênfase nos aviões multimissão KC-390, da Embraer. Vai levantar debate sobre a venda recente da parte civil da estatal, para a Boeing. Mas é questão na qual o presidente pode mostrar muita desenvoltura, colhendo boa repercussão. A conferir.

Petroleiros em greve

Está previsto para esse sábado o início de greve dos petroleiros. Não se pode descartar acordo de última hora, mas forte adesão de sindicatos, insatisfeitos com proposta de reajuste da Petrobras, abre espaço para movimento de amplo escopo. Se vier a ocorrer, efetivamente, será grande teste para a atual gestão da estatal. E para o próprio presidente Bolsonaro, que ainda não lidou com iniciativa do gênero.

Ao mesmo tempo, a direção da estatal está fortalecida após balanço acima do esperado para o terceiro trimestre – que pode acelerar agenda de desinvestimentos e privatizações.

Mancha ambiental

Em outra ponta, atenção continuará voltada, amanhã, para vazamento de óleo no litoral do Nordeste, com três questões centrais: 1) Novo diagnóstico da Petrobras indicando que o material vem de 3 campos específicos da Venezuela. Apuração conclusiva tende a fortalecer posição do governo, mas hipóteses não confirmadas tem impacto muito negativo; 2) Expansão de manchas pelo litoral norte da Bahia e cobrança sobre ações do governo; 3) Atuação pessoal do ministro Salles, que avança para perda decisiva de credibilidade junto à mídia.

Embate interno na PGR

Procurador Geral da República Augusto Aras pode enfrentar, nos próximos dias, seu primeiro desgaste interno, em função de apoio ao inquérito das Fake News, movido pelo próprio STF. Associação Nacional dos Procuradores da República fez duras críticas à posição de Aras.

Saúde da Construção

Saem na segunda-feira a Sondagem da Construção e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), ambos da FGV, para outubro. Indicador da construção teve curva similar a do comércio, com queda em setembro após três altas seguidas. Expectativa é por retomada de curva positiva. Já no caso do INCC, variação de 0,60% em setembro, sobre 0,34% em agosto, indicou aquecimento do setor, que pode se confirmar agora, ou apontar acomodação.

 

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